Sermão puritano – espiritual e claro

Por Joseph Pipa

 

Os puritanos insistiam que o sermão deveria estar cheio de demonstrações com outras partes da Escritura de forma que o sermão fosse bíblico. A estrutura do sermão era de tal forma que o fazia lógico e fácil de memorizar. O intenso desejo destes pregadores puritanos era de fazer um sermão aplicativo com o propósito de que fosse transformador. Outra preocupação dos puritanos era que o sermão fosse direto, claro e concreto na sua apresentação.

O estilo de pregação anglicano, na época, era muito e “florido” e poético, mas não comunicava aos ouvintes, em contraste com o estilo de pregação simples e direta que os puritanos desenvolveram. O propósito deste estilo de sermão puritano não era ser simples com um propósito em si mesmo, mas por amor à comunicação do evangelho. Era na realidade uma filosofia de comunicação. Era um método que os capacitava a transmitir a mensagem na língua inglesa (numa língua conhecida) atingindo o povo em geral.

Alguém disse: “O sermão puritano não era uma espada de brinquedo, era um instrumento agudo, penetrante e capaz de ferir a alma”. Se o propósito era atingir as pessoas com o sermão, então elas deveriam ser capazes de entendê-lo e lembrá-lo. Foi através do estilo simples e direto de pregar que os puritanos conseguiram isso. Era o propósito do pregador encontrar-se com o povo nivelando-se com ele. Uma vez que os ouvintes entendessem o sentido do texto, os puritanos desejavam que eles sentissem a verdade expressa no texto. É verdade que eles usaram o método de retórica, mas nunca como um propósito em si mesmo para deixar as pessoas admiradas, mas como um veículo para comunicar a verdade ao coração. Quando falamos de um estilo simples e direto não devemos pensar que era um sermão sem qualquer adorno. O que contribuísse para a edificação do povo o puritano achava que era útil, desde que não ultrapassasse as normas bíblicas. O que não contribuísse para edificação era considerado como vaidade e, por isso, deixado de lado.

A rejeição do estilo elaborado e florido da pregação anglicana era em virtude da congregação não entendê-lo. O pregador puritano estava disposto a usar qualquer instrumento lícito que servisse como um meio para alcançar o fim que tinha em vista. O fim que se tinha em vista era que a pessoa sentisse o poder e a realidade daquilo que o pregador falava. Por isso usavam ilustrações da vida cotidiana, da natureza, da vida na fazenda, no lar, na loja e contavam até estórias populares, provérbios e ditos do povo do campo.

William Perkins, que foi o principal arquiteto deste método chamado de “novo método reformado de pregação”, foi também responsável e usado por Deus para que este estilo fosse adaptado e usado pelos demais pregadores puritanos. O seu livro “A Arte de Profetizar”, tinha duas seções principais: (a) A preparação do sermão e (b) a proclamação do sermão. Na seção de proclamação ele coloca os princípios de uma pregação simples e direta.

Vejamos de forma breve o que Perkins diz: “Nós mantemos que na proclamação do sermão o pregador deveria deixar de lado a sabedoria humana e pregar em demonstração do Espírito”. Ele diz ainda que a sabedoria humana deveria estar oculta dentro do conteúdo do sermão e na sua entrega. Dizia isto porque “a pregação da Palavra é o testemunho de Deus e a confissão do conhecimento de Cristo e não da habilidade humana”. Dizia ainda: “Os ouvintes não deveriam ter uma fé dependente da habilidade humana, e, sim, do poder da Palavra de Deus”. Com a expressão, “demonstração de Espírito”, Perkins diz que a congregação está julgando a manifestação do Espírito através das palavras do pregador. Então, a pregação tem de ser espiritual e cheia da graça.

