Tentando pensar e viver como um Reformado: Reflexões de um estrangeiro residente – Parte 23

F. A Origem, Autoridade e Suficiência das Escrituras

Visto que a igreja é o reino de Cristo, e que Cristo não reina senão por Sua Palavra, ainda vamos continuar duvidando de que são mentirosas as palavras daqueles que imaginam o reino de Cristo sem o Seu cetro, quer dizer, sem a Sua santa Palavra? – João Calvino.[1]

Introdução: A Perfeita Vontade de Deus

7 A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. 8 Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. 9 O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos. 10 São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. (Sl 19. 7-10).

A Lei do Senhor reflete o Senhor que se manifesta na Criação com ordem e beleza. Por isso, após descrever essa sinfonia da Criação, o salmista afirma que, como não poderia ser diferente, “A lei do Senhor é perfeita (~ymiT’) [2] (tamiym) (Sl 19.7).[3]

A Lei do Senhor é perfeita, completa, abarca todas as nossas necessidades físicas e espirituais. Na Lei de Deus temos os princípios fundamentais para todo o nosso viver, seja em que época e cultura for. Ela é suficiente para nos gerar de novo e para nos conduzir em santificação nessa nova natureza e projeto de vida.

Nada lhe escapa, nada lhe é estranho. Ela tem princípios que sendo seguidos, instruem, previnem e corrigem os nossos caminhos. “Ela não carece de nada que seja indispensável à perfeita sabedoria”, conclui Calvino.[4]

No caminho de Deus não há contradição. Por isso, as suas orientações são completas, sem mistura: “O caminho de Deus é perfeito (~ymiT’) (tamiym); a palavra do SENHOR é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam” (Sl 18.30).

Quando assimilamos de coração a Palavra de Deus e a adotamos com integridade, independentemente das consequências e dos juízos dos outros, não teremos do que nos envergonhar.

O salmista almeja viver conforme a integridade da Palavra, orando nesse sentido: “Seja o meu coração (ble)(leb) irrepreensível (~ymiT’) (tamiym) nos teus decretos, para que eu não seja envergonhado” (Sl 119.80).

 

A bem-aventurança da obediência

Ainda que possamos, pela graça comum de Deus, encontrar aqui e ali entre os homens elementos de verdade que podem nos auxiliar a melhor compreender aspectos da realidade,[5] somente na integridade da Palavra temos o absoluto de Deus para todos os desafios próprios de nossa existência. Por isso, quem segue a Palavra de Deus  buscando praticá-la com integridade de coração será irrepreensível em seu caminho, em todas as circunstâncias. Encontrará na Palavra não apenas informação e conhecimento mas, o sentido da realidade em toda a sua abrangência de vida e morte.

Na integridade de nossa obediência somos bem-aventurados:

Bem-aventurados os irrepreensíveis (tamiym) no seu caminho, que andam (halak) na lei do SENHOR  2Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições  (`edah) (= testemunhos) e o buscam  (darash)[6]  de todo o coração (leb); 3 não praticam iniquidade e andam  (halak) nos seus caminhos. (Sl 119.1-3).

Estive avaliando determinado produto comercializado na internet. Havia vários modelos. Li algumas opiniões. Deparei-me com uma opinião bem escrita e, pareceu-me bem fundamentada. A pessoa analisando uma nova versão do produto falava das inovações que o mesmo trazia em relação à versão do ano anterior e, ainda assim, mesmo tendo bons resultados com a versão mais moderna, aguardava um pouco mais para ver se a impressão que tivera se confirmaria com o tempo. Considerei tal posição sensata e útil. É necessário cautela, ainda mais na utilização de um produto que pode evidenciar diferenças visíveis em nosso corpo afetando nossa saúde.

Quando, porém, falamos das Escrituras, podemos ter a certeza de que a sua “versão” é divina, e por isso, perfeita. Ela é completa, suficiente para todas as nossas necessidades, em todos os tempos, em todos os momentos e circunstâncias de nossa existência. A Palavra não precisa de complemento ou atualização. Ela é perfeita (Tg 1.25).[7] “A glória da Bíblia é que ela é suficientemente para cada época e suficiente para casa pessoa”, aplica Schaeffer.[8]

Temos aqui um argumento em favor da doutrina enfatizada pela Reforma: Sola Scriptura. A Palavra de Deus é completa e sempre atual. Portanto, não carece de atualização. Ela é perfeita e, por isso mesmo, infalível.

A vontade de Deus é idêntica a Ele mesmo, sendo eticamente perfeita e completa. Deus é perfeito. Não muda, não se aperfeiçoa, nem se deteriora (Mt 5.48; Hb 13.8; Tg 1.17). A perfeição não comporta ganho ou perda de qualidade. Deus é eternamente perfeito. Assim também é a sua vontade. Não há um centímetro sequer de toda a Criação que não seja abrangido pela totalidade da sua vontade. Por isso é que as Escrituras declaram que a “lei do Senhor é perfeita” (Sl 19.7; Tg 1.25[9]).

