O mesmo Espírito que vocaciona os presbíteros para o cuidado e ensino da Igreja é quem também constitui os diáconos para o serviço, com atribuições distintas, porém de grande valor e relevância para a comunidade cristã.
Os diáconos são manifestações concretas da misericórdia e do amor de Deus, atuando de modo visível e encarnado nas necessidades do povo de Deus. As qualificações exigidas para este ministério guardam estreita semelhança com aquelas requeridas aos presbíteros, evidenciando a seriedade e dignidade de sua vocação.
1. Terminologia
O termo “diácono” e suas variantes, provêm do grego dia/konoj, diakoni/a e diakone/w, palavras que significam respectivamente, “servo”, “serviço” e “servir”.
2. “Diácono” na literatura secular
2.1. Na Literatura grega
As palavras relacionadas à diaconia apresentam três sentidos especiais, com uma pesada conotação contextual depreciativa: a) Servir à mesa; b) Cuidar da subsistência; c) Servir: no sentido de “servir ao amo”.
Aqui temos que ter cautela para não incorrermos no equívoco generalizante de tomar um pensamento aqui e outro ali e presumir termos a amostragem característica do pensamento grego. Nem sempre, por exemplo, os pensamentos de Sócrates (469-399 a.C.), Platão (427-347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.) representam o modo habitual dos gregos verem a realidade.[1]
Tomando o cuidado necessário, podemos observar que dentro do ideal grego de reflexão e serenidade, não há espaço para um pensar em “trabalho braçal”. Daí a visão grega do trabalho ser extremamente negativa, sendo considerado algo inferior.[2] Assim, é fácil compreender a justificativa da escravidão. Como a vida contemplativa e de prazeres sensoriais é a mais valiosa, nos assemelhando aos deuses,[3] os homens livres poderiam se aproximar deste modelo de contemplação divina.[4]
Mesmo Hesíodo (c. 750-c. 650 a.C.) reconhecendo que “o trabalho não é vergonha alguma, mas a preguiça é!”,[5] na descrição que faz da Idade de Ouro,[6] os deuses viviam sob o domínio de Cronos[7] em perfeita paz, sem preocupações, alegrando-se nas festas, usufruindo dos bens produzidos espontânea e generosamente pela terra; ou seja: na ociosidade celestial e terrena.[8]
Para os gregos, servir era algo indigno. Os Sofistas chegavam a afirmar que o homem reto só deve servir aos seus próprios desejos, com coragem e prudência.
Partindo da compreensão grega de que nascemos para comandar, não para servir, Platão (427-347 a.C.) e Demóstenes (384-322 a.C.), um pouco mais moderados, admitiam que o serviço (diakoni/a) só tinha algum valor quando prestado ao Estado. Portanto, “a ideia de que existimos para servir a outrem não cabe, em absoluto, na mente grega”.[9]
No mundo Romano, apesar de todo o seu empreendimento, filósofos como Cícero (106-43 a.C.) e Sêneca (c. 4 a.C.-65 d.C.) e o historiador Tito Lívio (59 a.C. – 17 d.C.), exaltavam o ócio em detrimento do trabalho, olhando com desprezo o trabalho do artesão.[10]
2.2. Na Literatura judaica
Ainda que no judaísmo o conceito não tenha sido explorado, encontramos a compreensão mais profunda a respeito daquele que serve. O pensamento oriental não considerava indigno o serviço. A grandeza do senhor determinava a grandiosidade do trabalho. Quanto maior o senhor a quem se serve, mais o serviço é valorizado.
O historiador judeu Flávio Josefo (c. 38-c. 100 d.C.), usou o termo em três sentidos: a) Servir à mesa; b) Servir no sentido de obedecer; c) Prestar serviços sacerdotais.
O trabalho manual era altamente estimado; sendo profundamente respeitados aqueles que o praticavam, visto ser considerado este talento, uma dádiva de Deus.[11] Aliás, Deus é apresentado no primeiro verso de Gênesis, como trabalhando, criando todas as coisas (Gn 1.1) e, nas páginas do Antigo Testamento, com frequência, somos desafiados a contemplar a criação de Deus e maravilhar-nos (Jó 37.14-15; Sl 8.3,6; 19.1-6; 28.5; 86.8; 92.4-5; 104.24; 111.2; 139.14; 145.9,17, etc.).[12]
O trabalho não está associado ao pecado, antes, faz parte do propósito primevo de Deus para o homem e revela a sabedoria divina (Gn 1.28; 2.15; Ex 20.9; Sl 104.23; Is 28.23-29). Os rabinos, como exemplo desta perspectiva, além do estudo metódico da Lei, aplicavam-se ao trabalho manual para suprir às suas necessidades (Vejam-se: Mc 6.3 (Mt 13.55); At 18.3).
