A natureza, limites e lugar das exceções e escrúpulos na subscrição aos nossos Padrões Doutrinários

por Gregory E. Reynolds[1]

 

O ESTADO DA QUESTÃO (statis questionis) [2]

A segunda pergunta de ordenação no Book of Church Order of the Orthodox Presbyterian Church (Form of Government [FG] 13.9) questiona: “Você recebe e adota, sinceramente, a Confissão de Fé e os Catecismos, desta Igreja (Orthodox Presbyterian), como contendo o sistema de doutrina ensinado na Sagrada Escritura?” Em que medida o sistema de doutrina vincula o ordenando à Confissão de Fé e aos Catecismos? Subscrevemos ipsissima verba da Confissão de Fé e Catecismos? Ou podemos subscrever apenas o “sistema de doutrina”? Existe uma diferença entre um “escrúpulo” e uma “exceção”? Se assim for, qual seria? Como determinamos quais escrúpulos e/ou exceções, se houverem, serão aceitáveis? Estas são as perguntas que cada candidato ministerial deveria perguntar-se quando se aproxima da ordenação de um ofício na Orthodox Presbyterian Church.

 

UM PANORAMA DA HISTÓRIA DA SUBSCRIÇÃO NA IGREJA PRESBITERIANA

As questões que nos são apresentadas continuam igualmente debatidas por toda a história do presbiterianismo na América. O assunto da subscrição não era, no entanto, uma novidade da América do Norte. A subscrição protestante dos credos pode ser rastreada até a Genebra de Calvino (1536).[3] A subscrição dos Trinta e Nove Artigos por presbiterianos ingleses pode ser encontrada em 1571.[4] Desde este período até o início do século XVIII, no contexto inglês, de acordo com David Hall: “Obviamente a subscrição significava submissão à doutrina declarada e à sincera aceitação de toda a credenda, sem equívocos, nem reservas mentais”.[5] O contexto escocês revela um contorno nítido na declaração de subscrição nos votos de ordenação usados na Assembleia Geral de 1693: “Eu recebo e declaro, sinceramente, a Confissão de Fé acima, … para ser a Confissão da minha fé, e que a doutrina nela contida é a verdadeira doutrina, a qual vou constantemente apegar-me”.[6] O historiador das confissões Ian Hamilton observa que a mudança da subscrição escocesa anterior em que o ministro “reconhecia … como contendo toda a doutrina”, para uma adoção de “sentido geral” da Confissão, levou ao declínio doutrinário no século XVIII.[7] Há evidências claras de que o contexto de subscrição escocesa e inglesa, durante o período do debate presbiteriano americano, levou ao Ato de Adoção de 1729, que favoreceu uma vigorosa concepção da subscrição.[8]

A adoção americana da Confissão e dos Catecismos, em 1729, no entanto, é repleta de ambiguidades que levaram os estudiosos presbiterianos a interpretações amplamente diferentes da intenção e das consequências desse ato. James Payton sustenta que o resultado dessa ação foi uma via media sobre a questão da subscrição, que lançou as bases para as diferenças subsequentes entre Old e New Schools. Ele ainda argumenta que a incomum precisão dos Padrões de Westminster tornou difícil requerer a subscrição não qualificada que a igreja exigiu de credos anteriores, como as Três Formas de Unidade.[9] A ambiguidade do Ato de Adoção também foi observada no século XIX por subscritores estritos como Charles Hodge e A. A. Hodge.[10] Portanto, o Ato de Adoção de 1729 representa um compromisso entre os oponentes da subscrição, como Jonathan Dickinson e os subscritores “estritos” como John Thompson e George Gillespie, no Sínodo da Philadelphia.[11] Aqueles que ocuparam uma posição mediadora no presbitério foram representados por Thomas Craighead.[12] Outros, como Charles Hodge, acreditavam que uma visão “estrita” era a intenção original dos adotantes, apontando para a interpretação de 1736 que afirma as intenções do “jota e til” do ato original. Mesmo assim, Hodge entendeu que o Ato era um “compromisso … para evitar o cisma”.[13]