McGrath constata e faz uma advertência: “Como o surgimento do nazismo e stalinismo já têm tornado muitíssimo claro, tendências culturais precisam ser criticadas. Não se pode permitir que sejam normativas. E isso exige que o cristianismo baseie-se em algo que transcenda particularidades culturais – especificamente, a autorrevelação de Deus”.[10]

Essa compreensão só é possível por intermédio da Palavra. Por isso mesmo, Deus nos convida a examiná-la. Nela, temos os seus ensinamentos e promessas que, de fato, podem iluminar os nossos olhos, apontando e nos capacitando a seguir o seu caminho. “Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz (rAa) (‘ôr)(Pv 6.23).

Essa é a experiência do salmista: “Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina (rAa) (‘ôr) os olhos” (Sl 19.8). “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz (rAa) (‘ôr) para os meus caminhos” (Sl 119.105).

 

Entendimento por meio da Palavra

Por meio da meditação e prática da Palavra, Deus em sua misericórdia nos concede discernimento com clareza. Este é o testemunho do salmista: “A revelação das tuas palavras esclarece (rAa) (‘ôr) e dá entendimento (!yBii) (bîyn)[11] aos simples (ytiP,) (pethiy) (= ingênuo, tolo, mente aberta) (Sl 119.130).[12]

Para que possamos viver com discernimento, é necessário sair da influência dos insensatos e buscar o caminho do Senhor: “Deixai os insensatos (ytiP.) (pethiy) e vivei; andai pelo caminho do entendimento (hn”yB) (biynah) (Pv 9.6).

Deus deseja que exercitemos o senso crítico (Pv 1.4; 14.15) deixando a paixão pela “necedade” (Pv 1.22).[13] MacArthur, pontua:

Um indivíduo simples é como uma porta aberta – ele não tem discernimento sobre o que pode sair ou entrar. Tudo entra porque ele é ignorante, inexperiente, ingênuo e não sabe discernir as coisas. Pode ser até que tenha orgulho de ter uma ‘mente aberta’, apesar de ser verdadeiramente um tolo. Mas a Palavra de Deus faz com que essa pessoa seja ‘sábia’. (…) Ser sábio é dominar a arte do viver diário por intermédio do conhecimento da Palavra de Deus e sabendo aplicá-la em toda situação.[14]

Ignorância injustificável

O escritor de Hebreus  exorta a alguns de seus imaturos leitores. Eles não entendiam a superioridade de Cristo sobre todas as coisas. A causa da falta de progresso no conhecimento da Palavra estava associada a seu desinteresse espiritual; à sua displicência que os retardava e os impedia de colher os frutos de uma maior maturidade resultante de um relacionamento mais íntimo com o Senhor:[15]

11A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir (a)koh/). 12Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. (Hb 5.11-12).

O salmista cantando as maravilhas da Lei de Deus, escreve: “…. o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria (~k;x’) (chakam) aos símplices (ytiP.) (pethiy) (= mente aberta) (Sl 19.7).

O simples por não perceber o mal do qual se aproxima, conduz-se perigosamente: “O prudente vê o mal e esconde-se; mas os simples (ytiP.) (pethiy) passam adiante e sofrem a pena” (Pv 22.3).

Deus deseja produzir em seus servos aspectos do seu caráter. A sabedoria consiste em subordinar a nossa vontade aos preceitos de Deus, reconhecendo neles o caminho de uma vida com sábio discernimento na presença de Deus. “Ser sábio é dominar a arte do viver diário por intermédio do conhecimento da Palavra de Deus e sabendo aplicá-la em toda situação”, conclui MacArthur.[16]

Deus concede esse discernimento “aos símplices (ytiP.) (pethiy) (= ingênuo, tolo, mente aberta), sendo aqui aplicada a palavra às pessoas ingênuas que por não terem desenvolvido uma mente discernidora, é aberta à qualquer conceito,[17] não percebendo as armadilhas e contradições do seu mosaico inconsistente de pensamento.

A Palavra nos conduz à maturidade, ao discernimento para que não mais tenhamos uma “mente aberta” onde tudo passe sem fronteira, sendo suscetível a todo tipo de sedução e engano.[18]

 

A Palavra e o pensar sobre pensar

Faz-se necessário que pensemos e, como nosso pensamento também foi afetado pelo pecado, pensemos sobre o nosso pensamento, rogando o Espírito de sabedoria concedido por Deus (Ef 1.17).[19]

Deus, por intermédio da sua Palavra,  dá-nos sabedoria espiritual e discernimento para que possamos reconhecer nos seus testemunhos – a Palavra de vida eterna a fim de que vejamos com clareza os sinais dos tempos, sem nos deixar levar por falsas doutrinas engenhosamente criadas pelos homens, seguindo sabiamente o caminho de Deus.