Edersheim (1825-1889) comenta com propriedade:
Entre os judeus o desprezo pelo trabalho braçal, uma das características dolorosas do paganismo, não existia. Pelo contrário, era considerado obrigação religiosa, com frequência e muita seriedade insistia-se na necessidade de se aprender algum ofício, desde que ele não levasse a extravagâncias nem propiciasse um desvio da observância pessoal da Lei.[13]
Há um ditado atribuído ao Rabino Judá (2º século), que dizia: “Aquele que não ensina o próprio ofício ao filho ensina-o a roubar”.[14]
No entanto, com o passar dos anos, foi criada uma dicotomia entre o sagrado e o profano. No Talmude,[15] há uma oração (séc. 1º) feita pela perspectiva do escriba, que diz o seguinte:
Eu te agradeço, Senhor, meu Deus, porque me deste parte junto daqueles que se assentam na sinagoga, e não junto daqueles que se assentam pelas esquinas das ruas; pois eu me levanto cedo, eles também se levantam cedo; eu me levanto cedo para as palavras da Lei, e eles, para as coisas fúteis. Eu me esforço, eles se esforçam: eu me esforço e recebo a recompensa, eles se esforçam e não recebem recompensa. Eu corro e eles correm: eu corro para a vida do mundo futuro, e eles, para a fossa da perdição.[16]
2.3. “Diácono” no Novo Testamento
No Novo Testamento encontramos uma perspectiva semelhante a do Antigo Testamento, sendo o trabalho visto com naturalidade nas parábolas de Jesus (Mt 20.1,2,8; 21.28; 25.16; Mc 13.34),[17] evidenciando ser o trabalho algo comum em nossa vida cotidiana (Jo 6.27; Jo 9.4),[18] inclusive instando com os seus discípulos no sentido de orarem ao Pai, senhor da seara, por mais trabalhadores (Mt 9.37-38).[19]
Os substantivos “Diaconia” (33 vezes)[20] e “Diáconos” (30 vezes)[21] e o verbo “Diaconar”[22] (34 vezes)[23] são traduzidos por serviço, ministério, socorro, assistência, diácono (neste caso, apenas transliterado), etc.
A expressão dia/konoj está mais diretamente relacionada ao serviço prestado, diferentemente de dou=loj (escravo) que se refere mais especificamente à relação com o seu senhor ou mestre.[24]
Numa acepção mais ampla, escreve Hesse:
Doulos ressalta quase exclusivamente a sujeição completa do cristão ao Senhor; diakonos diz respeito ao seu serviço em prol da igreja, dos seus irmãos e do seu próximo, em prol da comunhão, quer o serviço se realize ao servir à mesa, com a palavra, ou de alguma outra maneira. O diakonos sempre é aquele que serve em nome de Cristo e que continua o serviço de Cristo para o homem exterior e interior; preocupa-se com a salvação dos homens.[25]
Jesus Cristo deu uma grande lição aos seus ouvintes ao verbalizar a sua missão. Ele apresenta um contraste evidente com o conceito grego e, ao mesmo tempo, eleva de forma magnífica o pensamento judeu: “O Filho do homem, que não veio para ser servido (diakone/w), mas para servir (diakone/w)” (Mt 20.28).
Mais do que simplesmente servir à mesa, nosso Senhor nos ensina que o diaconato é uma disposição santa e abnegada de servir ao próximo com a sua própria vida:
25 Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. 26 Se alguém me serve (diakone/w), siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo (diakoni/a). E, se alguém me servir, o Pai o honrará. (Jo 12.25-26).
Paulo demonstra que “o ministério (diakoni/a) do Espírito” (2Co 3.8) que opera de forma eficaz por meio do Evangelho, é glorioso.
Terminada a série de tentações satânicas desferidas contra o Senhor Jesus, registra Mateus: “E eis que vieram anjos e o serviram (diakone/w)” (Mt 4.11/Hb 1.14).
Paulo se declara diácono do Evangelho: “Se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro (dia/konoj)” (Cl 1.23).
Bem como, diácono da Igreja:
24 Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja; 25 da qual me tornei ministro (dia/konoj) de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus. (Cl 1.24-25).
É, como também Apolo, instrumento de Deus para que os homens creiam no Evangelho: “Quem é Apolo? E quem é Paulo? Servos (dia/konoj) por meio de quem crestes, e isto conforme o Senhor concedeu a cada um” (1Co 3.5).
Os dons concedidos à igreja visam ao aperfeiçoamento dos crentes a fim de que estes possam servir, exercer o seu diaconato com maior eficiência:
11 E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, 22 com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço (diakoni/a), para a edificação (oi)kodomh/) do corpo de Cristo. (Ef 4.11-12).
Somente deste modo, neste trabalho recíproco, a Igreja de Cristo poderá se desenvolver harmoniosa e solidamente em amor:
15Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, 16 de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação (oi)kodomh/) de si mesmo em amor. (Ef 4.15-16/Rm 15.2; 1Ts 5.11).