A causa da ambiguidade é que ocorreram duas ações separadas em 19 de Setembro de 1729. O texto do Ato foi aprovado na parte da manhã. Esses ministros com reservas “declaram a sua concordância e aprovação da Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve dos divines da Assembleia de Westminster, como sendo todos os artigos essenciais e necessários, boas formas de palavras sadias e sistemas de doutrina cristã e … também adotam a referida Confissão e Catecismos como a confissão de nossa fé”. Os ministros ou candidatos que tiverem “escrúpulos” devem “declará-los ao Presbitério ou ao Sínodo” e esses órgãos “julgariam” se esses escrúpulos eram “apenas artigos não-essenciais e desnecessários na doutrina, no culto ou no governo … desnecessários pontos de doutrina”, ou não. Na sessão da tarde, foram considerados certos escrúpulos, tendo em vista os artigos relativos ao magistrado civil (capítulos 20 e 23). A forma de subscrição, no segundo voto de ordenação, adotada como lei constitucional pelo Sínodo de 1788, embora não cite diretamente o Ato de Adoção de 1729, incorpora a sua intenção.[14] Este voto de ordenação de 1788 é precisamente o mesmo atualmente usado pela Orthodox Presbyterian Church (FG 13.9, ver acima). Deve ser cuidadosamente observado que a declaração geral da ação da manhã foi “preliminar” à Lei de Adoção aprovada na sessão da tarde. Somente a segunda possui autoridade do Sínodo.[15]

Charles Hodge argumentou que a visão estrita da subscrição era a intenção dos adotantes, admitindo que “a linguagem do ato permite que a intenção dos seus autores tivesse questões de dúvida”.[16] Entretanto, Hodge duvida da integridade daqueles que interpretariam a linguagem da Lei de Adoção para comprometê-la a “apenas naquilo que a Confissão é essencial para o evangelho”.[17] Ele insiste que “todos os artigos essenciais e necessários da referida Confissão” se referem a todo o tecido do documento. Resumir os artigos essenciais ao evangelho na confissão, removeria a necessidade de uma confissão.[18] A “completa declaração sistemática das doutrinas”, embora que não exigindo a concordância de cada “proposição” ou “expressão” usada na formulação de uma doutrina particular na Confissão, é o que os ministros subscrevem.

Hodge ainda observa que a questão dos escrúpulos é mais ambígua, mas, no entanto, a intenção foi estabelecer uma visão estrita da subscrição. O sistema de “doutrina, culto e governo” não pode ser separado de todos os seus elementos que constituem o que é o presbiterianismo. Hodge explica a insatisfação de muitos e as subsequentes interpretações latitudinárias do Ato pelo fato de que o texto do que foi aprovado na sessão da tarde, continha a explicação dos escrúpulos como apenas se referindo a “algumas cláusulas do vigésimo e do vigésimo terceiro capítulo” não foi impresso e distribuído com o Ato.[19] O Sínodo de 1730 teve que explicar, portanto, que a “declaração” da sessão da tarde era interpretativa do significado do Ato de Adoção aprovada na sessão da manhã.

Uma vez que a confusão e a insatisfação continuaram na igreja, o Sínodo de 1736 declarou que “o Sínodo adotou e ainda adere à Confissão, Catecismos e Diretório de Westminster, sem a menor variação ou alteração”. Reiterou que os únicos escrúpulos admitidos eram “algumas cláusulas nos capítulos vigésimo e vigésimo terceiro”.[20] Isso foi passado sem objeção (nemine contradicente). A referência de Payton a este ato como “abortiva” é misteriosa à luz dessa unanimidade. Ele parece desconsiderar a relação das duas partes do ato, a fim de argumentar que o Ato de Adoção foi destinado a ser uma saída mais ampla da tradição britânica e continental de subscrição estrita.[21] Vários presbitérios aprovaram as suas próprias versões de subscrição, incluindo a vigorosa posição do Presbitério de New Castle que se referia à Confissão e aos Catecismos como “levando-os no sentido verdadeiro, genuíno e óbvio das palavras”.[22]

