Tentando pensar e viver como um Reformado: Reflexões de um estrangeiro residente – Parte 3

1 – Pressupostos e Percepções[1]

 

As pessoas agem de acordo com a sua visão de mundo. (…) De maneira que pensa, um homem é. ‒ Francis Schaeffer (1912-1984).[2]

Um falso deus leva à formação de uma falsa cosmovisão. ‒ Nancy Pearcey.[3]

Vivemos a nossa cosmovisão ou ela não é a nossa cosmovisão” – James W. Sire (1933-2018).[4]

 

Qual é a matriz de nosso pensamento? Queiramos ou não, gostemos ou não, temos matrizes que conferem determinado sentido à realidade por ela ser percebida como tal.

A realidade é o que é, no entanto, nós a percebemos mediante contornos conferidos e mediados por nossa experiência, sob à égide de nossa limitação, tendo um ingrediente fundamental que nunca devemos esquecer; o pecado, que é um fator que marca todas as nossas compreensões e ações.

 

Lugar social e epistemologia

O nosso lugar social privilegia a nossa percepção. O que nos privilegia também nos delimita. A proximidade do objeto nos confere a observação de certas particularidades, porém, certamente perdemos aspectos de sua abrangência.

A distância, por sua vez, pode nos oferecer um quadro mais amplo, porém, determinadas particularidades se tornam mais difíceis de serem percebidas.

Uma visão conjunta, considerando as visões diferentes e complementares de pessoas, lugares e épocas diferentes, ainda que não esgotem o fenômeno, podem nos ajudar a obter uma compreensão mais rica e completa.[5]  Contudo, permanece o fato: Não somos oniscientes. Conhecemos por mediações que conjugadas ampliam a nossa visão, minimizam os erros e omissões, porém, são mediações que também são limitadas. Somente Deus conhece toda a realidade de forma mediata porque tudo lhe é derivado; nada tem existência própria e independente da manutenção de Deus

No que acreditamos, de certa forma, determina a construção de nossa identidade. Isto é válido dentro de uma perspectiva cultural como individual. Cada época é caracterizada por determinadas crenças as quais moldam a sua visão de mundo.[6]

O fato que nos parece contundente, é que todos temos a nossa filosofia, adequada ou, não, de vida.[7] Esta filosofia é a nossa cosmovisão.[8] É esta cosmovisão que nos permite ser como somos, e fornece elementos de padronização para a nossa cultura por meio de nossa assimilação e exteriorização.

Schaeffer (1912-1984) está correto ao declarar que “as ideias nunca são neutras ou abstratas. Têm consequências na maneira como vivemos e agimos em nossa vida pessoal e na cultura como um todo”.[9] Cosmovisão é algo inescapável ao ser humano. Todos a temos.[10] Por sua vez, toda cosmovisão, consciente ou não, tem uma matriz ontológica que traz consequências epistemológicas que são determinantes para a nossa vida e conduta.

A nossa forma de aproximação do objeto já indica onde estamos. Em certa ocasião, vi parte de um filme no qual o criminoso foi fotografado enquanto assassinava sua vítima. Quando o fotógrafo o procurou com a prova de seu crime, o assassino observando o ângulo da foto, lhe disse em qual prédio e andar ele estava, no momento do clique. Digamos assim: vemos o que vemos e como vemos pelo andar e janela onde nos encontramos. A partir daí, podemos até dizer em que tipo de construção intelectual estamos abrigados. O fato é que não dispomos de todos os ângulos. E, mesmo que tivéssemos, há um ser subjetivo que examina. Este é mais ângulo.

Todo conhecimento parte de um pré-conhecimento que é-nos fornecido pela nossa condição ontologicamente finita e pelas circunstâncias temporais, geográficas, intelectuais e sociais dentro das quais construímos as nossas estruturas de conhecimento. Afinal, a humanidade atesta a sua humanidade. A criatura demonstra a sua condição. Não existe neutralidade existencial nem epistemológica[11] porque, de fato, não há neutralidade ontológica.[12]

Esta realidade pré-julgadora na maioria das vezes nos é imperceptível. O que pensamos determina a nossa visão e compreensão do objeto. Numa relação de conhecimento, o cérebro influencia mais o olho do que o olho ao cérebro. É por isso que a visão que tenho, ainda que tenha um forte elemento referente, é minha visão, com suas particularidades.[13]

 

Essência e existência

Só existe possibilidade de conhecimento porque, entre outras coisas, antes de percebermos, há um objeto referente que, por existir, possibilita o conhecer. Deste modo, o ser antecede ao sujeito que conhece e, portanto, ao próprio conhecer.

