O Seminário e a formação de Pastores – Parte 6

5. Sobre pastores, teologias e a Igreja

 

Modéstia e ensino

O ensino está associado necessariamente ao aprendizado. Calma! Isso não é tão óbvio quanto parece. Um bom mestre deve continuar sendo um bom discípulo. Mestre pronto, acabado, é uma contradição de termos e, pior, de vivência. Talvez não precisemos fazer cursos de educação continuada mas, certamente, necessitamos transformar a nossa vida em um curso contínuo de aprendizagem.

Quanto mais dispostos a aprender estivermos, mais teremos condições de ensinar com competência, autoridade e modéstia.[1]

A modéstia será reforçada pela compreensão de que também estamos caminhando no aprendizado[2] e, mais ainda, nas lutas por praticar o que aprendemos. Assim, ainda que por vezes em níveis diferentes, estamos todos aprendendo. O mestre é aquele que aprende e, de repente, ensina. De certo modo, todos somos autodidatas porque tendemos a aprender o que filtramos dos outros, selecionamos e internalizamos.

As palavra do teólogo Witsius (1636-1708)  no seu discurso já citado na Universidade de Franeker em 1675, são iluminadoras:

Pois ninguém ensina bem, a menos que tenha primeiro aprendido bem; ninguém aprende bem, a menos que aprenda com objetivo de ensinar, e aprender e ensinar são inúteis e infrutíferos a menos que venham acompanhados de prática.[3]

O trabalho do teólogo, como aquele que fala (logos), a respeito de Deus (Theós), é grandioso e modesto.[4] Grandioso pelo seu tema, a universalidade de seu conteúdo, e sua abrangência de eternidade a eternidade. Deus, o homem em relação a Deus, às suas múltiplas relações na história e, o seu estado definitivo na eternidade. Esse é o escopo da teologia.[5]

 

Vocação assombrosa

Isso é assombroso. Teologia é uma graça terrificante.[6] O Senhor tremendo (Sl 47.2;145.6)[7] é quem nos chama.[8] O salmista se alegra no temor de Deus, ciente da sua santa majestade: “Porque grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado, temível (arey”) (yare) mais que todos os deuses” (Sl 96.4). “Celebrem eles o teu nome grande (lAdG”)(gadol) e tremendo (arey”) (yare), porque é santo (vAdq’) (qadosh)” (Sl 99.3).

O nosso santo temor – uma intimidade reverente – acompanhado de uma atitude de condizente obediência, alegra o Senhor que se manifesta com a sua bênção: “Ele abençoa os que temem (arey”) (yare) o SENHOR, tanto pequenos como grandes” (Sl 115.13).

A função do teólogo não é revelar mistérios ou, esclarecer o não-revelado, mas, sermos fiéis ao que Deus nos confiou em sua Palavra (1Co 4.1-2).[9] Não somos videntes nem intérpretes juramentados de Deus. Teologia completa e definitiva é uma contradição e ilusão pecaminosa. Seria uma tentativa insana de elaborar um sistema egofundacional todorreferente (ou Pan-egorreferente final).

Os possíveis extremos da univocidade e da equivocidade, são perigosos pelas suas também possíveis consequências indesejadas: O racionalismo e o ceticismo.[10] Palmilhar honesta e sinceramente pelo caminho construtivo do dogmatismo crítico sempre é um desafio em qualquer área.[11]

 

Todos somos ortodoxos e heterodoxos

É importante aprender a não amar pensar sozinho, orgulhando-se de suas conclusões “diferentes”. Mas, ao mesmo tempo, é necessário que tenhamos a dignidade e honradez de, quando estivermos convencidos de um ensinamento bíblico, não temer pensar sozinho, ainda que permaneçamos abertos a um exame constante de nossa posição. De certa forma, todos somos ortodoxos.[12] Isso porque esses três elementos estarão presentes em nossas elaborações: A verdade existe, é conhecível e, a posição que sustentamos é verdadeira. Se afirmarmos isso de forma negativa, seremos ortodoxos da mesma forma. Na prática, a nossa doxia é ortodoxia. A doxia do outro é heterodoxia. Antes que eu me esqueça, a recíproca também é verdadeira.

 

O perigo do autopastoreio

O amar pensar solitariamente, pode nos conduzir a armadilhas, empobrecimento teológico, esquisitices teológicas arrogantes e presunçosas que em nada edificam (Jd 12).[13] Por outro lado, temer pensar sozinho pode obstruir o caminho de uma compreensão mais ampla da Palavra e, consequentemente, de nos edificar com isso bem como à Igreja de Deus.

