As mulheres podem ensinar na Igreja?

Por J.D. Greear

 

Introdução do assunto 

Em 1 Timóteo 2:12 o apóstolo Paulo ordena que a mulher seja proibida de “ensinar ou de exercer autoridade sobre o homem” na igreja. Alguns sugerem que Paulo tinha em mente apenas uma situação numa igreja local, onde as mulheres eram rebeldes. Mas a argumentação que Paulo usa – que o homem foi criado primeiro, depois Eva, e que ela foi enganada primeiro, enquanto ele abertamente se rebelou primeiro – exclui tal possibilidade. Paulo fundamenta sua regra para a igreja de Timóteo a partir da ordem da criação. Que significa se aplica a todas as igrejas.

A gramática usada por Paulo indica que ele tinha em mente duas coisas que queria proibir: o ensino e a autoridade (aceitamos que a análise gramática de Andreas Köstenberger é convincente aqui). Em outras palavras, Paulo não estava apenas dizendo que a mulher não pode governar com a função de presbítero, mas também que existe um certo tipo de ensino que ela não pode praticar na assembleia da igreja.

É claro, no entanto, que são dados às mulheres o dom e a responsabilidade de ensinar no reino de Deus. Certamente, como Paulo ordena em Tito, elas devem ensinar outras mulheres (Tito 2:3-5). No entanto, por toda a Bíblia vemos também mulheres instruindo e exortando audiências mistas, tanto publicamente como de forma privada. No Antigo Testamento, Débora distribuiu sua sabedoria para Israel em sua árvore (Juízes 4:4), e as duas músicas de Miriã e Débora foram dadas publicamente para instruir e edificar Israel (Êxodo 15; Juízes 5). No Novo Testamento, Priscila, junto com seu marido, tutoreou a Apolo (Atos 18:26). As mulheres profetizaram publicamente na igreja do Novo Testamento (Atos 2:11,17; 1 Coríntios 11:5; 14:26), e toda a congregação, incluindo homens, aprenderam com essas profecias (1 Co 14:31; Rm 15:14).  Além disso, Paulo ordena a congregação a instruir e admoestar uns aos outros, e essas ordenanças “uns aos outros” são dadas sem nenhuma distinção de gênero (Cl 3:16; Ef 5:19-20[1]; 1 Co 14:28).

Assim, quase todos os complementaristas concedem que as mulheres podem e devem “ensinar” na igreja de alguma forma – isto é, se “ensino” for definido como a exposição do conteúdo do evangelho ou como exortações para serem cridas e obedecidas. É somente um certo tipo de ensino que é proibido às mulheres. Por exemplo, Jonh Piper, que está entre os complementaristas mais conservadores, afirma, “pelo contexto, eu acho que [1 Tm 2:12] significa que as mulheres não devem ser as autoridades do ensino da igreja, i.e. elas não devem ser presbíteras”. O que Piper continua dizendo, no entanto, é que mulheres como Beth Moore e Elisabeth Elliot devem ser livres para escrever, falar e ensinar publicamente, e que os homens podem e devem aprender com elas – como ele o fez. Sobre o ministério da Elisabeth Elliot, a quem ele chama de “Beth Moore” da sua geração, ele diz, “eu amo isso! Joga na cara deles Elisabeth! Ela estava sempre jogando sua vida pra baixo e sendo radicalmente obediente e totalmente comprometida”.

Outros complementaristas conservadores permitem que a mulher dê um testemunho na igreja, mesmo durante o culto dominical, até se a sua fala estiver cheia da exposição do conteúdo do evangelho e por exortações a serem obedecidas. No entanto, como um pastor me contou recentemente, ela não deve fazer isso “durante ou como um sermão”. No entanto, ele diz, mulheres devem e podem exortar outros na igreja – até outros homens – a obedecerem (Romanos 15:14).

 

QUE TIPO DE ENSINO É RESERVADO APENAS PARA OS HOMENS NA IGREJA?

Que tipo de ensino, então, é proibido às mulheres? Aqui estão três respostas possíveis:

 

Resposta 1: Qualquer ensino público na Igreja

Segundo esse entendimento, as mulheres podem ensinar informalmente, como Priscila fez com Apolo, ou no contexto de uma discussão em grupo (como pode acontecer em um grupo pequeno). Seu “ensino”, no entanto, nunca deve acontecer no contexto formal da assembleia da igreja ou no público ministério da igreja.