Conforme mencionado acima, a específica redação do segundo voto, que atualmente usamos, foi adotada pelo Sínodo de 1788. As palavras “adotar” e “receber” foram usadas no Ato de Adoção de 1729 e esclarecidas pelo Sínodo de 1730: “Para receber e adotar a Confissão e os Catecismos … da mesma maneira e tão plenamente quanto os membros do Sínodo o fizeram”. George Knight oferece um argumento histórico convincente para provar que a expressão “sistema de doutrina” se refere a todos e cada artigo e doutrina da Confissão.[23] Ao afirmá-lo, o candidato está subscrevendo todo o corpo de ensino da Confissão como um resumo do ensino da Escritura. Ou seja, não estamos dizendo que acreditamos nos artigos da Confissão “tanto quanto” eles ensinam o que é bíblico, mas sim acreditamos que tudo o que eles ensinam é bíblico. Se não acreditamos nisso, de boa consciência, não podemos fazer o voto de ordenação, ou seja, fazê-lo “honestamente”.[24]

Mais próximo do nosso próprio contexto imediato foi a tentativa dos conservadores no início deste século de preservar a essência do cristianismo histórico, ao declararem que é necessário, no mínimo, afirmar os “cinco fundamentos”. Como Knight observa, isso teve o efeito indesejado de reduzir aos “artigos essenciais e necessários” do Ato de Adoção para apenas cinco, embora a ação de 1910 da Assembleia Geral se referisse aos “cinco fundamentos” como “certos artigos de fé essenciais e necessários”.

Quando a Assembleia de 1927 deu a cada presbitério o direito de determinar quais os artigos ou doutrinas que o presbitério consideraria como parte do sistema de doutrina dos padrões confessionais, a Assembleia abandonou a história passada do presbiterianismo americano.[25]

 

Uma coisa é clara ao analisar esta história: a ideia do “sistema de doutrina” é usada por aqueles que sustentam doutrinas que se desviam gravemente da nossa Confissão e Catecismos. O perigo é ver o “sistema” como uma espécie de corpo supraconfessional da verdade que transcende o texto da própria Confissão. Esta visão evita toda ideia de ter uma confissão em primeiro plano. Isso se torna especialmente problemático no contexto moderno da hermenêutica neo-ortodoxa e desconstrutiva. Como um resumo cuidadosamente redigido dos ensinos perspicazes e essenciais da Escritura, um credo deve ser afirmado na sua totalidade como um sistema, ou não. Uma advertência convincente aparece no “Ato e Testemunho” de 1834, estruturado pelo Dr. R.J. Breckenridge como um protesto da Old School Velha contra a visão “ampla” da subscrição realizada pela New School: “2. Nós testemunhamos contra o subterfúgio não-cristão, ao qual alguns recorrem, quando confessam uma adesão geral aos nossos padrões como um sistema, enquanto negam doutrinas essenciais ao sistema ou mantêm doutrinas em completa variação com o sistema”.[26]

Por outro lado, ao preservar a visão da subscrição integral, não devemos exigir mais do que fizeram os nossos antepassados mais estritos. O tipo de erros doutrinários que a Old School se opunha na visão da subscrição e que se opuseram por meio do “Ato e Testemunho” de 1834, eram as heresias “socinianas, arminianas e pelagianas”,[27] questões de importância central para o sistema. Nem toda palavra, frase ou mesmo ensino deveria ser adotado, ou mesmo entendido, para manter essa visão ortodoxa de subscrição dos nossos padrões confessionais.