Isso faz-me lembrar de Lutero na Dieta de Worms (1521) quando diante do Imperador, dos príncipes e de clérigos, é pressionado a negar a sua fé. Depois de pedir algumas horas para pensar, argumenta e, por fim, estabelece o padrão de seu pensamento e fé: “… estou vencido pelas Escrituras por mim aduzidas e minha consciência está presa nas palavras de Deus – não posso nem quero retratar-me de nada, porque agir contra a consciência não é prudente nem íntegro”.[14]

 

Os riscos da teologia

A teologia é sempre descritiva das Escrituras esforçando-se por relacionar as partes com o todo a fim de alcançar, por graça, um conhecimento mais completo e exaustivo daquilo que Deus nos confiou em sua Palavra.

Em nosso trabalho, corremos o risco de desprezar a teologia, por meio de uma falta de seriedade para com a Palavra de Deus ou, de valorizá-la por uma perspectiva errada, atraindo para nós os holofotes, desejando cada vez mais sermos aceitos e reverenciados devido à nossa inteligência, eloquência e, por vezes, pela ousadia infundada de nossas afirmações.[15]

A ignorância, pela falta de autoconsciência, tende a ser atrevida e arrogante. Em geral, quanto mais ignorante, mais bombástica é (1Tm 1.6-7)[16].[17]

Assim procedendo, nos esquecemos, de que a grandeza de nossa vocação está na imensa misericórdia de Deus. O sucesso no desempenho repousa na superabundante graça que nos capacita constantemente, nos ensinando, preservando, sustentando, disciplinado, consolando e estimulado.

Essas considerações são altamente estimulantes em nosso ministério: Deus nos chama por graça e nos preserva com o seu poder (Jd 1,24).

No primeiro dia de 1553, período turbulento, Calvino, então com 43 anos,  escreve a sua carta dedicatória dos comentários do Evangelho de João aos síndicos de Genebra. A certa altura diz:

Espontaneamente reconheço diante do mundo que mui longe estou de possuir a cuidadosa diligência e outras virtudes que a grandeza e a excelência do ofício requer de um bom pastor, e como continuamente lamento diante de Deus os numerosos pecados que obstruem meu progresso, assim me aventuro declarar que não estou destituído de honestidade e sinceridade na realização de meu dever.[18]

 

A loucura da autovocação e a bênção do ministério

De fato, se não formos mesmo vocacionados é melhor que não o façamos. Autovocação[19] (Jr 23.21,32)[20] é o caminho da tristeza, angústia, frustração e muitos males para outras pessoas.[21] Ministério não é diversão ou bico.[22]

No entanto, atender à vocação de nosso Senhor é altamente estimulante e consolador.

O nosso chamado nos liga definitivamente  ao Senhor da Igreja e ao seu povo:

Nada poderá encher-nos de mais coragem do que o reconhecimento de que fomos chamados por Deus. Pois desse fato podemos inferir que o nosso labor, que está sob a direção divina e no qual Deus nos estende sua mão, não ficará infrutífero. Portanto, pesaria sobre nós uma acusação muito grave caso rejeitássemos o chamado divino.[23]

O homem, uma vez chamado, que ponha indelevelmente em sua mente que ele não mais é livre para retroceder, quando bem lhe convier, se, por exemplo, as frustrações arrebatarem seu coração ou as tribulações o esmagarem; porquanto ele está dedicado ao Senhor e à Igreja, e se acha firmemente amarrado por um laço sagrado, o qual lhe seria pecaminoso desatar.[24]

Por outro lado, quando a nossa fidelidade inicial se transforma em capitalizações de reconhecimento, influência, cargos, salários, convites e fama, corremos o risco de reavaliar nossa vocação por algum prisma estranho às Escrituras. Isso me fez lembrar mais uma vez o corajoso e incisivo Lutero e o lúcido Calvino:

É para muito se lamentar o fato de que nenhum homem está contente ou satisfeito com aquilo que Deus lhe dá em sua vocação e chamado. As condições dos outros homens agradam-nos mais do que as nossas: como disse o pagão (Ovídio): “A colheita é sempre mais abundante nas terras do outro, e o gado de nosso vizinho produz  mais do que o nosso”. E outro pagão (Horácio): “O boi preguiçoso deseja a sela do cavalo, e o cavalo lento, arado”.

