Tentando pensar e viver como um Reformado: Reflexões de um estrangeiro residente – Parte 16

 

Analisemos agora o significado do pecado e as suas consequências.

1) O Significado do Pecado

O Catecismo Menor de Westminster define bem a questão: “Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei”[1] (Vejam-se: Tg 2.10; 4.17; 1Jo 3.4).

Pecar significa agir de maneira contrária aos princípios expressos por Deus em sua Palavra.[2] No pecado de nossos primeiros Pais, encontramos a expressão da falta de amor por Deus que já cultivavam em seus corações.[3]

 

2) O Pecado é universal

Quando Paulo relembra com os presbíteros de Éfeso como fora o seu ministério entre eles, diz:

 19Servindo ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações que, pelas ciladas (e)piboulh\)(= plano, conspiração)[4] dos judeus, me sobrevieram, (…) 21 testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20.19,21).

A mensagem de salvação é para todos os homens: judeus e gentios. A perseguição que o Apóstolo sofreu por parte dos judeus e que se repetia em seu ministério ilustra esse fato. (At 9.24; 20.3,19; 23.30).

Todos pecaram. O homem além de não querer, nada pode fazer para deixar de pecar. Após a queda, a natureza humana se corrompeu total e intensamente. Além disso, estendeu essa contaminação a todas as áreas da sua vida. A transgressão trouxe um quadro de irreversibilidade pecaminosa que se perpetuou em todos os seres humanos. Ou seja: o homem continuou nesta prática (Gn 6.5; 8.21; Is 64.6; Rm 3.9-12). A Escritura nos fala que o pecado, comum a todos nós (Rm 3.23), nos fez cativos (Jo 8.34; Rm 6.20; 7.23[5]), habitando em nós (Rm 7.17,20),[6] mantendo-nos sob o seu domínio.

Negar a nossa condição de pecador é negar a própria Palavra do Deus que é luz (1Jo 1.5): “Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós” (1Jo 1.10). A insensibilidade pecaminosa não nos santifica nem nos inocenta. “Não ser consciente de pecado algum é o pior pecado de todos”, interpreta Barclay.[7]

O pecado é o grande nivelador de toda a humanidade: todos pecaram. Logo, não há lugar para arrogância ou supostas boas obras justificadoras (Rm 3.19-20).[8] Se todos pecaram, isso significa que nós também pecamos; se todos precisam de salvação, significa que nós também precisamos. “Pecado não é algo peculiar a uns poucos, senão que permeia o mundo inteiro”, enfatiza Calvino.[9] O pecado nos condena e, ao mesmo tempo, nos impossibilita totalmente de nos salvar a nós mesmos.

Na Oração do Senhor temos um indicativo da universalidade do pecado. “O fato de Jesus ensinar a todas as pessoas a fazerem esta oração demonstra a universalidade do pecado; e para repetir esta oração se requer um sentido de pecado”, conclui Barclay (1907-1978).[10]

 

3) A Comunhão com Deus foi interrompida

O pecado gerou a separação entre o homem e o Deus santo, justo, puro e sublime (Is 59.2).[11] O homem encontra-se em um estado de rebelião contra Deus (Is 65.2).[12]

 

4) O Homem está morto

O pecado como algo universal, trouxe como justo pagamento, a morte de todos: o salário do pecado é a morte (Rm 5.12; 6.23).[13]

Boettner (1901-1990) escreve:

A sentença que foi imposta como resultado do pecado de Adão, inclui mais do que a mera decomposição do corpo. A palavra ‘morte’, tal como é usada nas Escrituras com referência às consequências do pecado, inclui todas as formas de mal que são infligidas como castigo desse pecado. (…) Significa, pois, a miséria eterna do inferno (…) juntamente com o antegozo dessas misérias que são os males e penalidades que passamos neste mundo.[14]

A Bíblia nos fala de três tipos de morte decorrentes do pecado:

1) A morte física: separação da alma e corpo, pela qual todos os homens – com exceção dos que estiverem vivos quando Cristo retornar em Glória – terão de passar (Ec 12.7; 1Co 15.51-52; Hb 9.27[15]).[16]

