Tentando pensar e viver como um Reformado: Reflexões de um estrangeiro residente – Parte 17

5. A nossa restauração por Graça em Cristo[1]

Na cruz de Cristo, como num magnificente teatro, a inestimável bondade de Deus é exibida diante do mundo inteiro. Em todas as criaturas, de fato, tanto elevadas quanto humildes, a glória de Deus resplandece, porém em parte alguma ela resplandeceu mais gloriosamente do que na cruz, no fato de que ali houve uma extraordinária mudança de coisas, sendo ali manifesta a condenação de todos os homens, o pecado sendo apagado, a salvação sendo restaurada nos homens; e, em suma, o mundo inteiro foi renovado e cada coisa restaurada à boa ordem − João Calvino.[2]

Na condição de estrangeiros residentes, além de procurarmos conhecer bem como funcionam as leis escritas e, especialmente as não escritas de onde vivemos – já que estas, por vezes, costumam ser o detonador para o cumprimento daquelas −, precisamos ter uma clara consciência de quem somos.

O apóstolo João enfatiza bastante esse ponto ao escrever às igrejas da Dispersão, demonstrando que os nascidos de Deus têm uma vocação diferente e, portanto, não podem se fascinar com as paixões desse mundo que é passageiro em toda a sua estrutura de crenças, valores e praxes, se opondo aos valores propostos por Deus para os seus filhos (1Jo 2.15-17/2.8).[3] Somos nascidos de Deus (1Jo 2.29; 3.8-9; 4.7; 5,1,18).[4] O mundo em sua estrutura pecaminosa reflete o diabo e seus valores malignos (1Jo 3.8,10; 5.19).[5]

Dito isso, falemos sobre a doce e maravilhosa graça de Deus.

A liberdade é um dos atributos da soberania. Deus é soberano e, por isso mesmo, é livre na manifestação da sua graça. Aliás, este conceito é fundamental à ideia bíblica de graça, pois, se a graça não fosse livre, não seria graça. Graça que é obrigatória não é graça, é obrigação. Deus tem misericórdia de quem lhe aprouve (Êx 33.19).[6]

“A graça é absolutamente livre de toda a nossa influência, ou então não é graça de modo algum”, enfatiza Booth (1734-1806).[7] Deus nos olha com graça porque assim o decidiu. O homem não pode exercer nenhuma influência sobre tal deliberação, todavia, Deus é gracioso para com o homem porque determinou em si mesmo considerar a necessidade do seu povo manifestando esta sua santa perfeição. Nesse contexto, o homem é totalmente passivo. Como morto, está inerte, inerme e em estado de putrefação espiritual.[8]

Packer corretamente declarou:

A graça é livre, no sentido de ser auto-originada e de proceder de Alguém que podia ou não conceder graça. Somente quando se percebe que o que decide o destino do homem é o fato de Deus resolver ou não salvá-lo de seus pecados – sendo esta uma decisão que Ele não é obrigado a tomar em nenhum caso – é que se começa a apreender a ideia bíblica da graça.[9]

Se Deus, soberana e livremente estabelecesse a Lei como sendo o caminho da graça – embora saibamos que a doação da Lei é por si só uma manifestação da graça divina – a graça continuaria sendo graça. Todavia, não haveria salvação para o homem, já que o padrão de Deus é a perfeição.

A graça reina livremente justamente por ser soberana!:

A fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. (Rm 5.21).

Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. (Hb 4.16). (Vejam-se: 1Rs 8.23; Is 55.3; Jr 9.24; Rm 3.24; 9.15-18[10]).[11] (grifos meus).

A. Paralelas: A graça que se manifesta em Obra

Somente quando a soberania e a graça de Deus são mantidas em equilíbrio adequado, a teologia reformada é fiel ao ensino da Escritura e aos seus melhores instintos. – A. T. B. McGowan.[12]

Jesus Cristo é a personificação da graça. Ele encarna a graça e a verdade. Nele encontramos o fundamento do que é verdadeiro: Ele é a verdade eterna que valida o que é, desmistificando os nossos padrões equivocados e, por isso mesmo, transitórios de verdade e, também, cumpre as promessas de Deus em graça (Jo 1.17; 14.6).[13] Ele é a causa, o conteúdo e a manifestação da graça de Deus. Falar de Cristo é falar da graça.[14]

Os profetas do Antigo Testamento falavam de uma salvação futura que ocorreria pela graça (1Pe 1.10).[15] Jesus Cristo, a graça de Deus encarnada, veio na plenitude do tempo (Gl 4.4),[16] na plenitude da graça (2Tm 1.9[17]/Jo 1.16; 1Co 1.4; Ef 1.6,7; 2Tm 2.1). A autoentrega de Jesus pelos pecados dos pecadores eleitos foi um dom da graça que fora profetizada (1Pe 1.10-11/Rm 5.15; Hb 2.9).[18] A pobreza assumida por Cristo revela a riqueza da sua graça (2Co 8.9).[19] Deste modo, ele, somente ele, nos dá acesso à graça (Hb 4.14-16), convidando-nos: “Vinde a mim” (Mt 11.28).

