Proposições do Governo Eclesiástico e Ordenação de Ministros da Assembleia de Westminster

 

 

INTRODUÇÃO

A produção teológica da Assembleia de Westminster delineia, de modo refinado e detalhado, o modelo de governo eclesiástico, e deste modo, depondo contra os sistemas episcopal e o congregacional, também representados minoritariamente naquele concílio.[1] Entretanto, a adoção do presbiterianismo não era apenas uma questão de conveniência, mas a soma de vários motivos. O primeiro seria o antirromanismo. O segundo motivo seria o resultado da influência direta de homens como William Perkins e s Thomas Cartwright e John Paget. O terceiro seria a influência de um livro que surgiu de autoria anônima, e que teve grande impacto entre os teólogos ingleses contemporâneos à Assembleia de Westminster.[2] O último motivo foi o cumprimento do tratado político de unidade religiosa entre os três reinos britânicos. As Proposições Concernentes ao Governo Eclesiástico e Ordenação de Ministros é o resultado do tratado A Liga Solene e Aliança entre a Escócia,[3] Inglaterra e Irlanda.[4] O Parlamento escocês e inglês estabeleceram um contrato para o estabelecimento do sistema de governo presbiteriano.

As Proposições seguiram como proposta da Assembleia de Westminster para a avaliação na Assembleia Geral da Igreja da Escócia. O documento original estava sob o título Um Diretório para o Governo Eclesiástico e Ordenação de Ministros para ser examinado ainda na próxima Assembleia Geral.[5] O concílio nacional da Igreja da Escócia se reuniu, em 1647, e deliberou a aprovação do texto em seus termos, com pequenas alterações, e o acréscimo de textos-prova, no corpo e nas laterais do documento.[6]

 

CONTEÚDO

Prefácio

Da Igreja

Dos oficiais da Igreja

Os pastores

Mestre ou doutor

Outros governantes eclesiásticos

Diáconos

Das congregações particulares

Dos oficiais de uma congregação particular

Das ordenanças numa congregação particular

Do governo da Igreja e das suas diferentes assembleias

Do poder comum de todas estas Assembleias

Das assembleias congregacionais, ou seja, o conselho dos oficiais

Dos governantes duma congregação particular para o seu próprio governo

Das assembleias dos presbitérios

Das assembleias sinodais

Da ordenação de ministros

Da doutrina da ordenação

Do poder da ordenação

Da parte doutrinária da ordenação de ministros

Do diretório para a ordenação de ministros

 

 

PROPOSIÇÕES DO GOVERNO ECLESIÁSTICO

E ORDENAÇÃO DE MINISTROS

 

Aos mui justos honoráveis Senhores e Comuns reunidos no Parlamento.

O humilde conselho da Assembleia dos Teólogos

estabelecida em Westminster por ordem do Parlamento

para decidir acerca do Governo Eclesiástico.

PREFÁCIO[7]

Jesus Cristo sobre cujos ombros está o governo, cujo nome é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz; o crescimento do seu governo e paz não terá fim, Is 9:6-7; o que se senta no trono de Davi, e sobre o seu reino, para ordená-lo e estabelece-lo em juízo e justiça, desde agora e para sempre; recebendo todo o poder nos céus e na terra do Pai, que o fez ressurgir dos mortos, e o assentou à sua destra, colocando-o acima de todo principado e poder, potestade, domínio e todo nome que se possa mencionar, não somente neste mundo, como também no vindouro, e colocou todas as coisas debaixo de seus pés, e lhe pôs por Cabeça sobre todas as coisas para a Igreja, que é seu corpo, a plenitude daquele que enche tudo em todos. Tendo ascendido acima de todos os céus, para que seja a plenitude de todas as coisas, recebeu dons para a sua igreja, concedeu oficiais necessários para a edificação de sua igreja, e o aperfeiçoamento dos seus santos.[8]

 

DA IGREJA

Há uma Igreja geral visível apresentada no Novo Testamento, 1 Co 12:12-13, 28 e todos os demais versículos do capítulo. O ministério, oráculos e as ordenanças do Novo Testamento, são dadas por Jesus Cristo para a Iglesia geral visível, para a reunião e aperfeiçoamento dela nesta vida, até a sua segunda vinda, 1 Co 12:28; Ef 4:4-5 compare com os versos 10-16 do mesmo capítulo.

As igrejas visíveis particulares,[9] membros da Igreja geral, também são apresentadas no Novo Testamento, Gl 1:21-22; Ap 1:4.20; 2:1. As igrejas particulares nos tempos primitivos foram compostas dos santos visíveis, ou seja, aqueles que, sendo adultos, professaram fé em Cristo e obedência à Cristo, conforme as regras da fé e vida ensinadas por Cristo e seus apóstolos; bem como por seus filhos, At 2:38,41 compare com At 5:14; 1 Co 1:2 compare com 2 Co 9:13; At 2:39; 1 Co 7:14; Rm 11:16 e os demais versos; Mc 10:14 compare com Mt 19:13-14; Lc 18:15-16.

 

Dos oficiais da Igreja

Os oficiais que Cristo designou para a edificação de sua Igreja e o aperfeiçoamento dos santos, são alguns extraordinários, como apóstolos, evangelistas e profetas, que cessaram. Outros oficiais são ordinários e perpétuos, como pastores, mestres e outros regentes e diáconos da Igreja.

 

Pastores

O pastor é um oficial ordinário e perpétuo na Igreja, Jr 3:15-17. Pregando desde o tempo do Evangelho, 1 Pe 5:2-4; Ef 4:11-13.[10] Primeiro, isto pertence ao seu ofício, orar por e com o seu rebanho, como a boca do povo diante de Deus, At 6:2-4; 20:36. Onde a pregação e a oração estão unidas como distintas partes do mesmo ofício, Tg 5:14-15. O ofício do presbítero, que é o pastor, é orar pelos enfermos, mesmo que em privado, ao qual uma benção está especialmente prometida, muito mais, portanto, deve cumprir isto na execução pública de seu ofício, como parte dele 1 Co 14:15-16. Ler as Escrituras publicamente, para a prova destas coisas.