Adão e Eva ao desobedecerem a Deus, tiveram a sua sentença de morte decretada. Eles morreram espiritualmente de imediato, e ficaram separados de Deus. Todavia, a morte física, que veio também como consequência do pecado (Gn 2.16,17; 3.11-24; Rm 5.12), não foi imediatamente executada porque Deus usou de sua graça comum, protelou, adiou a plena execução da sua sentença (Gn 3.15,19),[17] e concedeu oportunidade para o arrependimento do homem (Textos que ilustram este princípio: Is 48.9; Jr 7.23-25; Lc 13.6-9; Rm 2.4; 9.22; 2Pe 3.9).[18]

O pecado passou a ser o selo de todas as suas obras: “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau ([r;)(ra`) todo desígnio do seu coração” (Gn 6.5).[19] Desde então, o pecado sujeitou o homem ao juízo histórico e eterno (Mt 5.21-22; 12.36; Rm 5.16; 1Tm 5.24); por isso, parte deste juízo já é manifesto nesta vida (Jo 3.16-18), mas não totalmente; daí a perplexidade de alguns servos de Deus em determinados momentos da história, quando o mal parece oprimir e esmagar o bem (Sl 73.1-14; Hc 1.1-17; Ml 3.14-15).[20]

As consequências não foram simples e visivelmente imediatas. Elas ainda iriam aparecer. A natureza humana foi corrompida. O juízo de Deus entrou em processo de concretização, e tornou a vida uma caminhada para a morte.[21] O processo de morte entrou em cena na vida humana.

A morte soa como algo anormal,[22] contrária ao nosso desejo de viver. O nosso desejo vislumbra a perpetuidade da vida. Os nossos esforços se concentram neste ideal, enquanto o nosso organismo caminha de forma cada vez mais célere para o fim. Esta é a terrível geografia da humanidade. “O que distingue os humanos de todas as outras criaturas é a autoconsciência. Sabemos que estamos vivos e que morreremos, e não conseguimos deixar de questionar por que a vida é assim e qual é o seu significado”, interpretam Colson e Fickett.[23]

2) A morte espiritual: interrupção da comunhão com Deus. O pecado gerou a quebra de nossa comunhão com Deus. Isto significa a nossa morte espiritual. A vida está em Deus. Sem comunhão com ele estamos mortos (Is 59.2; Ef 2.1,5; Cl 2.13),[24] expressando em nossa vida, paradoxalmente, as propriedades próprias de um cadáver.[25] “Uma vez que, de acordo com as Escrituras, o significado mais profundo da vida é a comunhão com Deus, o significado mais profundo da morte tem de ser a separação de Deus”, conclui Hoekema (1913-1988).[26]

3) A morte eterna: a interrupção eterna e definitiva da comunhão com Deus. Os homens que morrem fisicamente estando mortos espiritualmente, estão mortos eternamente para Deus, e não têm mais oportunidade de arrependimento (Hb 9.27).

Em síntese, o pecado lançou o homem em uma disposição de miséria espiritual contra o qual ele nada pode fazer (Mt 19.25,26; Gl 2.16; Ef 2.9).[27] Isto torna todos os homens dependentes única e exclusivamente da salvação de Deus manifestada em Cristo.

 

5) Depravação total

Após a Queda, prolifera o pecado. Nossos pais, Adão e Eva geram filhos à sua imagem caída: “Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete” (Gn 5.3). E assim se sucedeu com os filhos de seus filhos, até à nossa geração (Gn 8.21; Sl 50.5; 58.3). “Agora não nascemos tais como Adão fora inicialmente criado, senão que somos a semente adulterada do homem degenerado e pecaminoso”.[28]

Em outro lugar, Calvino comenta com maestria:

Ao dizer que Sete gerou um filho conforme sua própria imagem, em parte a referência é à primeira origem de nossa natureza; ao mesmo tempo deve-se notar sua corrupção e poluição, as quais, sendo contraídas por Adão, por sua queda, inundou toda sua posteridade. Se permanecesse íntegro, teria transmitido a todos os seus filhos o que havia recebido; agora, porém, lemos que Sete, bem como os demais, foi maculado, porque Adão, que decaíra de seu estado original, a ninguém podia gerar senão seres semelhantes a ele próprio.[29]