O problema com essa resposta é que a Escritura nos apresenta muitas mulheres publicamente explicando, exortando e edificando o povo de Deus. A substância do que elas compartilham só pode ser chamada de “ensino”. Por exemplo, tanto Miriã como Débora instruíram e exortaram através de cânticos proféticos. As mulheres na igreja de Corinto davam profecias, hinos, lições ou revelações em cultos nos quais os homens podiam aprender (1 Co 11:4-5; 26-32)

Alguns complementaristas (como Wayne Grudem) insistem que as profecias públicas que Paulo permite às mulheres em 1 Coríntios 11 e 14 consistiam apenas em revelações espontâneas. Ele afirma que a permissão de Paulo não incluiria a preparação com antecedência de observações sobre uma passagem da Escritura. Enquanto respeitamos a interpretação do Grudem e achamos que sua exegese é iluminadora, acreditamos que sua perspectiva sobre profecia falha em se adequar a todas suas ocorrências no Novo Testamento. Os evangélicos há muito reconhecem que “profecia” inclui tanto “previsão” (a previsão de Ágabo dos iminentes problemas de Paulo, At 21:10) e “proclamação” (declarando as obras grandiosas de Deus, como claramente é praticado em Atos 2:11, 16). O último inclui proclamar o que Deus já fez, explicando sua importância, e exortando os ouvintes a viverem diferente à luz disso.

Além disso, nem toda expressão profética na igreja de Corinto parece ser espontânea. Paulo espera que os crentes venham ao culto com um “hino, doutrina ou revelação”, indicando que Deus pode ter colocado essas coisas no coração deles durante a semana (1 Co 14:26). Em cada sermão que eu preparo eu peço a Deus para me ajudar a falar “profeticamente”, o que inclui confiar nele tanto para trazer ideias à minha mente de forma espontânea enquanto prego o sermão, e também para me guiar durante o meu estudo, me mostrando palavras de testemunho e aplicações específicas e oportunas para nossa congregação. Assim, acreditamos que 1 Co 11 indica que podem ser dadas às mulheres, também em seus estudos pessoais, “palavras” de instrução e exortação para a igreja em geral. E deve ser dado a elas espaço para compartilhar essas palavras com o corpo de Cristo.

Acreditamos também que uma proibição geral das mulheres de ensinarem publicamente deve se estender a um grupo pequeno ou à Escola Dominical. Essas não são assembleias de toda a igreja, mas elas são assembleias oficiais e instrutivas da igreja. Se a intenção de Paulo era de proibir as mulheres de qualquer ensino público na igreja, é difícil de ver como essa proibição não estenderia a qualquer outra reunião feita em nome da igreja. Isso significa que elas não devem compartilhar insights das Escrituras ou exortações para serem obedecidas em qualquer reunião mista da igreja.

Outras práticas geralmente aceitas também se tornam problemáticas de acordo com essa perspectiva. Se for verdade que as mulheres não devem ensinar ou pregar para homens em qualquer reunião pública da igreja, segue-se então que um pastor nunca deve recomendar um livro escrito por uma mulher a toda a igreja. Nem deve ser permitido a mulher dar um testemunho na igreja que inclui exposição de conteúdo da Escritura, nem de exortar os ouvintes a obedecer, se alguns desses ouvintes são homens. Se ela está proclamando as obras grandiosas de Deus (como em Atos 2), e durante isso ela intencionalmente expõe os conteúdos do evangelho, ela peca. Também a mulher nunca deve liderar a igreja em cânticos, já que as letras das músicas possuem tanto ensino e exortações.

Finalmente, de acordo com esse entendimento, é difícil de entender porque Deus designou os cânticos de certas mulheres (Miriã e Débora) para publicamente edificar Israel durante o Êxodo e durante o tempo dos Juízes. Mesmo em tempos extraordinários, será que Deus iria contrariar a sua ordem da criação?