A Igreja é edifício de Deus. Somos, por graça, cooperadores (1Co 3.9).[26]
3. Origem do Ofício de Diácono
A origem deste ofício eclesiástico deve ser buscada no texto de At 6.1-7. Embora saibamos que nem todos concordem com isso[27] e outros não se decidam,[28] acompanhamos aqueles que identificam a origem do diaconato com At 6.[29]
No início da Igreja do Novo Testamento, competia aos apóstolos a responsabilidade de gerenciar os donativos, distribuindo-os conforme a necessidade dos crentes (At 2.45/At 4.37; 5.2). Com o crescimento da Igreja, esta atividade tornou-se por demais pesada para eles. Isso é natural. Conforme o desenvolvimento da Igreja, a situação foi ficando mais complexa, necessitando, portanto, de ajustes dentro dos padrões estabelecidos, para melhor atender aos fiéis no propósito em suas necessidades. Isso serve de alerta: por vezes criamos um sistema sofisticadíssimo com leis e regulamentos, no entanto, não temos pessoas. Ficamos com os regimentos e estrutura para um grupo inexistente. É preciso discernimento e cautela. Aqui, a Igreja crescia e as carências vão se manifestando.
Abro um parêntese para fazer algumas observações. Mesmo a igreja enfrentando dificuldades dentro de seu próprio seio, como o caso de Ananias e Safira (At 5.1-11) e perseguição (At 5.17-42), ela crescia.
O princípio da santidade passa a dar o tom da Igreja. A igreja crescia no temor do Senhor.
Por vezes, as dificuldades e provações se constituem em oportunidades de crescimento em vários sentidos. De modo semelhante, as bênçãos de Deus trazem consigo a oportunidade para amadurecermos com novos desafios.
A carência costuma nos desafiar à paciência e perseverança. A fartura, prova a nossa generosidade. Sei que as coisas não são tão estanques assim. O que ocorreu entre os crentes da Macedônia, que em meio à ausência de recursos, foram generosos (2Co 8.1-5), apresenta uma linha transversal: tinham pouco materialmente, mas, foram generosos além de qualquer expectativa otimista. No entanto, os desafios assumem configurações diferentes dentro das situações mencionadas a partir de nossa visão dos fatos.
Atos 6 registra uma dificuldade própria da bênção de Deus: a igreja crescia e, havia generosidade da parte dos crentes para ajudar aos necessitados que, como o próprio Senhor dissera, sempre os teríamos (Mc 14.7; Dt 15.11).[30]
Nesse contexto é que se insere o diácono. O ofício de diácono teve a sua origem como resultado de uma necessidade: As viúvas dos helenistas (judeus de fala e cultura grega provenientes da Dispersão), estavam sendo habitualmente[31] “esquecidas na distribuição diária” (At 6.1-6).
Ao contrário do que já foi suposto, o “esquecimento”[32] ou uma provisão menor para as viúvas gregas,[33] não foi deliberado. A questão era mesmo de excesso de trabalho juntando a isso, a possível situação de severa penúria das viúvas.[34]
Calvino pontua com discernimento:
Se os apóstolos tivesse falado de eleger diáconos antes que a necessidade o demandasse, teriam achado pessoas menos preparadas para o ofício; eles mesmos teriam dado a impressão de evitar um trabalho incômodo; muitos não teriam sido tão generosos em transferir dons a outros homens. Era, pois, necessário que os fiéis se convencessem pela experiência, descobrindo que não poderiam viver sem diáconos, e de fato isto por causa de sua própria falha, de modo que se alegrariam em escolhê-los.[35]
Os apóstolos manifestaram grande discernimento. Havia muito que fazer. A Igreja estava fundamentada e perseverava na doutrina dos apóstolos (At 2.42). O crescimento numérico de convertidos era evidente (At 6.1).
Eles precisavam continuar ensinando, alimentando o rebanho. Isto era prioritário na sua vocação apostólica.[36] Não poderiam se desviar de sua tarefa principal, com o risco evidente de falharem em ambas as esferas. Portanto, reconhecendo o problema e ao mesmo tempo não tendo como resolver tudo sozinhos, encaminharam à comunidade, de forma direta, a eleição de “sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregariam deste serviço” (At 6.3). Detectando o problema, agiram de forma humilde, rápida e eficaz.[37]
Aqui eles evidenciam uma sabedoria prática. Todos os diáconos eleitos tinham nomes gregos, o que parece indicar que eram judeus de fala grega. Afinal, não eram as viúvas destes que estavam sendo esquecidas? Portanto, homens que preenchem os critérios especiais para este ofício, sendo de fala grega, seria mais prudente para atender melhor o seu povo e acalmar os ânimos.[38] Os presbíteros nomeiam o que a comunidade elege. (At 6.1-6).