Somente em Deus, há a perfeita harmonia e coexistência entre o ser e o conhecer. Em Deus, unicamente, e de forma objetiva, o conhecer antecede ao ser visto que quando Deus cria, Ele o faz de forma perfeita e exata como viu e determinou que faria no “tempo” determinado por Ele. Em Deus há uma relação perfeita entre determinação e execução. Após a criação do ser, a relação passa a ser concomitante: ser-conhecer.

Somente Deus que é tudo em si e de si mesmo (a se), e independente de todas as coisas (“asseidade”) − é o autotheós e autopoderoso (Ex 3.14) −, pode mudar a essência das coisas.

Nós lidamos com experiências do existir mudando, adaptando e transformando aspectos da realidade conforme Deus nos permite. Assim temos, como exemplo, a química, que na mistura de elementos forma um terceiro que nunca deixará de ser a mistura de outros.

Em nossa finitude, a essência precede à experiência, e esta, modela a nossa cosmovisão. Fazer uma inversão aqui seria algo avassalador para a nossa epistemologia e, consequentemente, para a nossa práxis.

Somos em muitos sentidos parte de um produto cultural, filhos de uma geração com uma série de valores que determinam em grande parte as nossas pré-compreensões. Não podemos ter a pretensão de nos colocar sobre a história, como se dela não fizéssemos parte de forma determinada e determinante. Somente Deus desfruta dessa condição justamente por ser Deus.

Valendo-se de uma figura de Aristóteles (384-322 a.C.), Mohler faz uma aplicação interessante e elucidativa:

A última criatura a quem você deveria perguntar como é se sentir molhado é a um peixe, porque ele não faz ideia de que esteja molhado. Uma vez que nunca esteve seco, ele não tem um ponto de referência. Assim somos nós, quando se trata de cultura. Somos como peixes no sentido de que não temos sequer a capacidade de reconhecer onde a nossa cultura nos influencia. Desde a época em que estávamos no berço, a cultura tem formado nossas esperanças, perspectivas, sistemas de significado e interpretação, e até mesmo nossos instrumentos intelectuais.[14]

Portanto, a realidade se mostra a nós com contornos próprios delineados, não, simplesmente, pelo que ela é, mas também pelos nossos olhos que a enxergam e pinçam fragmentos dela, conferindo-lhes novas configurações com cores mais ou menos vivas, e atribui-lhes valores muitas vezes bastante distintos dos reais.

Essas escolhas e interpretações passam por condicionantes culturais, obviamente, entre outros, tão naturais que nós não os discernimos e, por isso, não os definimos visto que nem sequer são percebidos.

Muitas vezes o conceito antecede ao fato e, por isso mesmo, enxergamos o fato a partir do conceito. Assim, coitado do fato, se o conceito for diferente… Nesses casos, a visão que temos, deixou de ser uma visão para receber o status de paradigma ou, se quiserem, de realidade.[15] Por isso, é necessário sempre uma boa dose de ceticismo na avaliação dos fatos ou o que nos fatos nos chegam.

Voltamos, portanto, à figura do peixe que não sabe que esteja molhado.[16]

O teólogo não escapa desses condicionantes, como bem observou McGrath:

O teólogo, juntamente com todos os outros habitantes do fluxo da história, encontra-se dentro de uma tradição – um conjunto de símbolos, valores e pré-compreensões herdados que estabelece uma cosmovisão e funciona como uma estrutura para a comunicação em que o passado, de forma obstinada, se impõe ao presente.[17]

As nossas ênfases revelam não, simplesmente, os nossos pensamentos e valores como também aspectos da realidade como os percebemos. A concatenação de nossas ideias e a estruturação de prioridades, dentro da fluidez histórica, assumem aspectos relativos. Deste modo, por exemplo, quando lemos um autor devemos entender também o seu tempo, a sua forma de pensar e os pontos que visava destruir, consolidar ou mesmo transformar.

Toda obra é, de certa forma, dialogal, explícita ou implicitamente.[18] Portanto, ninguém pode se ufanar de passar incólume por este processo. Cada época nos diz algo de seus atores e, cada ator histórico nos fala direta ou indiretamente do cenário que o inspira, dentro do qual ele foi criado e, de certa forma, delimita a sua própria percepção da realidade.

Quando não percebemos esses aspectos, tendemos a ser extremamente rigorosos em nossos julgamentos ou facilmente somos conduzidos a cometer anacronismos injustificados. Isto se dá, especialmente, quando lemos autores de séculos anteriores ao nosso que, além da distância temporal, viveram em outro continente, com valores próprios, percepções delimitadas pela sua época, tendo que se deparar com desafios gigantescos alguns dos quais são quase que imperceptíveis em nossa época.

