D) Harmonia de propósito
O Novo Testamento está latente no Antigo e o Antigo encontra-se patente no Novo. – Agostinho (354-430).[1]
Por intermédio de Isaías, Deus fala da efetividade de seu propósito que se cumpre por meio de sua Palavra:
Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra e a fecundem e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz, e prosperará naquilo que a designei. (Is 55.10,11).
O Deus soberano que livremente se revelou e inspirou os escritores sagrados para registrar a sua revelação, providencialmente, faz com que a sua Palavra escrita alcance o Seu objetivo, o seu propósito. Mas, o que é que Deus pretende? Qual o seu propósito?
Retornemos um pouco na história bíblica. Com o pecado de nossos primeiros pais (Gn 3.6), a morte passou a ser o selo de toda a criação. Contudo, Deus fez a sua promessa (Gn 3.15), evidenciando, assim, que proporcionaria historicamente o caminho da salvação, de restauração do homem caído.
A Bíblia só se tornou necessária devido à Queda, ao pecado do homem, pois, antes do pecado, havia uma maravilhosa harmonia em toda a criação (Gn 1.31) e Deus falava diretamente com o homem (Gn 3.8-13). Todavia, com o pecado, houve um transtorno na vida humana, com alcance físico, moral e espiritual (Gn 3.16,19. Leia também: Gn 4.1-11; 6.5) e a natureza também sofreu os efeitos devastadores da desobediência do homem (Gn 3.17,18).
Ao longo da História, Deus separou e preparou homens para que registrassem de forma exata e infalível os seus desígnios, e foi a Palavra de Deus escrita, dentre outras coisas, “o corretivo às ideias disformes que pode dar-nos a natureza em seu estado caído”, destaca Meeter (1886-1963).[2]
De fato, a tradição oral se fosse simplesmente preservada por seres humanos, além dos lapsos naturais que ocorrem com o passar do tempo, e, considerando que somos pecadores e temos uma memória seletiva, adulteraria de modo propositado ou involuntário totalmente a informação e mensagem.[3]
Por isso, só se considera adequada salvadoramente, a revelação de Deus contida na Bíblia. Ainda que os sinais da majestade de Deus se encontrem espalhados em toda Criação,[4] somente por intermédio das Escrituras o homem pode ter um conhecimento de Deus livre de superstições. Contudo, os dois livros: A Natureza e a Escritura, por serem sobrenaturalmente produzidos por Deus, trazem a mesma mensagem visto que procedem do mesmo Autor.[5] A Revelação Natural (Geral) é tão infalível quanto a Especial. E mais, a revelação Especial (Sobrenatural ou Soteriológica) pressupõe a Geral e, confere sentido a ela e a suplementa de forma soteriológica.[6] Portanto, para o crente, toda a revelação é sobrenatural porque provém de Deus. Toda ela testemunha e aponta para o seu Criador.
Em 19 de junho de 1555, Calvino pregando sobre Dt 5.11, disse:
Observemos os céus e a Terra: vemos Deus em todo lugar. Pois o que é a Terra senão uma imagem viva (como diz Paulo) na qual Deus se declara? Apesar de ser invisível em sua essência, Ele se mostra nessa, para que o adoremos. Mas nas Sagradas Escrituras existe uma imagem da qual Deus se declara de modo muito mais familiar a nós do que nos céus ou na Terra. Apesar de iluminarem a Terra, nem o sol nem a lua demonstram a majestade do mesmo modo que a Lei, os Profetas e o Evangelho.[7]
A Bíblia é o registro da Palavra e dos atos salvadores de Deus na história. Ela traz o registro das promessas de Deus e da sua respectiva execução, a fim de nos conduzir de volta a Deus, encontrando, desta forma, a esperança que emana do próprio Deus (Rm 15.4). O apóstolo Pedro escreveu que Deus nos regenerou para uma viva esperança em Cristo (1Pe 1.3); Paulo também registrou com a mesma convicção, afirmando ser “Cristo Jesus, nossa esperança” (1Tm 1.1) e em outros de seus escritos, Paulo demonstra que os homens sem Cristo estão sem esperança, sendo corroídos pela desesperança que gera o desespero (Ef 2.12; 1Ts 4.13).
