Tentando pensar e viver como um Reformado: Reflexões de um estrangeiro residente – Parte 10

A. A Narrativa Bíblica (Continuação)

A concepção cristã da Criação do homem encontra a sua base e fundamento na Palavra de Deus. Por isso, é essencial à nossa consideração, o que o Espírito Santo fez registrar no livro de Hebreus: “Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das cousas que não aparecem” (Hb 11.3).

Nesta passagem bíblica, subjazem algumas verdades que devem ser apenas esboçadas:[1]

  1. Deus é o Ser eterno que antecede a toda criação. Não há simbiose. A matéria não é eterna. Deus se distingue da criação (retirei algumas palavras daqui, É preciso corrigir os demais textos). Aqui não há espaço para nenhum tipo de Deísmo (Deus distante da Criação), Panteísmo (Deus se confunde com a matéria), Teísmo Finito (Deus é bom mas, limitado pelo mal) ou Panenteísmo (Deus e o mundo são eternos): “Ele mesmo julga (jp;v) (shaphat) o mundo com justiça; administra (!yD) (diyn)[2] os povos com retidão (rIv’yme.) (meshar)[3] (Sl 9.8). [4]
  2. A fé é que deve dirigir a nossa compreensão a respeito da criação. Calvino (1509-1564), conclui: “É tão somente pela fé que chegamos a entender que o mundo foi criado por Deus”.[5]
  3. A criação é um ato livre da vontade soberana de Deus. Não há pressões externas ou necessidades internas que o impulsionem a criar.[6] Deus fez o que fez, quando fez, e como fez, por sua livre determinação.[7] “A criação do mundo não foi um ato arbitrário, senão que serviu para fins elevados e dignos, e estes fins estiveram de acordo com a bondade e sabedoria infinitas do Criador”, conclui Machen (1881-1937).[8]
  4. Nada pode existir sem que tenha sido criado por Deus (Jo 1.3), os Céus e a Terra são obras de Deus. Não há independência fora de Deus.
  5. A Palavra de Deus é o verbo criador. Deus, na força de seu poder em perfeita harmonia com a sua vontade, cria conforme fala: “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir” (Sl 33.9).
  6. A criação primária foi gerada do nada (creatio ex-nihilo),[9] sem existência prévia. A possibilidade de algo vir a existir fora de Deus elimina a Deus como Deus. Não há dualismo nem sinergismo na criação.[10] Deus cria e tudo veio a existir. Aqui temos a confissão de um mistério, não a sua explicação.[11] Tudo o que porventura possa ter existido anterior à criação descrita em Gn 1, deve ser compreendido dentro da esfera da criação como todo, porque somente Deus tem poder para chamar “… à existência as coisas que não existem” (Rm 4.17).[12] “Um absoluto não-ser precedeu o ser do mundo, e nesse sentido nós podemos dizer que Deus fez o mundo do nada”, sintetiza Bavinck.[13]
  7. A criação se distingue de Deus, não sendo sua emanação ou extensão, mas o resultado de sua vontade e poder.

Algumas dessas verdades se depreendem também, das narrativas da Criação, registradas em Gn 1.1-2.25[14] e de outros textos bíblicos, tais como:

Neemias 9.6: Só tu és Senhor, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus te adora.

Jó 26.7: Ele estende o norte sobre o vazio e faz pairar a terra sobre o nada.

Salmo 90.2: Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.

Salmo 102.25: Em tempos remotos, lançaste os fundamentos da terra; e os céus são obra das tuas mãos.

Salmo 148.1-5: Aleluia! Louvai ao Senhor do alto dos céus, louvai-o nas alturas. 2 Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões celestes. 3 Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes. 4 Louvai-o, céus dos céus e as águas que estão acima do firmamento. 5 Louvem o nome do Senhor, pois mandou ele, e foram criados.

Mateus 19.4-5: 4 Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher 5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?

Lucas 3.38: Cainã, filho de Enos, Enos, filho de Sete, e este, filho de Adão, filho de Deus.

João 1.1-5: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 2 Ele estava no princípio com Deus. 3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. 4 A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. 5 A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.

Romanos 1.20,25: 20 Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis (…). 25 pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!

Colossenses: 1.16-17: 16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

Hebreus 1.1-2: Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.