Aí surge o nosso problema: é impossível ter todas as visões; a nossa, além de vários condicionantes, é feita a partir de nossa época, sob o feitiço de nossos valores e concepções os quais, por si só, já produzem um pré-conhecimento.

O anacronismo condenatório é fácil de ser praticado e extremamente difícil de ser percebido por quem o exerce. Deste modo, a consciência destas questões deve produzir em nós um salutar sentido de limitação e, portanto, de maior prudência em nossos juízos, reconhecendo que a nossa época, dentro da qual estamos inseridos e mais cativos do que imaginamos, tem as suas paixões e feitiços – plenamente justificados, diga-se de passagem, pelos seus cidadãos bem socializados, ou seja, aculturados –, assim como a de nossos personagens analisados. O que torna a nossa visão melhor do que a deles? Talvez seja a própria história que constantemente nos fornece um leque mais amplo e ilustrativo de fracassos da humanidade…

Nash (1936-2006) parece-nos correto em sua observação: “A obtenção de maior consciência de nossa cosmovisão pessoal é uma das coisas mais importantes que podemos fazer, e compreender a cosmovisão de outros é algo essencial para o entendimento que os torna distintos”.[19]

***

Pressupostos conhecidos e ignorados: sua “contaminação”

Como sabemos, todos trabalham com os seus pressupostos,[20] explícitos ou não, consistentes ou não, plenamente conscientes deles ou apenas parcialmente.[21] Como as raízes de nosso pensamento estão fundadas em nosso coração, o centro vital do ser humano,[22] nem sempre temos clareza intelectual quanto à direção que seguimos visto que o nosso perceber é influenciado pelo nosso sentir sem que este indique de forma objetiva a sua presença.

Cosmovisão é algo mais ou menos profundo, contudo, sempre passa pelo nosso coração![23] O que alimenta e satisfaz o coração determina a nossa compreensão e ação. Erradicar alguns ídolos de nosso coração é tarefa por demais dolorosa, começando pela dificuldade em identificá-los.

Os pressupostos, com toda a complexidade inerente, constituem-se na janela (quadro de referência) por meio da qual vejo a realidade. O difícil é identificar a nossa janela, ainda que sem ela nada enxerguemos.[24] Assim, falar sobre a nossa cosmovisão,[25] além de ser difícil verbalizá-la, é paradoxalmente desnecessário. Parece que há um pacto involuntário de silêncio que aponta para um suposto conhecimento comum: todos “sabemos” a nossa cosmovisão.[26] Deste modo, só falamos, se falamos e quando falamos de nossa cosmovisão, é para os outros, os estranhos, não iniciados em nossa forma de pensar.

Sire resume bem isso:

Uma cosmovisão é composta de um conjunto de pressuposições básicas, mais ou menos, consistentes umas com as outras, mais ou menos, verdadeiras. Em geral, não costumam ser questionadas por nós mesmos, raramente ou nunca, são mencionadas por nossos amigos, e são apenas lembradas quando somos desafiados por um estrangeiro de outro universo ideológico.[27]

          Em outra de suas obras, Sire refina a definição anterior:

Cosmovisão é um compromisso, uma orientação fundamental do coração que pode ser expresso como uma estória ou num conjunto de pressuposições (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou totalmente falsas) que sustentamos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade, e que fornece o fundamento no qual vivemos, nos movemos e existimos.[28]

O conhecimento, seja em que nível for, não ocorre num vácuo asséptico conceitual quer seja religioso, quer filosófico, quer cultural.[29] A nossa percepção e ação fundamentam-se em nossos pressupostos os quais são reforçados, transformados, lapidados, ou abandonados em prol de outros, conforme a nossa percepção dos “fatos”.

 

Dando volta na árvore

A questão epistemológica antecede à práxis. Contudo como nos aprofundar no campo intelectual se abandonamos as questões epistemológicas? As palavras de  Machen (1881-1937) no início do século XX não se tornam ainda mais eloquentes na atualidade?: “A igreja está hoje perecendo por falta de pensamento, não por excesso do mesmo”.[30]

Há sempre o perigo de nos tornarmos cativos de nossa perspectiva e, portanto, da nossa percepção.[31] Como, obviamente, não conseguimos ter “todas as visões”, permanecemos, de certo modo, cativos de nossa perspectiva.[32] Em outros termos: prisioneiros de nossa percepção. Daí, a importância básica de conhecer e avaliar outras percepções.

“Até para obtermos uma boa compreensão de uma árvore, precisamos contorná-la  e a observarmos de vários ângulos”, alerta-nos Frame.[33] Diria mais: A árvore nunca nos parecerá a mesma da volta anterior.

A assimilação de outras perspectivas, limitadas, sem dúvida como a nossa, certamente, nos fornecerá uma visão mais abrangente e completa, ainda que limitada, da realidade.