  1. Há evidências de que os sacerdotes e levitas na Igreja judia foram recomendados com a leitura pública da Palavra, Dt 31:9-11; Ne 8:1-3, 13.
  2. Que os ministros do evangelho têm como uma ampla obrigação e comissão o dispensar a Palavra, assim como as outras ordenanças, como igualmente tiveram os sacerdotes e levitas sob a Lei, provado em Is 66:21; Mt 23:34, onde o nosso Salvador designou aos oficiais do Novo Testamento, aos quais enviou, com os mesmos nomes dos mestres do Antigo Testamento, Is 66:21; Mt 23:34.

Estas proposições provam que, consequentemente, sendo o dever de natureza moral, segue por justa consequência, que a leitura pública das Escrituras pertence ao ofício de pastor. O alimento do rebanho, pela pregação da Palavra, conforme o qual deve ensinar, convencer, reprovar, exortar e consolar, 1 Tm 3:2; 2 Tm 3:16-17; Tt 1:9. Catequizar é simplesmente assentar os princípios iniciais dos oráculos de Deus, Hb 5:12, ou da doutrina de Cristo, e é uma parte da pregação. Dispensar outros mistérios divinos, 1 Co 4:1-2. Administrar os sacramentos, Mt 28:19-20; Mc 16:15-16; 1 Co 11:23-25; compare 1 Co 10:16. Abençoar ao povo da parte de Deus, Nm 6:23-26 compare com Ap 1:4-5 (onde as mesmas bênçãos e vem das mesmas pessoas, são mencionadas expressamente) Is 66:21. Onde os nomes dos sacerdotes e levitas, que continuam sob o evangelho, significam pastores evangélicos que, consequentemente, têm por ofício a benção para o povo, Dt 10:8; 2 Co 13:14; Ef 1:2. Cuidar dos pobres, At 11:31; At 4:34-37; At 6:2-4; 1 Co 16:1-4; Gl 2:9-10. E também possuem poder de governo sobre o rebanho como um pastor, 1 Tm 5:17; At 20:17, 28; 1 Ts 5:12; Hb 13:7,17.

 

Mestre ou doutor

A Escritura apresenta o nome e título de mestre, da mesma maneira que o do pastor, 1 Co 12:28; Ef 4:11. É aquele que também é um ministro da Palavra, assim como o pastor, e tem o poder da administração dos sacramentos.

O Senhor concedeu diferentes dons e diversas operações, conforme estes dons, no ministério da Palavra, Rm 12:6-8; 1 Co 1,4-7. Ainda que estes diferentes dons possam serem encontrados num ministro e, consequentemente, serem exercidos pelo mesmo ministro, 1 Co 14:3; 2 Tm 4:2; Tt 1:9; contudo, onde há vários ministros na mesma congregação, eles podem ser designados a distintas funções, conforme os diferentes dons em que cada um deles sobressai, Rm 12:6-8; 1 Pe 2:10-11; e quem se destacar na exposição da Escritura, no ensino sólido da doutrina, e convencer aos oponentes, então que se dedique na sua aplicação, e deste modo seja empregado nela, podendo ser chamado de mestre, ou doutor, (os lugares citados da Escritura provam esta proposição). Todavia, onde não há mais do que um ministro numa congregação particular, ele cumprirá, tanto quanto seja capaz de fazê-lo, em toda a obra do ministério, 2 Tm 4:2; Tt 1:9; 1 Tm 6:2.

Um mestre, ou doutor, é do mais excelente uso em escolas e universidades, como nas antigas escolas dos profetas e, em Jerusalém, onde Gamaliel e outros ensinaram como doutores.

 

Outros governantes da Igreja

Como houve na Igreja judia, anciãos do povo, junto dos sacerdotes e levitas, no governo da Igreja, como aparece em 2 Cr 19:8-10. Assim Cristo, que instituiu o governo, e os governantes eclesiásticos na Igreja, forneceu a alguns em sua igreja, ladeando aos ministros da Palavra, com dons para o governo, e com a comissão de executá-los quando chamados para isto, que se associem com o ministro no governo da Igreja, Rm 12:7-8; 1 Co 12:28. As igrejas reformadas comumente chamam a estes oficiais de presbíteros.

 

Diáconos

A Escritura apresenta os diáconos como um oficial distinto na Igreja, Fp 1:1; 1 Tm 3:8. Cujo ofício é perpétuo, 1 Tm 3:8-15; At 6:1-4. A cujo ofício não pertence pregar a Palavra, ou administrar os sacramentos, senão tomar especial cuidado em distribuir recursos às necessidades dos pobres, At 6:1-4 e os versos seguintes.

 

Das congregações particulares

É lícito e conveniente que hajam congregações fixas, ou seja, uma certa sociedade de cristãos para encontrar-se ordinariamente numa assembleia para a adoração pública. Quando os crentes se multiplicam até um certo número, que não suportem mais se reunirem, convenientemente, num mesmo lugar, é lícito e proveitoso que se dividam em congregações distintas e fixas, para a melhor administração das ordenanças que lhes pertencem e o cumprimento dos deveres mútuos. Veja em 1 Co 14:26: “todas as coisas sejam feitas para a edificação” e os versos 33 e 40.