Eleição feita, os apóstolos, então, se dedicaram mais especificamente a outra espécie de diaconia: “à oração e ao ministério (diakoni/a) da Palavra” (At 6.4), ofício para o qual foram especialmente chamados: Pregar a Palavra de Deus buscando sempre em tudo o discernimento em Deus.[39]
Eles sabiam o quão necessário é a oração para o desempenho de seu ofício. Havia grandes desafios à frente. Os apóstolos, ainda que não somente, precisavam continuar pregando e orando.[40] Deus haveria de dar-lhes discernimento. Estes homens sabiam de suas limitações; da grandiosidade da mensagem e da condição humana de total ignorância e aversão ao Evangelho, estando todos mortos espiritualmente (Ef 2.1,5).[41] Vemos aqui de passagem, o quão necessário é o tempo gasto com o preparo para o ensino da igreja.
Também sabemos, que somente Deus poderia capacitá-los a pregar com integridade, autoridade e poder, transformando os corações de seus ouvintes. A questão não era simplesmente de comunicação, antes de poder.
Anos depois, Paulo relembra aos tessalonicenses como foi o Evangelho por ele pregado: “Porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós” (1Ts 1.5/1Co 2.1-5; 4.20).
E é deste modo, apenas para me valer de uma única ilustração, é que Lídia foi convertida. Paulo que fora pregar em Filipos dirigido pelo Espírito, registra Lucas, “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu (dianoi/gw) o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (At 16.14).
Provavelmente Calvino esteja certo ao dizer que, “Se já houve um homem equipado com todas as graças do Espírito de Deus para conquistar almas para o evangelho, com certeza esse era Paulo”.[42] Contudo, sem a operação transformadora de Deus, tanto o apóstolo, como qualquer um de nós, podemos falar à mente e ao coração – no aspecto apenas emocional –, contudo, a transformação integral do homem, a regeneração, é obra de Deus.[43] Precisamos, de fato, pregar e orar.
Packer sintetiza isso:
A pregação e a oração devem seguir juntas; nossa evangelização não estará de acordo com o conhecimento, nem será abençoada, se não agirmos dessa maneira. Cumpre-nos pregar, porque sem o conhecimento do evangelho nenhum homem pode ser salvo. E cumpre-nos orar, porque somente o soberano Espírito Santo em nós e nos corações dos nossos ouvintes pode tornar eficaz a nossa pregação, visando a salvação dos pecadores; e Deus não envia o Seu Espírito onde não há oração.[44]
O apostolado envolve essencialmente a tarefa de servir à igreja com especificidade no estudo e ensino da Palavra. Os diáconos, prioritariamente, alimentariam os fiéis com o pão material ‒ cuidariam mais especificamente da administração dos recursos: recebimento, abastecimento, preparação, organização, distribuição ‒[45] tão essencial à sua subsistência. Os apóstolos administrariam de modo mais específico o pão da vida, espiritual, pregando e intercedendo por eles.
Os diáconos devem ser vistos como braços da misericórdia de Deus em favor do seu povo carente. Eles exercem, em parte, o “socorro” de Deus para com o seu povo (1Co 12.28):[46] “Os diáconos representam a Cristo em seu ofício de misericórdia, e o exercício da misericórdia está vinculado com o consolo dos aflitos”, acentua Kuiper (1886-1966).[47] Eles devem ser os braços solícitos de misericórdia de Deus no serviço aos mais necessitados.[48]
Historicamente este ofício permaneceu e se expandiu geograficamente, conforme atestam os documentos disponíveis.[49]
Considerações finais
A) O reconhecimento da Igreja
“Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência (*baqtmo/j = degrau, fundamento, posição, reputação) e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus” (1Tm 3.13).
A Igreja por vezes no justo receio de “endeusar” homens, criando monstrinhos espirituais, cheios de si com mania de grandeza e autossuficiência, comete um equívoco oposto, se esquecendo de atribuir honra a quem de direito. Não podemos justificar uma tese apenas apresentando a antítese. Possivelmente entre ambas, podem existir caminhos alternativos que não sejam mal em si.
Pedro instrui a igreja: “Tratai todos com honra (tima/w), amai os irmãos, temei a Deus, honrai (tima/w) o rei” (1Pe 2.17). Paulo recomenda aos romanos: “Pagai (a)podi/dwmi = retribuir, conceder, dar) a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra (timh/), honra (timh/)” (Rm 13.7).
Paulo na ilha de Malta depois de curar o pai de um importante habitante da ilha que o hospedara, realizou muitas outras curas (At 28-7-9). Tais homens, registra Lucas, “…. nos distinguiram (timh/) (honrar, valorizar, dignificar, retribuir) com muitas honrarias (tima/w); e, tendo nós de prosseguir viagem, nos puseram a bordo tudo o que era necessário” (At 28.10).