Como escreve Piper, “pensar intensamente sobre a verdade bíblica é o meio pelo qual o Espírito nos mostra a verdade”.[20]  Devemos, portanto, aprender a refletir sobre o ensino bíblico, suplicando o discernimento do Espírito.

Paulo, escrevendo ao jovem Timóteo, recorda o aprendizado que ele recebeu nas Escrituras: “…. desde a infância sabes as sagradas letras que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3.15).

Quem anda em sabedoria não caminha de forma cambaleante (Sl 107.27).

Paradoxalmente, o que tem faltado à Igreja é sabedoria para discernir, por intermédio da Palavra de Deus, o que está acontecendo.  Muitas vezes, temos sido iludidos, enganados e espoliados espiritualmente, justamente porque nos tem faltado a meditação na Palavra de Deus, acompanhada pela oração para que Deus nos dê a compreensão dos fatos, da sua vontade para o nosso momento presente.

Diz o salmista:

98Os teus mandamentos me fazem mais sábio (~k;x’) (chakam) que os meus inimigos; porque, aqueles, eu os tenho sempre comigo. 99Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos.  100 Sou mais prudente (!yBi) (biyn) que os idosos, porque guardo os teus preceitos.  101 De todo mau caminho desvio os pés, para observar a tua palavra. (Sl 119. 98-101).

Deus não deseja um povo ingênuo, imaturo quanto à interpretação da realidade. Ele quer que sejamos maduros, aptos para discernir, interpretar os acontecimentos e que, sem titubear, sigamos os seus preceitos.

A sabedoria propiciada por Deus  dá-nos discernimento para que possamos nos valer do que for útil em todos os conhecimentos sem nos perder em meio às suas contradições, tendo como elemento avaliador a Palavra de Deus.

A sabedoria divina oferece-nos um quadro de referência que nos conduz cada vez à gratidão a Deus por tão grandiosa bênção. Para que possamos emitir um juízo de valor é preciso ter valores e um quadro coerente de interpretação a partir de determinado valor ou de um conjunto de valores. Notemos, portanto, que pensar com clareza é uma grande bênção de Deus.[21]

Jesus Cristo afirma que aquele que deseja fazer a vontade de Deus deve examinar a doutrina: “Se alguém quiser fazer a vontade (Qe/lhma) dele (Deus), conhecerá (ginw/skw) a respeito da doutrina (didaxh/), se ela é de Deus” (Jo 7.17).

É necessário discernimento para interpretar as doutrinas que nos são transmitidas a fim de saber se são de Deus ou não. Portanto, devemos desejar conhecer a vontade de Deus (Ef 5.17).

 

 A falta de sentido

A história do mundo, sem um quadro interpretativo consistente – conforme o que nos dá as Escrituras – carece de sentido, isto porque ela permanece como uma sucessão de fatos que se amontoam sem nenhum sentido aparente, tendo apenas como elemento orientador a maldade e a ganância humanas, que realmente se sobressaem em toda a história.

Parece ser esta a constatação do poeta Drummond de Andrade (1902-1987), em entrevista publicada na revista Veja:  “Nunca entendi bem o mundo, acho o mundo um teatro de injustiças e de ferocidades extraordinárias”.[22]

O poeta não deixa de ter alguma razão. Contudo, o problema maior está na falta da visualização do todo: de um lado,  sabemos que a história não pode ser compreendida sem a consideração da Queda,[23] do outro, não poderemos entendê-la sem a certeza de que Deus a dirige:[24] “A história não saiu das mãos de Deus”, interpreta corretamente Lloyd-Jones (1899-1981).[25]

A primeira percepção, que talvez seja a mais evidente – ainda que não em termos totalmente bíblicos  –, conduz o homem à angústia e desespero; a realidade passa a não fazer mais sentido, senão enquanto sucessão de momentos que devemos “bem” aproveitar antes que evaporem… Aí está, segundo nos parece, um dos problemas do homem de todos os tempos, porém especialmente dos filhos de uma sociedade secularizada: a ausência de significado fora do “aqui” e “agora”, que lhe escapa desesperadoramente. “A secularização penaliza ao homem com a perda do significado da vida”, comenta van Riessen (1911-2000) [26]

 

Conhecimento e significado

Por vezes pensamos que o nosso problema está na necessidade de mais informação e atualização; queremos uma tecnologia melhor e mais sofisticada a começar pelo celular. De fato, pode ser que eventualmente isso nos faça falta assim. Porém, a questão que mais nos angustia é a questão do significado; o sentido da vida. As informações podem ser importantes porém, elas não podem ir além de seus limites. Elas não tem compromissos além de suas fronteiras de informar. O mais importante está no que fazemos com elas. Qual o sentido do que sabemos?