 

Revisitando a nossa cosmovisão: Prazer em conhecê-la

Nem sempre é fácil submeter os nossos valores ao rigor daquilo que cremos. Como o cientista tem dificuldade em revisitar os seus paradigmas, nós também temos dificuldade em rever a nossa cosmovisão.

É muito difícil – talvez por ser doloroso demais – aplicar e avaliar em nosso próprio sistema as implicações do que sustentamos. Podemos, sem nos darmos conta, nos ferir com as nossas próprias armas que julgávamos serem bisturis. Aliás, o mau uso do bisturi pode ser fatal, assim como o “fogo amigo” nas guerras. O antidogmatismo pode se constituir num dogma acima de qualquer suspeita e possibilidade de verificação.

A nossa cosmovisão não deve servir apenas – aliás, um “apenas” injustificável em si mesmo – para um exibicionismo pretensamente acadêmico, ufanismo ignorante, ou mesmo como demarcação de terreno onde nada se sucede, exceto a presunção compartilhada e demarcada por outras cosmovisões.

 

Cosmovisão comprometida

A nossa cosmovisão consciente deve estar comprometida com a busca de coerência perceptiva e existencial.[34] Isso nós chamamos de integridade; o não esfacelamento condescendente e excludente daquilo que cremos, falamos e fazemos.

Ainda que não haja a ideia de orgulho meritório na fé,[35] ela é responsável pelo nosso agir e pensar. “A fé não concerne a um setor particular da vida denominado religioso, ela se aplica à existência em sua totalidade”.[36]   Contudo, a fé biblicamente orientanda não pode ser autorreferente. Ela não pode se contentar em uma suposta relação mística com Deus e uma ética construída a partir de suas preferências e gosto pessoal. A verdadeira fé parte da Palavra e para lá se direciona. A fé que se basta é uma contradição de termos visto que seria apenas uma boa obra humana produzida pela suposta capacidade autossuficiente de seu possuidor.[37]

Por buscarmos a coerência do crer e viver ‒ daí a extrema importância de uma fé inquiridora ‒[38] há compromissos sérios entre o que cremos e como agimos. Um distanciamento consciente e docemente acalentado e justificado entre o crer e o fazer, produz uma esquizofrenia intelectual, emocional e espiritual, cuja solução definitiva envolverá um destes caminhos: ou mudar a nossa crença, ou abandonar a nossa práxis.

Para o cristão, cosmovisão é compromisso de fé e prática. E, como diz Lloyd-Jones: “A fé cristã não é algo que se manifeste à superfície da vida de um homem, não é meramente uma espécie de camada de verniz. Não, mas é algo que está sucedendo no âmago mesmo de sua personalidade”.[39]

Como temos insistido, somos o que cremos – pelo menos, esta deve ser a nossa atitude cotidiana: esforçar-nos por viver conforme aprendemos nas Escrituras. A nossa fé tem implicações decisivas e fundamentais em nossa existência a começar aqui e agora. Fé cristã é crer de tal modo que buscamos transformar a nossa vida num reflexo daquilo que acreditamos.

 

Cosmovisão, realidade concreta e integridade

Nash parece-nos oportuno aqui:

Cosmovisões deveriam não apenas ser testadas em uma aula de filosofia, mas também no laboratório da vida. Uma coisa é uma cosmovisão passar no teste teórico (razão e experiência); outra é passar no teste prático. As pessoas que professam uma cosmovisão podem viver consistentemente em harmonia com o sistema que professam? Ou descobriremos que elas foram forçadas a viver segundo crenças emprestadas de sistemas concorrentes? Tal descoberta, eu acho, deveria, produzir mais do que embaraço.[40]

O caminho para sermos íntegros ‒ inteiros e não fragmentados ‒ é buscar a instrução na Palavra perfeita do Senhor. Devemos buscar o caminho da perfeição.

Davi relata o seu sincero projeto de reinado: obediência a Deus. Em outras palavras; seguir com discernimento e integridade o perfeito caminho do Senhor: Atentarei sabiamente (lk;f’) (sakal)[41] ao caminho da perfeição (~ymiT’) (tamiym).[42] Oh! Quando virás ter comigo? Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero (~To)(tom)[43]” (Sl 101.2).

A vida cristã envolve necessária e essencialmente integridade. Integridade significa busca da verdade, compreensão e vida. Nenhum de nós é absolutamente íntegro, contudo é impossível ser cristão sem esta busca de todo coração.[44]

Contudo cabe aqui uma observação. Por falta de uma percepção mais clara, podemos ser íntegros para com aquilo que não tem integridade. Em outras palavras, podemos ser totalmente sinceros em relação ao erro por não percebermos o nosso equívoco.

