4. Louvor e identidade: a trajetória do cântico cristão até à Reforma
Nos últimos dois milênios, os Salmos têm sido um vasto território espiritual de devoção cristã. Ele está se reduzindo hoje, não devido ao aquecimento global, mas devido à mesma fonte causadora – o secularismo do espírito humano, que busca todas as satisfações neste único planeta em vez de buscá-las no Criador que “fez o céu e a terra”. Por mais de três mil anos, os Salmos têm se constituído o livro de oração de Israel, e a fonte de ortodoxia da igreja, como “louvor verdadeiro” − Bruce K. Waltke; James M. Houston; Erica Moore.[1]
Plínio e o esvaziamento dos templos pagãos
Plínio, o Jovem (c. 62–113 d.C.), foi enviado pelo imperador Trajano (53–117 d.C.) à Ásia Menor para lidar com um desafio crescente: o avanço do cristianismo. A presença cristã era tão marcante que os templos pagãos se esvaziavam, e os fiéis já não prestavam culto aos deuses romanos nem veneravam a imagem imperial.
Dotado de amplos poderes, Plínio podia recorrer inclusive à força, se julgasse necessário — e de fato o fez. Contudo, diante de certas situações, preferiu consultar o próprio Trajano, buscando orientação sobre como proceder. Uma dessas consultas, registrada em carta escrita por volta de 112 d.C., revela o testemunho dos cristãos durante os interrogatórios: “Eles afirmavam, porém, que esta tinha sido a soma de sua culpa ou erro: que costumavam reunir-se em um dia fixo, antes do amanhecer, e cantar um hino a Cristo como a um deus […]”.[2]
Esse registro revela três aspectos fundamentais do culto cristão primitivo:
- Periodicidade: havia um dia fixo, geralmente interpretado como o domingo, o Dia do Senhor.
- Horário: as reuniões aconteciam antes do amanhecer, em segredo, devido às perseguições.
- Música: o cântico a Cristo, reconhecido como Deus, já fazia parte da identidade comunitária.[3]
Testemunho e Crescimento a despeito das perseguições
Os testemunhos históricos a partir do segundo século revelam que, apesar das perseguições, os cristãos permaneciam firmes em seu testemunho, sendo muitas vezes conduzidos ao martírio. Aliás, a própria palavra grega “mártir” significa “testemunha”: alguém que confirma a verdade do evangelho pela fidelidade até o fim, tornando-se modelo de fé e coragem. Além disso, observa-se que o comportamento desses cristãos era contagiante, manifestando-se por meio de uma conduta distinta, pautada pela Palavra de Deus.
Torna-se oportuno, neste ponto, transcrever parte de um documento anônimo, escrito provavelmente no final do século II, intitulado Carta a Diogneto. Trata-se de uma obra apologética que apresenta, de forma clara e elegante, o pensamento, a conduta e a fé cristã. O texto foi dirigido a um pagão que, impressionado pelo testemunho dos cristãos, desejava compreender melhor essa religião.[4]
Os cristãos, de fato, não se distinguem dos outros homens, nem por sua terra, nem por língua ou costumes. Com efeito, não moram em cidades próprias, nem falam língua estranha, nem têm algum modo especial de viver. Sua doutrina não foi inventada por eles, graças ao talento e especulação de homens curiosos, nem professam, como outros, algum ensinamento humano. Pelo contrário, vivendo em cidades gregas e bárbaras, conforme a sorte de cada um, e adaptando-se aos costumes do lugar quanto à roupa, ao alimento e ao resto, testemunham um modo de vida social admirável e, sem dúvida, paradoxal. Vivem na sua pátria, mas como forasteiros; participam de tudo como cristãos e suportam tudo como estrangeiros. Toda pátria estrangeira é pátria deles, e cada pátria é estrangeira. Casam-se como todos e geram filhos, mas não abandonam os recém-nascidos. Põem a mesa em comum, mas não o leito; estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm sua cidadania no céu; obedecem às leis; amam a todos e são perseguidos por todos […]. Pelos judeus são combatidos como estrangeiros, pelos gregos são perseguidos, e aqueles que os odeiam não saberiam dizer o motivo do ódio.[5]
Quando os historiadores analisam o culto cristão nos séculos II e III, observam que a atmosfera espiritual estava impregnada das influências das religiões de mistério. Justino, chega a constatar que até mesmo a Santa Ceia havia sido imitada pelos pagãos.[6] É importante destacar, contudo, que não foi a Igreja que copiou os ritos pagãos, mas sim os pagãos que procuraram reproduzir práticas cristãs. A Igreja, ainda perseguida, assumia discretamente a vanguarda cultural: moldava, dentro de seu próprio âmbito, a religiosidade prevalecente. Seu “marketing” era o testemunho fiel do Evangelho — muitas vezes selado com o sangue de seus fiéis.