“O evangelho de Jesus Cristo não é algo que nos é oferecido para debate ou discussão, e sim para nossa aceitação e fé. Não busca nossa aprovação, mas exige nossa obediência. Não convida discussão, ao contrário, comanda diligência”, exorta Lloyd-Jones.[8]
No seu Evangelho, Deus não se propõe a satisfazer a nossa curiosidade. Ele almeja conduzir-nos a Ele mesmo em adoração e gratidão, a fim de recebermos dele a esperança inconfundível da vida eterna (Rm 5.5; 2Ts 2.16; Tt 1.2).
O propósito harmonioso de Deus é a sua própria Glória (Is 43.7; Rm 11.36; Ef 1.3,6,11,12). Nas palavras de Packer (1926-2020), Deus “é o fim de todas as suas obras. Ele não existe para o nosso interesse, mas nós para o interesse dele. É sua natureza e prerrogativa agradar-se a si mesmo e seu beneplácito revelado é fazer-se grande aos nossos olhos (Sl 46.10). O alvo predominante de Deus é glorificar-se a si mesmo”.[9]
Não esqueçamos, entretanto, que a justiça, bondade, misericórdia e o amor (dentre outras perfeições de Deus), permeiam toda a sua obra (Sl 9.8; 33.5; 89.1; Lm 3.22; Jo 3.16; Rm 5.8; Ef 2.7). Deus nos conduz a Ele para que, na contemplação da sua Majestade, recebamos a salvação preparada por Ele mesmo, executada por Jesus Cristo e aplicada pelo Espírito Santo. A salvação do seu povo e a sua consequente felicidade, estão subordinadas à Glória de Deus (Rm 11.36; 1Co 8.6; Cl 1.16; Ef 1.3-6,11,12).
Paulo, escreve:
O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo. (Cl 1.26-28).[10]
A Glória do Pai só se torna visível a nós quando, pela fé, contemplamos o resplendor da Glória de Cristo: O Deus encarnado (Hb 1.3). “Um dos maiores benefícios para um crente neste mundo e no porvir é considerar a glória de Cristo”, escreveu corretamente o puritano John Owen (1616-1683).[11]
Considerações pontuais
As Sagradas Escrituras são as joias mais caras que Cristo nos deixou e que a igreja de Deus preservou como registros públicos do céu, de maneira que não foram perdidos. – Thomas Watson (c. 1620-1686).[12]
A Palavra sem a iluminação do Espírito Santo torna-se sem efeito. − João Calvino.[13]
O registro e a preservação das Escrituras são obras sobrenaturais. Nenhum livro na história foi mais atacado, fragmentado, caluniado, devassado e dissecado do que a Bíblia. No entanto, ela permanece inalterável. Deus nos ensina sobre a sua Providência por meio das Escrituras e com a própria preservação da Escritura.
A Escritura sagrada é um manual da Providência de Deus. A existência desse manual é uma demonstração prática do que a Escritura nos ensina. A Palavra de Deus é indestrutível e eficaz.
Bavinck faz uma sensível analogia: “Cristo carregou a cruz, e o servo [Escritura] não é maior que seu mestre. A Escritura é a criada de Cristo. Ela partilha de sua difamação e enfrenta a hostilidade da humanidade pecadora”.[14]
Como o Autor da Escritura é o eterno e Trino Deus, os seus ensinamentos permanecem como verdade viva e eficaz a despeito das mudanças culturais e dos valores mutáveis da sociedade em cada época.[15]
Durante toda a história da humanidade pós-queda,[16] a Palavra de Deus foi alvo dos mais diversos ataques: entre eles, o mais comum é a suposição de sua falibilidade. No entanto, um ataque mais sutil que também permeou boa parte da História da Igreja, é a concepção ainda que muitas vezes velada, de que as Escrituras não são suficientes para nos dirigir e orientar.
Como temos enfatizado, a Reforma teve como uma de suas características principais, a ênfase na pregação da Palavra. “A Reforma foi antes de tudo uma proclamação positiva do evangelho Cristão”, resume Leith (1919-2002).[17]
Mais abaixo vou tratar de modo mais detalhado a compreensão de Calvino a respeito deste ponto: O Espírito como autenticador da Palavra.
3.5. Reconhecimento do Cânon
O Espírito não encerrou o seu Ministério Escriturístico na Inspiração e no registro da Bíblia. Cremos que Ele continuou guiando o seu povo à verdade (Jo 16.13), fazendo isto de forma evidente, no 3º Sínodo de Cartago (397), quando foi oficialmente reconhecido o Cânon[18] Bíblico, como temos hoje. .