Ainda que preservar a nossa integridade seja um princípio bíblico, quando a mantemos depositada em algo de consistência duvidosa, frágil,  movediça e enganosa, pode trazer grande frustração e dor. Nesse caso, a evidência de nossa integridade autêntica é o compromisso com a verdade de Deus, não com nossos compromissos que se mostraram equivocados. Portanto, quando for o caso, será necessário reestruturar o nosso compromisso de fé.

Pense no ardor do jovem Saulo em perseguir a Igreja de Deus pensando justamente estar prestando um serviço que glorificasse a este mesmo Deus. Quanta dor e sofrimento ele causou a inúmeros cristãos sinceros e, a ele mesmo.

O maravilhoso dessa história tão ilustrativa da vida cristã, é que quando, por graça, descobriu o seu equívoco e, foi convertido ao Senhor, passou a pregar  a Palavra, com fidelidade e inteireza de coração, ensinando ser Jesus o Cristo e Senhor (At 9; 22; 26; 1Co 15.9).

O fato é que todos nós construímos, conscientemente ou não, a nossa casa, a nossa vida, sobre pressuposições, sobre nossas crenças. A questão é se estas crenças suportarão as intempéries próprias da existência,[45] marcada por paixões, equívocos e insucessos.

A nossa chave epistemológica é a Escritura. Portanto, a nossa cosmovisão partindo de uma perspectiva, assim, nos conduzirá naturalmente de volta a Deus.[46] A fé cristã se propõe a dar o foco correto à realidade que, em nossa miopia, limitação visual, temor da realidade concreta e, também, na desorganização dos fenômenos, tudo parecia ser sem sentido.[47]

A fé cristã fundamentada nas Escrituras, oferece-nos um escopo do que Deus deseja de nós e, nos fala qual é o propósito de nossa existência em todas as suas esferas.[48]

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

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[1]Vejam-se: Hermisten M. P. Costa, A necessidade e a importância da Teologia Sistemática. In: Franklin Ferreira, ed. A Glória da Graça de Deus: ensaios em honra a J. Richard Denham Jr, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2010, p. 239-262; Hermisten M.P. Costa, Fundamentos pressuposicionais da Teologia Reformada, Goiânia, GO.: Editora Cruz, 2022, p. 70-77).

[2] Francis A. Schaeffer, Como Viveremos? São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 144.

[3]Nancy Pearcey, Verdade Absoluta: libertando o cristianismo de seu cativeiro cultural, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2006, p. 46.

[4]James W. Sire, Dando nome ao elefante: Cosmovisão como um conceito, Brasília, DF.: Monergismo, 2012, p. 195.

[5]Sire, em Prefácio à Edição Brasileira, à obra de Nash, disse o seguinte:

“Se realmente conhecermos a nossa própria cosmovisão, se soubermos como ela pode ser comparada a outras cosmovisões e por que confiamos que a nossa é verdadeira, estaremos preparados para nos mover com mais profundidade não só no conhecimento e na compreensão de Deus, mas também no conhecimento das coisas  mais importantes da realidade como um todo” (James Sire em Prefácio à Edição Brasileira da obra de  Ronald H.  Nash, Cosmovisões em Conflito: escolhendo o Cristianismo em um mundo de ideias,  Brasília, DF.: Monergismo, 2012, p. 11).

“Não se pode ver claramente qualquer aspecto de uma época, por mais que se examine, até que se esteja fora desse período e se possa medi-lo por padrões não limitados a ele. O conhecimento da tradição cristã através dos séculos e das culturas dá essa capacidade com relação a todas as questões que preocupam o cristão dos dias atuais. Embora nunca consigamos ser absolutamente objetivos, podemos ser ajudados no exame de nossas pressuposições contemporâneas pelos exames feitos em outras épocas” (J.I. Packer, O Conforto do Conservadorismo: In: Michael Horton, ed. Religião de Poder, São Paulo; Cultura Cristã, 1998, p. 237).

[6]Veja-se: Alister E. McGrath, Fundamentos do Diálogo entre Ciência e Religião, São Paulo: Loyola, 2005, p. 19.

[7]Veja-se: J.P. Moreland; William L. Craig, Filosofia e Cosmovisão Cristã, São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 27-28.

[8] “Uma cosmovisão é uma série de crenças, um sistema de pensamentos, sobre as questões mais importantes da vida. A cosmovisão de uma pessoa é sua filosofia” (W. Gary Crampton; Richard E. Bacon, Em Direção a uma Cosmovisão Cristã, Brasília, DF.: Monergismo, 2010, p. 13).