Por isso, como vimos, Jesus Cristo se encarnou a fim de que Deus pudesse ser justo e, ao mesmo tempo, o justificador daqueles que confiam em Jesus para salvação (Rm 3.26).[20] Ele se tornou para os que creem em justiça, santificação e redenção (1Co 1.30).[21] “O Cristianismo se distinguiu unindo justiça e amor na cruz”.[22]

Calvino resume bem a relação entre o Deus soberano e gracioso revelado de forma plena em seu Filho, Jesus Cristo:

Visto que todo homem é indigno de se dirigir a Deus e de se apresentar diante de Sua face, a fim de nos livrar da vergonha que sentimos ou que deveríamos sentir, o Pai celeste nos deu Seu Filho, o nosso Senhor Jesus Cristo, para ser o nosso Mediador e Advogado para com Ele, para que, por meio dele, pudéssemos aproximar-nos livremente dele (1Tm 2.5; 1Jo 2.1; Hb 8.6 e 9.15). Com isso nos certificamos de que, tendo tal Intercessor, o qual não pode ser recusado pelo Pai, também nada nos será negado de tudo o que pedirmos em Seu nome (Hb 4.14-16). Seguros também de que o trono de Deus não é somente trono de majestade, mas também de Sua graça, podendo nós comparecer perante ele com toda a confiança e ousadia, em nome do Mediador e Intercessor, para rogar misericórdia e encontrar graça e ajuda, em toda necessidade que tivermos.[23]

A graça de Deus não é barata.[24] Nós muitas vezes nos comportamos como filhos que, amados e agraciados com presentes de seus pais, se esquecem de que se aquilo que ganhamos foi “fácil”, “generoso”, sem mérito algum de nossa parte, custou muitas vezes um alto preço para os pais: privação de adquirir outro bem para si, filas, crediários, juros, economias, etc. A graça de Deus tem outro lado, que com frequência nos esquecemos: a obra sacrificial de Cristo.

É um erro lamentável julgar toda a verdade considerando apenas a parte que nos compete do todo. A nossa visão é bastante seletiva. Quando costumamos analisar a vida apenas a partir do nosso umbigo, geralmente somos injustos e levianos em nossas avaliações.

A graça de Deus se evidencia nas obras da Trindade. O Pacto da Graça, [25] por meio do qual somos salvos, foi Pacto de Obras para Cristo.[26] A nossa salvação é muito cara, custou o precioso sangue de Cristo (1Pe 1.18-20/At 20.28; 1Co 6.20).[27]Como bem expressou Calvino: “Nós dizemos que [a Redenção] é gratuita para nós, mas não para Cristo, a quem custou altíssimo preço, uma vez que ele pagou o resgate com o seu santo e precioso sangue, porque não existe nenhum outro preço que possa satisfazer à justiça de Deus”.[28]

Isso longe de apontar para o suposto valor inerente de nossas almas, revela o amor gracioso de Deus que confere valor a nós.

Deus não quebra a sua justiça por amor, antes, cumpre a justiça em amor. A graça reina pela justiça (Rm 5.21).[29] O amor de Deus não desconsidera o pecado, antes o penaliza em Cristo, o Amado (Ef 1.6-7),[30] em quem temos a plenitude da graça do Deus Triúno. “De fato a graça reina, mas uma graça reinante à parte da justiça não é apenas inverossímil, mas também inconcebível”, enfatiza Murray (1898-1974).[31]

Booth (1734-1806) escrevendo sobre este assunto, assim se expressou:

A graça de Deus está fundamentada na obediência perfeita e meritória de Cristo.[32]

Ainda que este perdão seja gratuito para os pecadores, nunca devemos nos esquecer de que Cristo pagou um alto preço por ele. Perdão para a menor das nossas ofensas só se tornou possível porque Cristo cumpriu as mais aflitivas condições – Sua encarnação, Sua perfeita obediência à lei divina e Sua morte na cruz. O perdão que é absolutamente gratuito ao pecador teve um alto custo para o Salvador.[33]