Algo mais deve ser dito a respeito desse ponto. Como o leitor poderá ter percebido, ao falarmos do Cânon bíblico usamos sempre o termo “reconhecimento”, não “estabelecimento”, isto porque o Cânon não foi estabelecido por um decreto, ou por vontade de um Concílio independentemente de uma visão histórica ou por uma alegada e infundada autoridade de uma igreja. O que de fato aconteceu foi o reconhecimento oficial do que era uma prática comum, a aceitação dos 27 livros do Novo Testamento como Palavra de Deus[19] – com algumas exceções, diga-se de passagem, e, mesmo assim, apenas em determinadas regiões.
Assim, considero Cartago como a oficialização – indiscutivelmente relevante – da prática eclesiástica, não como um marco iniciador de um processo surgido na mente de alguns homens. O cânon eclesiástico jamais poderia ter imposto. Ele dependeria, no mínimo, da aceitação majoritária da Igreja para que pudesse prevalecer, como de fato prevaleceu.
Nesse sentido, escreve Bruce (1910-1990):
Uma coisa precisa ser afirmada com toda ênfase: Os livros do Novo Testamento não se fizeram possuídos de autoridade para a Igreja pelo fato de virem a ser formalmente incluídos em uma lista canônica; pelo contrário, a Igreja incluiu-os no cânon porque já os havia por divinamente inspirados, reconhecendo-lhes o valor inato e a autoridade apostólica, direta ou indireta. Os primeiros concílios eclesiásticos a classificar os livros canônicos se realizaram ambos na África do Norte – em Hipona Régia, em 393, e em Cartago, em 397 – mas a ação desses concílios de modo algum representa a imposição de algo de novo às existentes comunidades cristãs, pelo contrário, simples codificação do que já era prática geral, corrente nessas comunidades.[20]
Tenney (1904-1985) acrescenta:
Os concílios que discutiram o cânon só tiveram lugar no quarto século, e nessa altura o Novo Testamento já se tornara as Escrituras da Igreja.
O cânon, portanto, não é produto do critério arbitrário de qualquer pessoa, nem foi determinado por voto conciliar. Resultou do emprego dos vários escritos que provavam o seu mérito e a sua unidade pelo seu dinamismo interno. Alguns foram reconhecidos mais lentamente do que outros devido ao seu pouco tamanho, ou devido ao caráter remoto ou particular do seu destino ou à anonimidade de autoria, ou devido ainda à aparente falta de aplicabilidade a necessidades eclesiásticas imediatas. Nenhum destes fatores milita contra a inspiração de qualquer destes livros ou contra o seu direito de ter um luar na palavra autorizada de Deus.[21]
De fato, a Igreja não criou os livros do cânon nem os conferiu autoridade; apenas deu testemunho de uma verdade há muito amplamente partilhada pelos cristãos.[22] Nesse sentido, o Espírito conduziu o seu povo à verdade![23]
Aliás, qual o valor e importância de Deus providencialmente ter assistido os escritores bíblicos no fiel registro de sua Palavra, preservado milhares de manuscritos e fragmentos para depois, deixar isso totalmente entregue ao arbítrio do homem ao longo da história? Seria uma perda de tempo enorme. Se assim ocorresse nós hoje já não mais teríamos a Escritura infalível como temos. Mas, o fato bíblico é que Deus em sua maravilhosa Providência conservou a sua Palavra e a conduz dentro de seu propósito eterno.
O Espírito continua hoje aplicando a verdade bíblica aos nossos corações. O conhecimento de Deus e da sua Palavra não visa satisfazer a nosso desejo descompromissado por informações, mas, sim, conduzir-nos a Ele em adoração e louvor: A Escritura é perfeita em seu propósito!