Apocalipse 4.11: 11Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.

Desse modo, a nossa compreensão bíblica é determinada pela própria revelação de Deus contida na Bíblia.  As Escrituras não devem ser interpretadas simplesmente à luz da história, ou de seus condicionantes políticos, sociais, econômicos e culturais, antes, olhamos a história a partir da perspectiva das promessas divinas.[15]

Quando estudamos qualquer tipo de construção intelectual, não podemos ignorar os valores e pensamentos que vigoram ou procuram adquirir a supremacia em sua época. O clima intelectual que envolve, obviamente, questões sociais, políticas, econômicas e teológicas entre outras, tem poder, quase sempre não perceptível aos seus contemporâneos, de influenciar nossas perguntas, pesquisas e respostas que, em parte, já são condicionadas pelas nossas pressuposições.  Nenhuma teoria, por mais simples que seja, passa incólume a um pressuposto que tenha em seu cerne uma crença religiosa.[16]

A questão é sempre dependente de saber em qual ponto fixo a minha base para mover as ideias e ações. Para nós cristãos, o ponto de partida não é intrínseco ou imanente, antes extrínseco ou transcendente: O Deus transcendente e pessoal que se revela e se relaciona conosco.

As Confissões e Catecismos reformados, sensíveis aos ensinamentos bíblicos, pelo Espírito, confessam tal verdade.

O Catecismo de Heidelberg (1563), à pergunta 26, “Que é que crês, quando dizes: ‘Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra’?”, responde:

Que o eterno Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do nada criou o céu e a terra com tudo que neles há, que também os sustenta e governa pelo seu Filho – meu Deus e meu Pai. Confio nele tão completamente que não tenho nenhuma dúvida de que Ele proverá de todas as coisas necessárias ao corpo e à alma.

A Segunda Confissão Helvética (1562-1566), no capítulo VII, declara:

Este Deus bom e onipotente criou todas as coisas, visíveis e invisíveis, pela sua Palavra coeterna, e as preserva pelo seu Espírito coeterno, como Davi testificou, quando disse: “Os céus por sua palavra se fizeram, e pelo sopro de sua boca o exército deles” (Sl 33.6).

Do mesmo modo ensina A Confissão de Westminster (1647):

Ao princípio aprouve a Deus o Pai, o Filho e o Espírito santo, para a manifestação da glória do seu eterno poder, sabedoria e bondade, criar ou fazer do nada, no espaço de seis dias, e tudo muito bom, o mundo e tudo o que nele há, visíveis ou invisíveis (IV.1).[17]

A Escritura Sagrada foi-nos dada com propósitos específicos. Dentro destes propósitos ela é suficiente e eficaz. Sabemos, por exemplo, que a Bíblia não tem a pretensão de fazer ciência. Ela não é um manual científico que pretenda ensinar-nos a respeito de Química, Física, Biologia, Botânica, Astronomia, etc. Entretanto, cremos que o que ela diz no campo científico, é a verdade do ponto de vista fenomenológico.[18]

As Escrituras foram registradas dentro de seu propósito existencial-redentor-escatológico. Não há divergência real entre a genuína ciência e a correta interpretação da Bíblia,[19] já que Deus é o Senhor de toda a verdade.

Calvino (1509-1564) destacou isso quando comentando, Gênesis 1.14, disse: “É necessário relembrar, que Moisés não fala com agudez filosófica sobre os mistérios ocultos, porém relata aquelas coisas que em toda parte observou, e que igualmente são comuns aos homens simples”.[20]

Ou seja, Moisés, inspirado por Deus, escreveu do ponto de vista de como os fenômenos são percebidos, sem a preocupação – já que este não era o seu objetivo – de registrar com terminologia científica os fatos. Acrescentaríamos: Na hipótese de Moisés ter escrito conforme os padrões científicos de sua época – o que de fato não fez, sendo isso extremamente impressionante se considerarmos que ele teve uma formação primorosa dentro dos moldes egípcios e conseguiu romper com ela – certamente o que dissesse seria ridicularizado hoje por ser considerado fruto de uma concepção pré-científica.