A exposição espiritual é marcada por palavras que são simples e claras de tal forma que elas expressam a majestade do Espírito Santo. Para ser entendido pelo povo a pregação deve ser simples. Perkins se opunha a citações longas do latim e grego no sermão. William Perkins era contra o contar estórias ridículas e pueris. A pregação que é cheia da graça se manifesta quando a graça do coração se torna evidente no sermão. O sermão cheio da graça de Deus, inclui: (1) a graça que vem de uma vida santa e (2) a graça do ministério. A graça de uma pessoa é a santidade do seu coração e uma vida que não pode ser questionada. Mesmo que isso não faça um pastor, na realidade é muito necessário.

A graça do ministério inclui três coisas:

(1) capacidade de ensinar;

(2) autoridade para ensinar e

(3) zelo no ensinar.

Perkins diz que na entrega do sermão a demonstração do Espírito se manifesta no uso da voz e do corpo. A voz tem de ser alta o suficiente para ser ouvida por todos; moderada quando se está entregando a doutrina; mais fervente e veemente quando no momento da exortação. Deve haver sempre seriedade nos gestos corporais. O pregador não deve se fazer de palhaço ou de tolo no púlpito. A melhor maneira de se aprender a pregar desta forma, diz Perkins, é observar modelos de pregação.

Podemos ver estas coisas de forma simples para que os pregadores apliquem em seus sermões.

1) Estilo simples; 2) Entrega espiritual.

 

1) Quanto ao estilo simples:

  1. a) Devemos ocultar a sabedoria humana. O propósito do nosso sermão não é mostrar a todos nossa habilidade intelectual, e não devemos trazer tudo aquilo que estudamos no gabinete para o púlpito. Temos que estudar a Palavra de Deus cuidadosamente mas devemos apresentar um sermão que reflita a verdade de Deus e não todas as descobertas que fizemos ao usar as “ferramentas” do escritório. Raramente deveríamos introduzir uma palavra grega ou hebraica no sermão. O sermão também não deveria estar cheio de citações dos livros que lemos. Deveríamos evitar discussões teológicas abstratas. Com tudo isso estou me referindo a ocultar a sabedoria humana no conteúdo da pregação.
  2. b) Devemos ocultar a sabedoria humana na entrega do sermão. Isso afeta em primeiro lugar o nosso vocabulário. Assim como o sermão não deve ser uma demonstração da erudição do pregador, igualmente suas palavras, seu vocabulário não deve ser uma demonstração do quanto é erudito. O pregador deve pregar com um estilo “crucificado”; deve se adaptar ao vocabulário de seus ouvintes. Deve usar palavras simples e básicas. O pregador não deve desejar que as pessoas saiam da igreja admiradas do quanto ele é sábio e erudito, mas que saiam só com uma coisa em mente: Quão maravilhoso é o nosso Deus! Portanto devemos usar um vocabulário simples e claro que seja compreensível até pelas crianças. Isso de nenhuma forma vai perturbar aqueles que são intelectuais e eruditos e que estão na nossa audiência porque, se uma criança pode entender, então, todos podem entender. Aqueles que estão sedentos da justiça e de ouvir a Palavra de Deus não se importarão com um estilo simples e “crucificado”.
  3. c) Linguagem Concreta. Devemos seguir aqui o exemplo dos puritanos. Nosso sermão poderia estar cheio de símbolos e metáforas extraídos do lugar de trabalho, da fazenda, do mar, do lar, de tal forma que possa haver uma empatia entre o que o pastor está falando e o povo. Desta forma ele se relaciona com a verdade de Deus que está sendo ministrada. A figura de linguagem que Henry Smith usou para se referir a uma congregação que precisa de um pastor foi essa: “É preferível ter um corpo sem alma do que uma igreja sem pregador”. Este é um contraste que comunica até mesmo nos dias de hoje. Ele continua falando da figura do pastor e o chama de uma lâmpada, uma coluna de fogo, a galinha que chama os seus pintinhos, as trombetas que derrubaram as muralhas de Jericó. É isto eu quero dizer com imagem concreta, metáforas e símiles.