 

Resposta 2: O “sermão”

Alguns complementaristas são confortáveis com uma mulher expondo e exortando nas reuniões públicas da igreja, desde que o seu “ensino” não aconteça durante “o sermão”. Uma forte distinção existe, eles acreditam, entre o que Paulo ordena a Timóteo, “pregue a palavra” (2 Tm 4:2) e o que ele encoraja a toda igreja, “instruir uns aos outros” (Rm 15:14).

O desafio aqui é que “o sermão” como tal nunca é definido para nós na Bíblia. Se a bíblia diz alguma coisa, 1 Co 14:26-32 parece indicar um número de oradores no culto do Novo Testamento, não um momento específico e oficial em que uma única voz ocupa a última metade do culto, quando um homem ensina numa passagem. O livro de Atos relata muitas das mensagens dos Apóstolos, mas nunca é dado um único exemplo de uma mensagem num culto. Além disso, nada no contexto da exortação de Paulo a Timóteo em 2 Tm 4:2 sugere que ele tinha em mente apenas uma exposição de 30 minutos acontecendo na última metade do culto, ou que 2 Tm 4:2 não tem aplicações para as mulheres.

Isso não é para reduzir a importância do sermão na igreja, nem para sugerir que o tipo de ensino que Paulo tem em mente em 1 Tm 2:12 não acontece mais naturalmente durante o que chamamos de “o sermão”. O sermão é o centro de nossos cultos aqui na Summit Church, e nós o vemos como o componente mais crucial para cumprir a exortação de Jesus de “ensinar todas as coisas que ele ordenou” e a de Paulo, “pregue a palavra”. Concordamos com John Piper que “pregação (i.e. o sermão) é o coração da liderança da igreja”. Mas, porque a Bíblia nunca nos dá uma definição apropriada para o sermão (ou até usa essa palavra), nem distingue formalmente “pregar” de “ensinar” (i.e. quando que as exortações que as mulheres podem fazer se tornam um sermão, e quando elas não se tornam?), acreditamos que existe uma forma melhor de classificar o tipo de ensino que Paulo proíbe às mulheres. (Por exemplo, se uma mulher, entre duas músicas de louvor, compartilha uma reflexão na Escritura de cinco minutos com exortações para serem ouvidas e obedecidas, o que faz com que isso não possa ser considerado “pregação”? Se demorasse 50 minutos iria se tornar uma “pregação”?)

Dessa forma, construir uma forte e rápida distinção entre “pregação” e “ensino”, ou entre a exposição de 30 minutos na última metade do culto e qualquer outro momento de exposição e exortação na igreja, é impor uma categoria na Escritura que não é apresentada pela Escritura.

Cremos que não é sábio construir uma regra completamente fora de algo que nunca foi definido na Escritura. Assim, nós precisamos de uma classificação mais consistente e mais bíblica do tipo de ensino proibido às mulheres na igreja.

 

Resposta 3: O “ofício especial” de ensino na igreja

Segundo essa perspectiva, o tipo de ensino que Paulo tem em mente em 1 Tm 2:12, que ele restringe aos homens, é o ofício reconhecido do ensino na igreja, que possui a autoridade da igreja e cumpre oficialmente a responsabilidade de preservar e de transmitir a fé de geração a geração (Judas 3).

John Frame e Vern Poythress explicam que as igrejas reformadas já há muito tempo reconhecem a distinção entre ensino “geral” e “especial” na igreja. O ensino geral é a exposição de um conteúdo e exortações a serem obedecidas, e eles acreditam que as mulheres podem – e devem – realizar esse tipo de ensino mesmo durante o culto público e formal ou em audiências mistas da igreja (como em uma sala de Escola Dominical). Ensino “especial” é o ensino em uma igreja local que possui a autoridade da igreja, cumpre a sua responsabilidade de preservar a fé, e a qual Deus chama as pessoas a se submeterem ou de serem removidos daquela igreja (Hb 3:7,17).

Quando Paulo diz que as mulheres não devem ensinar ou exercer autoridade sobre um homem na igreja (1 Tm 2:12), ou que elas devem estar em silêncio durante o culto (1 Co 14:34), é essa capacidade de ensino “especial” e oficial que ele tem em mente. Ele não poderia estar falando da capacidade de ensino geral, pois a Escritura encoraja – ordena – as mulheres em muitos outros lugares a ensinarem dessa forma.

