Tentando pensar e viver como um Reformado: Reflexões de um estrangeiro residente – Parte 14

3) A Imagem e Semelhança Criadas

 

A essência da natureza humana é seu ser [criado] à imagem de Deus. – Herman Bavinck.[1]

Aqui, a título de advertência, devemos frisar que temos algumas pistas bíblicas – suficientes, é verdade – para orientar-nos quanto ao significado da imagem e semelhança de Deus no homem. No entanto, estas indicações não são sistemáticas ao ponto de possibilitar um estudo exaustivo e definitivo sobre o assunto.[2]

Calvino afirma que existem alguns teólogos que procedem com um pouco mais de sutileza e dizem que a imagem de Deus não é corpórea, contudo erram ao manterem “que a imagem de Deus está no corpo do homem, porque sua admirável estrutura brilha aí fulgurantemente”.[3] No entanto, “o homem foi feito conforme a Deus não mediante influxo de substância, mas pela graça e poder do Espírito”.[4]

Assim sendo, o homem não foi feito da mesma substância de Deus, apenas foi-lhe concedido alguns de seus atributos. Continuando esta linha de raciocínio, diz: “Contemplando a glória de Cristo, estamos sendo transformados, como pelo Espírito do Senhor, Que, certamente, opera em nós, na mesma imagem Sua, contudo não assim que nos renda consubstanciais a Deus”.[5]

Homem e mulher foram criados por Deus segundo o próprio modelo divino (Ef 4.24).[6] Isso não significa que o homem seja fisicamente igual a Deus. Deus não tem forma, é espírito (Jo 4.24),[7] nem significa que seja da mesma essência uma vez que ela é incomunicável.[8] Mas, na condição de criatura, ele corresponde a Deus como tal.[9]

A imagem e semelhança refletem, em Adão, características próprias por intermédio das quais ele poderia relacionar-se consigo mesmo, com o mundo e com Deus.

A imagem de Deus é uma precondição essencial para o seu relacionamento com Deus, e expressa, também, a sua natureza essencial: o homem é o que é por ser a imagem de Deus. Não existiria humanidade senão pelo fato de ser a imagem de Deus. Essa compreensão traz profundas implicações éticas na teologia de Calvino[10] e de Schaeffer (1922-1984).[11]

Barth (1886-1968), com propriedade, escreveu: “Ele não seria homem se não fosse a imagem de Deus. Ele é a imagem de Deus pelo fato de que ele é homem”.[12]

Esta é a nossa existência autêntica e toda inclusiva.  Deste modo, escreve Spykman (1926-1993), “ser humano é ser a imagem de Deus. Portanto, imago Dei descreve nosso estado normal. Não assinala algo que está dentro de nós, ou a algo acerca de nós, senão a nossa humanidade”.[13]

A imagem de Deus não é algo colado ou anexado a nós podendo ser tirado ou recolocado. Antes, é algo essencial ao nosso ser. Interpreta Erickson: “A imagem de Deus é intrínseca à humanidade. Não seríamos humanos sem ela. De toda a criação, somente nós somos capazes de ter um relacionamento pessoal consciente com o Criador e de reagir a Ele”.[14]

Por conseguinte, o homem não simplesmente possui a imagem de Deus, como algo externo ou acessório, antes, ele é a própria imagem de Deus.[15]

A Confissão de Westminster (1647), capítulo IV, seção 2, declara:

Depois de haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais, e dotou-os de inteligência, retidão e perfeita santidade, segundo a sua própria imagem, tendo a lei de Deus escrita em seus corações e o poder de cumpri-la, mas com a possibilidade de transgredi-la, sendo deixados à liberdade de sua própria vontade, que era mutável. Além dessa escrita em seus corações receberam o preceito de não comerem da árvore da ciência do bem e do mal; enquanto obedeceram a este preceito, foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre as criaturas.