O pecado atingiu toda a humanidade e corrompeu o homem por inteiro: o intelecto, a vontade e a faculdade moral de toda a raça humana. Por isso, o homem está morto espiritualmente e, em posição de escravo (Gn 6.5; 8.21; Is 59.2; Jo 8.34,43,44 Rm 3.9-12,23; Ef 2.1,5; Cl 1.13; 2.13)[30] e, nada pode fazer – e na realidade nem sequer deseja – para retornar à comunhão perdida. Como disse o Senhor Jesus Cristo: “Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34) (Vejam-se: Is 64.6; Rm 6.6). Agora “O homem peca com o consentimento de uma vontade pronta e disposta”, constata Calvino.[31]

A depravação total humana é justamente isto: a contaminação de todas as nossas faculdades pelo pecado. Perdemos totalmente a nossa capacidade de percepção espiritual. As cousas de Deus soam como loucura (1Co 1.18-21; 2.6-8; 12-16).[32] A nossa lógica tão hábil para desvendar os mistérios do saber e desmantelar sofismas, se mostra totalmente inadequada e incapaz para perceber a realidade da Palavra que nos fala de Deus e do que somos.

O homem pelo seu próprio conhecimento não pode conhecer a Deus. É por isso que a loucura de Deus, que tanto humilha o homem em sua tentativa de autossuficiência, é o caminho estabelecido por ele para conhecê-lo salvadoramente (1Co 1.21). “O intelecto do homem está de fato cegado, envolto em infinitos erros e sempre contrário à sabedoria de Deus; a vontade, má e cheia de afeições corruptas, odeia a justiça de Deus; e a força física, incapaz de boas obras, tende furiosamente à iniquidade”, avalia Calvino.[33]

Ainda que o homem não seja absolutamente mau – não é tão mau quanto poderia – é extensivamente mau. Todo o seu ser está contaminado pelo pecado.[34] O pecado nos domina completamente. Na linguagem do profeta Isaías, “toda a cabeça está doente e todo o coração enfermo. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele cousa sã, são feridas, contusões e chagas inflamadas, umas e outras não espremidas, nem atadas, nem amolecidas com óleo” (Is 1.5-6).

Em lugares diferentes comenta Calvino:

Não teremos uma ideia adequada do domínio do pecado, a menos que nos convençamos dele como algo que se estende a cada parte da alma, e reconheçamos que tanto a mente quanto o coração humanos se têm tornado completamente corrompidos.[35]

Nada, senão a morte, procede dos labores de nossa carne, visto que os mesmos são hostis à vontade de Deus. Ora, a vontade de Deus é a norma da justiça. Segue-se que tudo quanto seja contrário a ela é injusto; e se é injusto, também traz, ao mesmo tempo, a morte. Contemplamos a vida em vão, caso Deus nos seja contrário e hostil, pois a morte, que é a vingança da ira divina, deve necessariamente seguir de imediato a ira divina.[36]

O homem foi criado essencialmente como ser social.[37] O pecado alienou-nos de Deus, de nós mesmos, do nosso semelhante e da natureza.[38] Com a queda o pecar tornou-se “humano” e isso, biblicamente, é desumano. Assim, o pecado, de certa forma, desumanizou-nos.

A Queda trouxe consequências desastrosas à imagem de Deus refletida no homem. Após a queda, mesmo o homem não regenerado continua sendo imagem e semelhança de Deus (aspecto metafísico):[39] Apesar de o pecado ter sido devastador para o homem, Deus não apagou a sua “imagem”, ainda que a tenha corrompida,[40] alienando-o, assim, de sua identidade divina original.

O pecado trouxe como implicação a perda do aspecto ético da imagem de Deus.[41] A nossa vontade, como agente de nosso intelecto,[42] agora, é oposta à vontade de Deus.

O propósito divino de santidade para nós foi contraposto pelo desejo pecaminoso do homem de seguir seu próprio caminho à revelia de Deus e de seus mandamentos. “Observemos aqui que a vontade humana é em todos os aspectos oposta à vontade divina, pois assim como há uma grande diferença entre nós e Deus, também deve haver entre a depravação e a retidão”, pontua Calvino.[43] A imagem que agora refletimos estampa mais propriamente o caráter de Satanás.[44] O homem está eticamente sob o domínio dele.[45]

Calvino é enfático ao retratar a depravação humana:

Portanto, que os homens reconheçam que, conquanto são nascidos de Adão, são criaturas depravadas, e por isso só podem conceber pensamentos pecaminosos, até que se tornem nova feitura de Cristo, e sejam formados por seu Espírito para uma nova vida. E não se deve nutrir dúvida de que o Senhor declara que a própria mente do homem é depravada e totalmente infectada com pecado; de modo que todos os pensamentos que procedem daí são maus. Se tal é o defeito na própria fonte, segue-se que todos os afetos humanos são maus e suas obras cobertas com a mesma poluição, visto que, necessariamente, têm laivos de seu original. Porquanto Deus não diz meramente que os homens às vezes pensam mal; mas a linguagem é sem fronteira, circunscrevendo a árvore com seus frutos. (…) Pois visto que sua mente seja corrompida com descaso de Deus, com orgulho, amor-próprio, ambição, hipocrisia e fraude, ela não pode proceder de outra forma, senão que todos os seus pensamentos se acham contaminados com os mesmos vícios. Além disso, não podem tender para um fim correto; donde sucede devam ser julgados como sendo o que realmente são: pervertidos e perversos. Pois tudo quanto há em tais homens, que nos deleita sob o matiz de virtude, é como o vinho deteriorado pelo odor do tonel. Porque (como já se disse) as próprias afeições da natureza, que em si mesmas são louváveis, contudo estão viciadas pelo pecado original, e, em razão de sua irregularidade, têm se degenerado de sua natureza peculiar; tal é o amor mútuo de pessoas casadas, o amor de pais para com seus filhos, e daí por diante. E a cláusula adicionada, ‘desde sua mocidade’, declara mais plenamente que os homens já nascem maus; a fim de mostrar que, tão logo atingem a idade em que começam a formar pensamentos, já revelam a corrupção radical da mente. (…) Devemos, pois, aquiescer ao juízo de Deus, o qual pronuncia o homem como estando tão escravizado pelo pecado, que não pode produzir nada são e sincero. Todavia, ao mesmo tempo devemos recordar que não se deve lançar nenhuma culpa sobre Deus por aquilo que tem sua origem na defecção do primeiro homem, pela qual a ordem da criação foi subvertida. E, além do mais, deve-se notar que os homens não são isentados de culpa e condenação mediante o pretexto desta servidão; porque, embora todos se apressem para o mal, contudo não são impelidos por qualquer força extrínseca, e sim pela inclinação direta de seus próprios corações; e, por fim, pecam não de outro modo, senão voluntariamente.[46]

Por intermédio de Isaías, Deus faz uma analogia extremamente forte para ilustrar a nossa situação. Ele toma dois animais difíceis de trato: o boi e o jumento. Mostra que a obtusidade, a teimosia e a dificuldade de condução destes animais dão-se pela sua própria natureza. No entanto, assim mesmo, eles sabem reconhecer os seus donos, aqueles que lhes alimentam.

O homem, por sua vez, como coroa da criação,[47] cedendo ao pecado perdeu totalmente o seu discernimento espiritual. Já não reconhecemos nem mesmo o nosso Criador, antes lhe voltamos as costas e prosseguimos em outra direção:[48]

O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniquidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o Senhor, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás. (Is 1.3-4).

Com o pecado, o homem tornou-se positivamente mau (Gn 6.5; 8.21; Mt 7.11) e incapaz de:

a) Fazer o bem: O homem é mau, por isso não pode produzir bons frutos (Jó 14.4; Jr 13.23; Mt 7.17-18; Jo 15.4-5; Rm 3.9-18).[49] Diante do escrutínio perfeito de Deus, os atos de “bondade” praticados pelo homem natural, são frutos da graça comum de Deus que atua sobre todos indistintamente.

b) Entender o bem: Se Deus não iluminar o homem natural, ele jamais compreenderá a mensagem salvadora do evangelho: nós um dia fomos salvos porque Deus abriu os nossos olhos para a sua Palavra (Jo 1.11; 8.43-44; At 16.14; 1Co 2.14; Sl 119.18; 1Jo 4.5-6).[50] O conhecimento que Adão e Eva passaram a ter após o pecado, foi virtualmente diferente (Gn 2.25; 3.7); nada havia ali de um “conhecimento salvador”.