Paulo diz que aqueles que desempenharem bem o diaconato terão o justo reconhecimento da Igreja. De fato, é justo que assim seja. Ainda que os diáconos não trabalhem simplesmente para agradar à igreja, visto que servem ao Senhor na Igreja, é desejável que honremos esses servos de Deus que dedicam parte quantitativa e qualitativamente importante de seu tempo no serviço de Deus em nossa Igreja. O reconhecimento da Igreja é um atestado da sua vocação e do desempenho eficiente do diaconato.
Portanto, diáconos, não busquem honrarias nem deferências. Sirvam com humildade, conscientes de que foram chamados por Deus para exercerem, com diligência e compaixão, o ministério confiado a vocês no meio da comunidade.
Igreja, honre seus diáconos! Reconheçam com gratidão aqueles que receberam, por meio de seu voto e ordenação do Conselho, o encargo público de servir. Eles desempenham sua vocação como expressão concreta do cuidado de Deus. Honrem-nos − não por mérito humano, mas porque o Senhor os designou como agentes da sua graça.
O nosso serviço é prestado a Deus. A origem de nossa vocação está em Deus. Em última instância é Deus quem avaliará o nosso serviço prestado com integridade ao povo que Ele mesmo nos confiou servir.
Calvino comenta: “Ao expressar-se assim, ele realça quão proveitoso é para a Igreja que esse ofício seja desempenhado por homens criteriosamente escolhidos, pois o santo desempenho desses deveres granjeia estima e reverência”.[50]
Quando a igreja não honra os diáconos que desempenham bem a sua função está furtando destes servos de Deus a honra, o justo reconhecimento que lhe é devido. Devemos isto a eles! É preciso que estejamos atentos para não cometermos este pecado de omissão. A quem honra, honra!
B) Maior firmeza na fé
“Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus” (1Tm 3.13).
Paulo também diz que aqueles que desempenham bem o diaconato alcançam “muita intrepidez (parrhsi/a) na fé em Cristo” (1Tm 3.13). A palavra tem o sentido de destemor, franqueza, ousadia, confiança e sinceridade. O termo indica aquele que fala com ousadia e francamente, exercendo com responsabilidade publicamente a sua função.
Os diáconos no exercício de seu ofício adquirem uma maior ousadia em sua fé amparados na graça de Deus. Isso se manifesta na sua justa confiança em aproximar-se de Deus em oração (Ef 3.12; Hb 4.16; 10.19; 1Jo 5.14) e, ao mesmo tempo, na sua intrepidez para falar livre, confiada e ousadamente de Cristo (At 2.29; 4.13,29,31; 9.27,28; 13.46; 14.3; 18.26; 19.8; 28.31; 2Co 3.12; Ef 6.19; 1Ts 2.2). Lembremo-nos, no entanto, que essa intrepidez é obra do Espírito Santo (At 4.13,29,31/1Ts 2.2).
Calvino, por sua vez, analisa a contrapartida dessa fidelidade, dizendo:
Da mesma forma, aqueles que têm fracassado em seus deveres têm também sua boca fechada e suas mãos atadas, e são incapazes de fazer tudo satisfatoriamente, de modo a não ser possível injetar-lhes qualquer confiança, nem tampouco outorgar-lhes qualquer autoridade.[51]
O diácono, como não poderia deixar de ser, no fiel exercício de seu ofício, amadurece em sua fé, tendo maior comunhão com Deus e segurança na proclamação do Evangelho. É praticamente impossível desenvolver qualquer trabalho da igreja de forma eficiente sem, ao mesmo tempo, amadurecer em nossa fé.
O diácono, portanto, na busca constante de desempenhar a sua vocação, descobre de forma gradativa e intensiva o quanto depende da misericórdia divina. Ele pôde ver inúmeras vezes o suprimento das necessidades de tantos irmãos. Tantas vezes diante de situações adversas nas quais não sabia o que fazer ou dizer, mas, foi dirigido por Deus… Enfim, o seu ofício propiciou de forma intensa o experimentar o cumprimento das promessas do Deus providente em sua vida e na de seus irmãos.
Portanto, o fundamento desta firme ousadia é a fé, que é originária de Deus e nele, somente nele deve ser depositada.
Louvemos ao Senhor pelos diáconos que Ele tem levantado em nosso meio − servos fiéis que, por suas ações concretas, tornam visível o amor compassivo e a misericórdia do nosso Deus. Por meio de sua dedicação, a Igreja é edificada, os necessitados são acolhidos, e a graça é manifesta de modo tangível. Que Deus continue sustentando e guiando esses irmãos no exercício de seu ministério para glória de Cristo e bênção do Seu povo.
Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa.
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[1] Devo esta observação a Forrester. (W.R. Forrester, Christian Vocacion: Studies in Faith and Work, London: Lutterworth Press, 1951, p. 121).