A Bíblia foi-nos confiada a fim de que, mediante a iluminação do Espírito Santo, sejamos conduzidos a Jesus Cristo (Jo 5.39/Lc 24.27,44), sendo Ele mesmo quem nos leva ao Pai (Jo 14.6-15; 1Tm 2.5; 1Pe 3.18) e nos dá vida abundante (Jo 10.10; Cl 3.4). Por isso, “ao estudarmos Deus, devemos procurar ser conduzidos a Ele. A revelação nos foi dada com esse propósito e devemos usá-la com essa finalidade”, orienta-nos Packer (1926-2020).[24]
As palavras de Kuyper (1837-1920) sintetizam bem que vimos até agora: “Aquele que fez com que as Escrituras Sagradas fossem escritas é o mesmo que nos ensina a lê-la. Sem ele, esse produto de arte divina não pode nos afetar”.[25]
A pura e atual Palavra de Deus
Por isso, para nós, somente a Palavra de Deus é a fonte conservada pura, inerrante e infalível de todo o pensar e proceder cristão.[26] Ela é pura, não sofreu influência dos desvios históricos no campo ético, filosófico, comportamental. A Bíblia, e somente ela, é a Palavra pura de Deus para todos os homens.
Não há segundas intenções, misturas, enganos. A Lei do Senhor estabelece com clareza o que Deus requer de nós, alertando-nos inclusive quanto aos riscos de nossa desobediência.
Paulo, por exemplo, no NT., escreveu com amplo conhecimento de causa: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12).
Embasado nessas e em outras excelências da Palavra de Deus é que o salmista declara: “Admiráveis (al,P,) (pele) (= maravilhosos) são os teus testemunhos (tWd[e) (‘eduth) (= estatutos, estipulações);[27] por isso, a minha alma os observa (rc;n”) (natsar) (= guarda, preserva)” (Sl 119.129).
Este reconhecimento manifesta-se no seu respeito para com a Palavra: “Meditarei nos teus preceitos (dWQP) (piqqud) (= Estatutos), e às tuas veredas, terei respeito” (Sl 119.15).
O salmista também encontra na retidão dos juízos de Deus motivo para ação de graças: “Levanto-me à meia-noite para te dar graças, por causa dos teus retos juízos” (Sl 119.62).
Muitas vezes nos acostumamos tanto com o fato de que possuímos a Bíblia, a Palavra de Deus, que não lhe tributamos o valor devido. O convívio pode gerar em nós um senso de proximidade reverente; o que é altamente desejável. Mas, de forma desviante, pode produzir uma banalização do que é próximo, perdendo, assim, a dimensão de sua grandeza e, nesse caso, majestade.
De que forma nos aproximamos das Escrituras? Como a lemos? Como uma bem obra de literatura mas, sendo o produto da genialidade humana? Ou como a Palavra de Deus dirigida pessoalmente a mim?
A Palavra pura de Deus é conservada assim. É perfeitamente confiável em todos os aspectos.[28]
Portanto, não podemos lê-la como um livro qualquer. Ela é Palavra verdadeira e pura, sem contaminação, de Deus para nós.
É preciso ler e meditar nas Escrituras. Nem sempre a nossa compreensão é alcançada de modo imediato. Por isso, precisamos de leitura, meditação e oração.
Deus age por meio de sua Palavra, que é a expressão da excelência divina. Louvemos ao Senhor por sua Palavra preservada e peçamos que Ele, o Autor da Escritura, nos conceda discernimento para compreendê-la e praticá-la conforme a sua vontade.
Nosso Senhor, que fez registrar a sua Palavra e a preservou com integridade e pureza, nos dá o Espírito para que a leiamos com fé e discernimento.
Voltaremos a tratar desse assunto quando nos detivermos no tema da meditação.
Esse Senhor é o nosso Pastor. Sob sua segura e amorosa direção, nada nos faltará.
Maringá, 24 de Julho de 2026.
Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa
[1]Santo Agostinho, Questionum in Heptateuchum. 2.73. (https://www.augustinus.it/latino/questioni_ettateuco/index2.htm) (Consulta feita em 02.11.2023).
[2] H.H. Meeter, La Iglesia y El Estado, 3. ed. Grand Rapids, Michigan: TELL. [s.d.], p. 28.
[3] Cf. Abraham Kuyper, A Obra do Espírito Santo, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 110.
[4] Vejam-se: J. Calvino, As Institutas, 1.6.4; João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 3.15), p. 98; Confissão de Westminster, I.1.
[5] “Se o conhecimento de Deus foi revelado por ele mesmo em sua palavra, ele não pode conter elementos contraditórios ou estar em conflito com aquilo que se sabe de Deus a partir da natureza e da história. Os pensamentos de Deus não podem se opor uns aos outros e, assim, necessariamente formam uma unidade orgânica” (Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 1, p. 44).