Uma abertura do Presbitério do Norte da Califórnia na Orthodox Presbyterian Church foi apresentada à Sexagésima Assembleia Geral, em 1993, que propõe mudanças nos votos da segunda ordenação.[28] A Assembleia enviou-o de volta porque faltava os “motivos” necessários e nunca reapareceu.[29] Ele define “sistema de doutrina” como “todo o corpo de verdade que as Escrituras Sagradas ensinam. A Confissão de fé e os Catecismos devem ser recebidos pelo licenciado e oficial como uma satisfatória exposição desta verdade em um todo integral e indivisível. Ao receber e adotar os padrões, ele afirma e concorda com nada menos do que o conjunto completo de afirmações contidas na Confissão de Fé e Catecismos”. Isso é semelhante, mas não exatamente, o que Charles Hodge defendeu foi a intenção original do Ato de Adoção de 1729. Hodge enfatizou a integridade do sistema e não o “conjunto completo de afirmações”.

Neste ponto, resumirei o tratamento de Charles Hodge sobre esta questão no Church Polity, “Adoção da Confissão de Fé” (pp. 317-335; este foi anteriormente um artigo na Princeton Review 1858, 669). Hodge distingue entre três pontos de vista sobre o que o voto de subscrição exige de um ministro quando declara que a Confissão e os Catecismos contêm “o sistema de doutrina ensinado nas Sagradas Escrituras”. O ministro subscreve: 1) a substância da doutrina; 2) a cada proposição; 3) o sistema de doutrina. Uma quarta distinção pode ser extraída do número 3.[30] Pelo “sistema de doutrina”, Hodge entendia as doutrinas essenciais, não cada doutrina. A proposta acima mencionada parece indicar uma quarta visão: 4) toda doutrina.[31]

Hodge explora as implicações dos critérios dos votos e juramentos – o significado histórico das palavras e animus imponentis (a intenção da parte de quem impõe o juramento).[32] Ele conclui: “A confissão deve ser adotada no sentido da Igreja, ao serviço do qual o ministro, em virtude dessa adoção, é recebido”. Assim, a intenção da igreja em sua adoção da confissão, juntamente com o histórico de suas deliberações sobre exceções, deve ser levada em consideração.

Assim, Hodge conclui sobre a visão 1: Desde o início, portanto, a mentalidade da nossa Igreja é de que o “sistema de doutrina” em sua integridade, e não a substância dessas doutrinas, era o termo de comunhão ministerial …. A frase “substância da doutrina” não tem um significado atribuível definitivo.[33] No outro lado da visão do espectrum 2 “é contrário ao animus imponentis ou à mentalidade da Igreja”.[34] O “sistema de doutrinas tem um significado definido e serve para definir e limitar a extensão em que a Confissão é adotada”.[35] Exigir a adoção de cada proposição ou ensino é convidar à hipocrisia e promover a desunião. “Nós não temos certeza de que pessoalmente conheçamos uma dúzia de ministros além de nós mesmos, que poderiam fazer o teste”.[36] “Sempre que um homem é induzido a fazer o que ele não aprova, ou a professar o que ele não crê, a sua consciência está contaminada …”. É [a exigência de adotar cada proposição] promover um espírito de evasão e subterfúgio”.[37]

A própria posição de Hodge, a visão 3, varia da posição 4 a medida em que ele não crê que o “sistema de doutrina” exige subscrição de cada doutrina ensinada na Confissão. Hodge toma a sua sugestão do Ato de Adoção original de 1729, que se refere aos “artigos essenciais e necessários, boas formas de palavras sólidas e sistemas de doutrina cristã” e define “escrúpulos” como “apenas sobre artigos não-essenciais e desnecessários na doutrina, adoração ou governo”.[38] Assim, o “sistema” exclui artigos que não fazem parte da “totalidade do sistema em sua integridade”.[39] Hodge tem o cuidado de distanciar-se da visão de que essencial se refere apenas às “doutrinas do evangelho”.[40] Essencial refere-se, em vez disso, a todo o “sistema de doutrinas comuns às Igrejas Reformadas”.[41] Isso inclui todos os ensinos sobre doutrina, adoração e governo que são essenciais para esse sistema. Existem três categorias de tais ensinos: 1) aqueles comuns a todos os cristãos, expressos nos primeiros concílios da igreja antiga; 2) aqueles comuns a todos os protestantes, distintos do romanismo; 3) aqueles peculiares às Igrejas Reformadas, distintos do luteranismo e do arminianismo.[42] Por outro lado, Hodge dá exemplos de doutrinas não essenciais ao sistema, que são consistentes com o tipo de exceções observadas pela assembleia adotante. Estas são doutrinas “relativas a magistrados civis, o poder do Estado, as condições de adesão à Igreja, o casamento, o divórcio e outras questões que se encontram fora do “sistema de doutrina” em seu sentido teológico”.[43] Tão importante quanto o ensino da Confissão sobre essas doutrinas, afirma Hodge, é a Igreja ser sábia de não torná-las condições de comunhão ministerial.