Calvino (1509-1564) resume:

No tocante ao reino de Deus e a tudo quanto se acha relacionado à vida espiritual, a luz da razão humana difere pouquíssimo das trevas; pois, antes de ser-lhe mostrado o caminho, ela é extinta; e sua perspicácia não é mais digna que a cegueira, pois quando vai em busca do resultado, ele não existe. Pois os princípios verdadeiros são como as centelhas; essas, porém, são apagadas pela depravação da natureza antes que sejam postas em seu verdadeiro uso.[51]

 c) Desejar o bem: O homem natural, além de não fazer e não entender o bem, nem sequer o deseja. A sua vontade está sob o domínio tirânico do pecado e, por isso, quando o homem deseja a Cristo sinceramente, já indica a ação primeira de Deus: a iniciativa é sempre de Deus (Mt 7.18; Jo 3.3; 5.40; Jo 6.44,65; 8.43; 15.4-5).[52]

Hodge (1823-1886), diz:

Sua essência está na inabilidade da alma de conhecer, escolher e amar o que é bom espiritualmente, e seu fundamento está nessa corrupção moral da alma que a torna cega, insensível e totalmente adversa para tudo quanto é bom espiritualmente.[53]

Desta forma, todas as escolhas “livres” do homem natural estão na realidade a serviço do pecado,[54] como escreveu Seaton: “Somos como Lázaro em seu túmulo, mãos e pés amarrados; fomos tomados pela corrupção. Assim como não havia qualquer lampejo de vida no corpo morto de Lázaro, assim também não há ‘centelha interna receptiva’ em nossos corações”.[55]

No entanto, parece-nos pertinente a constatação de Calvino:

Deus, ao criar o homem, deu uma demonstração de sua graça infinita e mais que amor paternal para com ele, o que deve oportunamente extasiar-nos com real espanto; e embora, mediante a queda do homem, essa feliz condição tenha ficado quase que totalmente em ruína, não obstante ainda há nele alguns vestígios da liberalidade divina então demonstrada para com ele, o que é suficiente para encher-nos de pasmo.[56]

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

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[1]Catecismo Menor, Perg. 14.

[2] “O pecado não é um lapso lamentável de padrões convencionais; a sua essência é a hostilidade para com Deus (Romanos 8.7), manifesta em rebeldia ativa contra Ele” (John R.W. Stott, A Cruz de Cristo, Florida: Editora Vida, 1991, p. 80).

[3] “O pecado de Adão consistiu no fato de que ele baniu todo o amor por Deus do seu coração. (…) Quando Adão deixou de amar a Deus, ele começou a odiá-lo” (Abraham Kuyper, A Obra do Espírito Santo, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 361).

[4] * At 9.24; 20.3,19; 23.30.

[5]“….Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34). “Porque, quando éreis escravos do pecado, estáveis isentos em relação à justiça” (Rm 6.20). “Mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros” (Rm 7.23).

[6]“Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. (…) Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim” (Rm 7.17,20).

[7] W. Barclay, El Padrenuestro, Buenos Aires: La Aurora; ABAP, 1985, p. 118.

[8]“Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm 3.19-20).

[9]João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 2.2), p. 52.

[10]W. Barclay, El Padrenuestro, Buenos Aires: La Aurora; ABAP., 1985, p. 118.

[11] “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2).

[12] “Estendi as mãos todo dia a um povo rebelde, que anda por caminho que não é bom, seguindo os seus próprios pensamentos” (Is 65.2).

[13] “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).

[14]Loraine Boettner, La Inmortalidad, Grand Rapids, Michigan: TELL. [s.d.], p. 20-21.

[15] “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 12.7). “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1Co 15.51-52). “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9.27).