A graça de Deus vem a nós não porque Deus revela o fato da Sua lei ser quebrada por nós, mas porque a Sua lei foi plenamente satisfeita pelos atos de justiça que Cristo fez a nosso favor. (…) Ele cumpriu perfeitamente a lei de Deus.[34]

 

B. Causalidade amorosa: Graça e Paz

“Graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Ef 1.2). Esta é uma saudação comum de Paulo em suas epístolas: “graça” (xá/rij) e “paz” (ei)rh/nh). Sem dúvida não há início melhor. Começamos sempre pela graça. A paz com Deus só é possível pela graça. Aqui temos a essência do Cristianismo.[35] É impossível haver paz sem a consciência de nossa restauração à comunhão com Deus, removendo assim toda a culpa do pecado e o medo da punição divina.[36]

Watson (c. 1620-1686) exulta: “A paz pode suavizar todas as nossas aflições e transformar nosso fel em vinho. Quão feliz é uma pessoa justificada que tem o poder de Deus para guardá-la e a paz de Deus para confortá-la”.[37]

Mas, o que significa graça? Graça pode ser definida como um favor imerecido, manifestado livre e continuamente por Deus aos pecadores que se encontravam em um estado de depravação e miséria espirituais, merecendo o justo castigo pelos seus pecados[38] (Rm 4.4/Rm 11.6; Ef 2.8,9).[39]

Paulo destaca que a Graça é do Pai e do Senhor Jesus Cristo (Ef 1.2). O nosso Deus é “O Deus de toda graça” (1Pe 5.10). A graça é uma das gloriosas perfeições da Santíssima Trindade: Perfeição do Pai (Cl 1.2); Perfeição do Filho (Rm 16.20; Fm 25; Ap 22.21);[40] Perfeição do Espírito Santo (Hb 10.29). A graça origina-se em Deus mesmo, tornando-se a fonte de todas as suas bênçãos. Deus é gracioso em si mesmo, independentemente, de sua relação conosco. O que Deus manifesta em sua relação com o seu povo, é a expressão exata daquilo que ele é em si mesmo: A graça faz parte da essência de Deus.

Baudraz está correto, quando diz: “A graça divina não se separa de Deus, mas é uma relação pessoal que Deus estabelece entre si mesmo e os homens: ele os encara com favor e com bondade”.[41] (Vejam-se: Êx 34.6; Nm 14.18-19; 2Sm 7.15; Sl 31.16; 33.22; 42.8).[42] “A doçura da graça”[43] de Deus é a tônica da sua relação com o seu povo.[44] Tudo que temos, somos e seremos, é pela graça (1Co 15.10).[45] A riqueza da graça de Deus se manifesta de modo superabundante em nós (2Co 9.14; Ef 1.7; 2.7). Todavia, ela não foi revelada em toda a sua plenitude, por isso, aguardamos o regresso triunfante de Jesus Cristo, quando ele mesmo revelará a graça de forma mais completa (1Pe 1.13),[46] concluindo a nossa salvação (Fp 1.6/1Pe 1.3-5).

Tornando ao texto de Efésios, podemos observar que Paulo toma essas duas palavras – Graça (= saúde), que era a saudação dos gregos e, Paz, saudação dos judeus – conferindo um sentido teológico: a paz é resultado da graça de Deus. Notemos que nas saudações de Paulo, ele nunca inverte esta ordem: a paz com Deus é resultado de sua própria graça. Devemos observar, contudo que a paz aqui, deve ser entendida como o equivalente hebraico, {Olf$ (shãlôm), “prosperidade espiritual”.[47] A paz como resultado da graça pressupõe um estado anterior de inimizade. Conforme vimos, o pecado nos colocou em um estado de inimizade, hostilidade e ódio para com Deus: estávamos separados de Deus (Is 59.2).[48] O homem encontrava-se em um estado de rebelião contra Deus (Is 65.2).[49]

A graça de Deus concretiza-se em Cristo, por meio de seu sacrifício vicário. Paulo diz que ele é a nossa paz:

Em Cristo Jesus, vós [gentios], que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz (ei)rh/nh), o qual de ambos fez um, e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz (ei)rh/nh), e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade. E, vindo, evangelizou paz (ei)rh/nh) a vós outros que estáveis longe [gentios] e paz (ei)rh/nh) também aos que estavam perto [judeus]; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito. (Ef 2.13-18). (Ver: Cl 1.20-22).[50]

Paulo nos ensina que em Cristo passamos a ter paz com Deus e também com o nosso próximo. Dentro do propósito imediato de Paulo, ele demonstra que os gentios, distantes das promessas de Israel, e os judeus, agora, têm acesso livre a Deus em Cristo, pelo mesmo e único Espírito.