 

Uso de Ilustrações

Se nós estivermos ocultando a nossa sabedoria humana, nossas ilustrações haverão de ser simples. Se uma pessoa sai do sermão e lembra da ilustração, mas não lembra do ponto que a ilustração mostrava, então, esta ilustração falhou. Perkins diz a respeito do uso de ilustrações: O pregador deveria usar figuras e ilustrações que fossem oportunas, mas que fossem apropriadas e com um uso mínimo destas estórias e ilustrações. Também encontramos conselhos muito bons no Diretório de Culto de Westminster. É muito usada pela Igreja Livre da Escócia. Nele lemos: “As ilustrações de qualquer tipo devem ser cheias de luz, de tal forma que possa levar a verdade aos corações dos ouvintes com deleite espiritual”. Portanto, percebamos que o propósito das ilustrações não é entreter o povo, nem “esquentar” a audiência ou fazer as pessoas rirem para distraí-las. Mas, ajudar o povo a compreender a verdade, sentir a verdade e lembrar a verdade. Portanto as ilustrações deveriam provir das experiências de cada dia; não simplesmente provir das leituras do pregador com citações fantasiosas da literatura clássica. Elas deveriam proceder do mercado, do jornal, da TV, da natureza, da vida familiar; toda verdade de Deus pode ser ilustrada pelas coisas que estão ao nosso redor. Quando usamos ilustrações deste tipo as pessoas saem da igreja e vêm uma árvore e podem lembrar de uma ilustração que foi feita e da verdade que ilustramos.

Não há lugar no sermão para estórias longas. Não temos tempo para contar a vida das pessoas. Estamos tratando com a verdade preciosa da Palavra de Deus. Podemos usar uma ilustração mas não estórias longas.

Portanto, existem três aspectos na pregação referentes a “ocultar” a sabedoria humana:

  1. Vocabulário simples.
  2. Usos de ilustrações concretas da vida diária.
  3. Uso de ilustrações simples.

Isso não quer dizer que o pregador deve excluir o uso de retórica e outros instrumentos. Perkins diz que este estilo simples não é para promover a preguiça e a ociosidade entre os pastores. Deus exige um alto padrão na preparação de um sermão. Aquele que vai pregar o Evangelho deve se preparar diligentemente; tanto quanto possível deveria ser um homem de cultura vasta, uma pessoa que leu bastante; conhecedor de literatura filosófica e histórica. É muito importante que conheça o grego e o hebraico e que deles faça uso. Mas não precisa demonstrar, no sermão, que sabe de tudo isso. Estas são suas ferramentas. As donas de casa quando estão na cozinha se armam de vários utensílios para cozinhar. Mas quando servem a comida não trazem para a mesa a faca de cortar ou a tábua de amassar carne e os temperos que utilizou. Ao contrário, já traz a refeição pronta, com bom aspecto, gostosa, mas não precisa trazer todo seu aparato técnico da cozinha para a mesa de jantar. É isto que não podemos fazer como pregadores.

Além disso, para que um sermão não seja cheio de ostentação no seu conteúdo, ele tem de ser muito bem preparado. Diante de Deus, antes que o pregador exponha um texto da Escritura, deve conhecê-lo profundamente. Deve construir o seu sermão cuidadosamente. Na realidade leva-se muito mais tempo em preparação para se conseguir um sermão simples. Aquele pastor que prepara um sermão às pressas, torna-se técnico, seco, porque não tirou tempo suficiente para destilar e cozer aquela verdade até que saísse algo que, de fato, fosse vida para a congregação.

 

2) A Entrega Espiritual do Sermão.

1) Um falar cheio da graça.