[9]Francis A. Schaeffer, O Grande Desastre Evangélico. In: Francis A. Schaeffer, A Igreja no Século 21, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 258.

[10]“Todo mundo tem uma cosmovisão. Quer saibamos ou não, todos nós agimos a partir de um conjunto de suposições sobre o mundo que permanecem em grande parte escondidas nos recônditos inconscientes de nossa mente. Esta é a cosmovisão privada” (James W. Sire, Dando nome ao elefante: Cosmovisão como um conceito. Brasília, DF.: Monergismo, 2012, p. 158).

[11] “Não há algo que possa ser chamado de método epistemológico neutro. Sempre pressupomos certa visão de realidade antes de perguntar como investigá-la”  (Michael Horton, Doutrinas da fé cristã, São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 53).

[12] Veja-se: H. R. Rookmaaker, A Arte não precisa de justificativa, Viçosa, MG.: Editora Ultimato, 2010, p. 39.

[13]“Você não precisa acreditar em tudo o que pensa, e a razão é simples: nós vemos o que queremos ver. (…) O nervo óptico, o único nervo com ligação direta com o cérebro, na verdade transmite mais impulsos do cérebro para o olho do que vice-versa. Isto significa que seu cérebro determina o que o olho vê. Você já está pré-condicionado. É por isso que, se quatro pessoas presenciarem um acidente, cada uma vai relatar algo diferente. Precisamos nos lembrar, e ensinar aos outros, que não devemos acreditar em tudo o que pensamos” (Rick Waren, A batalha pela sua mente. In: John Piper; David Mathis, orgs. Pensar – Amar – Fazer, São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 27).

[14]R. Albert Mohler Jr., Pregar com a cultura em mente: In: Mark Dever, ed. A Pregação da Cruz, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 66. Lewis (1898-1963) se vale parcialmente desta figura, argumentando: “Nós nos sentimos molhados, se cairmos na água, porque não somos animais aquáticos: um peixe não se sente molhado” (C.S. Lewis, A essência do Cristianismo autêntico, São Paulo: Aliança Bíblica Universitária,  (1979),  p. 20-21). Do mesmo modo: R. Albert Mohler Jr., O modo como o mundo pensa: Um encontro com a mente natural no espelho e no mercado. In: John Piper; David Mathis, orgs. Pensar – Amar – Fazer, São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 53.

[15] Veja-se: Thomas Sowell, Conflito de visões: origens ideológicas das lutas políticas,  São Paulo, É Realizações, 2012, p. 18,235-236.

[16] “Adentrar a nossa própria cultura exige que demos um passo para trás e analisemos com cuidado como as pessoas pensam, identifiquemos as regras, os princípios e as visões do mundo que compõem os sistemas de pensamento que nos cercam” (R. Albert Mohler Jr., O modo como o mundo pensa: Um encontro com a mente natural no espelho e no mercado. In: John Piper; David Mathis, orgs. Pensar – Amar – Fazer, São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 45).

[17]Alister E. McGrath, A gênese da doutrina: fundamentos da crítica doutrinária, São Paulo: Vida Nova, 2015, p. 101.

[18] Posteriormente li Mohler nos Agradecimentos de seu livro, afirmando: “Salvo raríssimas exceções, livros representam uma conversa” (R. Albert Mohler, O Desaparecimento de Deus, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 9). Barth, no prefácio da sexta edição de seu Comentário aos Romanos (1928), explica que se fosse reescrever seu comentário, resumiria algumas partes e ampliaria outras. Diz então: “Grande parte da estruturação do livro se deveu à minha situação particular e também à situação geral da época” (Karl Barth, Carta aos Romanos, São Paulo: Novo Século, 1999, p. 19).

[19]Ronald H. Nash, Questões Últimas da Vida: uma introdução à Filosofia, p. 14.

[20] “Nenhum homem, seja ele um cientista ou não, consegue trabalhar sem pressuposições” (Henry H. Van Til, O Conceito Calvinista de Cultura, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 23).

[21] “Todas as pessoas têm seus pressupostos, e elas vão viver de modo mais coerente possível com estes pressupostos, mas até do que elas mesmas possam se dar conta. Por pressupostos entendemos a estrutura básica de como a pessoa encara a vida, a sua cosmovisão básica, o filtro por meio do qual ela enxerga o mundo. Os pressupostos apoiam-se naquilo que a pessoa considera verdade acerca do que existe. Os pressupostos das pessoas funcionam como um filtro, pelo qual passa tudo o que elas lançam ao mundo exterior. Os seus pressupostos fornecem ainda a base para seus valores e, em consequência disto, a base para suas decisões” (Francis A. Schaeffer, Como Viveremos?, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003, p. 11).