Quanto mais temos, mais queremos. Servir a Deus, para todos nós, permanecer em sua vocação e chamado, por mais simples e humilde que seja.[25]

Calvino aconselha:

Cada um deve viver contente com sua vocação, e persistir nela, e não viver ansioso em mudar para alguma outra coisa. (…) [Paulo] deseja corrigir a irrefletida avidez de alguns em mudar sua situação sem qualquer razão plausível, pois talvez são movidos por uma crença errônea ou alguma outra influência. (…) Condena o desassossego [de espírito] que impede os indivíduos de permanecerem alegremente como estão….[26]

 

A poderosa Palavra de Deus

O apóstolo Paulo, diante dos presbíteros de Éfeso, quando se despede em caráter definitivo, traz à lembrança de seus ouvintes um dos aspectos fundamentais de seu ministério: “Jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20.27). Esse foi o seu ministério durante os três anos nos quais ali passou. (At 20.27,31).

Tendo aprendido com o Cristo, Paulo não se deteve em sabedoria humana, em debates frívolos ou em exibicionismo de saber, antes, anunciou o Evangelho da graça de Deus (At 20.24).[27]

Ele prevê as dificuldades que viriam, surgidas muitas delas dentro da própria Igreja,[28] até mesmo, é possível, da parte de presbíteros (At 20.29-30).[29] No entanto, ele não estabelece nenhum método extravagante, antes os orienta a ficarem atentos – contínua e perseverantemente[30] – e os encomenda à Palavra (At 20.31-32).[31] Demonstra também a necessidade de autovigilância (At 20.28).

Stott (1921-2011) comenta:

Notamos que os pastores efésios devem primeiro vigiar a si mesmos, e só depois ao rebanho que lhes foi confiado pelo Espírito Santo. Pois eles não podem dar um cuidado adequado aos outros se negligenciarem o cuidado e a instrução de suas próprias almas.[32]

A Palavra de Deus é um antídoto contra os lobos vorazes que desejam se apossar do rebanho e contra os homens pervertidos que procuram corromper o povo de Deus.

A Palavra é poderosa para nos edificar e santificar. Por isso, caberia àqueles presbíteros, pregar a Palavra, assim como Paulo o fizera. “A Igreja e o evangelho são inseparáveis. (…) A Igreja é tanto o fruto como o agente do evangelho, visto que por meio do evangelho a igreja se desenvolve e por meio desta se propaga aquele”, comentam Stott  (1921-2011) e Meeking (1929-2020).[33]

Em outro lugar, o apóstolo diz: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, (didaskali/a = “instrução”) para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3.16). Entre outras coisas, isto significa que o nosso pensar teológico deverá estar sempre conectado com a fidelidade à Escritura e com o ensino da Palavra. Este aspecto realça a nossa responsabilidade como intérpretes, discípulos, mestres e expositores da Palavra.

O alto conceito a respeito de nós mesmos e de nossos pensamentos tendem a corromper totalmente a nossa compreensão da Escritura e, consequentemente, de toda a realidade. É preciso que reconheçamos Deus como Deus a partir da plenitude de sua revelação. A sua revelação é para ser recebida com uma fé inteligente e uma inteligência submissa à Palavra. Isso é graça abundante.

 

Silêncio reverente ou palavrórios insolentes

O verdadeiro teólogo é um humilde discípulo das Escrituras. Todavia, tão certo quanto a Palavra de Deus é a única regra de fé, assim também é que nosso teólogo, para que entenda de maneira espiritual e salvadora, deve ser entregue ao ensino interno do Espírito Santo. Portanto aquele que é discípulo das Escrituras também deve ser um discípulo do Espírito – Herman Witsius.[34]

O fato bíblico é que diante do mistério não há lugar para especulação,[35] antes devemos estar comprometidos com o que Deus nos deu a conhecer na Palavra. E, o que Deus nos deu a conhecer é muito mais do que consigo alcançar e, principalmente vivenciar.[36]

Confesso que ignoro uma série de questões quanto à eternidade e à sua “cotidianidade”. Mas, sei que devo aprender a amar, perdoar, ser longânimo, misericordioso e ter uma vida mais santa.[37] Confesso tristemente que lamentavelmente tenho falhado concretamente em muitas ocasiões. Que Deus tenha misericórdia de mim.