A maneira ordinária de dividir os cristãos em distintas congregações, e o mais proveitoso modo para a edificação, é pelos limites respectivos de suas residências. Primeiro, porque os que habitam juntos, estão ligados a todo tipo de deveres morais entre si e, assim, têm melhor oportunidade de cumprí-los; o qual é um vínculo moral e perpétuo; porque Cristo não veio para destruir la Lei, senão para cumprí-la, Dt 15:7,11; Mt 22:39; Mt 5:17. Segundo, a comunhão dos santos deve ser organizada de modo que permita o mais apropriado uso das ordenanças, e o cumprimento dos deveres morais, sem acepção de pessoas, 1 Co 14:26. Sejam todas as coisas feitas para edificação. Hb 10:24-25; Tg 2:1-2. Terceiro, o pastor e o povo devem conviver tão próximos quanto possível, para que cumpram reciprocamente os seus deveres com maior proveito. Nesta sociedade alguns devem ser escolhidos a fim de cumprir o ofício.

 

Dos oficiais de uma congregação particular

Como oficiais numa única congregação, deve haver pelo menos um que trabalhe no labor da Palavra e da doutrina, e que governe, Pv 29:18; 1 Tm 5:17; Hb 13:7. É também um requisito que tenham outros que participem no governo, 1 Co 12:28. E deste modo, é requisito que existam outros que tomem especial cuidado para o alívio dos pobres, At 6:2-3.

O seu número será proporcional à condição da congregação. Estes oficiais se reunirão em períodos convenientes e regulares, para a boa organização dos assuntos da congregação, cada um conforme o seu ofício. É muito conveniente que nestas reuniões, aquele que o ofício seja o de trabalhar na Palavra e a doutrina, modere nas demais atuações, 1 Tm 5:17.

 

Das ordenanças numa congregação particular

As ordenanças numa única congregação são a oração, as ações de graças e o canto dos salmos, 1 Tm 2:1; 1 Co 14:15-16. A leitura da Palavra (ainda que não siga uma imediata explicação do que se leu), a Palavra exposta e aplicada, a catequização, a administração dos sacramentos, a coletas feitas para os pobres e a despedida do povo com uma benção.

 

Do governo da Igreja e as suas distintas categorias de assembleias

Cristo instituiu um governo e regentes eclesiásticos na igreja, para este propósito os apóstolos receberam imediatamente as chaves da mão de Jesus Cristo, e as usaram e exerceram em todas as igrejas do mundo em todas as ocasiões. Desde então, Cristo proveu a alguns, em sua igreja, com dons de governo e com a comissão de exercê-los, quando chamados para isto. É lícito e agradável à Palavra de Deus, que a igreja seja governada por distintas categorias de assembleias, que são congregacionais, presbiteriais e sinodais.

 

Do poder comum de todas estas assembleias

É lícito e agradável à Palavra de Deus, que as distintas assembleias antes citadas, tenham poder para convocar e chamar diante elas, a qualquer pessoa dentro dos seus distintos vínculos, aos quais referem os negócios eclesiásticos que promovam diante de si, Mt 18. Elas têm o poder de ouvir e determinar estas causas e diferenças, conforme lhes cheguem na ordem. É lícito e agradável à Palavra de Deus que estas assembleias tenham algum poder para dispensar censuras eclesiásticas.

 

Das assembleias congregacionais, ou seja, o conselho dos oficiais regentes de uma congregação particular para o seu governo

Os oficiais regentes de uma congregação particular têm poder autoritativo para chamar diante deles a qualquer membro da congregação, quando perceberem ocasião para isto. Para inquirir acerca do conhecimento e estado espiritual dos diversos membros da congregação. Para admoestar e repreender. Estes três pontos estão provados por Hb 13:18; 1 Ts 5:12-13; Ez 34:4. A suspensão autoritativa da Mesa do Senhor de uma pessoa, que ainda não foi excluída da igreja, é agradável à Escritura: primeiro, porque a própria ordenança não deve ser profanada. Segundo, porque estamos encarregados de remover aqueles que andan desordenadamente. Terceiro, por causa do grande pecado e perigo, tanto para quem vive de manera indigna, como também para toda a Igreja, Mt 7:6; 2 Ts 3:6,14-15. 1 Co 11:27 até o final do capítulo. Compare com Jd 23; 1 Tm 5:22. E há poder e autoridade, sob o Antigo Testamento, para manter afastadas as pessoas impuras das coisas santas, Lv 13:5; Nm 9:7; 2 Cr 23:19.

O mesmo poder e autoridade, por analogia, continua sob o Novo Testamento. Os oficiais regentes de uma congregação particular têm poder autoritativo para suspender uma pessoa da Mesa do Senhor, todavia não podem expulsá-la da Igreja. Primeiro, porque eles têm autoridade para julgar e admitir àqueles que são aptos para receber o sacramento, também têm autoridade para manter afastados àqueles que são encontrados indignos. Segundo, porque é uma tarefa eclesiástica de prática ordinária que pertence a esta congregação. Quando as congregações estão divididas e estabelecidas, elas necessitam de auxílio mútuo, tanto com respeito a sua debilidade intrínseca, como da mútua dependência, como também com respeito aos inimigos externos.

 

Das assembleias dos presbitérios[11]

A Escritura apresenta um presbitério na Igreja, 1 Tm 4:14 e em At 15:2,4,6. Um presbitério consiste de ministros da Palavra e outros oficiais públicos, como é assegurado e garantido pela Palavra de Deus, para serem regentes da igreja e a unirem-se com os ministros no governo da igreja, como aparece em Rm 12:7-8; 1 Co 12:28. A Escritura apresenta que diversas congregações particulares podem estar debaixo de um governo presbiterial. Esta proposição é provada pelas seguintes partes.