[22]“Assim como o coração no sentido físico é o ponto de origem e de força propulsora da circulação do sangue, assim também, espiritual e eticamente ele é a fonte da mais elevada vida do homem, a sede de sua autoconsciência, de seu relacionamento com Deus, de sua subserviência à Sua lei, enfim, de toda a sua natureza moral e espiritual. Portanto, toda a sua vida racional e volitiva tem seu ponto de origem no coração e é governada por ele” (Herman Bavinck, Teologia Sistemática, Santa Bárbara d’Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 19). Para um estudo mais detalhado do conceito de coração na Escritura, veja-se: Hermisten M.P. Costa, O Pai Nosso, São Paulo: Cultura Cristã, 2001).

[23]“Cosmovisões são uma questão do coração” (James W. Sire, Dando nome ao elefante: Cosmovisão como um conceito. Brasília, DF.: Monergismo, 2012, p. 181).

[24]“Seria atenuar os fatos dizer que a cosmovisão ou visão de mundo é um tópico importante. Diria que compreender como são formadas as cosmovisões e como guiam ou limitam o pensamento é o passo essencial para entender tudo o mais. Compreender isso é algo como tentar ver o cristalino do próprio olho. Em geral, não vemos nossa própria cosmovisão, mas vemos tudo olhando por ela. Em outras palavras, é a janela pela qual percebemos o mundo e determinamos, quase sempre subconscientemente, o que é real e importante, ou irreal e sem importância” (Phillip E. Johnson no Prefácio à obra de Nancy Pearcey, A Verdade Absoluta: Libertando o Cristianismo de Seu Cativeiro Cultural, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2006, p. 11).

[25]“Em essência, é um conjunto de pressuposições (hipóteses que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou inteiramente falsas) que sustentamos (consciente ou inconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a formação básica do nosso mundo” (James W. Sire, O Universo ao Lado, São Paulo: Hagnos, 2004, p. 21).

[26]“Pensamos com a nossa cosmovisão e por causa da nossa cosmovisão, não sobre a nossa cosmovisão” (James W. Sire, Dando nome ao elefante: Cosmovisão como um conceito. Brasília, DF.: Monergismo, 2012, p. 182).

[27]James W. Sire, O Universo ao Lado, p. 21-22.

[28]James W. Sire, Dando nome ao elefante: Cosmovisão como um conceito. Brasília, DF.: Monergismo, 2012, p. 179.

[29]Veja-se: Nancy R. Pearcey; Charles B. Thaxton, A Alma da Ciência, São Paulo: Cultura Cristã, 2005, p. 9-12; 294.

[30]J.G. Machen, Cristianismo y Cultura, Barcelona: Asociación Cultural de Estudios de la Literatura Reformada, 1974, p. 19.

[31]O depoimento de McGrath é iluminador: “Uma das coisas que noto à medida que envelheço é a maneira como as outras pessoas me ajudam a ver as coisas mais claramente. Elas me mostram coisas que eu não tinha visto antes. E, às vezes, elas precisam me corrigir quando percebo as coisas de forma errônea. Daí a importância de o cristianismo ser uma fé comunitária, em vez de uma fé individual” (Alister McGrath,  A fé e os credos, São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 37-38).

[32]Li por meio de Peter Burke, que Fernand Braudel (1902-1985) gostava de afirmar que o historiador é prisioneiro de suas suposições e mentalidades (Peter Burke, O Renascimento Italiano: cultura e sociedade na Itália, São Paulo: Nova Alexandria, 1999, p. 11).

Paul Cézanne (1839-1906), artista de grande sensibilidade, escreveu a seu filho um mês antes de morrer: “Devo dizer que, como pintor, estou começando a enxergar melhor a natureza. Mas, comigo, a realização de minhas sensações é sempre muito difícil. Não consigo captar a intensidade de tudo que se desdobra diante de meus sentidos, não alcanço a riqueza da natureza. Aqui, na beira do rio, os motivos são tantos que um mesmo objeto visto de um ângulo um pouco diferente já daria para estudos de maior interesse; e tão variados são que eu poderia trabalhar por meses a fio sem mudar de lugar, simplesmente olhando um pouco mais para a direita ou para a esquerda” (Apud Fayga Ostrower, A Grandeza Humana: cinco séculos, cinco gênios da arte, Rio de Janeiro: Campus, 2003, p. 127).

[33]https://frame-poythress.org/a-primer-on-perspectivalism-revised-2008/ (Consulta feira em 30.04.2023).

[34] “Todo indivíduo tem uma visão de mundo. A visão de mundo dá respostas às quatro perguntas essenciais perguntas que dizem respeito à origem, ao sentido, à moralidade e à esperança que garante um destino. Essas respostas devem ser verdadeiras e coerentes como um todo” (Ravi Zacharias, A Morte da razão: uma resposta aos neoateus, São Paulo: Vida, 2011, p. 25).