Normalmente o conhecimento corre à frente da sabedoria, por isso o mal uso do conhecimento. O sentido e a ética desse conhecimento extrapolam ao alcance da própria ciência. A ciência traz informações, mas, não sentido ou ética. Por isso, com frequência, não sabemos bem o que fazer com o conhecimento.[27]

A droga que alivia o sofrimento é a mesma que causa dependência. A tecnologia que pode trazer grande conforto para a sociedade é a mesma que pode construir uma bomba que mata; a seringa que  inocula o antídoto contra um terrível veneno que seria fatal a uma criança, é o a mesma que introduz a droga em um jovem dependente químico.

McGrath comenta:

Muitos consideram intolerável o pensamento de um mundo sem sentido. Se não há sentido, então não há nenhum propósito na vida. Vivemos em uma época na qual o crescimento da internet tornou mais fácil que nunca a ter acesso à informação e acumular conhecimento. Mas informação não é a mesma coisa que sentido, e conhecimento não é a mesma coisa que sabedoria. Muitos se sentem engolidos por um tsunami de fatos no qual não conseguem encontrar sentido.[28]

Continua McGrath em outro lugar:

Por que alguém na iminência de cometer suicídio abaixaria o revólver ao ouvir que o total é maior do que a parte ou jogaria fora o cianeto na pia ao ouvir que 2 + 2 = 4? Essas afirmações podem estar de acordo com os fatos. Elas são, contudo, existencialmente insignificantes, nada tendo a dizer sobre as questões mais profundas da mente humana ou dos anelos do coração humano.[29]

 

A Palavra e o sentido de todas as coisas

O fato que somente Deus por meio de sua Palavra pode conferir ordem  e estrutura ao aparente caos;  à paisagem da história e vida humana. Conhecimentos verdadeiros não são necessariamente significativos em momentos extremos da vida.

O escritor da Epístola aos Hebreus declara que “A Palavra de Deus é viva e eficaz” (Hb 4.12). Ela não é uma verdade morta, que desperta curiosidade apenas por fazer parte do ossuário, das relíquias, da arqueologia ou da historiografia, sendo estudada unicamente como um exercício de reflexão histórica para a nossa mera curiosidade, ou, quem sabe, para entendermos como viviam os povos na Antiguidade. Não!

A Palavra de Deus é uma verdade viva, que tem a mesma vivacidade de quando foi revelada por Deus aos seus servos, que a registraram inspirados pelo Espírito Santo. Ela continua com a mesma eficácia para os questionamentos existenciais do homem moderno. Ele continua sendo o poder de Deus (Rm 1.16). Essa Palavra confere sentido à nossa vida.

Jesus Cristo, a Palavra encarnada, nos diz: “Eu sou a luz (fw=j) do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz (fw=j) da vida” (Jo 8.12/Is 49.6).[30]

Somente a Palavra de Deus pode transmitir a alegria real e duradoura ao nosso coração. Ela dispersa as nuvens de incertezas e contradições de uma sociedade pervertida, nos mostrando os verdadeiros valores. “A fé cristã nos permite ver padrões neste caos aparente do nosso mundo”, enfatiza McGrath.[31]

A Lei de Deus continua sendo o princípio norteador de toda a vida cristã. Deus continua ordenando que nós não adulteremos, não roubemos, não matemos, que honremos os nossos pais, que o adoremos com exclusividade. Por isso, somente na Palavra temos o caminho de vida seguro que nos conduz à satisfação de Deus.[32]

Na Escritura temos um diagnóstico atualizado da situação do homem e um guia prático, como escreveu Lloyd-Jones: “Não há livro mais prático do que a Bíblia. Ela é o livro que fala ao mundo como ele se encontra neste exato momento”.[33]

No ato de seguir as veredas de Deus, vamos descobrindo a sensatez e alegria da obediência: os nossos caminhos vão se aclarando: “A vereda dos justos é como a luz (rAa) (‘ôr) da aurora, que vai brilhando (rAa)[34] (‘ôr) mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18).

Assim, gradativamente, esta alegria vai se refletindo até mesmo em nosso semblante: “Quem é como o sábio? E quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem faz reluzir o seu rosto (rAa) (‘ôr), e muda-se a dureza da sua face” (Ec 8.1).

A sabedoria bíblica consiste não no acúmulo de conhecimento, antes, em um modo de vida que reflita a sabedoria de Deus revelada em Cristo Jesus, em quem temos o modelo encarnado da plenitude de sabedoria.

Ser sábio é aplicar o conhecimento adquirido à arte de viver em comunhão com Deus refletindo isso em todas as dimensões de nossa existência. Sabedoria é a associação teórica e prática entre conhecimento e santidade que se manifesta em piedade.