 

DEFINIÇÃO DE TERMOS

  1. Subscrição ampla ou “subscrição do sistema”[44] – Afirma as doutrinas essenciais do “sistema de teologia”. Nem toda doutrina ensinada na Confissão está inclusa nesta concepção.
  1. Subscrição estrita ou “subscrição integral”[45] – Afirma toda doutrina na Confissão e Catecismos; nem toda palavra ou frase, mas toda doutrina.
  1. Escrúpulo – literalmente do latim: scrupulus, pequena pedra pontiaguda, especialmente num sapato, causando desconforto, portanto, dúvida baseada em razões conscientes (escrúpulos). A Assembleia que produziu o Ato de Adoção de 1729 definiu “escrúpulos” e como eles deveriam ser tratados:

No caso de algum ministro deste sínodo, ou candidato para o ministério ter qualquer escrúpulo em relação a algum artigo ou artigos da referida Confissão ou Catecismos, ele deve, no momento da sua declaração, expor os seus sentimentos ao referido presbitério ou sínodo; no entanto, será admitido no exercício do ministério dentro dos nossos limites e à comunhão ministerial, se o sínodo ou o presbitério julgarem seu escrúpulo ou erro ser somente nos artigos não-essenciais e menos importantes na doutrina, culto ou governo.[46]

 

Embora possa ser demonstrado que a intenção original em relação aos escrúpulos se limitou a certos ensinos sobre o magistrado civil em seu relacionamento com a igreja nos capítulos 20 e 23, também é claro que, desde o início, os escrúpulos foram entendidos como referentes a um alcance mais amplo de exceções, devido à ambiguidade da definição original de escrúpulos.[47] O debate sobre a extensão em que as exceções são aceitáveis continuou desde então.

George Knight chama nossa atenção, no entanto, para a definição de escrúpulos, à luz da declaração da tarde (que é a Lei de Adoção), que definiu os escrúpulos aos quais esse Sínodo fez exceções, bem como os esclarecimentos oficiais de 1730 e 1736. “Artigos e doutrinas essenciais e necessárias”, de acordo com Knight, inclui todos os artigos e doutrinas na Confissão. Os escrúpulos foram definidos como “pontos não-essenciais e desnecessários”. Os únicos escrúpulos permitidos em 1729 foram “algumas cláusulas nos capítulos vigésimo e vigésimo terceiro”. Esses não-essenciais, bem como “expressões” ou modos de articulação de artigos ou doutrinas foram as únicas categorias de escrúpulos aceitas pelo Sínodo como permitidas na subscrição.[48] Além disso, esta definição limitava os assuntos sobre os quais os presbitérios e sínodos poderiam julgar. Segundo Knight, os concílios não têm a liberdade de decidir quais doutrinas e artigos são essenciais, pois todos eles são essenciais como parte do sistema.

Hodge diferiu neste ponto ao permitir que outras doutrinas fossem consideradas não-essenciais e desnecessárias para o sistema. Enquanto que Knight parece considerar “pontos não-essenciais e desnecessários” para se limitar aos modos de expressão das doutrinas da Confissão, Hodge tomou o exemplo de cláusulas nos capítulos 20 e 23 sobre o magistrado civil, como precedentes para exceções doutrinais de não-essencialidade para o sistema como articulado nas outras confissões reformadas. Claramente as cláusulas relativas ao magistrado civil, a que muitos no Ato de Adoção da assembleia aceitaram como exceção, eram mais do que meros modos de expressão, mas se referiam a doutrinas específicas sobre o papel do magistrado civil que a igreja americana não poderia afirmar. O nosso John Murray fez exceção à doutrina confessional do divórcio e do novo casamento em matéria de novo casamento em caso de abandono.