Na sequência, estudaremos algumas características do homem como imagem de Deus, dentro de uma perspectiva estrita:

1) Personalidade: O homem foi criado como um ser pessoal que tem consciência e determinação própria.[16] Diferentemente de todos os outros animais, faz a distinção entre o eu, o mundo e Deus. Daí a capacidade de se relacionar com Deus (Gn 3.8-14; Jr 29.13; Mt 11.28-30) e com o seu semelhante, e pode entender (racionalmente) a vontade de Deus, fazer-se entender e avaliar todas as coisas (Gn 1.28-30; 2.18,19).[17]

2) Justiça e Santidade:   O homem não foi criado como um ser neutro entre o bem e o mal. Ele foi formado bom, santo, como Deus o é de forma absoluta. Daí que, segundo a própria avaliação do seu Autor, tudo “era muito bom” (Gn 1.31). Ele foi formado em “retidão” e “verdadeira santidade” (Ec 7.29; Ef 4.24; Cl 3.10).[18] O homem tinha condições de entender a Palavra de Deus, a sua lei.[19] A santidade e retidão originais do homem não significavam simplesmente inocência, mas o desejo inerente de ter maior comunhão com Deus e agradar-lhe. Havia uma perfeita harmonia entre o seu ser e a Lei Divina. O homem conhecia e tinha prazer na vontade divina. A justiça e a santidade eram derivadas de Deus, dependiam fundamentalmente desta sua comunhão com o Criador. Logo, ao mesmo tempo em que não era impossível ao homem pecar, também não havia nele nada que o constrangesse a fazê-lo.[20]

O homem é a “expressão mais nobre e sumamente admirável de sua justiça, e sabedoria e bondade”, conclui Calvino.[21] Ele também explica o que significa “retidão” e “verdadeira santidade”:

Portanto, por esta palavra se designa a perfeição de toda nossa natureza, como apareceu quando Adão foi dotado com um reto juízo, tinha os afetos em harmonia com a razão, tinha todos os seus sentidos íntegros e bem regulados e realmente excedia em tudo o que é bom.[22]

Do quê concluímos que, de início, a imagem de Deus foi conspícua na luz da mente, na retidão do coração e na saúde de todas as partes do ser humano.[23]

3) Liberdade: Adão e Eva dispunham de plena liberdade dentro do que lhe foi permitido escolher, não havendo em sua natureza a semente do pecado para influenciá-los à desobediência, ao uso inadequado desta liberdade. C.S. Lewis coloca a questão nestes termos: “Se uma coisa é livre para ser boa, também é livre para ser má. E o livre-arbítrio foi o que tornou possível o mal. Por que Deus deu então o livre arbítrio? Porque o livre-arbítrio, apesar de tornar o mal possível, é também a única coisa que faz com que todo amor, bondade ou alegria valham a pena. Um mundo de autômatos, de criaturas que trabalhassem como máquinas, não valeria a pena ser criado”.[24]

Liberdade pressupõe responsabilidade. Deus criou o homem livre e responsável pelos seus atos (Gn 2.16,17; 3.6-24).[25] Aliás, seja qual for a escolha que ele faça, não perderá a sua responsabilidade ainda que sua resposta seja a negação do uso das capacidades que lhe foram conferidas, ou a negação do próprio Deus Criador.[26] Agostinho (354-430) coloca a questão em termos poéticos: “A pena me acompanha, porque me deste livre-arbítrio. Se, pois, não me tivésseis dado o livre-arbítrio, e desta forma não me tivesses feito melhor do que os animais, não sofreria justa condenação ao pecar. Então, pelo livre-arbítrio me elevaste, e por justo juízo me derrubaste”.[27]

4) Conhecimento Espiritual: Cl 3.10.[28] Adão, antes de pecar, tinha uma compreensão genuína a respeito de Deus. No entanto, “após a sua rebelião, ficou privado da verdadeira luz divina, na ausência da qual nada há senão tremenda escuridão”, comenta Calvino.[29] O seu conhecimento tornou-se totalmente nulo quanto à salvação.[30]

É bom lembrar que a compreensão não era exaustiva visto ser Deus infinito e inesgotável e, também, que Adão ignorava, em seu primeiro estado, aspectos do ser de Deus, tais como o seu amor redentor, o seu plano salvífico, a sua misericórdia, etc. A queda trouxe sérias consequências: a morte e a escravidão.