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

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[1]João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 4, (IV.15), p. 116. “Devemos entender que Jesus Cristo deseja governar sua igreja mediante a pregação de sua Palavra, à qual nós devemos dar toda devida reverência” (João Calvino, Beatitudes; Sermões sobre as bem-aventuranças, São Paulo: Fonte Editorial, 2008, p. 77).

[2] Conforme já indicamos, inclusive com mais detalhes, a ideia da palavra traduzida por integridade é de: perfeição (Sl 18.30); aperfeiçoar (Sl 18.32); retidão (Sl 101.6); irrepreensível (Sl 119.1,80); inculpável (2Sm 22.24).

[3]Para uma abordagem mais detalhada da palavra, veja-se: Hermisten M.P. Costa, Vivendo com integridade: um estudo do Salmo 15,  São José dos Campos, SP.: Fiel, 2016.

[4] João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 19.7), p. 424.

[5]Calvino em passagem magistral, escreveu:

“Quantas vezes, pois, entramos em contato com escritores profanos, somos advertidos por essa luz da verdade que neles esplende admirável, de que a mente do homem, quanto possível decaída e pervertida de sua integridade, no entanto é ainda agora vestida e adornada de excelentes dons divinos. Se reputarmos ser o Espírito de Deus a fonte única da verdade, a própria verdade, onde quer que ela apareça, não a rejeitaremos, nem a desprezaremos, a menos que queiramos ser insultuosos para com o Espírito de Deus. Ora, nem se menosprezam os dons do Espírito sem desprezar-se e afrontar-se ao próprio Espírito.

“E então? Negaremos que a verdade se manifestou nos antigos jurisconsultos, os quais, com equidade tão eminente, plasmaram a ordem política e a instituição jurídica? Diremos que os filósofos foram cegos, tanto nesta apurada contemplação da natureza, quanto em sua engenhosa descrição? Diremos que careciam de inteligência esses que, estabelecida a arte de arrazoar, a nós nos ensinaram a falar com razoabilidade? Diremos que foram insanos esses que, forjando a medicina, nos dedicaram sua diligência? O que dizer de todas as ciências matemáticas? Porventura as julgaremos delírios de dementes? Pelo contrário, certamente não poderemos ler sem grande admiração os escritos dos antigos acerca dessas coisas. Mas os admiraremos porque seremos obrigados a reconhecer seu profundo preparo.

“Todavia, consideraremos algo digno de louvor ou mui excelente que não reconheçamos provir de Deus? Envergonhemo-nos de tão grande ingratidão, na qual nem mesmo os poetas pagãos incidiram, os quais têm professado que a filosofia é invento dos deuses, bem como as leis e todas as boas artes. Portanto, se esses homens, a quem a Escritura chama [psychikoús naturais, 1Co 2.14], que não tinham outra ajuda além da luz da natureza, foram tão engenhosos na inteligência das coisas deste mundo, tais exemplos devem ensinar-nos quantos são os dons e graças que o Senhor tem deixado à natureza humana, mesmo depois de ser despojada do verdadeiro e sumo bem” (João Calvino, As Institutas (2006), II.2.15). Em outro lugar: “Reconheço que alguns grãos de piedade sempre foram espalhados por todo o mundo, e que não pode haver dúvida – se nos permitir a expressão – Deus semeou, pelas mãos de filósofos e escritores profanos, os excelentes sentimentos que serão encontrados em seus escritos” (João Calvino, O Evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2015, v. 1, (Jo 4.36), p. 186). Veja um testemunho interessante: Vern S. Poythress, Redimindo a filosofia: uma abordagem teocêntrica às grandes questões, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 39; Vern S. Poythress, O Senhorio de Cristo: servindo o nosso Senhor o tempo todo, com toda a vida e de todo o nosso coração, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 64.  Kuyper a definiu da seguinte forma: É a ação “pela qual Deus, mantendo a vida do mundo, suaviza a maldição que repousa sobre ele, suspende seu processo de corrupção, e assim permite o desenvolvimento de nossa vida sem obstáculos, na qual glorifica-se a Deus como Criador” (A. Kuyper, Calvinismo, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 38-39).

[6] A ideia básica do termo (vrD) (darash)  é buscar com diligência. “Moisés diligentemente buscou (vrd) (darash) o bode da oferta pelo pecado….” (Lv 10.16). (Vejam-se mais detalhes em: Leonard J. Coppes, Dãrash: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 328-329).

A palavra buscar além deste sentido (Lv 10.16; Sl 22.26; 24.6 [duas vezes]; Sl 53.3), pode ser traduzida por: Requerer (Dt 23.22; Sl 9.12); cuidar (Dt 11.12); investigar (Sl 10.4); se importar (Sl 10.13); esquadrinhar (Sl 10.15/Ec 1.12); procurar (Sl 77.2); considerar (Sl 111.2); empenhar-se (Sl 119.45); interessar-se (Sl 142.4).