[16]Quanto à morte física como consequência do pecado, vejam-se: Louis Berkhof, Teologia Sistemática, p. 262, 675-676; Loraine Boettner, La Inmortalidad, Grand Rapids, Michigan: TELL. [s.d.], p. 15ss; J. Gresham Machen, El Hombre, Lima: El Estandarte de la Verdad, 1969, p. 158; Anthony A. Hoekema, A Bíblia e o Futuro, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1989, p. 105-114. (Todos esses autores entendem que a morte física foi uma consequência do pecado. Eu os acompanho neste ponto). Quanto a uma posição contrária, Vejam-se: Karl Barth, Church Dogmatics, Edinburgh: T & T. Clark, 1960, III2. p. 596ss e Reinhold Niebuhr, The Nature and Destiny of Man, New York: Scribner, 1941, v. 1, p. 175-177. No passado, o bispo Celéstio, discípulo de Pelágio, foi mais longe do que seu mestre, defendendo que Adão foi criado mortal e, portanto, teria morrido, quer tivesse pecado, quer não (Vejam-se: J.N. D. Kelly, Doutrinas Centrais da Fé Cristã: origem e desenvolvimento, São Paulo: Vida Nova, 1994, p. 273; Williston Walker, História da Igreja Cristã, São Paulo: ASTE, 1967, v. 1, p. 243; K.S. Latourette, Historia del Cristianismo. 4. ed. Buenos Aires: Casa Bautista de Publicaciones, 1978, v. 1, p. 96). Há também, aqueles que não se definem, como por exemplo: L.L. Morris, Morte: In: J.D. Douglas, ed. org. O Novo Dicionário da Bíblia, v. 2, p. 1073 e Ray Summers, A Vida no Além, 2. ed. Rio de Janeiro: JUERP., 1979, p. 25.

[17]Veja-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 3, p. 187-190.

[18]Cf. L. Berkhof, Teologia Sistemática, p. 443. Ver também: Anthony Hoekema, A Bíblia e o Futuro, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1989, p. 107-108.

[19] “E o Senhor aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo: Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau ([r;)(ra`) o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz” (Gn 8.21).

[20]Vejam-se: João Calvino, As Institutas, II.10.17ss. D. M. Lloyd-Jones, Por Que Prosperam os Ímpios?, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1983, 145p.

[21]Cf. Geerhardus Vos, Biblical Theology: Old and New Testaments, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1985 (Reprinted), p. 38-40; Steven J. Lawson, Fundamentos da Graça, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2012, v. 1, p. 81-82.

[22] “A Bíblia confirma nosso sentimento instintivo de que, no seu sentido mais profundo, toda morte é anormal” (J. I. Packer, Vocábulos de Deus, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1994, p. 185).

[23]Charles Colson; Harold Fickett, Uma boa vida, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 20.

[24] “…. as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2). “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados (…) E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos” (Ef 2.1,5). “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos” (Cl 2.13). “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9).

[25]Cf. Abraham Kuyper, A Obra do Espírito Santo, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 354.

[26] Anthony Hoekema, A Bíblia e o Futuro, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1989, p. 108.

[27] “Ouvindo isto, os discípulos ficaram grandemente maravilhados e disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo? 26 Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível” (Mt 19.25-26). “Sabendo, contudo que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl 2.16).

[28] João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 2.3), p. 56.

[29]John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1981 (Reprinted), v. 1, (Gn 5.3), p. 228-229.

[30]“Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gn 6.5). “…. o Senhor (…) disse consigo mesmo: Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade….” (Gn 8.21). “…. as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2). “Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. (…) Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.34,43,44). “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.9-12). “…. todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; (…) e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos” (Ef 2.1,5). “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor (…). E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos” (Cl 1.13; 2.13).

[31]João Calvino, Instrução na Fé, Goiânia, GO: Logos Editora, 2003, Cap. 5, p. 16.

[32]18 Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. 19 Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. 20 Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? 21 Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (1Co 1.18-21). 6Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; 7 mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; 8 sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória” (1Co 2.6-8). 12Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. 13Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais. 14Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. 15Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. 16Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo” (1Co 2.12-16).

[33]João Calvino, Instrução na Fé, Cap. 4, p. 15. Veja-se: D. M. Lloyd-Jones, O supremo propósito de Deus: Exposição sobre Efésios 1.1-23, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1996, p. 338. “Admito plenamente que o homem tenha ainda grandes e nobres faculdades, e que demonstre imensa capacidade nas artes, ciências e literatura. Porém, permanece o fato que nas coisas espirituais o homem está totalmente ‘morto’, destituído de qualquer conhecimento, amor ou temor a Deus. As excelências do homem estão de tal modo entremeadas e mescladas com a corrupção que o contraste somente põe em destaque a verdade e a extensão da queda” (J.C. Ryle, Santidade, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 1987, p. 24).