Notemos que em tudo isso a iniciativa é de Deus. O Deus Triúno deseja a paz e providencia os meios para isso: “Tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo (…). Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo…” (2Co 5.18,19). “A cruz trouxe a paz, embora não houvesse paz na cruz. Foi uma cena caótica, mas a cruz proporcionou a justiça que, por si só, traz a paz verdadeira”.[51]

A graça que nos vem por Cristo Jesus propiciou de forma eficaz a nossa reconciliação com Deus conduzindo-nos à paz. Agora, reconciliados com Deus, vivemos em paz, confiando inteiramente em sua promessa. A paz da reconciliação conduz-nos à paz interior e, em todas as nossas relações:[52] “Não há nenhuma paz genuína que seja desfrutada neste mundo senão na atitude repousante nas promessas de Deus. Os que não lançam mão delas podem ser bem sucedidos por algum tempo em abafar ou expulsar os terrores da consciência, mas sempre deixarão de desfrutar do genuíno conforto íntimo”.[53]

A graça de Deus sempre antecede a paz. Fomos reconciliados com Deus por sua graça. Somos, portanto, agraciados com a paz. “O primeiro e mais importante aspecto desta paz com Deus não é a paz do nosso coração, mas o fato de que Deus está em paz conosco”, resume Schaeffer.[54]

C. Dulcíssimo e eterno fruto: A graça e a salvação

A graça é o começo da nossa fé; a paz é o fim da nossa fé. A graça é o manancial, a fonte, a origem. É aquele local particular da montanha do qual o caudaloso rio que vocês veem rolando para o mar começa a sua carreira; sem ela não haveria nada. A graça é a origem, a procedência e a fonte de tudo o que há na vida cristã. – D. M. Lloyd-Jones.[55]

Ao invés de ser um obstáculo para a evangelização, as doutrinas da graça constituem uma explosiva motivação para o testemunho cristão de Jesus Cristo. – Steven J. Lawson.[56]

Calvino diz que a graça é um antídoto contra a corrupção de nossa natureza.[57] Em outro lugar: “O acesso à salvação a ninguém é vetado, por mais graves e ultrajantes sejam seus pecados”.[58] A nossa salvação é decorrente do Pacto da Graça, por meio do qual Deus confiou o seu povo ao seu Filho para que ele viesse entregar a sua vida por ele. Cristo deu a sua vida em favor de todos aqueles que o Pai lhe confiara na eternidade[59] (Is 42.6/2Tm 1.9; Jo 6.39;[60] 17.1,6-26). Assim, todos os homens – judeus e gentios – tanto no Antigo como no Novo Testamento foram salvos pela graça. Assim declara o apóstolo Pedro: “Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram” (At 15.11).

Mérito e graça são conceitos que se excluem: “E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11.6). “A graça divina e o mérito das obras humanas são tão opostos entre si que, se estabelecermos um, destruiremos o outro”, conclui Calvino.[61] Portanto, continua: “Que se evapore, pois, o sonho daqueles que imaginam uma justiça mesclada de fé e abras”.[62]

De fato, a graça tem sempre como pressuposto a indignidade daquele que a recebe.[63] A graça brilha nas trevas do pecado. Desta forma, a ideia de merecimento está totalmente excluída da salvação por graça (Ef 2.8,9; 2Tm 1.9).[64]

Não há mérito humano na fé. É justamente, aqui, onde há certo incômodo para o ser humano. Apreciamos a graça. Contudo ela vai de encontro ao nosso orgulho e convencimento de merecimento. A salvação é pela graça. Esta realidade reconhece, portanto, a glória como sendo de Deus, não do homem.[65]

No nosso íntimo, estamos convencidos de que merecemos, nem que seja a graça gratuita! Barth (1886-1968) coloca esta questão de forma elucidativa:

Nós não amamos viver pela graça; há sempre em nós alguma coisa que se insurge violentamente contra a graça. Nós não amamos receber a graça, nós amaríamos, no máximo, atribuí-la a nós mesmos. A vida humana é feita desse vai-e-vem entre o orgulho e o desespero, que apenas a fé pode eliminar. Se contar consigo mesmo, o homem não pode chegar a ela, uma vez que não podemos, nós mesmos, nos libertar do orgulho e da angústia. Se formos libertos é graças a uma ação que não depende de nós.[66]