O ímpio por se considerar autossuficiente, não se importa com Deus. Parte do pressuposto de sua não existência, por isso mesmo, ele não examina a questão, não se empenha nem se interessa; esta é uma questão decidida: Não há Deus!

“O perverso ([v’r’) (rãshã’), na sua soberba, não investiga  (vrD) (darash); que não há Deus são todas as suas cogitações” (Sl 10.4).

O não investigar (vr;D’) (darash) significa não se importar, não buscar a Deus. O ímpio acredita não ter elementos suficientes para crer em Deus, contudo, paradoxalmente, sustenta ter razões suficientes para negá-lo. Deste modo, o ímpio está satisfeito com a sua conclusão gratuita e, arrogantemente propala isso  com palavras e atitudes, sendo a sua ideologia reforçada pela sua evidente prosperidade e impunidade que enchem os olhos dos menos avisados e também precipitados em suas conclusões: “São prósperos os seus caminhos em todo tempo; muito acima e longe dele estão os teus juízos; quanto aos seus adversários, ele a todos ridiculiza” (Sl 10.5).

[7]Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar” (Tg 1.25).

[8] F.A. Schaeffer, O Deus que intervém, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 251.

[9] “Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita (te/leioj), lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar” (Tg 1.25).

[10] Alister E. McGrath, Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do Evangelicalismo, São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 60.

[11] O verbo (!yBii) (bîyn) e o substantivo (hn”yBi) (bîynâh) apresentam a ideia de um entendimento, fruto de uma observação demorada, que nos permite discernir para interpretar com sabedoria e conduzir os nossos atos. “O verbo se refere ao conhecimento superior à mera reunião de dados. (…) Bîn é uma capacidade de captação julgadora e perceptiva e é demonstrada no uso do conhecimento” (L. Goldberg, Bîn: In: L. Harris, et. al., eds., Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 172).

!yBii (bîyn) permite diversas traduções (ARA): Acudir (Sl 5.1) (No sentido de considerar); Ajuizado (Gn 41.33,39); Atentar (Dt 32.7,29; Sl 28.5); Atinar (Sl 73.17; 119.27); Considerar (Jó 18.2; 23,15; 37.14); Contemplar (Sl 33.15); Cuidar (Dt 32.10); Discernir (1Rs 3.9,11; Jó 6.30; 38.20; Sl 19.12); Douto (Dn 1.4); Ensinar (Ne 8.7,9); Entender/entendido/entendimento (Dt 1.13;4.6; 1Sm 3.8; 2Sm 12.19; 1Rs 3.12;1Cr 15.22; 27.32; 2Cr 26.5; Ed 8.16; Ne 8.2,3,8,12; 10.28; Jó 6.24;13.1; 15.9; 23.5; 26.14; 28.23; 32.8,9; 42.3); Fixar no sentido de pensar detidamente (Jó 31.1); Inteligência (Dn 1.17); Mestre (no sentido de expert) (1Cr 25.7,8); Penetrar (com o sentido de discernir) (1Cr 28.9; Sl 139.2); Perceber (Jó 9.11;14.21; 23.8); Perito (Is 3.3); Procurar (Sl 37.10); Prudentemente (2Cr 11.23); Reparar (1Rs 3.21); Revistar (procurar atentamente) (Ed 8.15); Saber/Sabedoria (Ne 13.7; Pv 14.33); “Sisudo” em palavras (1Sm 16.18); Superintender (por ter maior conhecimento) (2Cr 34.12). A LXX geralmente emprega a palavra Suni/hmi (syniêmi) para traduzir o verbo hebraico. Suni/hmi (syniêmi) envolve a ideia de reunir as coisas, analisá-las, tentando chegar a uma conclusão por meio de uma conexão das partes (*Mt 13.13,14,15,19,23,51; 15.10; 16.12; 17.13; Mc 4.12; 6.52; 7.14; 8.17,21; Lc 2.50; 8.10; 18.34; 24.45; At 7. 25 (duas vezes); 28.26,27; Rm 3.11; 15.21; 2Co 10.12; Ef 5.17). Paulo instrui aos efésios: “….Vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão não vos torneis insensatos, mas procurai compreender (Suni/hmi) qual a vontade do Senhor” (Ef 5.15-17).

[12]Nas Escrituras, seguir a instrução de Deus é o mesmo que andar na luz: “Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do SENHOR, de Jerusalém (…) Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz (rAa) (‘ôr) do SENHOR” (Is 2.3,5). “Atendei-me, povo meu, e escutai-me, nação minha; porque de mim sairá a lei, e estabelecerei o meu direito como luz (rAa) (‘ôr) dos povos” (Is 51.4). (Para um estudo mais pormenorizado do emprego da palavra no Antigo Testamento, vejam-se: H. Wolf, ‘ôr: In: L. Harris, et. al., eds., Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 38-42; William Gesenius, Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament, 3. ed. Michigan: WM. Eerdmans Publishing Co. 1978, p. 23).