“Como a morte espiritual não é outra coisa senão o estado de alienação em que a alma subsiste em relação a Deus, já nascemos todos mortos, bem como vivemos mortos até que nos tornamos participantes da vida de Cristo”, conclui Calvino.[31]

O homem perdeu totalmente seu discernimento espiritual: ele está morto! O pecado traz em um outro estágio a idolatria visto que o homem sozinho não consegue se relacionar com Deus, e até mesmo ignora o Deus verdadeiro (At 17.22-29).

Comênio (1592-1670) comenta:

É evidente que todo o homem nasce apto para adquirir conhecimento das coisas: Primeiro, porque é imagem de Deus. Com efeito, a imagem, se é perfeita, apresenta necessariamente os traços do seu arquetípico, ou então não será uma imagem. Ora, uma vez que, entre os atributos de Deus, se destaca a onisciência, necessariamente brilhará no homem algo de semelhante a ela. (…) A tal ponto a mente do homem é de capacidade inesgotável que, no conhecimento, se apresenta como um abismo…

[No entanto] após a queda, que o obscurece e confunde, é incapaz de se libertar pelos seus próprios meios; e aqueles que deveriam ajudá-lo não contribuem senão para aumentar o embaraço em que se encontra.[32]

O Catecismo de Heidelberg (1563), à pergunta 6, responde:

Deus criou o homem bom e à sua imagem, isto é, em verdadeira justiça e santidade, a fim de que ele conhecesse corretamente a Deus, seu Criador, o amasse de todo coração e vivesse com ele em eterna bem-aventurança, louvando-o e glorificando-o.

5) Imortalidade: O homem foi criado para viver eternamente – corpo e alma –; [33] ele teve princípio, mas não teria fim. Fomos criados para viver para sempre em comunhão com Deus (Gn 2.17; 3.19; Rm 5.12; 6.23; 1Co 15.20,21).[34] Calvino sustenta que a consciência que discerne entre o bem e o mal respondendo ao juízo de Deus é um sinal do senso de imortalidade do homem.[35]

Vale enfatizar que a fonte de nossa vida não está em nós mesmos, mas em Deus, o único que é eterno e possui a imortalidade (1Tm 6.16).[36]

6) Espiritualidade: (Gn 2.7). O homem é uma unidade bipartite. Ele foi criado e dotado de corpo e alma, com anseios espirituais que se concretizam na sua comunhão com o Criador.[37] O homem, como parte da criação, é tomado do pó da terra, todavia, como imagem de Deus, recebe dele uma alma eterna e imortal que retornará ao seu Criador[38] (Ec 12.7).[39]

Van Groningen (1921-2014) amplia o conceito, dizendo que homem e mulher são “extracósmicos no sentido de que não devem ser considerados só como matéria que pode funcionar de uma maneira altamente desenvolvida. Ser espiritual é ser capaz de se comunicar e exercer comunhão íntima com Deus ‘que é Espírito’ (Jo 4.24)”.[40]

7) Domínio sobre a natureza: Um dos aspectos da imagem de Deus no homem, é o seu domínio legítimo, pacífico e prazeroso sobre a Criação (Gn 1.26,27; Sl 8.5-8).[41] “Deus criou Adão e Eva e os colocou nele [reino cósmico] para serem seus representantes e agentes. Ele os fez ser realeza. Ele lhes deu um status real”.[42]

Desse modo, a Criação estava naturalmente sob o seu domínio. Deus atestou o poder concedido ao homem, partilhou amorosamente[43] com ele, conforme vimos, o direito de dar nome (classificando as espécies, revelando um conhecimento das características distintivas de cada uma)[44] aos animais (Gn 2.19,20).[45] Por derivação da autoridade divina, “ao homem competia refletir o governo de Deus mediante um governo real exercido sobre a terra”.[46] Consequentemente, o domínio sobre a Criação não significa destruição e matança, antes o conhecimento e o interesse[47] próprio pelo que nos fora confiado e o desejo de preservá-lo para poder apresentar a Deus o resultado de nosso trabalho, feito em obediência à sua vontade, e realizado para a sua glória. O homem glorifica a Deus quando cumpre o propósito dele para a sua Criação.

