Um tratado sobre diversas questões – capítulo VI

por George Gillispie

 

Onde muitas perguntas úteis e casos de consciência são discutidos e resolvidos: Para a satisfação daqueles que não desejam nada mais do que buscarem e encontrarem Verdades Preciosas, em meio às controvérsias desses tempos.

POR

George Gillespie, Comissário Escocês
Para a Assembleia de Teólogos
em Westminster.

Capítulo VI

Acaso outro, além de um Ministro legalmente chamado e ordenado, pode administrar os Sacramentos, o Batismo e a Ceia Do Senhor?

Os socinianos e o criador de igrejas erastianas, antes mencionado, são tão contrários à necessidade da Ordenação que consideram lícito e justo permitir que pessoas não ordenadas não apenas preguem, mas também administrem os Sacramentos; eu não sei se eles estendem isso tanto às mulheres como aos homens. Talvez eles tomem emprestado dos pagãos aquelas sacerdotisas que Gellius, por Cicero, chama de Antistitas (não Antistites); ou quem sabe eles, com os antigos Pepuzianos, sustentem que as mulheres podem pregar e administrar os Sacramentos; desde que não falem na Igreja (porque isso é proibido em 1 Coríntios 14:32, embora alguns sejam tão ousados a ponto restringirem essa proibição às mulheres casadas, nas quais eles pensam que há algum teor de contexto; no entanto sustentam que ambos podem pregar e administrar os Sacramentos em lugares privados). Se não houver mais necessidade de alguém que pregue ou ministre os Sacramentos, apenas que tenha dons e habilidades, como eles podem evitar permitir que as mulheres dotadas, bem como os homens dotados, realizem essas Coisas Sagradas?

Mas é sustentado pelas Igrejas reformadas, é ordenado no Diretório de Culto assinado por ambos os Reinos e também mencionado na última Confissão de Fé (Capítulo XXVII) que nem o Batismo nem a Ceia Do Senhor podem ser dispensados por alguém além do Ministro da Palavra ordenado de forma lícita. Dizem isso os escritores protestantes mais sólidos, não pelo pretexto de qualquer necessidade de ser assim entre judeus, turcos, pagãos, crianças que morrem ou coisas parecidas.

Os argumentos em que eu me aprofundo são os seguintes:

  1. Deus nomeou Ministros da Palavra (legalmente chamados e ordenados), e mais ninguém, para serem os administradores e dispensadores dos Mistérios de Cristo: Que os homens assim nos considerem como do Ministros de Cristo e Comissários dos Mistérios de Deus. Além disso, é exigido aos Comissários, que os homens sejam encontrados fiéis (1 Coríntios 4:1). O que o Apóstolo diz não se aplica apenas a ele e a Apolo (1 Coríntios 4:6, onde é lembrado que Apolo não era nem Apóstolo, nem Evangelista, mas um poderoso Ministro do Evangelho) e a Sóstenes (como fica parecendo, comparando o Texto com 1 Coríntios 1:1), mas ele também aplica o mesmo a todos os Bispos (Ministros Comuns) legítimos. Pois um Bispo deve ser irrepreensível, como Comissário de Deus (Tito 1:7), e este Comissário é ordenado (Tito 1:5). Portanto, quem é então o Administrador Fiel e Sábio, a quem O seu Senhor fará Governador sobre a sua casa? Para dar-lhes a sua porção de Alimento no tempo devido (Lucas 12:42). Não é da vontade de Cristo que qualquer um da casa; que seja fiel, sábio e discreto; assuma o cargo de Delegado, para dispensar Alimento ao resto. Mas há um Administrador, criado e nomeado, para esse propósito. Há Delegados nomeados na Igreja, que é a casa Do Deus Vivo, que hão de continuar até a vinda de Cristo (Lucas 12:43,46). E, não há nada que mais próprio dos Comissários Eclesiásticos do que a dispensação dos Sacramentos.
  2. Apenas os Ministros legalmente chamados e ordenados, e nenhum outro, são designados por Cristo para serem Pastores (ou Cabeças), a fim de alimentarem o Rebanho de Deus (Jeremias 3:15; Efésios 4:11; Atos 20:28; 1 Pedro 5:2). Grande parte dessa Alimentação consiste na dispensação dos Sacramentos. E, Aquele que apontou esse Alimento para ser recebido por alguns, também nomeou outros para o concederem e administrarem. Certamente; Ele, que fica tão descontente com os Pastores, que alimentam si mesmos e não o Rebanho, também não fica satisfeito com o Rebanho que quer ser seu próprio e único alimentador (não querendo ser alimentado pelo Pastor). Grotius tinha uma noção extravagante da Recepção da Comunhão onde não haviam Elementos Sacramentais ou onde não haviam pastores para Administração; mas, embora tenha ido muito longe, contra aqueles com os quais eu discuto agora, argumento por ele que onde há ambos (Elementos e Pastores para Administrar) eles sustentam que pode haver Sacramento sem Pastor. Sim, essa ideia sociniana e anabaptista tira a distinção entre o Pastor e o Rebanho da Igreja; como se alguma ovelha pudesse alimentar o Pastor, tal qual ele faz.