[34]Vejam-se: João Calvino, As Institutas, II.1.10; Confissão de Westminster, VI.2; IX.3; Catecismo Menor de Westminster, Questão 18; Catecismo de Heidelberg, Questões 5 e 7; Cânones de Dort, III e IV; L. Berkhof, Teologia Sistemática, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1990, p. 248; W.J. Seaton, Os Cinco Pontos do Calvinismo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, [s.d.], p. 6-7; Duane E. Spencer, TULIP: Os Cinco Pontos do Calvinismo à Luz das Escrituras, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992, p. 39; L. Boettner, La Predestinación, Grand Rapids, Michigan: SLC. [s.d.], p. 55-73; A.W. Pink, Deus é Soberano, São Paulo: Fiel, 1977, p.101-119; Edwin H. Palmer, Doctrinas Claves, Carlisle, Pennsylvania: El Estandarte de la Verdad, 1976, p. 11-36; A.A. Hodge, Esboços de Theologia, Lisboa: Barata & Sanches, 1895, Cap. XX, p. 312-321; John L. Dagg, Manual de Teologia, São Paulo: Fiel, 1989, p. 126-130; Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 3, p. 123ss.; John MacArthur, O Evangelho Segundo os apóstolos, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2011, p. 81-83.

[35]João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 2, (Sl 51.5), p. 431. Do mesmo modo MacArthur: “A depravação (…) significa que o mal contaminou cada aspecto da humanidade – coração, mente, personalidade, emoções, consciência, razões e vontade (Cf. Jr 17.9; Jo 8.44)” (John MacArthur Jr., Sociedade sem Pecado, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002, p. 81).

[36]João Calvino, Exposição de Romanos, (Rm 8.7), p. 266-267.

[37] “O homem foi formado para ser um animal social” (John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1981 (Reprinted), v. 1, (Gn 2.18), p. 128). Em outro lugar: “O homem é um animal social de natureza, consequentemente, propende por instinto natural a promover e conservar esta sociedade e, por isso, observamos que existem na mente de todos os homens impressões universais não só de uma certa probidade, como também de uma ordem civil” (João Calvino, As Institutas, II.2.13).

[38] “Pelo pecado estamos alienados de Deus” (João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 1.9), p. 32). “Tão logo Adão alienou-se de Deus em consequência de seu pecado, foi ele imediatamente despojado de todas as coisas boas que recebera” (João Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 2.5), p. 57). “Como a vida espiritual de Adão era o permanecer unido e ligado a seu Criador, assim também o dEle alienar-se foi-lhe a morte da alma” (João Calvino, As Institutas, II.1.5). Vejam-se também: Francis A. Schaeffer, Poluição e a Morte do Homem, São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 46-47; John W. R. Stott, O Discípulo Radical, Viçosa, MG.: Ultimato, 2011, p. 43.

[39] Podemos também chamar de aspecto “lato”, “estrutural” ou “formal”. (Para uma visão panorâmica do uso destes termos, veja-se: Anthony A. Hoekema, Criados à Imagem de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 84-88,101).

[40] Vejam-se: João Calvino, As Institutas, I.15.4; II.1.5; Juan Calvino, Breve Instruccion Cristiana, Barcelona: Fundación Editorial de Literatura Reformada, 1966, p. 13; João Calvino, Efésios, (Ef 4.24), p. 142; João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 8.5), p. 169; v. 2, (Sl 62.9), p. 579.

[41] Podemos também chamar de aspecto “estrito”, “funcional” ou “material”. (Para uma visão panorâmica do uso destes termos, veja-se: Anthony A. Hoekema, Criados à Imagem de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 84-88,101). “Ele é a criatura que, inicialmente, foi criada à imagem e semelhança de Deus, e essa origem divina e essa marca divina nenhum erro pode destruir. Contudo ele perdeu, por causa do pecado, os gloriosos atributos de conhecimento, justiça e santidade que estavam contidos na imagem de Deus. Todavia, esses atributos ainda estão presentes em ‘pequenas reservas’ remanescentes da sua criação; essas reservas são suficientes não somente para torná-lo culpado, mas também para dar testemunho de sua primeira grandeza e lembrá-lo continuamente de seu chamado divino e de seu destino celestial” (Herman Bavinck, Teologia Sistemática, Santa Bárbara d’Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 17-18). Vejam-se: João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 2, (Sl 51.5), p. 431-432; John Calvin, Commentaries on the Epistle of James, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996, (Calvin’s Commentaries, v. 22), (Tg 3.9), p. 323; As Institutas, I.15.8; II.2.26,27; Hermisten M.P. Costa, João Calvino 500 anos: introdução ao seu pensamento e obra, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 211ss.; W. Gary Crampton; Richard E. Bacon, Em Direção a uma Cosmovisão Cristã, Brasília, DF.: Monergismo, 2010, p. 27; Herman Dooyeweerd, No Crepúsculo do Pensamento, São Paulo: Hagnos, 2010, p. 260-261; François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 591; Emil Brunner, Dogmática: A Doutrina Cristã da Criação e da Redenção, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, v. 2, p. 88.