[13]“Até quando, ó néscios (ytiP) (pethiy), amareis a necedade (ytiP) (pethiy)? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento?” (Pv 1.22).

[14]John F. MacArthur Jr., Adotando a Autoridade e a Suficiência das Escrituras: In: J.F. MacArthur Jr., ed. ger., Pense Biblicamente!: recuperando a visão cristã do mundo, São Paulo: Hagnos, 2005, p. 39. Veja-se também: J.F. MacArthur, Jr., Nossa Suficiência em Cristo, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1995, p. 68.

[15] Em outro contexto, Agostinho (354-430) comentou: “Pois a Sabedoria de Deus, tendo assumido nossa fraqueza, não veio para reunir sob suas asas os filhos de Jerusalém, como a galinha reúne seus pintinhos, para que sejamos sempre crianças, mas, sendo crianças quanto à malícia, deixemos de ser crianças quanto à razão” (Sto. Agostinho. Comentário ao Gênesis, São Paulo: Paulus, 2005, (Coleção Patrística; 21), I.17.36, p. 43).   (Devo a lembrança desta passagem ao Rev. Mauro Filgueiras Filho que, em correspondência particular, fez menção da mesma).

[16]John MacArthur, Adotando a Autoridade e a Suficiência das Escrituras. In: John MacArthur, ed. ger., Pense Biblicamente!: recuperando a visão cristã do mundo, São Paulo: Hagnos, 2005, p. 39.

[17]“O simples (ytiP.) (pethiy) dá crédito a toda palavra, mas o prudente atenta  (yBi) (biyn) para os seus passos” (Pv 14.15).

[18] Cf. Louis Goldberg, Petî: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1249. Para um estudo mais detalhado da palavra, veja-se: M. Saebo, Pth: In: E. Jenni; C. Westermann, eds., Diccionario Teologico Manual del Antiguo Testamento, Madrid: Ediciones Cristiandad, 1985, v. 2, p. 624-628.

[19] “Os cristãos precisam pensar sobre o pensamento. (…) A maioria dos seres humanos, contudo, nunca pensa profundamente sobre o ato de pensar. (…) Devido à devastação intelectual causada pela queda, temos a obrigação de pensar sobre o ato de pensar. Essa é a razão pela qual o discipulado cristão é, também, uma atividade intelectual” (R. Albert Mohler Jr., O modo como o mundo pensa: Um encontro com a mente natural no espelho e no mercado. In: John Piper; David Mathis, orgs. Pensar – Amar – Fazer, São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 44,45,54).

“Você não precisa acreditar em tudo o que pensa, e a razão é simples: nós vemos o que queremos ver. (…) O nervo óptico, o único nervo com ligação direta com o cérebro, na verdade transmite mais impulsos do cérebro para o olho do que vice-versa. Isto significa que se cérebro determina o que o olho vê. Você já está precondicionado. É por isso que, se quatro pessoas presenciarem um acidente, cada uma vai relatar algo diferente. Precisamos nos lembrar, e ensinar aos outros, que não devemos acreditar em tudo o que pensamos” (Rick Waren, A batalha pela sua mente. In: John Piper; David Mathis, orgs. Pensar – Amar – Fazer, São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 27).

[20] John Piper: In: John Piper; D.A. Carson, O Pastor Mestre e O Mestre Pastor, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2011, p. 64.

[21] Veja-se: John MacArthur Jr., Abaixo a Ansiedade, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 32.

[22] Veja,  15/11/80, p. 6. Aqui Drummond, faz eco ao seu “Poema de Sete Faces”, onde ele diz: “Mundo mundo vasto mundo,/ se eu me chamasse Raimundo / seria uma rima, não seria uma solução….” (In: Carlos Drummond de Andrade, Antologia Poética, 18. Ed. (Organizada pelo autor), Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, p. 4). Do mesmo modo, em outro lugar, o poeta escreve: “Por que nascemos para amar, se vamos morrer? / Por que morrer se amamos? / Por que falta sentido / ao sentido de viver, amar, morrer?”  (C.D. Andrade,  Corpo, 4. ed. Rio de Janeiro: Record, 1984, p. 47).

[23] “O importante princípio que devemos manter sempre vívido na mente é que a única maneira de entender a longa história da raça humana é dar-se conta de que ela é resultado da Queda. Essa é a única chave da história, de qualquer espécie de história, tanto da história secular como desta história mais puramente espiritual que temos na Bíblia. Não se pode entender a história da humanidade se não se leva em conta este grande princípio. A história é o registro do conflito entre Deus e Suas forças, de um lado, e o diabo e suas forças, de outro; e o grande princípio determinante é de imensa importância, não só para entender-se a história passada, como também para entender-se o que está acontecendo no mundo hoje. É, igualmente, a única chave para compreender-se o futuro. Ao mesmo tempo, é a única maneira pela qual podemos compreender as nossas experiências pessoais” (D.M. Lloyd-Jones, O Combate Cristão, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1991, p. 72).