A Palavra de Deus nos ensina que a nossa salvação é por Deus, porque é ele quem faz tudo;[67] por isso, o homem não pode criar a graça, antes, ela lhe é outorgada, devendo ser recebida sem torná-la vã em sua vida (2Co 6.1; 8.1-3/1Co 15.10). (Vejam-se: Dt 7.6-8; At 15.11; Ef 2.8-10; Tg 2.5). “Uma manifestação mais intensa da graça de Deus para conosco equivale um maior peso de culpa sobre nós, se porventura viermos a desprezá-la”, interpreta Calvino.[68]

A graça de Deus abre o nosso coração, fazendo-nos ver a necessidade da salvação, passando a desejá-la ardentemente desde então;[69] a graça de Deus promove a paz em nosso coração por intermédio da nossa reconciliação com Deus (Rm 5.1; 2Co 5.18-21/Rm 1.7; 1Co 1.3; 2Co 1.2).[70] Em paz com Deus, somos agenciadores desta paz por meio da proclamação do evangelho (Sl 34.14; Mt 5.9; Rm 12.18; 2Co 13.11; Hb 12.14/2Co 5.20) e, também, por meio de nossa conduta. Agora vivemos na esfera do Reino da graça, estando sob a graça, em um estado de graça, em uma nova posição em Cristo (Rm 5.2; 6.14; Ef 1.20; 2.6; Cl 1.13).

 

Uma ponderação necessária: As conversões do convertido

No início desse capítulo falei sobre a necessidade de sabermos quem somos. Somos pecadores regenerados. A igreja, como tratarei no momento próprio, é composta por pessoas assim, como nós. Por isso, mesmo reconciliados com Deus, a nossa luta contínua de forma ininterrupta e intensa.

A nossa conversão a Deus é radical. Ela envolve um novo começo regido por um conhecimento essencialmente diferente e, consequentemente, a construção de uma nova experiência. Na linguagem do Novo Testamento, a conversão consiste[71] na ressurreição espiritual já que estávamos mortos (Ef 2.1-10); um novo nascimento (Jo 3.1-5),[72] um abrir o coração e os olhos, os iluminando (At 16.14; 2Co 4.4-6), uma nova compreensão (1Jo 5.20).

A conversão teológica tem implicações pessoais e sociais. Digamos assim: ela se aperfeiçoa e se evidencia em nosso perceber a realidade e atuar. Somos interiormente mudados e isto se reflete em todas as nossas relações. Há um redirecionamento de nossa vida à medida que somos refeitos à imagem de Cristo.

Como não somos perfeitos e jamais o seremos nesta vida, haverá sempre a necessidade do aperfeiçoamento desta conversão, marcada pelo arrependimento e um novo rumo em nossa vida (Vejam-se: 2Sm 12.13; Sl 51.10-12; Mt 26.75/Lc 22.32; Lc 17.3-4; Rm 13.14; Ef 4.22-24; Ap 2.4-5,16; 21-22; 3.3,19).

Somos intimados biblicamente a nos converter de nossos maus caminhos, tornando à obediência a Deus; a voltarmos de nosso “desvio temporário” ao caminho de Deus. Este deve ser o nosso caminhar cotidiano e o amadurecer de nossa fé. Portanto, a conversão deve ser olhada dinamicamente. Fomos convertidos definitivamente por Deus e para Deus, contudo, devemos caminhar em nossa conversão do pecado residual para uma genuína obediência a Deus. Neste sentido, esta conversão se associa com a santificação, sendo nomes diferentes para falar do mesmo processo.

E, a graça nos acompanha em nossa caminhada de fé e obediência. Calvino capta bem isso ao escrever: “Uma vez que os crentes todos os dias se envolvem em muitos erros, de nada lhes aproveitará já terem tomado a vereda da justiça, a menos que a mesma graça que os manteve em sua companhia os conduza à última fase de sua vida”.[73]

Por isso, que a nossa genuína conversão nunca nos poderá conduzir à arrogância diante de nosso próximo, antes, a uma atitude de humildade e dependência da graça, consciente da grandeza de nosso chamado a sermos conforme Jesus Cristo (Rm 8.29-30). A Conversão verdadeira nos leva a diversas conversões durante a vida.[74] Todas elas em direção a Deus, o nosso Senhor.

A conversão engloba necessariamente a mudança de nossa mente, emoções e vontade. Esta nova percepção precisa ser desenvolvida, amadurecida e refinada a fim de que cada vez mais nos pareçamos com o nosso Senhor.

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

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[1] Parte desse capítulo pode ser encontrada de forma mais ampla em meus livros: A Soberania de Deus e a Responsabilidade Humana, Goiânia, GO.: Editora Cruz, 2016 e Fundamentos Pressuposicionais da Teologia Reformada, Goiânia, GO.: Editora Cruz, 2022.

[2] John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1981, v. 18, (Jo 13.31), p. 73.