 

  1. Primeiro, da Igreja de Jerusalém que consistia de mais de uma congregação, e todas estas congregações estavam debaixo de um governo presbiteral. Isto aparece assim:

Primeiro, a igreja de Jerusalém consistia de mais de uma congregação, como é manifesto, primeiro: pela multidão de crentes mencionados, em diversos lugares, tanto antes da dispersão dos crentes por causa da perseguição (mencionado em Atos dos Apóstolos 8, no início do testemunho, 1:11; 2:41, 46-47; 4:4; 5:14; 6:1, 7), assim como após a dispersão, At 9:31; 12:24; 21:20. Segundo, pelos muitos apóstolos e outros pregadores na igreja de Jerusalém. E se não houvesse mais do que uma congregação ali, então cada apóstolo apenas pregaria, At 6:2; o que não estaria de acordo com At 6:2. Terceiro, a diversidade de idiomas entre os crentes, mencionada tanto no segundo, como sexto capítulo do livro de Atos, indicam mais congregações do que uma naquela Igreja.

Segundo, todas aquelas congregações estavam sob um governo presbiterial. Porque: primeiro, elas eram uma Igreja, At 8:1; 2:47 compare com At 5:11; 12:5; 15:4. Segundo, os presbíteros da igreja são citados, At 11:30; 15:4,6,22; 21:17-18. Terceiro, os apóstolos faziam as obras ordinárias dos presbíteros, como presbíteros na Igreja; o que prova uma Igreja presbiterial antes da dispersão, At 6. Quarto, as diversas congregações em Jerusalém como sendo uma Igreja, os presbíteros desta Igreja são citados reunindo-se juntos para atos de governo, At 11:30; 15:4, 6, 22; 21:17-18; o que prova que estas várias congregações estavam sob um governo presbiterial. E ainda que essas congregações fossem ou não fixas, com respeito aos oficiais ou membros, eram todas uma acerca da verdade da proposição. Nem aparece nenhuma diferença material entre as distintas congregações em Jerusalém e as distintas congregações na atual condição ordinária da igreja, acerca do ponto de estabelecimento requerido dos oficiais ou membros.

Terceiro, consequentemente a Escritura apresenta que distintas congregações estão debaixo de um governo presbiteriano.

 

  1. Segundo, pelo exemplo da igreja de Éfeso; sendo que, primero, que havia mais congregações que uma na igreja de Éfeso, aparece em At 20:31, onde se menciona que Paulo continuou pregando em Éfeso por um período de três anos; e At 19:18-20, onde se menciona o efeito especial da Palavra e os versos 10 e 17 do mesmo capítulo, onde há uma distinção de judeus e gregos e 1 Co 16:8-9 onde se narra a razão da permanência de Paulo em Éfeso até o Pentecostes, e o verso 19 onde se menciona uma igreja particular na casa de Áquila e Priscila, em Éfeso, como aparece em At 18:19,24,26, todos estes fatos, conjuntamente, provam que a multidão de crentes formavam mais congregações que uma na Igreja de Éfeso.

Segundo, que haviam vários presbíteros sobre essas várias congregações, como um rebanho, aparece em At 20:17, 25, 28, 30, 36-37.

Terceiro, que essas diversas congregações eram uma Igreja, e que elas estavam debaixo de um governo presbiterial, aparece em Ap 2, compare com At 20:17-18.

 

Das assembleias sinodais

A Escritura apresenta outra categoria de assembleia para o governo da igreja, além da presbiterial e da congregacional, a qual chamamos sinodal, At 15:2,6,22-23. Pastores e mestres, e outros regentes da Igreja, assim como outras pessoas qualificadas, quando parecer conveniente, tendo um chamado legítimo para participar, são membros destas assembleias, as quais chamamos sinodais.

Assembleias sinodais podem ser legitimamente de diferentes categorias, como provinciais, nacionais e ecumênicas.[12] É lícito e agradável à Palavra de Deus, que haja uma subordinação das assembleias congregacionais, presbiteriais, provinciais e nacionais pelo governo da Igreja.

 

 

DA ORDENAÇÃO DE MINISTROS

Sob o título de ordenação de ministros consideraremos tanto a doutrina da ordenação, como o seu poder.

 

Acerca da doutrina de ordenação

Nenhum homem tomará para si o ofício de ministro da Palavra sem um chamado legítimo, Jo 3:27; Rm 10:14,15; Jr 14:14; Hb 5:4. A ordenação sempre será continuada na igreja, Tt 1:5; 1 Tm 5:21-22. A ordenação é a solene consagração de uma pessoa a um ofício público da Igreja, Nm 8:10,11,14,19,22; At 6:3,5-6. Cada ministro da Palavra será ordenado por imposição de mãos e oração, com jejum, por aqueles presbíteros docentes que lhes pertencem, 1 Tm 5:22; At 14:23; 13:3. É agradável à Palavra, e muito conveniente, que aqueles que serão ordenados ministros sejam designados para alguma igreja particular, ou outro cargo ministerial, At 14:23; Tt 1:5; At 20:17,28. Quem for ordenado ministro, deverá ser devidamente qualificado, tanto em sua vida como nas habilidades ministeriais, conforme as regras do apóstolo, 1 Tm 3:2-6; Tt 1:5,6-9. Ele será examinado e aprovado por aqueles por quem será ordenado, 1 Tm 3:7,10; 5:22. Nenhum homem será designado ministro para uma congregação particular, se os membros da congregação puderem demonstrar uma causa justa de objeção contra ele, 1 Tm 3:2; Tt 1:7.

 

Acerca do poder de ordenação

A ordenação é um ato do presbitério, 1 Tm 4:14. O poder regular de toda a obra de ordenação reside em todo o presbitério, o qual, quando está sobre mais de uma congregação, quer sejam as congregações fixas, ou não, com respeito aos oficiais ou membros, é indiferente quanto a questão da ordenação, 1 Tm 4:14. É requisito importante, que nenhuma congregação isolada, que podendo convenientemente associar-se, assuma unicamente para si o poder de ordenação:

  1. Porque não há exemplo na Escritura que uma congregação sozinha, que podendo associar convenientemente, assuma exclusivamente para si o poder de ordenação; bem como não existe regra que permita tal prática.
  2. Porque na Escritura há exemplo da ordenação de um presbitério sobre diversas congregações; como na igreja de Jerusalém, onde havia algumas congregações: essas congregações estiveram debaixo de um presbitério, e este presbitério ordenava.