Perkins sempre se referia ao modo de se falar que era cheio da graça. Ele se refere ao que está por traz das palavras que são ditas: A graça da vida, a graça do ministério (a graça de Deus). Não há nenhum poder na pregação se não houver santidade na vida do pregador! Há necessidade de que o pastor cuide de seu próprio coração e expulsem todos os maus desejos, todas as paixões e as inclinações mundanas. Mantenha de pé a vida de fé, de amor e de zelo. Gastem muito tempo em casa especialmente com Deus. O pastor deveria desenvolver “umas dores especiais” com seu coração. Ou seja, neste esforço de estar perto de Deus, ele desenvolveria este sofrimento, antes de falar à congregação. Se o pregador for frio como poderá esquentar os corações dos ouvintes? É exatamente isto que Perkins queria dizer a respeito do sermão que para ser espiritual, deveria vir da graça da vida. Ele enumera uma série de razões pelas quais os pastores devem procurar a santidade. Desde que a doutrina bíblica é difícil de entender e praticar, o ministro deve oferecer um exemplo à congregação. Somente o piedoso pode compreender o sentido íntimo da Escritura à medida que ele experimenta a Palavra em seu coração. Deus detesta a combinação de um discurso piedoso com uma vida onde a piedade está ausente. Um ministro em pecado não é digno de ficar em pé diante de Deus.

William Perkins fala de algumas coisas em relação à graça da vida:

  1. Uma boa consciência. Isso significa manter sua vida sempre “atualizada” diante de Deus e dos homens, ou seja, prestar contas a Deus dos seus pecados durante todos os dias da sua vida. Não deve pecar de forma deliberada e nem permanecer na prática do pecado. Se cair em pecado deve odiá-lo, lamentá-lo e clamar a Deus que o liberte e confessar o pecado àqueles contra quem pecou. Assim, você mantém uma vida piedosa e sem isso não haverá pregação piedosa. Muitos pregadores estão brincando com Deus em suas congregações pois suas vidas estão manchadas com práticas pecaminosas. Podem até ser pensamentos e fantasias mentais, ou, quem sabe, não estejam se relacionando com suas esposas da forma escriturística, nem tratando biblicamente suas crianças. Talvez não estejam sendo fiéis com suas dívidas. Deus não abençoará a pregação de um homem que não seja piedoso. Ele deve manter uma boa consciência.
  2. Deve sentir bem a doutrina que vai pregar. Deve sentir, amar a verdade e se deleitar nela. A verdade precisa consumir o pregador e o fogo do seu coração deve estar aceso antes que o coração do seu povo se torne em chamas. Isso é verdade em relação à aplicação. Quando o pregador vai fazer a aplicação deve começar com ele mesmo. Deve, antes, aplicar a Palavra a seu próprio coração. Deve ser quebrantado e, então, confortado. Desta forma terá uma ousadia que não vem da justiça própria, mas de Deus, para aplicar as verdades aos ouvintes. Se sua consciência lhe proíbe de aplicar a Palavra aos seus ouvintes, há pelo menos duas coisas erradas: (1) Ou não está vivendo fielmente diante de Deus, ou (2) está permitindo que o diabo o desencoraje. Deve manter a consciência limpa, pregar a si mesmo e ao seu povo.
  3. Deve ter o temor de Deus. O pastor deve reverenciar, amar e confiar em Deus; deve temer desagradar a Deus; deve desejar a glória de Deus acima de todas as coisas. Junto com o temor de Deus vem o amor ao povo. Se a congregação sabe que o pastor a ama, ela o ouvirá. O pastor não deve vir como alguém que vai bater na cabeça do rebanho mas como alguém que vai ajudá-lo na Palavra de Deus.
  4. A vida do pastor deve ser marcada pela sobriedade e constância. A vida do pastor deve ser marcada pela perseverança, consistência, sobriedade e temperança. Ou seja, que pode desfrutar de todas as nossas coisas mas não deixar-se dominar por nenhuma delas. Isso se aplica às suas finanças; ao seu lazer, ao seu comer e beber quando deve ser moderado. Fazer tudo com moderação. Esse é um grande desafio com referência à entrega espiritual do sermão, porque a entrega espiritual do sermão deve proceder da graça de Deus na vida.