Como cristãos, devemos aprender, se ainda não o fizemos, a nos calar diante do silêncio de Deus, sabendo que o som da nossa voz petulante e “lógica”[38] – em tais circunstâncias –, por si só seria uma “heresia”.[39]

Diante da vontade de Deus – que é a causa final de todos os seus atos –, temos que manter um reverente silêncio, reconhecendo que Ele assim age, porque foi do seu agrado; conforme o seu santo, sábio e bondoso querer: Isto nos basta! (Sl 115.3; 135.6; Dn 4.35; Ef 1.11). O que nos compete é procurar entender, por meio do estudo sério, da oração e da observação histórica, o que Deus quer nos ensinar em “toda a Escritura” e em cada parte da Escritura.[40]

O texto que você tem em mãos fundamenta-se nessas convicções Que Deus nos ajude na compreensão, aplicação e vivência de sua Palavra. Amém

Continuemos a nossa caminhada.

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

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[1]Veja-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 1, p. 45.

[2] Como bem sumariou Carl Rogers (1902-1987): “Aquele que aprende está unicamente interessado em continuar a aprender” (Carl R. Rogers, Tornar-se pessoa,  São Paulo: Martins Fontes, 1977, p. 255).

[3] Herman Witsius, O Caráter do Verdadeiro Teólogo, São Paulo: Teocêntrico Publicações, 2020. Edição do Kindle.  Localização: 142-143).

[4]Tillich (1886-1965), ainda que não seguindo uma linha teológica evangélica, caracteriza bem a questão da teologia, ao falar da sua tarefa: “A tarefa da teologia é mediação, mediação entre o critério eterno da verdade manifesto na figura de Jesus, o Cristo, e as experiências mutáveis dos indivíduos e dos grupos, suas variadas questões e suas categorias de percepção da realidade. Quando se rejeita a tarefa mediadora da teologia, rejeita-se a própria teologia; pois o termo ‘teo-logia’ pressupõe, em si, uma mediação, a saber, entre o mistério, que é theos, e a compreensão, que é logos”. (Paul Tillich, A Era Protestante, São Paulo: Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião, 1992, p. 15). Notemos que “as experiências mutáveis dos indivíduos e dos grupos”, não se constituem no nosso ponto de partida teológico, antes são desafios para os quais o teólogo deve buscar nas Escrituras a resposta.

[5] “No círculo das ciências, a teologia tem direito a um lugar de honra, não por causa das pessoas que pesquisam essa ciência, mas em virtude do objeto que ela pesquisa; ela é e continuará sendo – desde que esta expressão seja entendida corretamente – a rainha das ciências” (Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 1, p. 53). “A teologia e a dogmática, também, existem por causa de Deus” (Herman Bavinck, Dogmática Reformada, v. 1, p. 46).

[6] Após escrever isso, recordei-me do já recorrente discurso Witsius (1636-1708): “Eu sou ao mesmo tempo assombrado por um grande e bem fundamentado medo de falhar em cumprir exatamente o trabalho que me foi designado” (Herman Witsius, O Caráter do Verdadeiro Teólogo, São Paulo: Teocêntrico Publicações, 2020.(Locais do Kindle 11-12). Edição do Kindle.  Localização: 91-92).

[7] “Pois o SENHOR Altíssimo (!Ayl.[,) (elyon) é tremendo (arey”) (yare), é o grande rei de toda a terra” (Sl 47.2). “Falar-se-á do poder dos teus feitos tremendos (arey”) (yare), e contarei a tua grandeza (hL’WdG>) (gedullah) (Sl 145.6).

[8] “É somente pela vocação divina que os ministros da Igreja se tornam legalmente efetivados. Quem quer que se apresente sem ser convidado, seja qual for a erudição ou eloquência que o mesmo possua, esse não recebe autoridade alguma, porquanto não veio da parte de Deus” (João Calvino, O Evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 1.31), p. 71). Veja-se também:  D.M. Lloyd-Jones, Discurso feito em setembro de 1967 numa conferência estudantil no Seminário Teológico de Westminster, em Filadélfia. In: Discernindo os Tempos, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1989, p. 274-275.

[9] Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus.  2 Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1Co 4.1-2).

[10]Veja-se: Michael Horton, Doutrinas da fé cristã, São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 62. “Há muito conforto no ceticismo. Se a verdade é inalcançável, então não é preciso sofrer as dores de sua procura. Ninguém chegará ao desapontamento de descobrir uma falha em um argumento lapidado com diligência e, até então, confiável. Já não será necessário deitar outro fundamento pesado entre as ruínas de um edifício magnífico. O ceticismo dispensa todo esforço. Pode ser desespero, mas é um desespero bastante confortável” (Gordon H. Clark, Uma visão cristã dos Homens e do Mundo,  Brasília, DF.: Monergismo, 2013, p. 37). Perspectiva muito semelhante a de Clark, temos em  Marcondes. (Veja-se: Danilo Marcondes,  Iniciação a história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005, p. 97). Do memo modo, ver: Paul Tillich, História do pensamento cristão, São Paulo: ASTE, 1988, p. 19).