[3]15 Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele;  16 porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.  17 Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo 2.15-17). Todavia, vos escrevo novo mandamento, aquilo que é verdadeiro nele e em vós, porque as trevas se vão dissipando, e a verdadeira luz já brilha (1Jo 2.8).

[4] Se sabeis que ele é justo, reconhecei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele” (1Jo 2.29). “8 Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo.  9 Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1Jo 3.8-9).  “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (1Jo 4.7). “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido. (…) 18 Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca” (1Jo 5.1,18).

[5] 8 Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. (…) 10 Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão” (1Jo 3.8,10). Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno” (1Jo 5.19).

[6] “Respondeu-lhe: Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êx 33.19).

[7]A. Booth, Somente pela Graça, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1986, p. 14. Do mesmo modo, Parker: “Se a graça fosse uma obrigação da parte de Deus, já não seria graça. Porém é em Sua divina liberdade que Deus nos mostra sua graça” (T.H.L. Parker, Gracia: In: E.F. Harrison, ed. Diccionario de Teologia, Grand Rapids, Michigan: T.E.L.L., 1985, p. 254b). Veja-se também: John Gill, “A Complete Body of Doctrinal and Practical Divinity,The Collected Writings of: John Gill, (CD-ROM), (Albany, OR: Ages Software, 2000), I.13, p. 196.

[8] Veja-se: Abraham Kuyper, A Obra do Espírito Santo, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 354-355.

[9] J.I. Packer, O Conhecimento de Deus, São Paulo: Mundo Cristão, 1980, p. 119.

[10]“E disse (Salomão): Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus como tu, em cima nos céus nem embaixo na terra, como tu que guardas a aliança e a misericórdia a teus servos que de todo o coração andam diante de ti (1Rs 8.23). “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi(Is 55.3). “Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor(Jr 9.24). “Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). “Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz (Rm 9.15-18).

[11] Vejam-se também, Confissão de Westminster, III.5; IX.4; XV.3; Catecismo Menor, Pergs. 33,34, 35.

[12] A.T.B. McGowan, Uma teologia evangélica reformada e missional para o século 21. In: Samuel T. Logan Jr., Org. Reformado quer dizer missional, São Paulo: Cultura Cristã, 2015, p. 247.

[13]“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1.17). “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

[14] “A plenitude do ser de Deus é revelada nEle. Ele não apenas nos apresenta o Pai e nos revela Seu nome, mas Ele nos mostra o Pai em Si mesmo e nos dá o Pai. Cristo é a expressão de Deus e a dádiva de Deus. Ele é Deus revelado a Si mesmo e Deus compartilhado a Si mesmo, e portanto Ele é cheio de verdade e também cheio de Graça” (Herman Bavinck, Teologia Sistemática, Santa Bárbara d’Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 25-26).

[15] “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada(1Pe 1.10).

[16] “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4).

[17] “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2Tm 1.9).

[18]10Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, 11 investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam” (1Pe 1.10-11). “Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos” (Rm 5.15). “Vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem” (Hb 2.9).

[19] “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2Co 8.9).

[20] “Tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3.26).

[21] “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1Co 1.30).

[22] Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 4, p. 179.

[23]João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 3, (III.9), p. 101-102

[24]Posteriormente li MacArthur comentando a respeito da expressão “graça barata” (Veja-se: John MacArthur, O evangelho Segundo os apóstolos, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2011, p. 68-90). Dentro de uma perspectiva complementar, escreveu Bonhoeffer: “A graça barata é inimiga mortal de nossa igreja. A nossa luta trava-se hoje em torno da graça preciosa. Graça barata é graça como refugo, perdão malbaratado, consolo malbaratado, sacramento malbaratado; é graça como inesgotável tesouro da Igreja, distribuído diariamente com mãos prontas, sem pensar e sem limites; a graça sem preço, sem custo. (…) A graça barata é, por isso, uma negação da Palavra viva de Deus, negação da encarnação do Verbo de Deus. (…) A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado” (D. Bonhoeffer, Discipulado, 2. ed. São Leopoldo, RS.: Sinodal, 1984, p. 9-10). “A graça de Deus não é graça barata; ela custa tudo que somos e que temos” (Helmut Thielicke, Mosaico de Deus, São Leopoldo, RS.: Sinodal, 1968, p. 72).