Renunciar a esse governo ou transformá-lo em destruição, significa rejeitar algo de característico na sua natureza essencial de imagem de Deus.[48]

8) Corporeidade: Deus não tem corpo, nem por isso, o corpo humano é menos importante do que a sua alma. Deus é quem cria o espírito e a matéria. É por meio de seu corpo que o homem reflete as maravilhas de ter sido criado à imagem de Deus. Não há no homem uma espiritualização em detrimento do corpo. O homem é um ser integral. A salvação é integral, assim como será a nossa morada eterna após a nossa ressurreição final. Cremos que a imagem de Deus abrange o seu corpo. Jesus Cristo se encarnou para salvar o homem todo.

Bavinck escreve:

O corpo não é uma prisão, mas uma peça de arte maravilhosa produzida pela mão do Todo-Poderoso e tão constituinte da essência da humanidade quanto a alma (Jó 10.8-10; Sl 8; 139.13-17; Ec 12.2-7; Is 64.8). Ele é nossa morada terrena (2Co 5.1), nosso órgão ou instrumento de serviço, nossa ferramenta (1Co 12.18-26; 2Co 4.7; 1Ts 4.4) e os membros do corpo são as armas com as quais pelejamos na causa da justiça ou da injustiça (Rm 6.13). Ele é tão integral e essencialmente parte de nossa humanidade que, embora tenha sido violentamente arrancado da alma pelo pecado, será reunido com ele na ressurreição dos mortos. (…) Ora, esse corpo, que está tão intimamente ligado à alma, também pertence à imagem de Deus. (…) O corpo humano é uma parte da imagem de Deus em sua organização como instrumento da alma, em sua perfeição moral, não em sua substância material como carne. (…) A encarnação de Deus é prova de que os seres humanos, e não os anjos, são criados à imagem de Deus e que o corpo humano é um componente essencial dessa imagem.[49]

Em essência, se queremos saber mais sobre a imagem e semelhança de Deus, olhemos para Cristo, porque nele, temos de forma inconfundível e perfeita, “a imagem do Deus invisível” Cl 1.15).

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

______________________________________

[1]Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 540.

[2] Veja-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 542-543.

[3]John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, v. 1, (Gn 1.26), p. 94.

[4] João Calvino, As Institutas, I.15.5.

[5] João Calvino, As Institutas, I.15.5.

[6]“Deus é o protótipo do qual o homem e a mulher são meras cópias, réplicas (Selem, ‘estátua ou cópia lavrada ou trabalhada’) e fac-símiles (demût, ‘semelhança’)” (Walter C. Kaiser Jr. Teologia do Antigo Testamento, p. 78). Para uma interpretação diferente do conceito de imagem e semelhança, apontando na direção de o homem ser “como” Deus, seu representante apenas, nada indicando ontologicamente, ver: Eugene H. Merrill, Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Shedd Publicações, 2009, p. 175ss. Para uma crítica a esta posição, veja-se: Anthony A. Hoekema, Criados à Imagem de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 84ss.

[7] J. Gresham Machen, El Hombre, Lima: El Estandarte de la Verdad, 1969, p. 145.

[8]Veja-se: R. L. Dabney, Lectures in Systematic Theology, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1985, p. 293.

[9] “O homem foi criado à imagem de Deus. Ele é, portanto, semelhante a Deus em todas as coisas nas quais uma criatura pode ser como Deus” (Cornelius Van Til, Apologética Cristã, São Paulo: Cultura Cristã, 2010,  p. 35).

[10] Veja-se: Hermisten M.P. Costa, João Calvino 500 anos: introdução ao seu pensamento e obra, São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

[11] “Estou convencido de que uma das grandes fraquezas na pregação evangélica nos últimos anos é que nós perdemos de vista o fato bíblico de que o homem é maravilhoso. (…) O homem está realmente perdido, mas isso não significa que ele não é nada. Nós temos que resistir ao humanismo, mas classificar o homem como um zero não é o caminho certo para resistir a ele. Você pode enfatizar que o homem está totalmente perdido e ainda ter a resposta bíblica de que o homem é realmente grande. (…) Do ponto de vista bíblico, o homem está perdido, mas é grande” (Francis A. Schaeffer, Morte na Cidade, São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 60,61). “Jamais estaremos em condições de tratar as pessoas como seres humanos, de atribuir a elas o mais alto nível de humanidade verdadeira, a menos que realmente conheçamos a sua origem – quem essas pessoas são. Deus diz ao homem quem ele é. Deus nos diz que Ele criou o homem à sua imagem. Portanto, o homem é algo maravilhoso. (…) A Bíblia diz que você é maravilhoso porque foi feito à imagem e semelhança de Deus, mas que você é imperfeito, porque em certo espaço-temporal da História, o homem caiu” (Francis A. Schaeffer, A Morte da razão, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 34). São muito oportunas e sensíveis as analogias feitas por Olyott. (Veja-se: Stuart Olyott, Jonas – O missionário bem-sucedido que fracassou, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2012,  p. 75).