[42] Ver: James M. Boice, O Evangelho da Graça, São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 111. Agostinho (354-430), comentando o Salmo 148, faz uma analogia muito interessante: “Como nossos ouvidos captam nossas palavras, os ouvidos de Deus captam nossos pensamentos. Não é possível agir mal quem tem bons pensamentos. Pois as ações procedem do pensamento. Ninguém pode fazer alguma coisa, ou mover os membros para fazer algo, se primeiro não preceder uma ordem de seu pensamento, como do interior do palácio, qualquer coisa que o imperador ordenar, emana para todo o império romano; tudo o que se realiza por meio das províncias. Quanto movimento se faz somente a uma ordem do imperador, sentado lá dentro? Ao falar, ele move somente os lábios; mas move-se toda a província, ao se executar o que ele fala. Assim também em cada homem, o imperador acha-se no seu íntimo, senta-se em seu coração; se é bem e ordena coisas boas, elas se fazem; se é mau, e ordena o mal, o mal se faz” (Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, (Patrística, 93), 1998, v. 3, (Sl 148.1-2), p. 1126-1127).

[43] João Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 8.7), p. 267.

[44] “Moral e espiritualmente, o caráter do homem estampa a imagem de Satanás, e não a de Deus. Ora, é precisamente isso o que a Bíblia quer dizer quando fala sobre o homem caído no pecado como ‘filho do diabo’. (Jo 8.44; Mt 13.38; At 13.10 e 1Jo 3.8)” (J.I. Packer, Vocábulos de Deus, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1994, p. 67). “Tampouco é absurdo dizer que a imagem em parte se perdeu e em parte se conservou, e que no mesmo sujeito há a imagem de Deus e a do diabo em diferentes aspectos” (François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 588).

[45] Cf. Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 3, 190.

[46]John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1981 (Reprinted), v. 1, (Gn 8.21), p. 284-286.

[47] “Não é arrogância humana acreditar que seja a coroa, o alvo da criação. Ela o é, não apenas porque seja a última numa série ascendente, mas porque, pela sua natureza, foi estabelecida para isso” (Emil Brunner, Dogmática: A Doutrina Cristã da Criação e da Redenção, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, v. 2, p. 99).

[48] Lloyd-Jones explora com vivacidade a analogia do texto. Veja-se: D. M. Lloyd-Jones, O Caminho de Deus, não o nosso, p. 43-46.

[49]“Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém!” (Jó 14.4). “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal” (Jr 13.23). 17Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. 18 Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons” (Mt 7.17-18).”Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.4-5). 9 Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; 10 como está escrito: Não há justo, nem um sequer, 11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus; 12 todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. 13 A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, 14 a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; 15são os seus pés velozes para derramar sangue, 16 nos seus caminhos, há destruição e miséria; 17desconheceram o caminho da paz. 18 Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm 3.9-18).

[50] “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). 43Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra. 44Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.43-44). “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (At 16.14). “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2.14). “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18). 5Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve. 6Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro” (1Jo 4.5-6).

[51] João Calvino, Efésios, (Ef 4.17), p. 134-135.

[52] “Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons” (Mt 7.18). “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). “Contudo não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo 5.40). 44 Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. (…) 65 E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (Jo 6.44,65). “Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra” (Jo 8.43). 4Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. 5 Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.4-5).

[53] A.A. Hodge, Esboços de Theologia, Lisboa: Barata & Sanches, 1895, p. 315.

[54]Veja-se: J.I. Packer, Liberdade: In: J.D. Douglas, ed. ger. O Novo Dicionário da Bíblia, São Paulo: Junta Editorial Cristã, 1966, v. 2, p. 930.

[55]W.J. Seaton, Os Cinco Pontos do Calvinismo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, [s.d.], p. 8.

[56]João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 1, (Sl 8.7-9), p. 173-174.

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