[25] “Cristo amou a esta linhagem desde antes da fundação do mundo. É um pensamento nobre e glorioso – o mesmo lirismo da doutrina calvinista, a qual nós ensinamos – que antes que a estrela matutina conhecesse seu lugar, antes que do nada Deus criasse o universo, antes que a asa do anjo agitasse os virgens espaços etéreos, e antes que um solitário cântico perturbasse o silêncio no qual Deus reinava supremamente. Ele já havia entrado em conselho consigo mesmo, com Seu Filho e com Seu Espírito, e havia determinado, proposto e predestinado a salvação de Seu povo” (C.H. Spurgeon,  Sermões no Ano do Avivamento,  São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1994, p. 47-48).

[26] “Em última análise a justificação é por obras no sentido que somos justificados pelas obras de Cristo” (R.C. Sproul, O Que é teologia Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 61).

[27]18 Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, 19 mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, 20 conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Pe 1.18-20).

[28] João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 2, (II.6), p. 237.

[29] “A fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 5.21).

[30] “Para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, 7no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef 1.6-7).

[31] John Murray, Redenção: Consumada e Aplicada, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1993, p. 19. Veja-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 4, p. 180-181.

[32] A. Booth, Somente pela Graça, p. 15.

[33] A. Booth, Somente pela Graça, p. 31. Veja-se: J.I. Packer, O Conhecimento de Deus, p. 121.

[34] A. Booth, Somente pela Graça, p. 56-57.

[35]Lutero comentando Gl 1.3, escreveu: “Esses dois vocábulos, graça e paz, abraçam o cristianismo universal. A graça perdoa o pecado, a paz tranquiliza a consciência (…). Esses dois termos (…) encerram todo o cristianismo. A graça contém o perdão dos pecados e a paz, uma alegre e tranquila consciência. A paz não pode ser adquirida, se o pecado não foi perdoado, pois a lei acusa a consciência e a aterroriza por causa do pecado e o pecado, que a consciência sente, não pode ser removido por peregrinações, vigílias, trabalhos, esforços, jejuns ou quaisquer outras obras. Pelo contrário, o pecado aumenta com as obras, pois quanto mais nos esforçamos e suamos para remover o pecado, tanto mais o cometemos” (Martinho Lutero,  Comentário à Epístola aos Gálatas: In: Martinho Lutero: Obras Selecionadas, São Leopoldo, RS.; Porto Alegre, RS., Canoas, RS.: Sinodal; Concórdia; Ulbra, 2008, v. 10, (Gl 1.3), p. 48).

[36] Veja-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 4, p. 182.

[37]Thomas Watson, A Fé Cristã, estudos baseados no breve catecismo de Westminster, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 268.

[38] Vejam-se outras definições em: A. W. Pink, Os Atributos de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1985, p. 69; Idem., Deus é Soberano, São Paulo: Fiel, 1977, p. 24; A. Booth, Somente pela Graça, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1986, p. 31; João Calvino, Exposição de Romanos, (Rm 5.15), p. 193; R. P. Shedd, Andai Nele, São Paulo: ABU., 1979, p. 15; W. Hendriksen, 1 y 2 Timoteo/Tito, Grand Rapids, Michigan: S.L.C., 1979, (Tt 2.11), p. 419; L. Berkhof, Teologia Sistemática, p. 74; W. Barclay, El Pensamiento de San Pablo, Buenos Aires: La Aurora, 1978, p. 154; L. Boettner, Predestinación, Grand Rapids, Michigan: S.L.C., [s.d.], p. 258; D. M. Lloyd-Jones, Por que Prosperam os Ímpios, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1983, p. 103; J.I. Packer, O Conhecimento de Deus, p. 120; Tom Wells, Fé: Dom de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1985, p. 101; Samuel Falcão, Predestinação, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1981, p.100-101; James Moffatt, Grace in the New Testament, New York: Ray Long & Richard R. Smith. Ind., 1932, p. 5; Wayne A. Grudem, Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 146, 147; John Gill, “A Complete Body of Doctrinal and Practical Divinity,The Collected Writings of: John Gill, (CD-ROM), (Albany, OR: Ages Software, 2000), I.13, p. 195-196; John MacArthur, O evangelho Segundo os apóstolos, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2011, p. 72.

[39]“Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida” (Rm 4.4). “E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11.6). 8Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

[40] Em 2Ts 1.2, a palavra “Graça” é associada a Deus e a Jesus Cristo.

[41] F. Baudraz, Graça: In: J. J. Von Allmen, dir. Vocabulário Bíblico, 2. ed. São Paulo: ASTE., 1972, p. 157-158.

[42] Em todos esses textos, a palavra hebraica usada é iHeisedh.

[43] Cf. João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 1, (Sl 6.1), p. 125.

[44] Packer diz que “graça” é “a palavra-chave do cristianismo” (J. I. Packer, Vocábulos de Deus, São José dos Campos, SP. Fiel, 1994, p. 85).