Os presbíteros pregadores ordenadamente associados, seja em cidades ou em vilarejos vizinhos, são a quem pertencem a imposição de mãos, daquelas congregações em seus respectivos limites.

 

Alguns detalhes sobre o Governo Eclesiástico que ainda permanecem inacabados,

e que carecem com toda a oportuna urgência serem preparados e apresentados

a esta Honorável Casa

 

Aos justos e honrosos os Senhores e Comuns reunidos no Parlamento.

O humilde conselho da Assembleia dos Teólogos

estabelecida em Westminster,

acerca da parte doutrinária da ordenação dos ministros.

 

  1. Nenhum homem tomará para si o ofício de ministro da Palavra sem um chamado lícito, Jo 3:27; Rm 10:14-15; Jr 14:14; Hb 5:4.
  2. A ordenação sempre será preservada na igreja, Tt 1:5; 1 Tm 5:21-22.
  3. A ordenação é a consagração solene de uma pessoa para um ofício público na Igreja, Nm 8:10-11, 14, 19, 22; At 6:3, 5-6.
  4. Cada ministro da Palavra será ordenado por imposição de mãos, oração, com jejum, por aqueles presbíteros pregadores a quem este ato pertence, 1 Tm 5:22; At 14:23; 8:3.
  5. O poder de arranjar toda a obra de ordenação reside em todo o presbitério, quando se acha sobre mais de uma congregação, sendo indiferente, se estas congregações são fixas ou não, com respeito a seus oficiais ou membros, acerca do assunto da ordenação, 1 Tm 4:14.
  6. É agradável à Palavra e muito conveniente, que quem for ordenado ministro, seja designado a alguma igreja particular, ou a outro cargo ministerial, At 14:23; 20:17, 28; Tt 1:5.
  7. O que for ordenado ministro, que seja devidamente qualificado, tanto em sua vida como em habilidades ministeriais, conforme as regras do apóstolo, 1 Tm 3:2-6; Tt 1:5-9.
  8. Ele será examinado e aprovado por aqueles por quem será ordenado, 1 Tm 3:7, 10; 5:22.
  9. Nenhum homem será designado ministro para uma congregação particular, se os membros desta congregação puderem demonstrar algum justo motivo de objeção contra ele, 1 Tm 3:2; Tt 1:7.
  10. Os presbíteros pregadores associados, quer seja em cidades ou em povos vizinhos, são aqueles a quem pertenece a imposição de mãos, para aquelas congregações em seus respectivos limites, 1 Tm 4:14.
  11. Em casos extraordinários, pode-se proceder de modo extraordinário, até que se tenha uma ordem constituída, guardando tanto quanto seja possível a regra, 2 Cr 29:34-36; 2 Cr 30:2-5.
  12. Há neste tempo, como humildemente percebemos, uma ocasião extraordinária para um meio de ordenar com vistas à necessidade presente de ministros.

 

O diretório para a ordenação de ministros

Sendo manifesto pela Palavra de Deus, que nenhum homem tome para si o ministério do Evangelho, até que seja lícitamente chamado e ordenado; e que a obra de ordenação será cumprida com todo o devido cuidado, sabedoria, gravidade e solenidade, humildemente apresentamos estas diretrizes como requisitos para serem observados.

  1. O que for ordenado, deverá ser eleito pelo povo, ou de outra maneira designado pelo presbitério para algum lugar, terá que dirigir-se ao presbitério, e apresentar-lhe um testemunho de sua adesão ao Pacto dos três reinos;[13] de sua diligência e proveito em seus estudos; quais graus conseguiu na universidade, e qual foi o tempo de sua permanência ali; junto com a sua idade, que será de pelo menos vinte e quatro anos; mas especialmente de sua vida e conduta.
  2. Após analisá-lo, o presbitério procederá a inquirir acerca da graça de Deus nele, e se é de tal santidade de vida, como é requisito num ministro do Evangelho; e o examinarão acerca de sua aprendizagem e suficiência, e acerca das evidências do chamado ao sagrado ministério; e, em particular, o seu honesto e direto chamado a esse lugar.

 

Estas são as regras do exame:

(1.) Que a parte examinada seja tratada neste asunto de modo fraternal, com ternura de espírito, e com especial respeito à gravidade, modéstia e qualidade de cada um.

(2.) Será examinado no tocante ao seu conhecimento nas línguas originais, e lhe farão prova de ler os Testamentos em hebraico e grego, e de traduzir alguns textos do latim; e se for achado falho neles, se investigará mais estritamente acerca de sua aprendizagem, e se possui conhecimento em lógica e filosofia.

(3.) Quais autores de teologia leu, e com quais está mais familiarizado; e lhe testarão em seu conhecimento dos fundamentos da religião, e de sua habilidade para defender a doutrina ortodoxa neles contida, contra todas as opiniões sutis e errôneas, especialmente as do tempo presente; de seu conhecimento no sentido e significado de textos da Escritura conforme lhe for proposto, em casos de consciência, na cronologia da Escritura e na história eclesiástica.

(4.) Se não pregou antes em público, com aprovação daqueles que são capazes de julgar, e no tempo apropiado que lhe for designado, ele exporá diante do presbitério um texto da Escritura que lhe for determinado.

(5.) Igualmente, em tempo apropriado, comporá um discurso em latim acerca de um tema ou controvérsia em teologia que lhe será designado, e exibirá ao presbitério a suma de tais teses, e manterá uma disputa acerca delas.

(6.) Pregará diante do povo, estando presente o presbitério, ou alguns dos ministros da Palavra designados pelo concílio.