 

  1. Exceção – Tanto quanto posso verificar o termo “exceção” é sinônimo de “escrúpulo”.[49] Embora “exceção” em nosso presbitério seja usada como se fosse mais grave do que um “escrúpulo”,[50] não há suporte para esta distinção na história das nossas igrejas. Um desvio disso é encontrado na abertura acima mencionada na Sexagésima Assembleia Geral.[51] A abertura definiu “exceção” como

Uma discordância, uma objeção, ou uma reserva mental acerca de qualquer afirmação presente na Confissão de Fé e Catecismos, devendo ser distinguida de uma objeção inconsequente para uma proposição ou de um equívoco, ou de uma reserva sobre a terminologia. No entanto, essa distinção deve ser feita apenas por aqueles que têm autoridade para julgar, nunca pelo indivíduo. Nenhum oficial ou licenciado deve presumir ter o direito de fazer uma autoavaliação em relação a essa distinção.

Uma excepção às normas confessionais pode ser concedida por uma comissão de julgamento, por razões de consciência, apenas se 1) afeta uma afirmação periférica e de menor importância nos padrões, que não seja central, nem fundamental, 2) não abandona o ensino central de qualquer capítulo da Confissão ou anula uma resposta completa a qualquer questão nos Catecismos, e 3) não prejudica o sistema de verdade na Confissão e Catecismos como um todo.

 

A distinção aqui é feita entre os escrúpulos em que uma “exceção” é uma afirmação não-essencial, ao passo que “objeção inconsequente” ou “equívoco” é uma “expressão” com a qual não discorda. Por mais confusa que seja a terminologia, a substância de uma compreensão histórica das intenções do Ato de Adoção de 1729 está presente na abertura. Estas são três: 1) nenhuma exceção ou escrúpulos serão admitidos se minarem o completo conjunto das declarações presentes na Confissão de Fé e Catecismos, 2) há duas categorias de exceções ou escrúpulos: asserções periféricas ou menores, e equívocos sobre a terminologia, 3) somente o presbitério pode decidir o que é, ou não, uma exceção ou escrúpulo apropriado ou admissível.

À luz da confusão sobre os termos, escrúpulo e exceção, usarei “exceção/escrúpulo”.

 

CONCLUSÕES

O original ato “preliminar”, juntamente com o Ato de Adoção de 1729, à luz da sua elucidação posterior, em 1730 e 1736, intencionava uma subscrição integral de todo o sistema de doutrina articulado na Confissão de Fé e Catecismos de Westminster.

Embora os mal-entendidos e as perversões posteriores desta intenção possam ter levado a uma visão ampla ou “de substância” da subscrição, o “sistema de doutrina ensinado nas Sagradas Escrituras” refere-se a todo o corpo de artigos e doutrinas em sua integridade como sistema, expresso na Confissão de Fé e Catecismos de Westminster. Os candidatos e ministros devem afirmar que todos os artigos do sistema ensinados na Confissão são essenciais e necessários.

As exceções/escrúpulos só são admissíveis se eles se referirem a doutrinas, “proposições”, frases ou palavras não-essenciais. Entretanto, não-essenciais refere-se a artigos, “proposições”, frases ou palavras que não alteram a nossa compreensão dos artigos e doutrinas essenciais ao sistema, conforme expressas na Confissão de Fé e Catecismos de Westminster.

Os presbitérios têm autoridade para decidir a admissibilidade das exceções/escrúpulos somente dentro dos limites dos artigos não-essenciais, “proposições”, frases ou palavras de acordo com as decisões históricas dos tribunais da igreja.