Por outro lado, se redigisse o relato da Criação de forma científica absoluta, que certamente não era a dos egípcios e, também, não é a nossa, pergunto: entenderíamos hoje o que ele teria dito? A resposta é não. As Escrituras continuariam sendo ridicularizadas, nesse caso, simplesmente, pela nossa ignorância científica. A linguagem descritiva dos fatos conforme se apresentam à nossa percepção, é o melhor modo de tornar algo compreensível a todas as épocas. Assim, Deus se designou fazer e o fez.

Em outro lugar, Calvino continua:

Moisés registra que foi acabada a terra e acabados os céus, com todo o exército deles (Gn 2.1). Que vale ansiosamente indagar em que dia, à parte das estrelas e dos planetas, hajam também começado a existir os demais exércitos celestes mais recônditos, quais sejam os anjos? Para não alongar-me em demasia, lembremo-nos neste ponto, como em toda a doutrina da religião, de que se deve manter a só norma de modéstia e sobriedade, de sorte que, em se tratando de cousas obscuras, não falemos, ou sintamos, ou sequer almejemos saber, outra cousa que aquilo que nos haja sido ensinado na Palavra de Deus. Ademais, impõe-se, ainda, que no exame da Escritura nos atenhamos a buscar e meditar continuamente aquelas cousas que dizem respeito à edificação, nem cedamos à curiosidade, ou à investigação de cousas inúteis. E, porque o Senhor nos quis instruir não em questões frívolas, mas na sólida piedade, no temor do Seu nome, na verdadeira confiança, nos deveres da santidade, contentemo-nos com este conhecimento.[21]

Acreditamos na coerência de toda a realidade, considerando inclusive o pecado humano conforme registrado nas Escrituras, por isso, a ciência genuína nunca nos afastará de Deus, antes ela só encontrará o seu sentido pleno naquele que é o seu Senhor e para onde todo o real converge e encontra o seu verdadeiro significado.

Aliás, como bem acentuou Bavinck (1854-1921):

Qualquer ciência, filosofia ou conhecimento que suponha poder firmar-se em suas próprias pressuposições, deixando Deus de fora de suas considerações, transforma-se em seu próprio opositor e desilude a todos que constroem suas expectativas nisto.[22]

Portanto, nós não temos medo dos fatos porque sabemos que os fatos são de Deus. Nem temos medo de pensar porque sabemos que toda verdade é verdade de Deus. A razão corretamente conduzida e o exercício da genuína ciência não oferecem perigo à fé, antes, são suas aliadas.[23]

Hodge (1797-1878) escreveu:

Ele [Deus] não ensinou astronomia ou química aos homens, porém Ele deu-lhes os fatos externos sobre os quais aquelas ciências são construídas. Tampouco ensinou-nos teologia sistemática, porém Ele deu-nos na Bíblia as verdades que, propriamente compreendidas e organizadas, constituem a ciência da Teologia.[24]

 

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

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[1] Para um tratamento mais completo dessas questões, veja-se, conforme já indicado: Hermisten M.P. Costa, Fundamentos Pressuposicionais da Teologia Reformada: Apontamentos teóricos e práticos,  Goiânia, GO.: Editora Cruz, 2022.

[2] No cântico de Ana, há a declaração do governo de Deus sobre “as extremidades da Terra”: “Os que contendem com o SENHOR são quebrantados; dos céus troveja contra eles. O SENHOR julga (!yD) (diyn) as extremidades da terra, dá força ao seu rei e exalta o poder do seu ungido” (1Sm 2.10). A Palavra enfatiza o domínio de Deus sobre todos os povos; todas as nações da Terra. “Ele julga (!yD) (diyn) entre as nações; enche-as de cadáveres; esmagará cabeças por toda a terra” (Sl 110.6). Isto deve ser proclamado entre as nações: O nosso Deus não é de uma cultura ou de um povo, antes é o Rei; e como tal,  juiz de todas as nações: “Dizei entre as nações: Reina o SENHOR. Ele firmou o mundo para que não se abale e julga (!yD) (diyn) os povos com equidade” (Sl 96.10).