(7.) Se considerará a proporção dos seus dons em relação com o lugar a que é chamado.

(8.) Além da prova de seus dons na pregação, será submetido a um exame nas premissas dos outros dias, e mais, no que o presbitério julgar necessário.

(9.) E aquele que anteriormente foi ordenado ministro, e que se mudará para outro lugar, dará um testemunho da sua ordenação, e de suas habilidades e conduta, em que se provará a sua conveniência para tal lugar por sua pregação, e, se julgar necessário, por um exame mais detalhado dele.

  1. Todo candidato que for aprovado, deverá ser enviado para a igreja onde servirá, para pregar três dias ali e para conversar com as pessoas, a fim de que tenham prova dos seus dons para a sua edificação, e para que também possam ter tempo e ocasião para informar-se mais e conhecer melhor de sua vida e conduta.
  2. No último destes três dias separados para examinar os seus dons na pregação, um aviso público por escrito será enviado do presbitério para a congregação, que se lerá publicamente, e depois colocado à porta da igreja, para indicar que em tal dia um número de membros competentes dessa congregação, nomeados entre eles, se apresentarão diante do presbitério, para dar o seu consentimento e aprovação de tal homem, para que seja seu ministro; ou por outro lado, entregar, com toda discrição e humildade cristã, qualquer reserva que lhes impeça recebê-lo como ministro. E se no dia indicado, não havendo reservas, ou motivos justos que impeçam recebê-lo como ministro, e a congregação dando o seu consentimento, então o presbitério procederá a ordenação.
  3. No dia indicado para a ordenação, que será realizado na igreja, onde ele será ordenado para servir, um solene jejum se observará por parte da congregação, para que ela com maior diligência se una, em oração, a fim de que as ordenanças de Cristo, e o labor de seu servo sejam abençoados para a sua edificação. O presbitério irá ao lugar, ou pelo menos três, ou quatro ministros da Palavra serão enviados da parte do presbitério; destes um será designado pelo presbitério para pregar ao povo acerca da tarefa e das obrigações dos ministros de Cristo, e como o povo deve recebe-las por causa do seu serviço.
  4. O ministro depois de pregar o sermão, diante da congregação, daquele que será ordenado, questionará acerca da sua fé em Cristo Jesus e de sua convicção da veracidade da religião reformada de acordo com as Escrituras; de seus propósitos e metas sinceras ao desejar entrar neste chamado; de sua diligência na prática da oração, leitura, meditação, pregação, administração dos sacramentos, disciplina e no cumprimento de todas as suas obrigações ministeriais de seu ofício; de seu zelo e fidelidade em manter a verdade do Evangelho e a unidade da Igreja contra todo erro e divisão; de seu cuidado consigo e sua família para que sejam irreprováveis e exemplos ao rebanho; de sua disponibilidade e humildade, em mansidão de espírito, para submeter-se às admoestações de seus irmãos, e à disciplina na Igreja; e de sua determinação de continuar em seus deveres contra todo transtorno e perseguição.
  5. Uma vez declarado, professado a sua boa vontade e prometido dedicar os seus esforços, com a ajuda de Deus; de igual modo, o ministro fará uma pergunta ao povo acerca de sua boa vontade de recebe-lo e reconhece-lo como ministro de Cristo; e de obedecer e submeter-se a ele, como tendo autoridade sobre eles no Senhor; e de manter, encorajar e apoiá-lo em todas as áreas de seu ministério.
  6. Quando estas mútuas promessas forem realizadas pelo povo, o presbitério, ou os ministros enviados pelo concílio para a ordenação, eles o consagrarão solenemente para o ofício e obra do ministério ao impor as suas mãos sobre ele, sendo acompanhado por uma oração, ou breve benção, como por exemplo:

“Reconhecendo com ações de graças a grande misericórdia de Deus por enviar a Jesus Cristo para redimir ao seu povo; e por sua ascensão à destra de Deus, o Pai, e por enviar o seu Espírito, distribuindo dons aos homens – apóstolos, evangelistas, profetas, pastores e mestres, para reunir e edificar a sua Igreja, e por capacitar e predispor a este homem a esta grande obra; suplicando-lhe que o faça apto com o seu Espírito Santo, que lhe ajude, a quem em seu nome separamos para este santo serviço, para que em tudo cumpra a obra de seu ministério, para que possa salvar a si mesmo, e ao seu povo, a quem está encarregado”.[14]

  1. Com esta ou uma forma semelhante de oração e benção final, o ministro que pregou, brevemente, o exortará a considerar a grandeza de seu ofício e obra, o perigo de descuidar-se de si mesmo, bem como de seu povo, a benção que lhe acompanhará nesta vida e na vindoura; e sobretudo, exortar ao povo que se conduza a ele, como seu ministro no Senhor, de acordo com a sua solene promessa anteriormente realizada. E assim pela oração encomendando à graça de Deus, tanto a si como ao seu rebanho, após cantar um salmo, e assim, que a assembleia seja despedida com uma benção.
  2. Se um ministro for designado para uma congregação, sendo ele anteriormente ordenado como presbítero, de acordo com a forma de ordenação que existe na Igreja da Inglaterra, a qual quanto a sua sustância aceitamos como válida, que não seja rejeitado por qualquer motivo, por tê-la recibido; então, depois de um cauteloso procedimento nos assuntos do exame, que seja admitido sem uma nova ordenação.
  3. E no caso uma pessoa ordenada como ministro na Escócia ou em qualquer outra Igreja reformada, sendo designada a uma congregação na Inglaterra, deverá trazer dessa Igreja ao presbitério, dentro da qual essa congregação está situada, um certificado adequado da sua ordenação, um relato de sua vida e conduta enquanto viveu com eles e dos motivos de sua mudança; e que seja submetido a um exame de sua aptidão e capacidade, e passe pelo mesmo processo noutros detalhes, como está escrito na regra anterior acerca do exame e admissão.
  4. Que os arquivos sejam cuidadosamente guardados nos vários presbitérios, contendo os nomes das pessoas ordenadas com seus certificados, registrando o tempo e lugar de sua ordenação, dos presbíteros que lhes impuseram as suas mãos e do cargo ao qual foram designados.
  5. Que nem dinheiro, nem presentes de qualquer tipo, sejam recebidos da pessoa que será ordenada, ou em favor dela, para ser ordenada, ou qualquer coisa que lhe pertença, por qualquer pessoa do presbitério, ou qualquer que esteja associado com ele, por qualquer pretexto que seja.