 

Bibliografia Selecionada

  1. Cooper, James. Confessions of Faith and Formulas of Subscription in the Reformed Churches of Britain and Ireland, Especially in the Church of Scotland. Glasgow: James MacLehose and Sons, 1907.
  2. Donaldson, James. The Westminster Confession of Faith and the Thirty-Nine Articles of the Church of England: The Legal, Moral, and Religious Aspects of Subscription to Them. London: Longmans, Green and Co., 1905.
  3. Ellis, George Elwood. Nation, Creed, and Unity: The Significance of the Subscription Controversy for the Development of Colonial Presbyterianism. Ph.D. dissertation at Temple University, n.d. 1983.
  4. Hall, David W., ed. The Practice of Confessional Subscription. New York: University Press of America, Inc., 1995.
  5. Hodge, Charles. The Constitutional History of the Presbyterian Church in the United States of America. Philadelphia: Presbyterian Board of Publication, 1851. Pt. I pp.149ss.; Pt. II, 305ss.
  6. ________, Discussions in Church Polity. New York: Charles Scribner’s Sons, 1878. Chapter XIV “The Presbytery,” §7, pp. 317–42.
  7. Macleod, Donald, ed. Hold Fast Your Confession. Edinburgh: Knox Press, 1977.
  8. Miller, Samuel. Doctrinal Integrity. Dallas TX: Presbyterian Heritage Publications, 1979. “Adherence to Our Doctrinal Standards,” pp. 75–131.
  9. Mitchell, Alexander F. The Westminster Assembly: Its History and Standards. pp. 48, 74, nota 529.
  10. Murray, John. “Creedal Subscription in The Presbyterian Church in the U.S.A.” in Morton Smith, Subscription to the Westminster Standards in the Presbyterian Church in America. n.d. pp. 65-82. Também em David W. Hall, ed. The Practice of Confessional Subscription. New York: University Press of America, Inc., 1995, pp. 247–62.
  11. Payton, James, Jr. “Background and Significance of the Adopting Act of 1729.” Pressing toward the Mark. Committee for the Historian of the Orthodox Presbyterian Church, 1986, pp. 131–45.
  12. Smith, Morton H. Subscription to the Westminster Standards in the Presbyterian Church in America. n.d., pp. 1–40.

 

Traduzido por Rev. Ewerton B. Tokashiki

Revisado por Rev. Fôlton Nogueira

 

NOTAS:

Extraído – http://www.opc.org/os.html?article_id=415&issue_id=94

Traduzido por Ewerton B. Tokashiki em 09/08/2017.

[1] O autor é o editor da revista Ordained Servant [postagem de Ordained Servant Online, April 2014].

[2] Este artigo foi originalmente escrito para a Comissão de Candidatos e Licenciados do Presbitério de New York e New England, em 1999, revisado em 2008, passando por modificações.

[3] David W. Hall, “On the Hermeneutics of Subscription,” in The Practice of Confessional Subscription, ed. David W. Hall (New York: University Press of America, Inc., 1995), p. 2.

[4] Ibid., pp. 3–4.

[5] Ibid., p. 5.

[6] Ibid., p. 10.

[7] Ibid., 11. Conferir os votos integrais e estritos para licenciados na p. 12.

[8] Ibid., pp. 13–14.

[9] James Payton Jr., “Background and Significance of the Adopting Act of 1729,” in Pressing toward the Mark: Essays Commemorating Fifty Years of the Orthodox Presbyterian Church, eds. Charles G. Dennison and Richard C. Gamble (Philadelphia: Committee for the Historian of the Orthodox Presbyterian Church, 1986), pp. 131, 134, 135. Confira Luder G. Whitlock Jr., “The Context of the Adopting Act,” in Hall, Confessional Subscription, p. 99. Para o completo texto do Ato de Adoção veja o Apêndice A.

[10] Luder G. Whitlock Jr., “The Context of the Adopting Act,” in Hall, Confessional Subscription, pp. 99–100.

[11] Ibid., p. 97ss.

[12] Ibid., pp. 98–99.