[6] Cf. B.B. Warfield, A Inspiração e autoridade da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 60ss. “Nossa teologia deveria ser formada tanto pela Bíblia quanto pela natureza. As duas vêm da mesma fonte revelatória, o próprio Deus. As duas revelações não entram em conflito; elas refletem a harmonia das autorrevelações de Deus” (R.C. Sproul, O que é a teologia reformada: seus fundamentos e pontos principais de sua soteriologia, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 11). Veja-se também: C.H. Spurgeon, El Tesoro de David, Barcelona: CLIE. [1989], v. 1, [Sl 19], p. 127).
[7]I. Calvini: In: Herman J. Selderhuis, ed. Calvini Opera Database 1.0. Netherlands: Instituut voor Reformatieonderzoek, 2005, v. 26, col. 281. Do mesmo modo: João Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, [Hb 11.3], p. 300-301; João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1996, [1Co 1.21], p. 63; John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1996 (Reprinted), v. 1, p. 64. Vejam-se também as definições de Warfield e Berkhof (B.B. Warfield, The Biblical Idea of Revelation: In: The Inspiration of the Bible, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (The Work’s of Benjamin B. Warfield), 2000 (Reprinted), v. 1, p. 6; L. Berkhof, Teologia Sistemática, Campinas, SP: Luz para o Caminho, 1990, p. 39).
[8] D.M. Lloyd-Jones, Sermões Evangelísticos, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1989, p. 30.
[9]J.I. Packer, O Plano de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, [s.d.], p. 14-15.
[10]Leia as perguntas 1 e 2 do Catecismo Menor de Westminster.
[11]John Owen, A Glória de Cristo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1989, p. 13.
[12] Thomas Watson, A Fé Cristã: estudos baseados no Breve Catecismo de Westminster, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 44.
[13] João Calvino, As Institutas, [2022] III.2.33.
[14]Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 1, p. 439.
[15]Veja-se: John MacArthur, Por que ainda prego a Bíblia após quarenta anos de ministério: In: Mark Dever, ed. A Pregação da Cruz, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 135.
[16] “Os ataques contra a Palavra de Deus são tão antigos como a história do homem decaído” (Iain Murray, Como a Escócia perdeu sua firmeza na Palavra: In: John F. MacArthur, org. A Palavra Inerrante, São Paulo: Cultura Cristã, 2018, [p. 149-171], p. 149).
[17] John H. Leith, A Tradição Reformada: Uma maneira de ser a comunidade cristã, p. 36.
[18] A palavra “cânon” é derivada de uma raiz semítica (Assírio: Qanû, Ugarítico: Qn, Hebraico: hunfQ (Qâneh). “Qâneh” ocorre 61vezes no Antigo Testamento e, é sempre empregada no sentido literal (Vejam-se: 1Rs 14.15; Jó 40.21; Is 36.6; 42.3: Ez 40.3,5,6,7), significando “cana” (planta que era usada para medir e pautar), “balança” (Is 46.6) e, também “a cana para trançar os cestos, ou o bastão reto”. A palavra grega Kanw/n (kanõn) é derivada da raiz hebraica “Qâneh”; e, a portuguesa “cânon”, é proveniente do grego, passando pelo latim “canon”.
[19] Ver: J.N.D. Kelly, Doutrinas Centrais da Fé Cristã: origem e desenvolvimento, São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 44ss. Ainda que nebuloso neste ponto, McGrath reconhece a importância do termo “reconhecimento” (Veja-se: Alister E. McGrath, A Revolução Protestante, Brasília, DF.: Editora Palavra, 2012, p. 207-208).