[45] “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Co 15.10).

[46] “Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo” (1Pe 1.13).

[47]Shãlôm, que ocorre certa de 250 vezes no Antigo Testamento, tem o sentido de: “inteireza, integridade, harmonia e realização”. Na forma de saudação, podemos observar que, desejar shãlôm é o mesmo que abençoar (2Sm 15.27); retê-lo, equivale a amaldiçoar (1Rs 2.6). “Shalõm realmente significa tudo quando contribui para o bem do homem, tudo que faz com que a vida seja verdadeiramente vida” (William Barclay, As Obras da Carne e o Fruto do Espírito, São Paulo: Vida Nova, 1985, p. 82-83). No entanto, o principal sentido da palavra está relacionado à atividade de Deus na aliança da graça: “Em quase dois terços de suas ocorrências, shãlôm descreve o estado de plenitude e realização, que é resultado da presença de Deus” (Garry G. Lloyd, Shãlêm: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1573). A origem desta paz está em Deus mesmo.

[48] “…. as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2).

[49] “Estendi as mãos todo dia a um povo rebelde, que anda por caminho que não é bom, seguindo os seus próprios pensamentos” (Is 65.2).

[50]20 E que, havendo feito a paz (*ei)rhnopoiew) pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. 21 E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, 22 agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis” (Cl 1.20-22). (* Este verbo só ocorre aqui).

[51]John MacArthur Jr., O Caminho da Felicidade, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 157.

[52]  Veja-se: D. M. Lloyd-Jones, O Supremo Propósito de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1996, p. 40.

[53] João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 2, (Sl 51.8-9), p. 436.

[54] Francis A. Schaeffer, A Obra Consumada de Cristo: A verdade de Romanos 1-8, São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 123.

[55] D. M. Lloyd-Jones, O Supremo Propósito de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1996, p. 35.

[56]  Steven J. Lawson, Fundamentos da Graça: 1.400 a.C. -100 d.C: longa linha de vultos piedosos, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2012, v. 1, p. 666.

[57] João Calvino, Romanos, 2. ed. São Paulo: Parakletos, 2001, (Rm 3.4), p. 111.

[58] João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 1.15), p. 43.

[59]Veja-se: John Gill, A Complete Body of Doctrinal and Practical Divinity, Arkansas: The Baptist Standard Bearer, 1989 (Reprinted), I.13. p. 83.

[60] “Eu, o Senhor, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios” (Is 42.6). “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2Tm 1.9). “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.39).

[61]João Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 11.6), p. 388.

[62] João Calvino, As Institutas, III.11.13.

[63]Veja-se: A. Booth, Somente pela Graça, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1986, p. 13.

[64]8Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9). “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2Tm 1.9).

[65]Veja-se: James M. Boice, Fundamentos da Fé Cristã: Um manual de teologia ao alcance de todos, Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2011, p. 449-450.

[66] Karl Barth, Esboço de uma Dogmática, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, p. 23.

[67]Vejam-se: C.H. Spurgeon, Sermões Sobre a Salvação, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1992, p. 12ss.; 45; D. M. Lloyd-Jones, Vida No Espírito: No Casamento, no Lar e no Trabalho, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1991, (Ef 5.27), p. 137; John Murray, Redenção: Consumada e Aplicada, Redenção: Consumada e Aplicada, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1993, p. 98; R.B. Kuiper, El Cuerpo Glorioso de Cristo, Michigan: SLC., 1985, p. 169ss; 177ss.

[68]João Calvino, Gálatas, São Paulo: Paracletos, 1998, (Gl 4.9), p. 127.

[69] “A graça de Deus não só salva o homem: também mostra ao homem sua necessidade de ser salvo e introduz em seu coração o desejo de salvação” (W. Barclay, El Pensamiento de San Pablo, Buenos Aires: La Aurora, 1978, p. 164).

[70] “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; 2 por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Rm 5.1-2).

[71] Cf. J.I. Packer, Conversão: In: J.D. Douglas, ed. org. O Novo Dicionário da Bíblia, São Paulo: Junta Editorial Cristã, 1966, v. 1, p. 320.

[72] “Como o bebê entra no mundo físico com uma existência totalmente nova e cresce numa nova experiência, assim também a conversão, neste sentido, é um novo começo em relação a Deus” (M.C. Tenney, Conversão: In: Carl Henry, org., Dicionário de Ética Cristã, São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 142).

[73]João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 2, (Sl 32.1), p. 42.

[74] Veja-se: Emil Brunner, Nossa Fé, 2. ed. São Leopoldo, RS.: Sinodal, 1970, p. 85.

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