[11] “Recusamos igualmente o ceticismo frívolo e o dogmatismo escolástico; somos dogmáticos críticos. Cremos na verdade, embora não pretendamos possuir a verdade absoluta” (Ernest Renan, O Futuro da Ciência,  Salvador: Imprensa Oficial da Bahia, 1950, p. 433-434).

 

[12]Ortodoxia” é uma transliteração da palavra grega, o)rqodoci/a, que é composta por duas outras: o)rqo/j, “certo”, “direito” (At 14.10; Hb 12.13) e do/ca, “opinião”, “doutrina”. o)rqodoci/a não aparece nas Escrituras – nem nos escritos seculares ou cristãos até o segundo século (*) – , no entanto, o sentido nos é dado em Gl 2.14. Paulo escreve: “Quando, porém, vi que não procediam corretamente (o)rqopode/w) segundo a verdade do Evangelho….”. (“….o)rqopodou=sin pro\j th\n a)lh/qeian tou= eu)aggeli/ou….”. O Novo Testamento oferece-nos outros textos que insistem no ensino do verdadeiro Evangelho, conforme o estabelecido por Deus em sua Palavra. (Vejam-se: Rm 16.17;1Co 15.1-11; 2Co 11.2; Gl 1.6-9; 2Tm 2.15; 4.3-4). Este sentido opõe-se à “heterodoxia”, assim descrita por Paulo: “Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas a fim de que não ensinem outra doutrina (e(terodidaskalei=n) (1Tm 1.3). “Se alguém ensina outra doutrina (e(terodidaskalei=) e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com o ensino segundo a piedade….” (1Tm 6.3).

Até onde se sabe, foi Inácio, bispo de Antioquia o primeiro escritor cristão a usar a expressão “heterodoxia” para se referir aos falsos ensinamentos (c. 110 AD). Na Carta aos Magnésios, VIII.1, diz: “Não vos deixeis iludir pelas doutrinas heterodoxas, nem pelos velhos mitos sem utilidade” (Cartas de Santo Inácio de Antioquia, 3. ed. Petrópolis, RJ.: Vozes, 1984, p. 53). Na Carta aos Esmirnenses, VI.2, escreve: “Considerai bem como se opõem ao pensamento de Deus os que se prendem a doutrinas heterodoxas a respeito da graça de Jesus Cristo, vinda a nós” In: Cartas de Santo Inácio de Antioquia, p. 80).

Mais tarde, c. 325, Eusébio de Cesaréia usaria a expressão aludindo aos ensinamentos de Paulo de Samosata (Veja-se: Eusebio de Cesarea, HE., VII.28.2; 29.1; 30.1) e àqueles que se desviaram das Escrituras para ensinos “heterodoxos” (HE., VI.12.2). O bispo de Roma Vitor tentando disciplinar as Igrejas da Ásia, alegou que elas eram heterodoxas (HE., V. 24.9).

Como sabemos, Paulo de Samosata, bispo de Antioquia por volta do ano 260, foi o grande difusor do chamado “Monarquianismo Dinâmico”. Ele ensinava que Jesus era originariamente um mero homem (Eusébio, HE., V. 28.2; VII.27.2), sendo elevado a uma posição superior no batismo, quando recebeu o poder (“du//namij”) do céu. Este poder, que passou a residir na pessoa humana de Jesus, qualificou-a para uma tarefa especial. Assim, Jesus foi elevado a uma posição intermediária entre Deus e os homens, no entanto, Jesus não é essencialmente divino. A consciência de ser o portador do Logos, foi crescendo gradativamente em Jesus a partir do seu batismo. O Logos o capacitou a exercer um ministério especial e, era Ele quem controlava todas as palavras e obras de Jesus. Seus ensinamentos foram condenados no Sínodo de Antioquia (268), sendo ele excomungado. (Eusébio, HE., VII.29.1). Eusébio diz que Paulo “caiu (…) da ortodoxia da fé” (HE., VII.30.18).