[12] Karl Barth, Church Dogmatics, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 2010, III/1, p. 184.

[13]Gordon J. Spykman, Teología Reformacional: Un Nuevo Paradigma para Hacer la Dogmática, Jenison, Michigan: The Evangelical Literature League, 1994, p. 248-249. Do mesmo modo: Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 542,564.

[14]Millard J. Erickson, Introdução à Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 207.

[15]Veja-se: Morton H. Smith, Systematic Theology, Greenville, South Carolina: Greenville Seminary Press, 1994, v. 1, p. 238.

[16]  “O caráter eternamente pessoal de Deus forma o fundamento último para o significado das pessoas finitas que Ele criou” (Vern S. Poythress, Redimindo a filosofia: uma abordagem teocêntrica às grandes questões, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 55).

[17]28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. 29 E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. 30 E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez” (Gn 1.28-30). 18 Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea. 19 Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles” (Gn 2.18-19).

[18]“Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” (Ec 7.29). “E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.24). “E vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.10).

[19] Veja-se: Donald J. Wiseman, Yashar: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 684. Olivier segue esta interpretação. Ver: Hannes Olivier, Ysr: In: Willem A. VanGemeren, org. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 2, p. 564.

[20] Veja-se: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 590.

[21] João Calvino, As Institutas, I.15.1.

[22]John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, v. 1, (Gn 1.26), p. 94-95.

[23]João Calvino, As Institutas, I.15.4. “O primeiro homem foi criado por Deus em retidão; em sua queda, porém, arrastou-nos a uma corrupção tão profunda, que toda e qualquer luz que lhe foi originalmente concedida ficou totalmente obscurecida” (João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 2, (Sl 62.9), p. 579).

[24] C.S. Lewis, A essência do Cristianismo autêntico, São Paulo: Aliança Bíblica Universitária,  (1979), p. 26.

[25]Veja-se: Confissão de Westminster, IX.1-2.

[26] Vejam-se: Emil Brunner, A Doutrina Cristã da Criação e da Redenção, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, v. 2, p. 86-88; Gerard van Groningen, Criação e Consumação, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, v. 1, p. 85.

[27]Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, (Patrística, 93), 1998, (Sl (102)101.11), v. 3, p. 22.

[28] Vejam-se: Anthony A. Hoekema, Criados à Imagem de Deus, p. 40-41; Charles Hodge, Teologia Sistemática, São Paulo: Hagnos Editora, 2001, p. 557-558.

[29]João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 4.18), p. 137.

[30] “Depois da Queda do primeiro homem, nenhum conhecimento de Deus valeu para a salvação sem o Mediador” (João Calvino, As Institutas, II.6.1).

[31]João Calvino, Efésios, (Ef 2.1), p. 51. “O gênero humano, depois que foi arruinado pela queda de Adão, ficou não só privado de um estado tão distinto e honrado, e despojado de seu primevo domínio, mas está também mantido cativo sob uma degradante e ignomínia escravidão” (João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Edições Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 8.6), p. 171). “O primeiro homem foi criado por Deus em retidão; em sua queda, porém, arrastou-nos a uma corrupção tão profunda, que toda e qualquer luz que lhe foi originalmente concedida ficou totalmente obscurecida” (João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 2, (Sl 62.9), p. 579). “Todos nós estamos perdidos em Adão” (João Calvino, Efésios, (Ef 1.4), p. 24).

[32] João Amós Coménio, Didáctica Magna, 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, (1985), p. 102-103.