Mas deve haver, além desta graça, alguns dons relacionados com o ministério e por isso Perkins fala da graça do ministério que inclui três coisas:

  1. a) Habilidade em ensinar; habilidade intelectual de entender e analisar a Palavra de Deus e preparar um sermão de forma clara e estruturada; pregar um sermão que seja bem compreensivo e acessível à congregação.
  2. b) Ter uma autoridade que venha da consciência que tem do seu ofício; que Cristo colocou “Suas mãos” sobre ele e o comissionou como Seu arauto. Dessa forma o pastor não vai ao púlpito com dúvidas, de forma tímida e sem convicção; o pastor não está de pé neste lugar por ele mesmo, mas como embaixador de Cristo. Sua autoridade vem desta Palavra. O pastor diz: “Assim diz o Senhor”.
  3. c) Ter zelo na pregação. À medida que a verdade toma conta do pregador ele transmite fervor à congregação.

Portanto a entrega espiritual do sermão deve ser através de uma forma graciosa, cheia da graça da vida e com a graça do ministério (comissionado).

  1. Um falar espiritual. Isso significa que o pastor deve falar na dependência do Espírito Santo. A pregação espiritual se manifesta quando a congregação pode observar a manifestação do Espírito nas palavras e nos gestos do pregador. Perkins baseia esta afirmação em I Co 2:4 – “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder”. Palavras simples e claras são aquelas que expressam da melhor forma possível a majestade do Espírito. A presença do Espírito “carrega” aquelas palavras como uma corrente elétrica e uma “transação” espiritual ocorre. Aqueles que ouvem percebem que é o próprio Espírito de Cristo falando através da pregação. Isto é chamado de “unção”. Esta unção é dupla na sua ação. (1) O derramar do Espírito sobre o pastor e (2) na congregação de tal forma que vêm aquela autoridade com espiritualidade. Existe esse relacionamento que ocorre entre o pregador e sua audiência quando ele é repentinamente “tomado” com liberdade e percepção fazendo uma aplicação ao coração de forma penetrante. É como se ele tomasse a congregação e a carregasse consigo como se ambos fossem levados pelas “asas” do Espírito Santo. É difícil de definir esta experiência e só sentindo-a, poder-se-á compreender melhor.

O pregador deve fazer alguma coisa para receber esta “unção”.

1) Devemos orar. Mais uma vez citamos Baxter: “Toda nossa obra deve ser desenvolvida debaixo do senso de nossa insuficiência e da nossa total dependência de Cristo. Devemos ir a Cristo buscando por luz, vida e força para que nos envie ao trabalho. Nosso trabalho deve ser levado adiante, tanto pela pregação, quanto pela oração. Ninguém pode pregar com o coração ao seu povo se não orar fervorosamente por ele. Se não prevalecermos com Deus para conceder ao nosso povo fé e arrependimento, jamais prevaleceremos com nossa congregação para que ela se arrependa e creia”. A oração é absolutamente essencial para a pregação espiritual. Os pastores devem ser consagrados, comprometidos e devotados à oração. Devem orar semanalmente por todas as pessoas da sua congregação; homens, mulheres e crianças; orar pelos visitantes e por aquelas pessoas da congregação que não são convertidas. Esforçar-se na oração e instar com Deus para que Ele venha. Deve orar diariamente sobre a preparação do seu sermão para que Deus lhe dê a mensagem e a aplicação dela; deve orar pela pregação; colocar sua mensagem diante de Deus e orar para que Ele desça. Mas este ministério da oração é para cada um dos membros da igreja. Os presbíteros deveriam estar orando por todas as pessoas da comunidade e cada um deveria estar orando para que Deus abençoasse seu pastor à medida que ele se prepara para pregar e que Deus lhes desse a mensagem que precisam. Devem orar para que Deus abençoe a entrega do sermão. Somente através da nossa oração o Espírito deverá descer sobre a congregação.