[3]A palavra retidão significa, entre outras coisas: Sinceridade (1Cr 29.17); Equidade (Sl 17.2; 96.10; 98.9; 99.4; Pv 1.3; 2.9); Retamente (Sl 75.2); Coisas retas (Pv 8.6; 23.16); Suavidade (Pv 23.31; Ct 7.9); Caminho plano (Metaforicamente) (Is 26.7); Reto (Is 33.15); Direito (Is 45.19); Concórdia (Dn 11.6).

[4] Veja-se: W. Gary Crampton; Richard E. Bacon,  Em Direção a uma Cosmovisão Cristã, Brasília, DF.: Monergismo, 2010, p. 93-106; Cosmovisão: In: Norman Geisler, Enciclopédia de Apologética, São Paulo: Editora Vida, 2002, (2ª impressão),  p. 188-189.

[5] João Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 11.3), p. 298.

[6] Ver: J. Moltmann, Doutrina Ecológica da Criação, Petrópolis, RJ.: Vozes, 1993, p. 119.

[7] Ver: J. Moltmann, Doutrina Ecológica da Criação, p. 126ss.

[8] J. Gresham Machen, El Hombre: La Enseñanza Bíblica sobre el hombre, Lima: El Estandarte de la Verdad, 1969, p. 82.

[9] Excelente o comentário de Bavinck a respeito da expressão latina tardia não encontrada nas Escrituras (2Mc 7.28), mas, que faz jus ao sentido bíblico da criação como sendo o ato sábio e poderoso de Deus que traz à existência coisas que antes não existiam (Veja-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 425-429).

[10] A compreensão de que a Criação foi a partir do nada, reforça o conceito de total autonomia de Deus, podendo criar o que bem desejasse e, também, a total dependência ontológica da criação do seu Criador (Veja-se: Alister McGrath, A Ciência de Deus: Uma introdução à teologia científica, Viçosa, MG.: Ultimato, 2016, p. 65-66).

[11] Ver: Criação: In: J.I. Packer, Teologia Concisa, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1999, p. 19.

[12] Veja-se: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 548.

[13]Herman Bavinck, Teologia Sistemática, Santa Bárbara d’Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 180.

[14]Quanto à distinção dos nomes empregados para Deus nas primeiras narrativas de Gênesis, Veja-se, entre outros: Gleason L. Archer Jr., Merece Confiança o Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1974, p. 130-135, especialmente, p. 132-133. Para um estudo mais detalhado a respeito dos nomes bíblicos usados para Deus, entre uma ampla bibliografia disponível, vejam-se: Herman Bavinck, Dogmática Reformada: Deus e a Criação, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 2, p. 97-150; Emil Brunner, Dogmática, São Paulo: Novo Século, 2004, v. 1, p. 155ss.; p. 159ss.; H. Bietenhard, o(noma, etc.: In: G. Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1981 (Reprinted), v. 5, p. 242-283.

[15]Veja-se: David M. Lloyd-Jones, Do Temor à Fé, Miami, Florida: Vida, 1985, passim

[16]Veja-se: Roy A. Clouser, O mito da neutralidade religiosa: um ensaio sobre a crença religiosa e seu papel oculto no pensamento teórico,  Brasília, DF.: Monergismo, 2020,  Edição do Kindle.

[17]Vejam-se, também: Catecismo Maior de Westminster, Perg. 15; e Catecismo Menor de Westminster, Perg. 9.