[33]Pensam de igual modo, entre outros: Agostinho, A Cidade de Deus, Petrópolis, RJ.; São Paulo: Vozes; Federação Agostiniana Brasileira, 1990, v. 2, Livro XIV.1. p. 131; Veja-se: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 592, 597-601; J. Gresham Machen, El Hombre, p. 158; L. Berkhof, Teologia Sistemática, p. 675-676; Loraine Boettner, La Inmortalidad, Grand Rapids, Michigan: TELL. [s.d.], p. 18ss.; Anthony Hoekema, A Bíblia e o Futuro, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1989, p. 105ss.; Gerard van Groningen, Criação e Consumação, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, v. 1, p. 95 (nota 61); 97.

[34] François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 597ss.

[35] Ver: J. Calvino, As Institutas, I.15.2.

[36] “O único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!” (1Tm 6.16).

[37]Ainda que a compreensão de Brunner (1889-1966) seja limitante, visto que interpretou a Criação em termos simplesmente existencialistas, portanto, não crendo na historicidade da Criação e Queda, identificando o conceito de imagem e semelhança como a capacidade de relacionar-se com Deus em amor, o que diz aqui é relevante (Emil Brunner, Dogmática: A Doutrina Cristã da Criação e da Redenção, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, v. 2, p. 107-115; 364-367. Compare com: Emil Brunner, Nossa Fé, 2. ed. São Leopoldo, RS.: Sinodal, 1970, p. 33-37; Emil Brunner, The Mediator, 8. ed. London: Lutter Worth Press, 1956, p. 377-396; Emil Brunner, Dogmática: A Doutrina Cristã da Criação e da Redenção, v. 2, p. 364-367): “O homem que por meio de sua mente pode pensar o universo, descobrir suas leis, e estimar sua extensão, é maior do que o universo. (…) A verdadeira grandeza do homem não é sua razão, pela qual aprende a conhecer, mas consiste no fato de que foi feito para a comunhão com Deus e com os demais indivíduos” (Emil Brunner, Dogmática: A Doutrina Cristã da Criação e da Redenção, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, v. 2, p. 100). Para uma resenha crítica da posição de Brunner, veja-se: Anthony A. Hoekema, Criados à Imagem de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 66-72).

[38]Veja-se: Agostinho, As Confissões, I.1.

[39] “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 12.7).

[40]Gerard van Groningen, Criação e Consumação, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, v. 1, p. 84.

[41]Vejam-se: Gerard van Groningen, Criação e Consumação, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, v. 1, p. 76-77; Anthony Hoekema, Criados à Imagem de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 94-95.

[42]Gerard van Groningen, Criação e Consumação, São Paulo: Cultura Cristã, 2002, v. 1, p. 71.

[43] Cf. Fred Van Dyke, et. al., A Criação Redimida, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 117.

[44] “Nomear implica conhecer, um conhecimento íntimo e particular do que alguma coisa é” (Fred Van Dyke, et. al., A Criação Redimida, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 124). Veja-se: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 326-327.

[45] “O homem constitui o auge da grande obra de criação de Deus. Não há nada superior ao homem. O homem foi feito ‘senhor da criação’, o ser supremo na terra, depois de Deus” (D. M. Lloyd-Jones, O Combate Cristão, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1991, p. 72).

[46] Jay E. Adams, Conselheiro Capaz, São Paulo: Fiel, 1977, p. 129. “O homem não é chamado para um domínio absoluto, arbitrário, da natureza, mas para um domínio que permaneça sob a ordem do Criador, e, portanto, honra e ama o universo criado como criação de Deus” (Emil Brunner, Dogmática: A Doutrina Cristã da Criação e da Redenção, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, v. 2, p. 102).

[47] Veja-se: Fred Van Dyke, et. al., A Criação Redimida, p. 126-130.

[48] Veja-se: Charles Hodge, Teologia Sistemática, p. 559-560.

[49] Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 568-569. Vejam-se também: L. Berkhof, Teologia Sistemática, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1990, p. 205; G.C. Berkouwer, Man: The Image of God, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, © 1962, Reprinted 1984, p. 75-77; 229-233; Anthony A. Hoekema, Criados à Imagem de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 83-84. Para uma visão diferente, veja-se: J. Gresham Machen, El Hombre, Lima: El Estandarte de la Verdad, 1969, p. 145; João Calvino, As Institutas, I.15.3.

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