[2] Vejam-se: Platão, A República, 7. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1993, 369ss.; Aristóteles, Política, 1328b; Idem., Metafísica, I.1. Vejam-se também, a interpretação do conceito grego, feita por Ferrater Mora. (Trabajo: In: José Ferrater Mora, Diccionario de Filosofia, 5. ed. Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1969, v. 2, p. 819-822; Alan Richardson, Work: In: Alan Richardson, ed. A Theological Word Book of the Bible, 13. ed. London: SCM Press, 1975, p. 285).
[3]Veja-se: Aristóteles, Ética a Nicômaco, São Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 4), 1973, X.7-8.
[4] Cf. Ray Pennings, Trabalhando para a Glória de Deus. In: Joel R. Beeke, Vivendo para a Glória de Deus: Uma introdução à Fé Reformada, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2012 (reimpressão), p. 367.
[5] Hesíodo, Os Trabalhos e os Dias, 3. ed. São Paulo: Iluminuras, 1996, Verso 310. (O texto é bilingue. Optei por fazer a tradução).
[6]Em Hesíodo encontramos o exemplo característico da interpretação linear da História, que apresenta um processo finito e pessimista. Ele entendia que a História se move partindo da idade do ouro, passando pela da prata e de bronze até chegar finalmente à de ferro (Veja-se: Otto A. Piper, A Interpretação Cristã da História, São Paulo: Coleção da Revista de História, 1956, 18).
[7] Dentro de determinada tradição mitológica grega, Cronos seria filho de Urano e Gaia. Era o deus do tempo.
[8] Ver: Hesíodo, Os Trabalhos e os Dias, 3. ed. São Paulo: Iluminuras, 1996, Versos 115-120. Para uma análise deste conceito, veja-se: W.R. Forrester, Christian Vocacion: Studies in Faith and Work, London: Lutterworth Press, 1951, p. 121-126.
[9]Hermann W. Beyer, Servir, Serviço: In: G. Kittel, ed. A Igreja do Novo Testamento, São Paulo: ASTE, 1965, p. 275. Vejam-se também: J. Stam, Diácono, Diaconisa: In: Merrill C. Tenney, org. ger., Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, v. 2, p. 151.
[10]Vejam-se: W. Wrade Fowler, Social Life at Rome in the Age of Cicero, cap. II (http://www.readcentral.com/chapters/W-Warde-Fowler/Social-life-at-Rome-in-the-Age-of-Cicero/003) (Acessado em 09.07.25); Battista Mondin, O Homem, Quem é Ele?, São Paulo: Paulinas, 1980, p. 193; W.R. Forrester, Christian Vocacion: Studies in Faith and Work, London: Lutterworth Press, 1951, p. 127-128.
[11]Veja-se: J.I. Packer, Carpinteiro: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, v. 1, p. 364-365; Paul Johnson, História dos Judeus, 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Imago, 1989, p. 174.
[12] “4 Inclina, Jó, os ouvidos a isto, pára e considera as maravilhas de Deus. 15Porventura, sabes tu como Deus as opera e como faz resplandecer o relâmpago da sua nuvem?” (Jó 37.14-15). “3Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste. (…) 6 Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste” (Sl 8.3,6). “1Ao mestre de canto. Salmo de Davi Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. 2 Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. 3 Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; 4 no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol, 5 o qual, como noivo que sai dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho. 6 Principia numa extremidade dos céus, e até à outra vai o seu percurso; e nada refoge ao seu calor” (Sl 19.1-6). “Não há entre os deuses semelhante a ti, Senhor; e nada existe que se compare às tuas obras” (Sl 86.8) “4 Pois me alegraste, SENHOR, com os teus feitos; exultarei nas obras das tuas mãos. 5 Quão grandes, SENHOR, são as tuas obras! Os teus pensamentos, que profundos!” (Sl 92.4-5). “Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas” (Sl 104.24). “Grandes são as obras do SENHOR, consideradas por todos os que nelas se comprazem” (Sl 111.2).
[13]Alfred Edersheim, The Life and Times of Jesus The Messiah, 3. ed. Grand Rapids, MI.: Eerdmans, 1971, 1981 (Reprinted), v. 1, p. 252
[14] Conferir, entre outros: William Barclay, El Nuevo Testamento Comentado, Buenos Aires: La Aurora, 1974, v. 7, (At 18.1-11), p. 145; John Stott, O Incomparável Cristo, São Paulo: ABU., 2006, p. 134.
[15]Talmude, cujo nome significa “instrução”, consiste numa coleção de leis rabínicas com seus comentários interpretativos a respeito das leis de Moisés, compilada entre o ano 100 e 500 da Era Cristã. (Vejam-se, entre outros: W. White Jr., Talmude: In: Merrill C. Tenney, org. ger., Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, v. 5, p. 738-744; C.L. Feinberg, Talmude e Midrash: In: J.D. Douglas, ed. ger. O Novo Dicionário da Bíblia, São Paulo, SP.: Junta Editorial Cristã, 1966, v. 3, p. 1560-1561.