 

Até aqui se expôs as regras ordinárias e do processo da ordenação, na maneira comum e ordinária. O que segue é a maneira especial e extraordinária que no tempo presente é necessário praticar-se.

  1. Nestas presentes exigências, enquanto não pudermos ter presbitérios formados para todo o seu trabalho, e considerando que muitos ministros carecem da ordenação para o serviço do Exército e da Marinha, bem como para muitas congregações onde não há nenhum ministro; e onde o povo não pode, por si mesmo, buscar e encontrar um que lhes seja um fiel ministro, nem pode ter um que lhe seja enviado com proteção, por razão das perturbações públicas, para que passe por semelhante exame solene, mencionado antes nas regras ordinárias; especialmente, quando não há um presbitério próximo deles, a quem possam recorrer, ou que assistí-los, ou que lhes envie um homem adequado para ser ordenado nessa congregação, e para esse povo; todavia, é requerido que os ministros sejam ordenados para eles, por alguns, os quais sendo designados para a obra do ministério tenham autoridade para unirem-se a fim de designar outros que sejam achados aptos e dignos. Em tais casos, até que as dificultades previstas em alguma boa medida possam ser eliminadas, pela benção de Deus, que se permita que alguns ministros piedosos, em Londres, ou em seus alredores, sejam designados pela autoridade pública, que estando associados, possam ordenar ministros para as cidades e as áreas circunvizinhas, mantendo-se tão próximo quanto seja possível de cumprir as regras ordinárias anteriormente declaradas; e não permitam que esta associação seja para outros fins, ou propósitos, senão somente para a obra de ordenação.
  2. Que associações como esta se façam pela mesma autoridade em grandes povoados, e que as paróquias vizinhas nos vários condados que, no tempo presente se acham pacificados e sem perturbações, façam o mesmo para as regiões próximas.
  3. Que aqueles que foram escolhidos ou designados para o serviço do Exército ou da Marinha, conforme declaramos, sejam ordenados pelos ministros associados de Londres ou por outros no país.
  4. Que façam o mesmo quando algum homem lhes for devido e legitimamente recomendado para o ministério de qualquer congregação, e que não podendo desfrutar a liberdade de que suas habilidades e talentos sejam examinados, que busquem o apoio dos ministros associados, para prover-lhes melhor com aquela pessoa, que por eles será julgada se é adequada para o serviço dessa igreja e povo.

 

Cornelius Burges, Prolocutor, pro tempore.

Henry Roborough, escriba.

Adoniram Byfield, escriba.

 

FIM.

 

Tradução, introdução e notas por Rev. Ewerton B. Tokashiki

Revisão: Rev. Fôlton Nogueira

 

NOTAS:

[1] Ocorreu um processo de protesto por parte dos teólogos congregacionais que participavam da Assembleia de Westminster. Entre eles Thomas Goodwin, Philip Ney, Jeremiah Borroughs, Sidrach Sympson, William Bridge, William Greenhill e William Carter que por discordarem das Proposições apresentaram-se como “os irmãos dissidentes”. Houve uma longa e desgastante discussão sobre a liberdade de consciência e sua relação com a subscrição e adoção da Liga Solene e Pacto, bem como dos documentos que se referem à eclesiologia presbiteriana estabelecida e adotada pelo Parlamento inglês.

[2] O livro Jus Divinum Regiminis Ecclesiastici [O Direito Divino do Governo Eclesiástico] é um detalhado compêndio expondo os princípios teológicos da eclesiologia presbiteriana. Ele se divide em duas partes, a primeira sendo “Da Natureza do Direito Divino” e, a segunda “Da Natureza do Governo de Igreja que é, de acordo com a Escritura, de Direito Divino”. Uma edição revisada em inglês moderno e reformatada foi publicada David W. Hall, ed., Jus Divinum Regiminis Ecclesiastici – The Divine Right of Church Government (Dallas, Naphtali Press, 1995).

[3] Dos Scottish comissioners enviados pela Igreja da Escócia, George Gillespie, Samuel Rutherford, Alexander Henderson e Robert Baillie, tiveram efetiva participação na adoção do sistema de governo presbiteriano.

[4] Curiosamente Cornelius Burges, o relator deste documento, foi um dos poucos membros da Assembleia de Westminster que, em 1643, se opôs à imposição da Liga e da Aliança Solene, mantendo sua oposição até o momento de solicitar que a Câmara dos Comuns fosse ouvida contra ela. Os sete teólogos, imediatamente, reagindo às Proposições produziram o texto [contendo menos de 25 páginas] –  https://books.googleusercontent.com/books/content?req=AKW5QafQskr72g4C9a5Lm6rUwAuIpzdoQSYJbQALrv8J40sA_libEwjT-MJS4ymPiQZwaQk6KeaDGGCEtwHFDzIicts4_f6PutABTaLl5Y_696cajvnhWvf96yRwoyN6pDZ_3HFdzzB1-VKXPEUXpIHtrYOi50KMrtA7_kez_rHcPh2bCIoeBEHbfGYWEAKbpWbXrurYIYT2lJsQNAeToSPRz8PE750obQc3R-N6RhM5ocmltTgBdFZ-UEVK3oBLnpG9My4KaGJ5NVgjHLGMAgdNkQkUEAPPWco0lwgiggPFZvy_TBMblGc . Posteriormente os congregacionais escreveram, em 1647, uma refutação das Proposições numa massuda obra [cerca de 402 páginas], sendo publicada somente em 1648 – http://ia601902.us.archive.org/31/items/present00west/present00west.pdf

[5] A Directory for Church-Government and Ordination of Ministers to be against the next Generall Assemblie. Edinburgh: Printed by Evan Tyler, printer to Kings most Excellent Majesty, 1647. Acessado em http://ia902703.us.archive.org/17/items/dirchur00west/dirchur00west.pdf . O texto foi concluído em 1644, levando quase quatro anos para ser aprovada a sua adoção pelos três reinos.