A palavra “ortodoxia” parece ter ganho força no sentido eclesiástico, a partir do quarto século, com a elaboração dos “cânones de fé” (Sínodo de Nicéia (325); Constantinopla (381); Calcedônia (425) e com o reconhecimento do Cânon Bíblico (3º Sínodo de Cartago (397), quando a Igreja decidiu as questões pertinentes à fé conforme os padrões adotados. Deste modo, o que se harmonizasse com este padrão era considerado “ortodoxo”, o que era contrário, era “heterodoxo”. (Veja-se: Orthodoxy: In: Rev. John M’Clintock; James Strong, eds. Cyclopaedia of Biblical, Theological, and Ecclesiastical Literature, New York: Harper & Brothers, Publishers, Franklin Square, 1894, v. 7, p. 460). Posteriormente, a Igreja Oriental se declarou “Santa Ortodoxa Apostólica”.

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(*) Encontramos apenas o verbo “o)rqodo/cein” em Aristóteles (384-322 a.C.), com o sentido de “reta opinião” (Aristóteles, Ética a Nicômaco, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 4), 1973, VII.8. 1151a19. p. 368). Platão (427-347 a.C.) nos fala do “reto juízo” (= “mente reta”) (nou=j o)rqo/j). (Fedro, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 3), 1972, 73a. p. 82). Eusébio de Cesaréia, c. 325 AD., usou a palavra “ortodoxia” com alguma frequência, referindo-se a Irineu, Clemente e Orígenes, como aqueles que representavam a “ortodoxia da Igreja” (Eusebio de Cesarea, Historia Eclesiástica, Madrid: La Editorial Catolica, S.A. (Biblioteca de Autores Cristianos, v. 349 e 350), 1973, III.23.2/VI.2.14; VI.36.4).  Eusébio também fala da “verdadeira ortodoxia” (HE., III.25.7); “ortodoxia apostólica” (HE., III.31.6; 38.5); “ortodoxia da santa fé” (HE., IV. 21/V. 22); “ortodoxia eclesiástica” (HE., VI.18.1); “autores ortodoxos” (HE., V. 27).

Dionísio – convertido por intermédio de Paulo em Atenas, que se tornara bispo de Corinto –, escreve carta às Igrejas, as quais Eusébio diz que eram “catequeses de ortodoxia” (HE., IV. 23.2). Berilo, bispo de Bostra, entre os árabes, “opinava retamente” (HE., VI.33.2).

[13] Aprecio a observação de McGrath: “Uma das coisas que noto à medida que envelheço é a maneira como as outras pessoas me ajudam a ver as coisas mais claramente. Elas me mostram coisas que eu não tinha visto antes. E, às vezes, elas precisam me corrigir quando percebo as coisas de forma errônea. Daí a importância de o cristianismo ser uma fé comunitária, em vez de uma fé individual” (Alister McGrath,  A Fé e os credos, São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 37-38).

[14]Martinho Lutero, Discurso do Dr. Martinho Lutero Perante o Imperador Carlos e os Príncipes na Assembleia de Worms – Quinta-feira depois de Misericordias Domini. In: Martinho Lutero: Obras Selecionadas, São Leopoldo, RS.; Porto Alegre, RS.: Sinodal; Concórdia, 1996, v. 6, p. 126. McGrath está correto ao afirmar: “Permitir que novas ideias e valores tornem-se controlados por qualquer coisa ou pessoa que não a autorrevelação de Deus na Escritura é adotar uma ideologia, em vez de uma teologia; é tornar-nos controlados por ideias e valores cujas origens se acham fora da tradição cristã – e potencialmente tornar-nos escravizados por eles” (Alister E. McGrath, Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do Evangelicalismo, São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 53).

[15] “Se somos bem-sucedidos de uma maneira menor ou maior, louvemos a Ele por isso. (…) Devemos guardar nosso coração para não contaminar nosso serviço regozijando-nos em nossa própria glória demonstrada no sucesso em vez de na glória de Deus” (Vern S. Poythress, O Senhorio de Cristo: servindo o nosso Senhor o tempo todo, em toda a vida e de todo o nosso coração, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 141).

[16]6Desviando-se algumas pessoas destas coisas, perderam-se em loquacidade frívola,  7 pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações” (1Tm 1.6-7).

[17]Calvino, em lugares diferentes nos orientou quanto a tal comportamento: “A ignorância é sempre ousada e presunçosa” (João Calvino, O Evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1,  (Jo 3. 25), p. 140). “A ignorância é sempre precipitada, e um discreto discernimento das coisas faz um homem modesto” (João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 3.1), p. 81).