[16]Apud Joachim Jeremias, As Parábolas de Jesus, 3. ed. São Paulo: Paulinas, 1980, p. 144. Quanto às profissões consideradas suspeitas pelo alto grau de perigo de ingressar em práticas pecaminosas, veja-se; J. Jeremias, Jerusalém no tempo de Jesus: pesquisa de história econômica-social no período neotestamentário, São Paulo: Paulinas, 1983, p. 403ss.
[17] “Porque o reino dos céus é semelhante a um dono de casa que saiu de madrugada para assalariar trabalhadores para a sua vinha. 2 E, tendo ajustado com os trabalhadores a um denário por dia, mandou-os para a vinha. (…) 8 Ao cair da tarde, disse o senhor da vinha ao seu administrador: Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos, indo até aos primeiros” (Mt 20.1,2,8). “E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha” (Mt 21.28). “O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco” (Mt 25.16). “É como um homem que, ausentando-se do país, deixa a sua casa, dá autoridade aos seus servos, a cada um a sua obrigação, e ao porteiro ordena que vigie” (Mc 13.34).
[18] “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo” (Jo 6.27). “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (Jo 9.4).
[19] “37 E, então, se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38 Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.37-38).
[20] Diakoni/a * Lc 10.40; At 1.17,25; 6.1,4; 11.29; 12.25; 20.24; 21.19; Rm 11.13; 12.7; 15.31; 1Co 12.5; 16.15; 2Co 3.7,8,9 (2 vezes); 4.1; 5.18; 6.3; 8.4; 9.1,12,13; 11.8; Ef 4.12; Cl 4.17; 1Tm 1.12; 2Tm 4.5,11; Hb 1.14; Ap 2.19.
[21]Dia/konoj * Mt 20.26; 22.13; 23.11; Mc 9.35; 10.43; Jo 2.5,9; 12.26; Rm 13.4 (2 vezes); 15.8; 16.1; 1Co 3.5; 2Co 3.6; 6.4; 11.15,23; Gl 2.17; Ef 3.7; 6.21; Fp 1.1; Cl 1.7,23,25; 4.7; 1Ts 3.2; 1Tm 3.8,12; 4.6.
[22] Na realidade não existe este verbo em nossa língua; ele foi apenas transliterado do grego e aportuguesado para dar o mesmo sentido fonético.
[23] Diakone/w *Mt 4.11; 8.15; 20.28; 25.44; 27.55; Mc 1.13,31; 10.45; 15.41; Lc 4.39; 8.3; 10.40; 12.37; 17.8; 22.26,27 (2 vezes); Jo 12.2,26 (2 vezes); At 6.2; 19.22; Rm 15.25; 2Co 3.3; 8.19,20; 1Tm 3.10,13; 2Tm 1.18; Fm 13; Hb 6.10; 1Pe 1.12; 4.10,11.
[24] Cf. Diácono: In: W.E. Vine, et. al., Dicionário Vine, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2001, v. 2, p. 563.
[25] K. Hess, Servir: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, v. 4, p. 452.
[26]“Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício (oi)kodomh/) de Deus sois vós” (1Co 3.9).
[27]Kelly, T.C. Smith, Beyer, Bruce, Stam, Legrand, Fee (1Tm 3.8-13), MacArthur, entre outros.
[28]Stagg, Latourette, Stott, Vine.
[29]Irineu, Calvino, R. Gwalther, Bavinck, Vincent, Berkhof, Hendriksen (Fp 1.2), Ladd, R.B. Kuiper, Lloyd-Jones, Kistemaker, Grudem, Sproul, Chung-Kim, Hains, entre outros.
[30] “Porque os pobres sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem, mas a mim nem sempre me tendes” (Mc. 14.7). “Pois nunca deixará de haver pobres na terra” (Dt 15.11).
[31]O verbo paraqewre/w no imperfeito, sugere a ideia de algo frequente e habitual. Este verbo só ocorre aqui (At 6.1) no Novo Testamento.
[32] Assim pensa Barclay. (William Barclay, El Nuevo Testamento Comentado, Buenos Aires: La Aurora, 1974, v. 7, p. 60).
[33] Calvino aventa sobre essa possibilidade (John Calvin, Commentary upon the Acts of the Apostles, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Calvin’s Commentaries), 1996 (Reprinted), v. 18/2, (At 6.1), p. 231).
[34] Vejam-se: I.H. Marshall, Atos: Introdução e Comentário, São Paulo: Mundo Cristão; Vida Nova, 1982, p. 123; John R.W. Stott, A Mensagem de Atos, São Paulo: ABU Editora, 1994, p. 133; Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: Atos, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 1, p. 295.
[35]John Calvin, Commentary upon the Acts of the Apostles, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Calvin’s Commentaries), 1996 (Reprinted), v. 18/2, (At 6.1), p. 231.