[24]“Nem sempre podemos ser capazes de discernir o propósito de Deus na história, mas que esse propósito existe é um aspecto primordial de nossa fé” (A.A. Hoekema, A Bíblia e o Futuro,  São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1989, p. 41

[25] D. Martyn Lloyd-Jones, As Insondáveis Riquezas de Cristo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1992, p. 64.

[26] Hendrik van Riessen, Enfoque Cristiano de la Ciencia, 2. ed. Países Bajos: FELIRE, 1990, p. 46. “Quando esta temporalidade da criação [a vida aqui e agora], quando esse imediatismo de nossa natureza de criatura sufoca todo o nosso senso de eternidade e ocupa toda a nossa mente, coração e atenção tem-se, então, o secularismo. O secularismo nega o eterno e não permite a ideia de que qualquer coisa imediata tem consequências eternas” (John Sittema, Coração de Pastor, São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 62-63).

[27] “A ciência é moralmente imparcial precisamente porque é moralmente cega, colocando-se a serviço do ditador que quer forçar seu governo opressivo por meio das armas de destruição em massa; e, da mesma forma, colocá-la a serviço dos que desejam curar uma humanidade destruída e enfraquecida por meio de novas drogas e procedimentos médicos. Precisamos de narrativas transcendentes para nos fornecer orientação moral, propósito social e senso de identidade pessoal. Embora a ciência possa nos fornecer conhecimento e informação, ela é impotente para conferir sabedoria e sentido” (Alister E. McGrath, Surpreendido pelo sentido: ciência, fé e o sentido das coisas, São Paulo: Hagnos, 2015, p. 14. Veja-se também: Alister McGrath,  A fé e os crentes, São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 15ss.).

[28]Alister E. McGrath, Surpreendido pelo sentido: ciência, fé e o sentido das coisas, São Paulo: Hagnos, 2015, p. 10-11. “Os seres humanos anelam por fazer sentido das coisas – identificar padrões na rica estrutura da natureza, fornecer explicações do que ocorre ao redor deles para refletir sobre o significado da própria vida. É como se nossa “antena” intelectual estivesse sintonizada para discernir pistas sobre o propósito e o sentido ao nosso redor, pistas essas incorporadas na estrutura do mundo” (Alister E. McGrath,  Ajuste fino do Universo: Em busca de Deus na Ciência e na Teologia, Viçosa, MG.: Ultimato, 2017, p. 19).

“Uma vez despertadas nossas suspeitas de que há mais na vida do que a paisagem desolada do secularismo moderno, estes sinais de transcendência ou ecos de uma voz divina não provam nada em si e por eles mesmos, mas fazem muito sentido quando vistos dentro do contexto do grande panorama cristão” (Alister McGrath,  A Fé e os credos, São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 31).

“O mundo pode parecer uma terra de sombras; todavia, Deus é luz que ilumina nosso caminho enquanto viajamos”  (Alister E. McGrath, Surpreendido pelo sentido: ciência, fé e o sentido das coisas, São Paulo: Hagnos, 2015, p. 15).

[29] Alister McGrath,  A Fé e os credos, São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 14-15.

[30]“Sim, diz ele: Pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel; também te dei como luz (rAa) (‘ôr) para os gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra” (Is 49.6).

[31]Alister McGrath,  A Fé e os credos, São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 22.

[32] Veja-se: R.P. Shedd, Lei, Graça e Santificação, São Paulo: Vida Nova, 1990, p. 90.

[33]David M. Lloyd-Jones, Uma Nação sob a Ira de Deus: estudos em Isaías 5, 2. ed. Rio de Janeiro: Textus, 2004, p. 13. “Uma coisa muito maravilhosa que transparece quando você lê a Bíblia e aprende a conhecê-la inteiramente é descobrir que ela é um livro atualizado e muito contemporâneo. É um livro que fala a todas as épocas e gerações, porque a humanidade permanece a mesma em todas as suas qualidades essenciais, e Deus continua o mesmo. Assim, a mensagem de Deus para o mundo é ainda esta velha mensagem, e eu quero mostrar-lhe quão relevante ela é para o mundo de hoje” (David M. Lloyd-Jones, Uma Nação sob a Ira de Deus: estudos em Isaías 5, p. 12). Veja-se também um desenvolvimento deste assunto em: D. Martyn Lloyd-Jones, Romanos: Exposição sobre Capítulo 12 – O comportamento cristão, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas,  2003, p. 11-27.

[34] A grafia de “luz”, “ser luz”, “tornar-se luz” e “brilhar” é a mesma no hebraico.

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