No entanto, ao longo do terceiro século, a Igreja parece ter enfraquecido em parte sua solidez teológica e ética, adaptando-se gradualmente a costumes pagãos. O sincretismo religioso então predominante resultava de uma tendência natural da época, herdeira de séculos de adaptações cultuais, e também do intenso crescimento da comunidade cristã, alimentado pela conversão de numerosos pagãos, sobretudo no início do século III.[7]
Com a expansão missionária, o latim tornou-se a língua oficial da adoração. As línguas nativas dos povos conquistados pelo Império Romano passaram a ser consideradas vulgares para o serviço religioso.[8] Isso, porém, tornava o culto pouco compreensível para alguns e totalmente ininteligível para outros, já que nem todos dominavam o latim. Além disso, não havia unidade linguística: os intelectuais usavam o latim clássico (sermo urbanus), enquanto o povo falava o latim vulgar (sermo rusticus), amalgamado aos dialetos locais. A diferença entre ambos tornou-se tão acentuada que surgiram dicionários registrando lado a lado a forma correta e a forma deturpada das palavras.
A adoração cristã também se tornou mais elaborada. Antes de 313, quando o imperador Constantino (c. 274–337) promulgou o Édito de Milão − concedendo liberdade de culto e restituindo propriedades aos cristãos[9] − o Cristianismo, visto como uma religião “subversiva”, realizava suas reuniões em segredo. A partir desse marco, porém, os cristãos passaram a dispor de templos e a celebrar sua fé publicamente.[10]
Numa carta dirigida a Eusébio, bispo de Cesareia, Constantino pede com urgência a preparação de cinquenta exemplares da Bíblia para a nova capital. Esse pedido revela não apenas a importância que o imperador atribuía às Escrituras, mas também o crescimento expressivo do número de cristãos e de comunidades organizadas.[11]
Com a necessidade de tantas cópias, percebe-se que a Igreja já dispunha de estrutura para atender demandas em larga escala, sinal de sua consolidação após o Édito de Milão. O gesto de Constantino, além de prático, simboliza a integração da fé cristã à vida pública e ao projeto político do Império.
Com a ajuda da providência de Deus, nosso Salvador, são muitíssimos os que se hão incorporado à santíssima Igreja na cidade que leva o meu nome. Parece, pois, mui conveniente que, respondendo ao rápido pro-gresso da cidade sob todos os aspectos, se aumente também o número de Igrejas.[12]
O Cristianismo tornara-se popular, sendo seus cultos muito concorridos.
Mas, se por um lado as perseguições cessaram, por outro, vemos que no quarto e quinto séculos tornam-se evidente a influência das religiões de mistério no culto. O antigo respeito para com os mártires transformou-se em culto, surgindo a partir daí um “cristianismo popular de segunda classe”. Aos poucos os novos convertidos tendiam a transferir a Deus, aos apóstolos e mártires, parte da reverência dos antigos cultos prestados a poderes miraculosos que atribuíam aos seus antigos deuses pagãos. Daí foi apenas um passo para que os apóstolos, os anjos e Maria passassem a ser adorados. O culto cristão pouco a pouco se paganizara.
No entanto, dentro de um processo dialético tão comumente visto na história que nada mais é do que os caminhos misteriosos da Providência de Deus, percebemos que no século IV, o entusiasmo pelo canto dos Salmos ganhou força entre os Pais da Igreja. Basílio (c. 330–379), Crisóstomo (347–407) e Ambrósio (340–397) destacaram-se por valorizar o salmodiar como prática cotidiana, integrando-o à vida espiritual e comunitária da Igreja.[13]
Agostinho e os cânticos
Em meio às transformações da Igreja nos séculos IV e V, surge Agostinho (354-430), uma das vozes mais influentes da tradição cristã. Para ele, o cântico não era apenas melodia, mas testemunho vivo da fé. Em suas reflexões, escreveu: “Quem canta com parcialidade, canta canções antigas; qualquer de seus cânticos é velho, é o velho homem que canta. Está dividido, é carnal. Certamente, enquanto é carnal é velho, e à medida em que é espiritual, é novo.” [14]
Agostinho sublinha que o louvor deve ser expressão de novidade de vida e integridade espiritual. Cantar ao Senhor é proclamar a renovação em Cristo, é deixar que a voz traduza a transformação interior. O cântico sincero torna-se sinal da unidade do coração e da vivência plena da fé.