[36] “Portanto, quando os apóstolos põem a pregação do evangelho em primeiro plano, disso inferimos que nenhuma obediência é mais agradável a Deus do que esta. Não obstante, ao mesmo tempo realça-se a dificuldade, quando dizem que não estão aptos para exercerem aqueles dois ofícios. Por certo que de modo algum somos superiores a eles” (John Calvin, Commentary upon the Acts of the Apostles, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Calvin’s Commentaries), 1996 (Reprinted), v. 18/2, (At 6.2), p. 234).
[37] “É uma marca de prudência e piedade preocupar-se em cercear rapidamente o mal no nascedouro, e não protelar a descoberta de um remédio para o mesmo. Pois depois que toda dissensão e rivalidade tiverem recobrado força, se convertem numa ferida que é difícil de se curar”, interpreta Calvino (John Calvin, Commentary upon the Acts of the Apostles, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Calvin’s Commentaries), 1996 (Reprinted), v. 18/2, (At 6.2), p. 231-232).
[38] “Os sete homens eleitos pela igreja tinham nomes gregos, significando que todos eles eram judeus de fala grega, ou helenistas. A igreja, em uma demonstração de amor e unidade, pode tê-los escolhido para retificar o aparente desequilíbrio que envolvia as viúvas helenistas” (John MacArthur, Comentário bíblico MacArthur, Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2019, (At 6.5), p. 2743). (Edição do Kindle).
[39]Stott lamentando a falta de seriedade moderna para com a Palavra, diz que se adotássemos esta mesma agenda apostólica, “…. envolveria para a maioria de nós, uma reestruturação radical do nosso programa e do cronograma, inclusive uma delegação considerável de outras responsabilidades aos líderes leigos, mas expressaria uma convicção verdadeiramente neotestamentária a respeito da natureza essencial do pastorado” (John Stott, Eu Creio na Pregação, São Paulo: Editora Vida, 2003, p. 132).
[40] “Nossa oração a Deus deve ser no sentido de desimpedir nossa vista e nos capacitar para a meditação sobre suas obras” (João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Parakletos, 2002, v. 3. (Sl 92.6), p. 465).
[41]É muita proveitosa a exposição de Lloyd-Jones sobre a necessidade de oração declarada pelos apóstolos. Veja-se: D. M. Lloyd-Jones, Cristianismo Autêntico: Sermões sobre Atos dos Apóstolos, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2003, v. 3, p. 364-381.
[42]João Calvino, Sermões sobre Gálatas, Brasília, DF.: Monergismo, 2022, v. 1, p. 17 (Edição do Kindle).
[43]“Certamente que a voz humana não pode, por sua própria virtude, penetrar a alma. Demasiada honra seria prestada a um mero mortal caso se lhe dissesse que ele possui o poder de nos regenerar” (João Calvino, Romanos, 2. ed. São Paulo: Parakletos, 2001, (Rm 10.17), p. 385-386).
[44]J.I. Packer, Evangelização e Soberania de Deus, 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1990, p. 84.
[45] A palavra mesa utilizada em At 6.2 (tra/peza), de onde vem o nosso vocábulo “trapézio”, é empregada no NT para se referir à mesa de alimentos (At 16.34), à mesa de câmbio (Mt 21;12; Jo 2.15) e, simplesmente ao banco onde são feitas transações financeiras (Lc 19.23). Seja o que for, essas atividades estavam dividindo a atenção dos apóstolos. Era preciso mais pessoas para trabalhos mais específicos. Afinal, nada aqui era irrelevante.
[46]“A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” (1Co 12.28).
[47]R.B. Kuiper, El Cuerpo Glorioso de Cristo, Grand Rapids, Michigan: SLC., 1985, p. 141.
[48]Veja-se: João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 4 (IV.13), p. 83.
[49]Vejam-se: Clemente de Roma, 1Coríntios, 42.4; 44.5; 47.6; 54.2; 57.1; Inácio, Cartas: Aos Efésios, 2.1; Aos Magnésios, 2.1; 3.1; 6.1; 13.1; Aos Tralianos, 2.3; 3.1; 7.2; 12.2; Aos Filadélfios, 10.2; Aos Esmirnenses, 8.1; À Policarpo, 6.1; Irineu, Contra as Heresias, V.36.1; Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, III.39.3-5,7; VI.19.19; 43.2; 43.11; VII.28.1; 30.2.12. Para uma visão histórica das transformações de seu ofício, vejam-se: Hervé Legrand, Diácono: In: Jean-Yves Lacoste, dir., Dicionário Crítico de Teologia, São Paulo: Paulinas; Loyola, 2004, p. 554-555; Hermann W. Beyer, Servir, Serviço: In: G. Kittel, ed. A Igreja do Novo Testamento, São Paulo: ASTE, 1965, p. 288-290.
[50]João Calvino, As Pastorais, (1Tm 3.13), p. 95.
[51]João Calvino, As Pastorais, (1Tm 3.13), p. 95.