[35]“Não existe orgulho na fé. Fé é simplesmente a crença de que nada podemos fazer para nos salvar, mas que confiamos plenamente na graça de Deus” (Peter Jones, Verdades do evangelho x Mentiras pagãs, São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 34).

[36]Karl Barth, Esboço de uma Dogmática, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, p. 24.

[37]“Se Deus tem derramado sobre nós um dom excelente, e se, porém, imaginamos que ele mesmo se deve a nosso próprio mérito, acabaremos insuflados de orgulho” (João Calvino, A Verdadeira Vida Cristã, São Paulo: Novo Século, 2000, p. 34).

[38]“A fé cristã não é uma fé apática, uma fé de cérebros mortos, mas uma fé viva, inquiridora. Como Anselmo afirmou, a nossa fé é uma fé que busca entendimento” (William L. Craig, Apologética Cristã para Questões difíceis da vida, São Paulo: Vida Nova, 2010, p. 29). De igual modo: Garrett J. DeWeese; J.P. Moreland, Filosofia Concisa, São Paulo: Vida Nova, 2011, p. 158. Veja-se também: Leo Strauss; Eric Voegelin, Fé e filosofia política: a correspondência entre Leo Strauss e Eric Voegelin, São Paulo: É Realizações, 2017, p. 169.

[39] David M. Lloyd-Jones, Estudos no Sermão do Monte, São Paulo: Editora Fiel, 1984, p. 89.

[40]Ronald H. Nash, Questões Últimas da Vida: uma introdução à Filosofia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 29. Do mesmo modo: Ronald H.  Nash, Cosmovisões em conflito: escolhendo o Cristianismo em um mundo de ideias,  Brasília, DF.: Monergismo, 2012, p. 81. Com percepção semelhante, escreveu McGrath: “Uma visão de mundo é avaliada por quão bem ela ilumina o panorama da realidade e dá a tudo um foco contundente” (Alister E. McGrath, Surpreendido pelo sentido: ciência, fé e o sentido das coisas, São Paulo: Hagnos, 2015, p. 162).

[41] Agir com inteligência e discernimento. Sobre a palavra, vejam-se: William Gesenius, Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament, 3. ed. Michigan: WM. Eerdmans Publishing Co. 1978, p. 789-790; Louis Goldberg, Sakal: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1478-1480; Robert B. Girdlestone, Synonyms of the Old Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, (1897), Reprinted, 1981, p. 74, 224-225.

[42] A ideia da palavra traduzida por integridade é de: perfeição (Sl 18.30); aperfeiçoar (Sl 18.32); retidão (Sl 101.6); irrepreensível (Sl 119.1,80); inculpável (2Sm 22.24). Ela também se refere aos animais que não tinham defeito. “No terceiro dia, oferecereis onze novilhos, dois carneiros, catorze cordeiros de um ano, sem defeito (~ymiT’) (tamiym) (Nm 29.20).

[43] Integridade (1Rs 9.4; Sl 7.8; 26.1,11; 37.37); sinceridade (Gn 20.5,6; Sl 25.21); pacato (Gn 25.27); ajustar (Êx 26.24). A palavra (~To)(tom) é da mesma de raiz (~ymiT’) (tamiym), (~m;T’) (tamam): ser completo, estar terminado.

[44] “Para se viver com significado, é necessário descobrir a verdade, descobrir a realidade; uma vez descoberta, temos de viver em fidelidade para com a verdade. A integridade e a busca da verdade andam de mãos dadas” (Charles Colson; Harold Fickett, Uma boa vida, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 174).

[45]Adaptei esta figura inspirando-me em Harris (Joshua Harris, Cave mais fundo: o que você acredita? por que isso importa? São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2011, p. 308-309).

[46]“Numa cosmovisão cristã logicamente consistente, a primeira e absoluta pressuposição essencial é que a Bíblia somente é a Palavra de Deus, e ela tem um monopólio sistemático sobre a verdade” (W. Gary Crampton; Richard E. Bacon, Em Direção a uma Cosmovisão Cristã, Brasília, DF.: Monergismo, 2010, p. 20). “O Cristianismo é um sistema filosófico completo que é fundamentado sobre o ponto de partida axiomático da Bíblia como a Palavra de Deus” (Ibidem., p. 77).

[47] Veja-se: Alister McGrath,  A fé e os credos, São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 41ss.

[48]“A cosmovisão cristã tem coisas importantes a dizer sobre a totalidade da vida humana” (Ronald H. Nash, Questões Últimas da Vida, p. 19).

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