[6] Em ambos os textos, tanto na proposta como no final, aparece os nomes de Cornelius Burges, como relator e dos escribas oficiais da Assembleia de Westminster os senhores Henry Roborough e Adoniram Byfield. Cornelius Burges (1589-1665), embora fosse inicialmente um fiel ministro anglicano, mas por causa do seu calvinismo sofreu hostilidade dos partidários do Arcebipos William Laud, escreveu algumas obras de eclesiologia. Veja a lista de seus textos em http://www.westminsterassembly.org/printed-works-catalog-2/burges-cornelius-printed-works/ e alguns de seus sermões e livros estão disponíveis em http://www.prdl.org/author_view.php?a_id=179 .

[7] A ata da Assembleia Geral da Igreja da Escócia aprovando as Proposições Concernentes ao Governo Eclesiástico e a Ordenação dos Ministros. Registra a seguinte declaração: “A assembleia geral estando desejosa e solícita não somente do establecimento e a conservação da Forma do Governo da Igreja neste Reino, segundo a Palavra de Deus, os livros da Disciplina, as atas das assembleias gerais e do Pacto Nacional, como também duma uniformidade do governo da Igreja entre estes reinos, agora mais estrito e totalmente unido pelo Pacto e a Liga Solene; e considerando, como em tempos anteriores ocorreu, e que no futuro seja possível aumentar nesta igreja incontáveis danos, pela proximidade do contágio da forma corruta de governo na Igreja da Inglaterra: estima preciosa a oportunidade atual de trazer às igrejas de Cristo nos três reinos uma uniformidade no governo da igreja sendo a felicidade dos tiempos presentes superior à dos anteriores; que possa também, pela benção de Deus, mostrar-se um meio eficaz e uma boa base preparada para uma segura e bem fundamentada pacificação, eliminando as causas pelas quais originaram em princípio as pressões presentes e as sangrentas guerras: então, a assembleia após realizar trípice leitura, e diligentemente examinar as proposições acerca dos oficiais, dos concílios, e do governo da igreja, e com respeito à ordenação dos ministros, trazidas a nós, como os resultados de longos e eruditos debates da assembleia de teólogos reunidos em Westminster, e de acordo com a uniformidade dos comissários desta igreja ali residindo; após uma madura deliberação, e despois de utilizar o tempo oportuno e advirtindo a todos que tenham qualquer excepção contra ela, que o façam saber, para que eles recebam a satisfação de sua exceção; concorde e aprove as proposições mencionadas concernentes ao governo da igreja e a ordenação; deste modo autoriza aos comissários da assembleia, convocados em Edinburgh, a que concordem e concluam, em nome desta Assembleia, uma uniformidade entre as igrejas em ambos reinos, nos referidos detalhes, assim que for ratificada, sem alguma modificação substancial, por uma ordenança das honrosas Casas do Parlamento da Inglaterra; a qual ratificação será em seu tempo oportunamente intimada e tornada pública pelos comissários desta igreja que reside em Londres. Sempre a condição de que esta ata não seja de maneira alguna prejudicial para a discussão e o exame adicional desse artigo que propõe, que o doutor, ou o mestre tem o poder da administração dos sacramentos, assim como o pastor; como também sobre os direitos e interesses claros dos presbitérios e as pessoas na vocação dos ministros; mas que serão livres para debater e discutir estes pontos, como agradar a Deus, a fim de oferecer luz adicional”.

[8] Mt 28:18,19,20; Ef 1:20,21,22,23. Compare com Ef 4:8,11 e Sl 68:18. Versos colocados à margem do texto.

[9] Refere-se as igrejas locais.

[10] No original está “prophecying of the time of the Gospel”. O termo prophecying era usada, naquele período, para se referir à interpretação, exposição e aplicação das Escrituras. William Perkins escreveu The Art of Prophesying, publicado originalmente em latim, em 1592, e em inglês em 1606, tornando-se numa obra de referência no treinamento dos pregadores puritanos. Perkins observou que “a profecia possuí duas partes: a pregação da Palavra e a oração pública. Para o profeta (que é o ministro da Palavra) há somente dois deveres. Um é a pregação da Palavra, e o outro é orar à Deus em nome do povo”. William Perkins, The Art of Prophesying (Edinburgh, The Banner of Truth, 2002), p. 7.

[11] O título literalmente é “Das assembleias clássicas”. Percebe-se aqui a influência da eclesiologia das igrejas reformadas continentais que nomeiam a federação das igrejas locais de “classes”. Entre os presbiterianos o uso do termo “presbitério” embora fosse corrente entre os escoceses, ainda não tinha consagrado o seu uso entre os ingleses.

[12] A referência à relação ecumênica limita-se às igrejas reformadas sob diferentes reinos. O uso recente, incluindo relações fraternas institucionais com a Igreja Romana, dá-se início após a Conferência Missionária de Edimburgo, em 1911.

[13] Refere-se ao tratado Liga Solene e Pacto.

[14] [Neste momento impõem-se as mãos sobre a sua cabeça]. Orientação inserida na margem do texto.

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