[18] João Calvino, O Evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1,  p. 23.

[19] Devo esta expressão a Turretini. Veja-se: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 3, p. 263-264, 292. “Os levitas serviam por direito de sucessão, os profetas serviam porque eram escolhidos por Deus. Mas isso não faz qualquer diferença: chamado de um jeito ou de outro, o ofício permanece o mesmo, contanto que nós tenhamos a certeza de que o Rei Jesus nos chamou e nos ordenou” (Abraham Kuyper, A Obra do Espírito Santo, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 208).

[20]Não mandei esses profetas; todavia, eles foram correndo; não lhes falei a eles; contudo, profetizaram” (Jr 23.21). “Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o SENHOR, e os contam, e com as suas mentiras e leviandades fazem errar o meu povo; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e também proveito nenhum trouxeram a este povo, diz o SENHOR” (Jr 23.32).

[21] “O que torna válido um ofício é a vocação, de modo que ninguém pode exercê-lo correta ou legitimamente sem antes ser eleito por Deus (…). Nenhuma forma de governo deve ser estabelecida na Igreja segundo o juízo humano, senão que os homens devem atender à ordenação divina; e, ainda mais, que devemos seguir um procedimento de eleição preestabelecido, para que ninguém procure satisfazer seus próprios desejos. (…) Segundo é a promessa de Deus de governar sua Igreja, assim ele reserva para si o direito exclusivo de prescrever a ordem  e forma de sua administração” (J. Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 5.4), p. 127-128).

[22] “Esta não é uma ocupação ordinária, e não é uma diversão” (João Calvino, Sermões sobre Tito,  Brasília, DF.: Monergismo,  2019, p. 60 [Edição do Kindle])

[23]João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 6.12), p. 173.

[24]João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 9.16), p. 276-277.

[25]Martinho Lutero, Conversa à mesa de Lutero, Brasília, DF.: Monergismo, 2017,  891, p. 461-462.

[26]João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1996,  (1Co 7.20), p. 221-222.

[27] “O método ordinário de Cristo de ensinar – isto é, com comum simplicidade – aqui se contrasta com o exibicionismo e brilhantismo a que os homens ambiciosos se apegam tanto” (João Calvino, O Evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 3.12), p. 128).

[28]“Se existe algo que a história nos ensina, este ensino é que os ataques mais devastadores desfechados contra a fé sempre começaram com erros sutis surgidos dentro da própria igreja” (John F. MacArthur Jr., Com Vergonha do Evangelho, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1997, p. 11).

[29] 1Tm 1.3; 2Tm 1.15; Ap 2.1-7.

[30] O presente imperativo do verbo (grhgore/w) (de onde vem Gregório), vigiar, ficar acordado, desperto, indica uma vigilância contínua e perseverante.

[31] “Grande prudência é requerida daqueles que têm a incumbência da segurança de todos; e grande diligência, daqueles que têm o dever de manter vigilância, dia e noite, para a preservação de toda a comunidade” (João Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 12.8), p. 434).

[32] John R.W. Stott, A Mensagem de Atos: Até os confins da terra, São Paulo: ABU, (A Bíblia Fala Hoje),1994, (At 20.28-35), p. 369.

[33]John R.W. Stott; Basil Meeking, editores, Dialogo sobre la mision, Grand Rapids, Michigan: Nueva Creación, 1988, p. 62.

[34] Herman Witsius, O Caráter do Verdadeiro Teólogo, São Paulo: Teocêntrico Publicações, 2020.(Locais do Kindle 247-250).

[35]Este princípio é uma das marcas do pensamento de Calvino: “Aprendamos, pois, a evitar as inquirições concernentes a nosso Senhor, exceto até onde Ele nos revelou através da Escritura. Do contrário, entraremos num labirinto do qual o escape não nos será fácil” (João Calvino, Romanos, 2. ed. São Paulo: Parakletos, 2001, (Rm 11.33), p. 426-427).           Em 1548 Calvino (1509-1564) comentando a Primeira Epístola de Paulo a Timóteo, falando da seriedade da confissão de Cristo, que significou a sua entrega em favor do seu povo, extrai uma lição prática que deve orientar o nosso testemunho e, diria mais, o nosso labor teológico: “Não estamos assentados aos pés de Platão com o fim de aprender filosofia e a ouvi-lo discorrer à sombra sobre controvérsias inúteis, senão que a doutrina que professamos foi ratificada pela morte do Filho de Deus” (João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 6.13), p. 174). Ele era avesso a especulações fruto de nossa imaginação. A teologia está relacionada à vida prática. Questionar por questionar é algo sem sentido é nocivo. Portanto, o teólogo deve ter cuidado para não cair nesta armadilha (Veja-se: João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (Tt 1.1), p. 300)