[13] Charles Hodge, The Constitutional History of the Presbyterian Church in the United States of America (Philadelphia: Presbyterian Board of Publication, 1851) in Hall, Confessional Subscription, p. 109.

[14] James Payton Jr., “Background and Significance of the Adopting Act of 1729,” in Dennison and Gamble, Pressing toward the Mark, p. 138.

[15] George W. Knight III, “Subscription to the Westminster Confession of Faith and Catechisms,” in Hall, Confessional Subscription, p. 121.

[16] Charles Hodge, The Constitutional History, in Hall, Confessional Subscription, p. 107.

[17] Ibid.

[18] Ibid., p. 108.

[19] Ibid., p. 110.

[20] Ibid., pp. 111–12.

[21] Payton, “Background and Significance” in Dennison and Gamble, Pressing toward the Mark, p. 137ss.

[22] Hodge, The Constitutional History, in Hall, Confessional Subscription, p. 114.

[23] Knight, “Subscription to the Westminster Confession and Catechisms,” in Hall, Confessional Subscription, p. 127ss.

[24] Book of Church Order of the Orthodox Presbyterian Church (Form of Government [FG] 13.9).

[25] Knight, “Subscription”, p. 140ss.

[26] Morton H. Smith, Subscription to the Westminster Standards in the Presbyterian Church in America, n.d., p. 51.

[27] Ibid. Conferir as dezesseis “Specifications of error in the Memorial,” pp. 52–54.

[28] Minutes of the Sixtieth General Assembly, pp. 81–83.

[29] John R. Muether, “Confidence in Our Brethren: Creedal Subscription in the Orthodox Presbyterian Church,” in Hall, Confessional Subscription, p. 307.

[30] Devo esta distinção ao Dr. T. David Gordon.

[31] No original: By the “system of doctrine” Hodge understood essential doctrines, not every doctrine. The overture noted above would seem to indicate a fourth view: 4) every doctrine. Nota do tradutor.

[32] Charles Hodge, Discussions in Church Polity (New York: Charles Scribner’s Sons, 1878), p. 319.

[33] Ibid., p. 324.

[34] Ibid., p. 327.

[35] Ibid., p. 326.

[36] Ibid., p. 331.

[37] Ibid., p. 332.

[38] Ibid., p. 321.

[39] Ibid., p. 323.

[40] Ibid., p. 329.

[41] Ibid., p. 326.

[42] Ibid., p. 333.

[43] Ibid., p. 334.

[44] Smith, Subscription to the Westminster Standards, pp. 3–4.

[45] Ibid., pp. 2–3.

[46] Ibid., p. 11, das Minutes of Synod, p. 104. Ênfase acrescentada.

[47] Ibid., p. 16.

[48] Knight, “Subscription to the Westminster Confession,” in Hall, Confessional Subscription, p. 126.

[49] Smith, Subscription to the Westminster Standards. Smith simplesmente usa os termos “escrúpulo” e “exceção” de modo intercambiável em seu artigo.

[50] E-mail do Rev. William Shishko (Setembro de 1998): “Uma ‘exceção’, como eu entendo, é algo que você crê ser errado ou declarado erroneamente na confissão, ou seja, é algo com o qual você não concorda. (Pessoalmente, não acredito que um homem possa ensinar sua exceção, por exemplo, creio que os proponentes da hipótese da estrutura precisariam declarar uma exceção à confissão … e não foram capazes de ensinar essa visão). Um ‘escrúpulo’ é algo com o qual você tem um problema de consciência, por exemplo, você tem um escrúpulo contra a obrigação de ensinar uma criação de seis dias literais se – de fato – é determinado que é o significado real da Confissão. Sim, provavelmente, você está certo sobre isso [que não há distinção entre ‘escrúpulo’ e ‘exceção’ na história desta discussão]. Mais central à questão é saber se um homem tem permissão de ensinar o que ele entende como escrúpulo/exceção”.

[51] Minutes of the Sixtieth General Assembly, p. 82. Ênfase acrescentada.

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