Nosso louvor, dizia ele, é como fruto maduro nascido do labor silencioso do Agricultor divino. Deus prepara o solo, rega com sua graça, remove pedras e espinhos, até que a vida floresça em cântico. Embora o louvor nada acrescente à majestade de Deus — que é perfeito em si mesmo —, nós crescemos quando bendizemos sinceramente o Senhor. Cada palavra de gratidão é testemunho da obra que Ele realiza em nós.
Assim, cantar ao Senhor é mais do que som ou melodia: é proclamar, com novidade de vida e integridade, que o Agricultor não cessou de trabalhar em nós. O louvor é colheita espiritual, revelando diante do mundo e de nós mesmos o resultado da graça transformadora.
Quando Deus nos abençoa, nós crescemos, e quando bendizemos ao Senhor, também crescemos; ambas as coisas são para o nosso proveito. Ele nada ganha quando o bendizemos, nem diminui por nossas maldições. […] A bênção do Senhor vem-nos em primeiro lugar, e por consequência também nós bendizemos ao Senhor. A primeira é a chuva, e esta é o fruto. Por isso estamos entregando a Deus, o agricultor, que nos manda a chuva e nos cultiva, o fruto que produzimos. Cantemos estas palavras com devoção, mas não estéril, nem só de voz, mas com um coração sincero.[15]
Agostinho recorda ainda que, no louvor, é Deus quem deve ser engrandecido; é a sua glória que deve ser buscada. O cântico não existe para exaltar o cantor, mas para elevar o coração ao Senhor.
Se, pois, jubilais de tal modo que Deus ouça, salmodiai também de sorte que os homens vejam e ouçam; mas não a vosso nome. (…) Presta atenção ao fim, conta com certa finalidade; considera qual o fim que te move. Se ages assim para seres glorificado, foi o que proibi; se, porém, para que Deus seja glorificado, foi o que mandei. Salmodiai, portanto, não a vosso nome, mas ao nome do Senhor vosso Deus. Salmodiai vós; Ele seja louvado; vivei bem e Ele seja glorificado.[16]
Depois do século IV, mesmo com a iniciativa de Ambrósio (340–397) em Milão de introduzir o cântico congregacional inspirado no Oriente,[17] a prática comunitária foi gradualmente silenciada. A música passou a ser confiada a coros clericais, enquanto a congregação permanecia em silêncio. Nesse contexto, como observou Pearce, “os leigos eram mais testemunhas de um milagre do que participantes do ato misericordioso e redentor de Deus.”[18] O cântico comunitário foi então permitido apenas em ocasiões especiais, como o Natal e a Páscoa.[19]
Gradualmente, cada congregação elaborou sua própria fórmula litúrgica; mais tarde, os bispos incentivaram as igrejas sob sua jurisdição a adotarem os modelos que haviam desenvolvido. Com o surgimento das congregações metropolitanas, estas exerceram influência natural sobre as comunidades menores, até que, no século VII, consolidou-se uma maior unidade, sobretudo no Oriente.[20]
Ao longo dos séculos, muitas vozes se levantaram contra o silêncio imposto à congregação. Foi somente na Reforma Protestante do século XVI que o cântico comunitário foi plenamente restaurado, devolvendo ao povo o direito de participar da adoração. Esse resgate, porém, veio acompanhado de rupturas que marcaram a divisão da Igreja.
Algumas Considerações
Ao percorrermos sumariamente a história da música na adoração cristã até o limiar da Reforma, percebemos que o cântico sempre foi mais do que estética: foi testemunho, identidade e espiritualidade. Desde os cristãos primitivos que, perseguidos, reuniam-se antes do amanhecer para cantar a Cristo como Deus, até Agostinho que via no louvor a colheita espiritual do Agricultor divino, o cântico revelou-se como expressão da novidade de vida em Cristo.
Entretanto, também houve momentos de enfraquecimento: a adaptação a costumes pagãos, o distanciamento da congregação pela clericalização da música e a perda da participação comunitária. Esses episódios lembram que o louvor pode ser tanto força de renovação quanto sinal de ruptura, dependendo de como é vivido.
Esses elementos prepararam o terreno para a Reforma Protestante. Foi nesse momento que o cântico comunitário foi resgatado com vigor, devolvendo ao povo a voz da adoração. Lutero, com seus hinos, e Calvino, com o Saltério, recolocaram a música no coração da vida cristã. Assim, a Reforma não apenas restaurou a doutrina, mas também devolveu à Igreja o cântico como testemunho vivo da fé.