III. A Visão de Ezequiel sobre o Novo Templo geralmente reconhecida é como uma Profecia Evangélica, o que também tenho como demonstrar por motivos infalíveis. Mas, sei que os sectários desta época (que contestam o Ministério e a Ordenação) não negam, nem vão negar, isso. Com certeza, como nunca, sou semelhante a um Templo físico, como o que é descrito nessa Visão. Entre outras coisas, está profetizado sobre os Ministros do Evangelho: Eles entrarão no Meu Santuário, e se aproximarão da minha Mesa para ministrarem sobre Mim; e eles devem guardar minha Ordenança (Ezequiel 44:16). Deste modo; não podemos dizer que isso se refere ao Evangelho, a não ser que pertença à obrigação dos Ministros, legitimamente chamados e ordenados para esse Ofício, Administrar os Sacramentos (neste caso, a Ceia Do Senhor, em Sua Mesa). Estes Ministros também são claramente distinguidos do Povo (ou dos Filhos de Israel) no mesmo capítulo (Ezequiel 44:15,19,22,23,28).

  1. Os Sacramentos são os Selos da Justiça pela Fé, como os Teólogos costumam falar tomando emprestando a frase de Romanos 4:11; em outras palavras, do Pacto da Graça. Verdadeiramente; isto foi provado ser tão necessário, com razão, que ambas as Casas do Parlamento, após consulta, reuniram-se com a Assembleia de Teólogos, por um decreto datado 20 de outubro de 1645, declarando que aquele que aqueles não sabem que os Sacramentos são Selos do Pacto da Graça, não serão admitidos na Ceia Do Senhor, antes serão suspensos dela, como pessoas ignorantes. Agora, se isso; uma pessoa comum tomar a Mesa do Selo Do Rei, admitir a ela signatários como ele bem entende (sim, imagine apenas a situação destes signatários; onde deveriam estar, e onde são postos por aqueles que são confiados aqueles que são confiados a guardar a mesa) é uma usurpação intolerável entre os homens: Muito mais ainda é ser audaz com os Selos, sem ser chamado e ordenados para os mesmos; um pecado provocativo e uma usurpação contra Jesus Cristo (que tem ciúmes de Sua Glória, e Zelo com Suas Ordenanças).
  2. Cristo dá uma Comissão aos Apóstolos, para ensinar e batizar, e estende a mesma Comissão a todos os Ministros do Ensino até o fim do mundo (Mateus 28:19-20), se afere:
    1. Que Jesus Cristo fazia distinção entre Professores e Alunos: Batizadores e Batizados, tendo um lugar perpétuo na Igreja até o fim.
    2. Que a comissão de Ensinar e Batizar não foi dada a todos os que se encontram em Jesus Cristo, mas apenas a alguns.
    3. Que os que receberam esta Comissão não são apenas os Apóstolos, mas os Ministros comuns, como se manifesta na explicação da Comissão e na Promessa de ser até o fim do mundo.
    4. Cristo fez distinção entre o Magistrado e o Ministério, entre as vocações Civis e Sagradas (Mateus 22:21; Mateus 16:18-19; Mateus 28:19; João 20:23; Romanos 13:1,7; 1 Timóteo 2:2; 1 Pedro 2:13,14. comparado com Romanos 12:6-8; 1 Coríntios 12:28; Efésios 4:11; 1 Tessalonicenses 5:12; Hebreus 13:7,17). Assim como os Ministros não podem assumir Decoro e Administração Civis, nem exercem Poder Secular (Lucas 12:14,22,25-26; João 18:36; 2 Coríntios 10:4; 2 Timóteo 2:4); não é menos contrário à Ordenança de Cristo que os Magistrados (ou qualquer outro civil) se estendam além de sua linha e entrem (como Pompeu) no Santo dos Santos, ou queimem incenso (como Uzias); em ambos os exemplos, tais intrusos foram punidos de forma exemplar. Assim como se pode questionar um Ministro magistralizado com ‘quem fez de você Juiz ou Magistrado Civil? Pode se inquirir um Magistrado ministerializado com ‘quem te fez um Administrador da Palavra e dos Sacramentos?’