[20] F. F. Bruce, Merece Confiança o Novo Testamento?, São Paulo: Junta Editorial Cristã, 1965, p. 36. (Ver também: F. F. Bruce, The New Testament Documents, London: The Inter-Varsity Fellowship, 1966, p. 27). De modo semelhante diz Hale (1928-2019): “Jamais se convocou um concílio geral para definir o cânon do Novo Testamento. Contudo, os concílios subsequentes, até Atanásio, confirmaram o que pareceu ter sido aceito” (B.D. Hale, Introdução ao Estudo do Novo Testamento, Rio de Janeiro: JUERP. 1983, p. 34). Harrison: “Às vezes tem-se dito que o cânon deriva tanto sua forma como sua autoridade dos concílios eclesiásticos, como se a igreja não houvesse reconhecido a Escritura antes da ação destes. Não é assim. O que os concílios fizeram foi certificar o cânon que era amplamente reconhecido na igreja. A ação conciliar não redigiu pela primeira vez uma regra de fé e prática, senão que deu um testemunho público e unido daquilo que a Igreja, desde muito tempo, havia reconhecido, usado e entesourado como seu guia autorizado. Isto se faz mui evidente a partir dos testemunhos patrísticos. […] Só nos casos de livros em disputa poderia considerar-se como legislativa a ação conciliar, em tais casos só como porta-voz da maioria que havia aceitado estes livros como Escritura” (E. F. Harrison, Introducción al Nuevo Testamento, Grand Rapids, Michigan: Subcomision Literatura Cristiana, 1980, p. 104). (Ver também, Ibidem., p. 108; B. M. Metzger, The New Testament: its Background, Growth, and Content, 2. ed. (enlarged), Nashiville, Abingdon Press, 1992, p. 276; Oscar Cullmann, A Formação do Novo Testamento, São Leopoldo, RS.: Sinodal, 1979, p. 115; John R. W Stott, Eu Creio na Pregação, São Paulo: Editora Vida, 2003, p. 105).
[21] M. C. Tenney, O Novo Testamento: Sua Origem e Análise, 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1972, p. 438 e 440. “No processo de finalizar o cânon da Escritura, a igreja usou uma palavra latina, recipemus, que significa “nós recebemos”. Isto indica que a igreja não foi tão arrogante ao ponto de afirmar que estava criando o cânon ou que o cânon recebia sua autoridade da igreja. Em vez disso, a igreja reconheceu que os livros do cânon tinham autoridade normativa sobre todos. Se Deus aparecesse para mim hoje e eu lhe pedisse que comprovasse sua identidade como Deus; e se ele fizesse isso de um modo que só me restaria curvar-me diante de sua autoridade, a minha aquiescência à sua autoridade não lhe daria qualquer autoridade que ele ainda não tivesse. Eu apenas reconheceria a autoridade que Deus já possuía antes mesmo de eu me curvar. Isso foi exatamente o que a igreja fez nos primeiros séculos, quando esteve envolvida no processo de reconhecer formalmente o cânon da Escritura” (R.C. Sproul, Somos todos teólogos: uma introdução à teologia, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2017, p. 72-73).
[22] “A igreja, porém, não fez com que o cânon ou mesmo um só livro fosse inspirado, mas apenas reconheceu e confessou aquilo que, há muito tempo, tinha sido estabelecido e tinha autoridade como um escrito canônico na igreja” (Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 1, p. 428).
[23] Bruce (1910-1990) acentuou corretamente que: “A posição cristã histórica é que o Espírito Santo, que presidiu à formação de cada um dos livros, também lhes dirigiu a seleção e incorporação, continuando assim a dar cumprimento à promessa do Senhor de que ele guiaria os discípulos a toda verdade.” (F. F. Bruce, Merece Confiança o Novo Testamento?, p. 29). O autor demonstra que a aceitação deste princípio, que se discerne através da “percepção espiritual”, não exclui a pesquisa histórica, com o que eu concordo inteiramente.
[24]J.I. Packer, O Conhecimento de Deus, p. 15.
[25]Abraham Kuyper, A Obra do Espírito Santo, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 113.
[26]“A Bíblia é a Palavra de Deus através das palavras dos homens, falada por meio da boca humana e escrita por meio de mãos humanas” (John Stott, Eu Creio na Pregação, São Paulo: Editora Vida, 2003, p. 103).
[27] De modo pactual confirma e adverte quanto à natureza de Deus, à veracidade e seriedade das exigências da Lei de Deus enfatizando a Aliança. Deus dá testemunho de si mesmo (Ex 25.16-22). A lei de Deus é seu testemunho porque ela é a própria afirmação divina acerca de sua própria pessoa e de seu propósito” (Carl Schultz, Ud: In: R. Laird Harris, et. al. eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1085). Os estatutos de Deus, em forma de advertência, apontam para a responsabilidade de obediência devida por parte do povo de Deus.
[28] Kevin DeYoung, Levando Deus a sério, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2014, p. 18.