Ao longo da história, o cântico cristão mostrou-se mais que estética: foi testemunho e identidade. A Reforma devolveu ao povo a voz da adoração, recolocando a música no centro da fé.
Maringá, 24 de junho de 2026.
Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa
[1]Bruce K. Waltke; James M. Houston; Erica Moore, Os Salmos como adoração cristã: Um comentário histórico, São Paulo: Shedd, 2015, p. 45.
[2]Texto latino: “Affirmabant autem hanc fuisse summam vel culpae suae vel erroris, quod essent soliti stato die ante lucem convenire, carmenque Christo quasi deo dicere secum invicem seque sacramento non in scelus aliquod obstringere, sed ne furta ne latrocinia ne adulteria committerent, ne fidem fallerent, ne depositum appellati abnegarent. Quibus peractis morem sibi discedendi fuisse rursusque coeundi ad capiendum cibum, promiscuum tamen et innoxium; quod ipsum facere desisse post edictum meum, quo secundum mandata tua hetaerias esse vetueram.” (Pliny the Younger. Acessado em 23.06.2026). (“Eles afirmavam, porém, que esta tinha sido a essência de sua culpa ou erro: que costumavam reunir-se em um dia fixo, antes do amanhecer, e cantar um hino a Cristo como a um deus, alternadamente entre si; e se obrigavam por juramento — não a algum crime — mas a não cometer furtos, nem latrocínios, nem adultérios; a não faltar à palavra dada; a não negar um depósito quando solicitado […].” (Plínio, Epístola ao Imperador Trajano, X.96.7). In: Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã, São Paulo: ASTE., 1967, p. 29; Eusebio de Cesarea, Historia Eclesiástica, Madrid: La Editorial Catolica, S.A. (Biblioteca de Autores Cristianos, v. 349 e 350), IV.23.11 e IV.26.2 e Philip Carrington, The Early Christian Church, Cambridge: University Press, 1957, v. 1, p. 428-437. Para comentários sobre a adoção do domingo como Dia do Senhor a partir desses episódios, vejam-se: J.B. Lightfoot, ed. and transl. The Apostolic Fathers, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1989, II/2, p. 129-130 e Philip Schaff, History of the Christian Church, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 2, p. 201-205.
[3] Valeriy A. Alikin, (The Earliest History of the Christian Gathering, Leiden: Brill, 2010, p. 211-254) demonstra que cântico e oração constituíam o núcleo da assembleia cristã primitiva, não apenas como práticas devocionais, mas como meios de formação doutrinária e de consolidação da identidade comunitária. Os cânticos, em grande parte derivados da tradição judaica dos salmos, ainda que não exclusivamente, foram reinterpretados à luz da fé em Cristo e da expectativa escatológica, funcionando como instrumentos de memorização e catequese em comunidades com pouco acesso a textos escritos. Embora houvesse paralelos com associações greco-romanas, distinguiam-se pela centralidade cristológica e pela esperança na vinda futura de Cristo. A oração, por sua vez, inspirada na tradição judaica, reforçava a unidade e a dependência de Deus, como evidenciam Atos 2.42-47 e o Didaquê. Alikin conclui que a incorporação sistemática de cânticos e orações foi decisiva para a formação da liturgia posterior, estabelecendo uma tradição de “louvor verdadeiro” constitutiva da ortodoxia da Igreja.
[4] Veja-se: Carta a Diogneto, I: In: Padres Apologistas, São Paulo: Paulus, 1995, p. 19. O autor não se identifica-se. Especula-se que tenha sido Panteno de Alexandria, Quadrado de Atenas e Hipólito, entre outros. Diogneto, seria o preceptor do Imperador Marco Aurélio ou Cláudio Diógenes, que era Procurador de Alexandria entre o final do segundo século e início do terceiro. (Vejam-se: J. Quasten, Patrología, Madrid: La Editorial Catolica (Biblioteca de Autores Cristianos, 206), 1968, v. 1, p. 245-249 e J.B. Lightfoot, Los Padres Apostolicos, Barcelona: CLIE, [s.d.], p. 597-600.
[5] Carta a Diogneto, V.1-11,17: In: Padres Apologistas, São Paulo: Paulus, 1995, p. 22-23.
[6] Justino de Roma, I Apologia, São Paulo: Paulus, 1995, 66.