VII. Temos exemplos claros e convincentes, no Novo Testamento, de que os Sacramentos foram administrados por Ministros Públicos, chamados ordenados a isso, como no Batismo de João (João 1:33, Ele me enviou para batizar) e, frequentemente, pelos Apóstolos em Atos. A Ceia Do Senhor foi administrada Pelo Próprio Cristo, Cujo exemplo nas coisas imitáveis deve ser seguido por nós, e Ele também os ordenou: “τοῦτο ποιεῖτε”, façam isto. Com o Apóstolo Paulo (Atos 20:7,11), o partir do pão é celebrado com a Doutrina Apóstolos e Comunhão (Atos 2:42). Os Ministros também são chamados de Comissários e Dispensadores dos Mistérios de Deus. Assim; tais Ministros legítimos podem, pela Fé, administrar os Sacramentos; e, os recebedores recebam estes dele pela Fé, tendo subsídio da Escritura para fazer assim. Mas não há nenhum Comando de Cristo para os que não são Oficiais da Igreja administrarem os Sacramentos; nem há nenhum exemplo claro no Novo Testamento, da administração de um ou outro Sacramento por qualquer pessoa que possa, comprovadamente, não ter sido um Ministro legitimamente chamado e ordenado. Portanto, essas pessoas não podem administrar pela Fé; nem as outras podem receber delas o Batismo e a Ceia Do Senhor pela Fé.

VIII. Esse texto (Efésios 4:11-13) é suficiente para silenciar os antagonistas: Ele deu alguns para Apóstolos, alguns para Profetas, alguns para Evangelistas e alguns Pastores e Professores; para o aperfeiçoamento dos Santos, para a Obra do Ministério, para a Edificação do Corpo de Cristo, até que todos nós alcancemos, etc. Por ventura a Administração dos Sacramentos não é parte do aperfeiçoamento dos Santos, da Obra do Ministério e da Edificação do Corpo de Cristo? Acaso não é dito a nós que isso continuará até que todo o número dos Eleitos seja alcançado? E a quem Cristo deu aqui, na Sua Igreja, este Trabalho? Ele não deu a ninguém, salvo Pastores e Professores (deixando de lado os Oficiais Extraordinários); e quem são os Pastores e Professores nomeados aqui? Todos, ou quem quiser? Não, nem todos, mas alguns, diz o Texto.

 

Cedido gentilmente pelo Instituto Presbiteriano John Knox

Tradução de Caio Ribeiro Maranhão Leite.

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