O silêncio de Deus deve propiciar o nosso silêncio reverente. Não busquemos insanamente ultrapassar o revelado; isto significaria tentar ir além de Deus: “Eis um bom marco memorial da sobriedade: Se em nossa aprendizagem ou em nosso ensino seguirmos a Deus, tenhamo-lo sempre adiante de nós. Contrariamente, se Ele parar de ensinar, paremos de querer continuar a ouvir e a entender” (João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, (III.8) v. 3, p. 40. Vejam-se, por exemplo: João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, (I.1) v. 1, p. 66; As Institutas, I.2.2; I.5.9; I.9.3; I.14.3; III.21.4; III.23.8; III.25.6,11; IV.17.36; Exposição de Romanos, São Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 9.14), p. 330; Exposição de 1 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 3.12), p. 112; Exposição de 2 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1995, (2Co 12.4), p. 242, 243; As Pastorais, (1Tm 1.4), p. 30; (2Tm 3.16), p. 263; (Tt 1.11), p. 300; (Tt 3.9), p. 355). A preocupação teológica deve ater-se à edificação da Igreja.( Ver: João Calvino, As Pastorais, (1Tm 1.4), p. 30).

[36] “Devemos ficar satisfeitos com este oráculo celestial, sabendo que ele diz muito mais do que nossas mentes podem conceber” (João Calvino, O Evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 1.3),  p. 34). “O que aprouve a Deus nos revelar nós sabemos; o que sua Palavra revela apenas por meio de indícios, nós somente podemos saber em linhas gerais; e o que é afirmado fora da Palavra é apenas o esforço de uma espírito intruso ou de curiosidade vã” (Abraham Kuyper, A Obra do Espírito Santo, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 116).

[37] “O papado atual nos exibe um exemplo similar em seus teólogos, pois gastam toda sua vida em profundas especulações, contudo conhecem menos acerca de tudo o que pertence ao culto divino, à certeza de nossa salvação ou à prática da piedade, do que um sapateiro ou um agricultor conhece de astronomia. E o que é pior, deleitando-se com os mistérios exóticos, francamente desprezam o genuíno ensino da Escritura como algo indigno da categoria de mestres” (João Calvino, O Evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 3.4),  p. 117). “Dado que os homens estão sempre sujeitos a correr para os extremos e ocupar suas cabeças com  muitas coisas inúteis, Paulo nos revela aquilo que devemos aplicar totalmente nossas mentes e corações, ou seja, na busca em conhecer qual é a esperança da nossa vocação. Eu já vos disse que os homens são, no modo de dizer, nascidos para a curiosidade, e que caminham sem rumo e vagueiam, inventando muitas especulações malignas. Esse é o motivo por que muitos se atormentam demasiadamente, sempre aprendendo e jamais alcançando o conhecimento da verdade (2Tm 3.7), como afirma Paulo” (João Calvino, Sermões em Efésios, Brasília, DF.: Monergismo, 2009, p. 155-156).

[38]“A lógica dirigida pelo espírito de submissão a Deus, sempre será útil; caso contrário, esqueçamo-la. No entanto, devemos ter em que mente que “não podemos prender Deus na prisão da lógica humana” (Anthony Hoekema, Salvos pela Graça, São Paulo: Cultura Cristã, 1997, p. 86).

[39]Calvino orientou-nos pastoralmente, dizendo: “Que esta seja a nossa regra sacra: não procurar saber nada mais senão o que a Escritura nos ensina. Onde o Senhor fecha seus próprios lábios, que nós igualmente impeçamos nossas mentes de avançar sequer um passo a mais” (João Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 9.14), p. 330).

[40]Spurgeon (1834-1892) salientou: “Não se deve reter nenhuma doutrina. A doutrina retida, tão detestável na boca dos jesuítas, não é nem um pouco menos abjeta quando adotada por protestantes” (C.H. Spurgeon, Lições aos Meus Alunos, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1982, v. 2, p. 94). “O ensino saudável é a melhor proteção contra as heresias que assolam à direita e à esquerda entre nós” (C.H. Spurgeon, Lições aos Meus Alunos, v. 2, p. 89).

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