[7] Vejam-se, W. Walker, História da Igreja Cristã, São Paulo: ASTE, 1967, v. 1, p. 126; R.H. Nichols, História da Igreja Cristã, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1978, p. 50-51. Quanto à uma perspectiva diferente, ver: K.S. Latourette, Historia del Cristianismo, 4. ed. Buenos Aires: Casa Bautista de Publicaciones, 1978, v. 1, p. 251.
[8]Donald P. Hustad, Jubilate! A Música na Igreja, São Paulo: Vida Nova, 1986, p. 101; William D. Maxwell, El Culto Cristiano: sua evolución y sus formas, Buenos Aires: Methopress Editorial y Grafica, 1963, p. 62.
[9]Veja-se o texto em: Eusebio de Cesarea, Historia Eclesiástica, X.5.2-14. Sobre outras disposições de Constantino em favor dos cristãos, cf. Eusebio de Cesarea, Historia Eclesiástica, X.5.15-17.
[10] Segundo fontes cuja credibilidade é frequentemente debatida, Alexandre Severo (reinado: 222–235 d.C.), último imperador da dinastia Severa, é descrito como um governante de espírito tolerante em questões religiosas. Relatos afirmam que teria colocado em sua residência imagens de Abraão, Orfeu e Cristo, gesto que simbolizava respeito por diferentes tradições.
Um episódio particularmente lembrado envolve a disputa de um terreno em Roma entre comerciantes e cristãos. Alexandre Severo decidiu em favor da comunidade cristã, declarando que era mais digno dedicar o espaço à adoração de Deus do que a usos profanos. Graças a essa decisão, os cristãos puderam erguer um edifício destinado ao culto — não um “templo” no sentido pagão, mas uma domus ecclesiae, uma casa adaptada para reuniões comunitárias, cânticos e celebrações da Ceia.
[11] Quanto a um estudo estimativo do crescimento do Cristianismo nos primeiros séculos, amparado em boas fontes, veja-se: Rodney Stark, O crescimento do cristianismo: um sociólogo considera a história, São Paulo: Paulus, 2006, p. 13-37.
[12] Eusebius, The Life of Constantine, IV.36: In: Philip Schaff; Henry Wace, eds. Nicene and Post-Nicene Fathers of Christian Church, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, (reprinted), (Second Series), 1978, v. 1, p. 549.
[13]Cf. Calvin R. Stapert, A New Song for an Old World: Musical Thought in the Early Church, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 2007, p. 150ss.; Dario Araújo Cardoso, O Cântico de Salmos na Igreja Cristã até a Reforma: In: Ciências da Religião: História e Sociedade, São Paulo: Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, (9/1, /2011): 26-51. Para um levantamento de representativos documentos primários, veja-se: James W. McKinnon, ed. Music in Early Christian Literature, Cambridge, UK.: Cambridge University Press, © 1987, 1989 (Reprinted), 192p.
[14]Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, (Patrística, 9/2), 1997, v. 2, (Sl (65) 66.6), p. 371.
[15] Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, (Patrística, 9/2), 1997, v. 2, (Sl (67) 66.1), p. 361.
[16] Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, (Patrística, 9/2), 1997, v. 2, (Sl (66) 65.3), p. 336, 337.
[17]Cf. Agostinho, Confissões, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 6), 1973, IX.7.15. p. 178-179.
[18]Gordon H.M. Pearce, El Culto Medieval: In: R.G. Turnbull, ed. ger. Diccionario de la Teología Práctica, Grand Rapids, Michigan: SLC., 1977, p. 29; Donald P. Hustad, Jubilate! A Música na Igreja, São Paulo: Vida Nova, 1986, p. 109; Henriqueta R.F. Braga, Música Sacra Evangélica no Brasil, Rio de Janeiro: Livraria Kosmos Editora, (1961), p. 19; R.G. Rayburn, Adoração na Igreja: In: Walter A. Elwell, ed. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, São Paulo: Vida Nova, 1988-1990, v. 1, [p. 21-24], p. 23.
[19]Henriqueta R.F. Braga, Música Sacra Evangélica no Brasil, p. 19.
[20]Vejam-se: Frank Cloquhoun, Liturgia: In: E.F. Harrison, ed. Diccionario de Teologia, Grand Rapids, Michigan: TELL., 1985, p. 319-320; Donald P. Hustad, Jubilate! A Música na Igreja, p. 106; Gordon H.M. Pearce, El Culto Medieval: In: R.G. Turnbull, ed. ger., Diccionario de la Teología Prática, Grand Rapids, Michigan: SLC., 1977, p. 26-27.