[18] Strong, de forma irônica, pergunta a respeito da descrição do texto de Gn 24.63: “Seria preferível, no Antigo Testamento, se o texto dissesse: ‘Quando a revolução da terra sobre o seu eixo fez com que os raios do luminário solar impingissem horizontalmente sobre a retina, Isaque saiu para meditar’?” (August H. Strong, Systematic Theology, 35. ed. Valley Forge, PA.: The Judson Press, 1993, p. 223). Vejam-se, também: John H. Gerstner, A Doutrina da Igreja Sobre a Inspiração Bíblica: In: James M. Boice, ed. O Alicerce da Autoridade Bíblica, São Paulo: Vida Nova, 1982, p. 26-27; R.C. Sproul, razão Para Crer, São Paulo: Mundo Cristão, 1986, p. 15-25; Bruce K. Waltke, Gênesis, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 87-88 (especialmente); Francis A. Schaeffer, Nenhum conflito final: a Bíblia sem erro em tudo o que ela afirma, Brasília, DF.: Monergismo, 2017, p. 29-33; Alan Richardson, Genesis I-XI Introduction and Commentary, London: SCM Press, 1953, p. 35-38 (especialmente). A referência a este último autor é feita com cautela. Ele parte dos pressupostos da hipótese documental, interpretando inclusive, os 11 primeiros capítulos de Gênesis como “parábola” (Cf. Alan Richardson, Introdução à Teologia do Novo Testamento, São Paulo: ASTE, 1966, p. 247; Alan Richardson, Genesis I-XI Introduction and Commentary, London: SCM Press, 1953, p. 27-34. Para uma visão crítica desta posição, veja-se: G.L. Archer Jr., Merece Confiança o Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1974, p. 225. Para uma crítica mais recente a essa e outras posições que negam a literalidade de Gênesis 1-11, consulte: Walter Kaiser, Documentos do Antigo Testamento, São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 49-76). Veja-se também: Poythress Vern S., Redimindo a filosofia: uma abordagem teocêntrica às grandes questões, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 56ss.

[19]Tomás de Aquino (1225-1274), com discernimento, comentou: “Já que a palavra de Deus ultrapassa o entendimento, alguns acreditam que ela esteja em contradição com ele. Isto não pode ocorrer” (Tomás de Aquino, Súmula Contra os Gentios, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 8), 1973, VII, p. 70). Veja-se: A.A. Hodge, Esboços de Theologia, Lisboa: Barata & Sanches, 1895, p. 7.

[20]John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1981 (Reprinted), v. 1, (Gn 1.14), p. 84. Do mesmo modo, ver Gn 1.15, p. 85-86; As Institutas, I.14.3; John Calvin, Commentary on the Book of Psalms, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (Calvin’s Commentaries, v. 6/4), 1996 (Reprinted), (Sl 136.7), p. 184-185. Curiosamente Tomás de Aquino (1225-1274) havia usado argumento semelhante ainda que com propósitos diferentes, referindo-se aos leitores de Moisés como “ignorantes”, daí a sua condescendência. Após tratar de Gn 1.6, acrescenta: “Deveríamos antes considerar que Moisés estava a falar para gente ignorante, e que condescendendo à sua fraqueza só lhes apresentou coisas tais que fossem aparentes aos sentidos. Ora, mesmo os menos instruídos podem perceber pelos seus sentidos que a Terra e a água são corpóreas, embora não seja evidente para todos que o ar também é corpóreo (…) Moisés, então, embora mencionasse expressamente a água e o ar, não faz qualquer menção explícita do ar pelo nome, para evitar apresentar a pessoas ignorantes algo que estava para além do seu conhecimento” (Thomas Aquina, “Summa Theologica,” The Master Christian Library, Verson 8.0 (CD-ROM), (Albany, OR: Ages Software, 2000), v. 1, Primeira Parte, Questão 68, Argumento 3, p. 819. Ver no mesmo volume: Questão 61, p. 724 e Questão 66, p. 791-792 (Ver também: Philip Schaff; David S. Schaff, History of the Christian Church, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1996, v. 8, p. 680).

[21]João Calvino, As Institutas, I.14.4.

[22]Herman Bavinck, Our Reasonable Faith, 4. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1984, p. 20.

[23]Veja-se: J.I. Packer, “Fundamentalism” and the Word of God, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1988 (Reprinted), p. 34.

[24]Charles Hodge, Systematic Theology, Grand Rapids, Michigan: Wm. Eerdmans Publishing Co. 1986, v. 1, p. 3. Do mesmo modo Calvino escrevera: “O Espírito Santo não teve intenção de ensinar astronomia; e, com o propósito de instruir procurou ser comum às pessoas mais simples e iletradas. Ele fez uso de Moisés e de outros Profetas que empregaram uma linguagem popular, de tal modo que ninguém poderia se abrigar sob o pretexto de obscuridade, como nós às vezes vemos muito prontamente homens fingindo uma incapacidade para entender, quando qualquer coisa profunda ou misteriosa é submetida à sua consideração” (John Calvin, Commentary on the Book of Psalms, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House (Calvin’s Commentaries, v. 6/4), 1996 (Reprinted), (Sl 136.7), p. 184-185).

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