2) O segundo princípio para o pastor envolvido na busca da unção é não confiar na sua própria preparação. Acredito que aqui muitos pastores reformados falham. Porque levam o estudo a sério, pensam que, ao terminarem o sermão, não vão precisar de mais nada. O pastor pode ir ao púlpito confiando em seus estudos, mas o estudo é apenas metade. O sermão não está completo até que seja pregado e este sermão é transformado à medida que for sendo pregado, à medida que o Espírito vem sobre o pastor e se move nele. Portanto o pastor não deve confiar na sua preparação apenas. Perkins insistia que não se deveria usar métodos para memorizar os sermões, mas o pastor deveria estruturar cuidadosamente o sermão. Ele tem de ser lógico, seu esboço deve ser conhecido e ir ao púlpito sem a preocupação com cada palavrinha que irá falar, mas confiar que o Espírito Santo irá trazer as palavras do fundo do coração. As palavras virão se o coração do pregador estiver queimando com a verdade daquela mensagem. Se fizer isso, o Espírito de Deus haverá de descer. Isso nos leva a um próximo aspecto da pregação espiritual.

Já vimos sobre a entrega graciosa do sermão, a pregação espiritual, mas agora veremos sobre uma entrega viva.

3) Entrega viva do sermão. Perkins sempre dava conselhos a respeito da voz do pregador, isto é, que seja num volume alto para ser escutado por todos, moderada quando estivesse entregando a doutrina, porém fervente e veemente quando estivesse fazendo a exortação. Deveria haver um fogo cheio de zelo na mensagem. Mais uma citação de Baxter: “Ó amigos, como deveríamos entregar a mensagem de forma direta e zelosa neste momento tão sério em que vivemos. Em nome de Deus, irmãos, laborem para despertar seus próprios corações antes de irem ao púlpito e assim serem capazes de despertar os corações dos pecadores. Lembrem-se, eles serão despertados ou condenados. Um pregador sonolento dificilmente irá despertar pecadores que também estão sonolentos. Apesar de valorizar as coisas santas de Deus, se as valorizar de forma fria irá desfazer, com sua atitude, aquilo que está dizendo com suas palavras. Só aqui e ali, mesmo entre bons pastores, encontramos um que tem uma forma de pregar fervorosa, persuasiva e poderosa, fazendo com que o povo sinta a sua pregação quando escuta-o. Embora não esteja dizendo que têm de pregar com voz muito alta, pois isto lança dúvidas sobre seu fervor, mas veja que deve ter uma seriedade constante. E quando for necessário, especialmente na aplicação, levante sua voz e não poupe seu fervor. Fale à sua congregação como pessoas que têm de ser despertadas ou aqui ou no inferno. Olhe para eles com o olho da fé e da compaixão e medite no estado de bênção ou de tormento, onde cada um irá permanecer para sempre. Creio que isso o fará fervoroso e derreterá o seu coração com uma idéia do que seja a condição de seus ouvintes. Ó, nunca fale uma palavra fria ou descuidada a respeito deste assunto tão grandioso que é o céu ou inferno”.

O sermão deve ser simples no estilo e espiritual na entrega.

Que Deus conceda a cada pastor o trabalhar através do seu vocabulário, sua linguagem, usos e ilustrações e por uma vida santa; pelos dons e pela dependência dos Espírito Santo de Deus. Que preguem a Palavra de Deus com fervor, entusiasmo e fogo.

Vamos concluir com três citações de três grandes puritanos:

“Eu preguei aquilo que senti; na realidade eu me senti como aquele que foi mandado para alguém de entre os mortos; fui pregar em correntes àqueles que estavam acorrentados, e carregava em minha própria consciência aquele fogo do qual estava persuadido que eles se alertassem”. (John Bunyan)

“Eu preguei como se nunca tivesse certeza de que pregaria uma outra vez; como moribundo a moribundos”. (Richard Baxter)

“Pregação, portanto, não pode ser morta, mas viva e eficaz, de tal forma que se um descrente entrasse na congregação seria afetado, e transformado pelo simples ouvir a Palavra para que pudesse dar glória a Deus”. (William Ames)

Amém.

 

Revisado por Ewerton B. Tokashiki

 

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