Perdão e restauração ao ministério

 

por Roland Barnes[1]

 

Uma das experiências mais tristes que uma igreja enfrenta é a de um pastor caído. A triste realidade é que os pastores também são pecadores e que alguns deles cairão em pecados graves. O que deve acontecer quando um pastor cai?

Os pastores têm um papel duplo na igreja. Como pastores, eles fornecem cuidados pastorais, mas como ovelhas, eles precisam de cuidados pastorais. Quando um pastor cai em pecado, ele precisa do mesmo cuidado restaurador que é dado a qualquer crente. Paulo escreve em Gl 6.1: “Irmãos, se alguém for pego em transgressão, vocês, que são espirituais, devem restaurá-lo”.

Algumas igrejas têm diretrizes claras de como tratar de um pastor caído. Em minha própria denominação, os pastores estão sujeitos à supervisão de seus colegas presbíteros e ministros. Jesus apresenta os passos básicos da disciplina da igreja em Mt 18.15–20. Um dos objetivos é a restauração do irmão ou irmã errante. O princípio deve ser o mesmo quando se trata de um pastor caído. Esforços devem ser feitos para determinar se há evidência de genuína tristeza pelo pecado cometido. Se o pecado é acompanhado por sérias consequências, como no caso do adultério, o caminho para o arrependimento pode exigir alguns esforços intencionais para promover a reconciliação. Se for determinado que o arrependimento genuíno seja evidente, e o perdão é procurado por todas as partes, então o perdão deve ser concedido, e ele deve ser auxiliado na busca pela restauração. Em 1Co 5, o apóstolo Paulo repreende a igreja de Corinto por negligenciar procurar um irmão errante. Depois que a disciplina foi administrada e o irmão em questão se arrependeu de seu pecado, o apóstolo Paulo insistiu que a igreja o perdoasse e o recebesse em amor (2Co 2).

Mas o que deve ser feito quando um pastor comete um pecado grave como o adultério e depois se arrepende? Enquanto certamente ele pode ser e deve ser restaurado à comunhão, também deveria ser restaurado ao seu ofício? Esta é uma questão de discernimento para os líderes da igreja. Uma das qualificações para o ofício de presbítero é que ele esteja acima de qualquer reprovação. Tt 1.7 diz: “para um supervisor, como despenseiro de Deus, deve ser irrepreensível” A palavra grega que é traduzida como “irrepreensível” transmite a ideia de que não há nada na vida de alguém que poderia ser chamado em conta ou trazido legitimamente como uma acusação contra o caráter da pessoa. Se um homem está acima de qualquer reprovação, não há nada em sua vida que o desqualifique para servir como oficial na igreja. Quando um homem comete adultério ou algum outro pecado grave, ele se torna repreensível e, portanto, não está mais qualificado para servir. A fidelidade conjugal é essencial para um homem que está servindo como um supervisor na igreja. O apóstolo Paulo argumenta que o manejo doméstico é essencial para o homem que procuraria ser mordomo na casa de Deus (1Tm 3.5). Um homem que não é fiel à sua própria companheira não deve ser dada a tarefa de supervisão da noiva de Cristo. Alguns pecados, enquanto que perdoados, carregam com eles algumas consequências sérias. Algumas das consequências não podem ser removidas e outras somente após muito tempo. Quando os israelitas se rebelaram contra o Senhor e aceitaram o relatório dos dez espias infiéis, o Senhor se tornou irado com eles e ameaçou destruí-los (Nm 14.20-38). Depois que Moisés intercedeu, o Senhor declarou que os perdoaria, mas não lhes seria permitido entrar na terra prometida. Eles foram perdoados, mas as graves consequências permaneceram.

Embora um pastor caído possa ser restaurado à comunhão na igreja, e embora ele possa servir como leigo em uma variedade de ministérios, é possível que não seja sábio restaurá-lo em seu ofício pastoral até que tenha decorrido tempo suficiente para tratar das consequências de seu pecado, e pode não ser sábio restaurá-lo ao seu ofício. Alguns argumentam que um pastor caído nunca deve ser restaurado em seu ofício pastoral, porque alguns pecados, como o adultério, o tornam perpetuamente vulnerável. Embora eu tenha simpatia por esse ponto de vista, acredito que a restauração deve ser sempre uma possibilidade. Pedro negou a Jesus três vezes, mas depois foi restaurado ao seu ofício apostólico.

Embora possa ser desaconselhável restaurar um pastor caído, isso não é o mesmo que dizer que é absolutamente impossível. O Livro da Ordem da Presbyterian Church in America [Igreja Presbiteriana na América] assume essa posição quando afirma:

Um ministro . . deposto por conduta escandalosa não será restaurado [ao ofício], mesmo no mais profundo pesar pelo seu pecado, até que ele exiba por um tempo considerável, uma vida e testemunho eminentemente exemplar, humilde e edificante, que curará a ferida feita pelo seu escândalo. Um ministro deposto não poderá, em hipótese alguma, ser restaurado até que evidencie que o sentimento geral da Igreja esteja fortemente a seu favor e exige a sua restauração. (38.4)

A graça de Deus, em Jesus, é maior do que o nosso pecado, e qualquer pecado de qualquer pessoa será perdoado se confessado e arrependido. A graça de Deus, em Jesus, não apenas perdoa os pecadores, mas também os restaura. No entanto, o ofício na igreja é restrito àqueles que satisfazem as qualificações estabelecidas em 1Tm 3 e Tt 1. Quando a vida de um pastor, devido a algum pecado grave, torna-se reprovável, ele se torna naquele momento desqualificado para servir como oficial na igreja, e é possível que ele nunca mais seja capaz de retomar o seu ofício ministerial. Ele pode ser perdoado, restaurado à comunhão e participar do ministério da igreja, mas o seu ministério pastoral pode não ser retomado, exceto nas mais raras ocasiões, e somente ser restaurado após um diligente processo.

NOTA:

[1] Rev. Roland Barnes é pastor senior da Trinity Presbyterian Church (PCA) em Statesboro, Ga.

 

Acessado em https://tabletalkmagazine.com/article/2018/10/forgiveness-restoration-ministry/

Traduzido por Ewerton B. Tokashiki

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