Enquanto nós acreditamos que “ensino” e “exercer autoridade” são duas ideias separadas para Paulo, o contexto da sua declaração deixa claro que o tipo de ensino que ele está proibindo é o ensino que mais naturalmente coaduna com o ofício de presbítero. Considere isso: O que exatamente é “autoridade” na igreja? Não pode significar fidelidade inquestionável ao que é ensinado, já que a Escritura encoraja a congregação a avaliar qualquer ensino da igreja, mesmo quando é feito por presbíteros, à luz de outras partes da Escritura (At 17:11). “Ensino autoritativo” numa igreja é (1) ensino que é obrigatório para aquela congregação em particular e, (2) o ensino que abrange o cumprimento da responsabilidade da igreja de transmitir a fé à próxima geração. Os presbíteros possuem a “autoridade” de remover daquela comunidade local (sob o consenso da congregação como um todo) aqueles que rejeitam esse ensino oficial da igreja (Tt 3:10-11).

Por isso que “ensino” e “autoridade” estão juntos de maneira mais formal no ofício do presbítero. A instrução de Paulo sobre os presbíteros em 1 Tm 3:1-7 é o fluxo natural da ordenança de Paulo em 2:12 (considerando especialmente que não houve nenhuma “quebra de capítulo” na carta original de Paulo; essas seções eram parte da mesma unidade de instrução). Os presbíteros possuem a responsabilidade de preservar a integridade da fé na congregação, bem como propagá-la para o mundo.

As mulheres não devem ocupar esse papel especial e autoritativo de mestre na igreja, nem formalmente nem funcionalmente. Por isso a distinção de Paulo entre “ensino” e “autoridade” como duas coisas diferentes em 1 Tm 2:12 é significativa. Ele não está dizendo que as mulheres podem ser as mestras principais na igreja, desde que elas o façam sem exercer a função de presbítera. Ele está dizendo que elas não devem ensinar como presbíteras ou do modo como ensinam os presbíteros. Ensinar como um presbítero, mesmo sem oficialmente ser um presbítero, é ir contra o espírito da ordem que Paulo expõe em 1 Tm 2:12-14.

É verdade que “não ensinar como um presbítero” gera uma área cinzenta. Mas se estamos comprometidos em não irmos além em nossas restrições do que a bíblia vai, nós devemos estar dispostos a insistir no princípio e permitir que cada congregação determine a melhor forma de aplicá-lo. Nós não cremos que honramos a Deus ao erigir barreiras em relação à lei, por mais bem intencionadas que essas barreiras possam ser. Queremos ser claros onde a Bíblia é clara, e deixar indefinido onde ela deixa indefinido.

Nós, na Summit Church, cremos que essa é a posição mais consistente com a história bíblica e em particular, evangélica. Por toda a história, Deus tem levantado mulheres com incríveis dons de ensino e profecia – em anos recentes, mulheres como Elisabeth Elliot, Elyse Fitzpatrick, e Beth Moore – que tem contribuído muito para o corpo de Cristo. Enquanto essas mulheres nunca devem ensinar como presbíteras na igreja, os seus ministérios públicos devem ser encorajados.

Baseado nessa conclusão, três questões práticas são apresentadas:

  1. Na Summit Church, uma mulher pode ensinar num encontro formal da igreja, como numa classe de Escola Dominical ou em um estudo bíblico?

Sim, mas não se ela o faz de forma que imita a autoridade de ensino de um presbítero. As percepções são importantes, e se alguns da igreja começam a olhar para a mulher que está ensinando como sua principal líder-pastor, tanto ela como eles estão em erro. Dessa forma, onde os grupos pequenos, ou salas de Escola Dominical imitam as funções pastorais da igreja (responsabilidade de pastoreio, estágios iniciais da disciplina), nós cremos que grupos mistos devem ser liderados (ou pelo menos co-liderados) por homens.

  1. Uma mulher pode ensinar durante o tempo que tradicionalmente é chamado de “sermão” num dos nossos cultos semanais?

Sim e não. Como dissemos, nós cremos que a mulher não deve ensinar de forma que imite a autoridade de um presbítero, e nós cremos que o sermão é o coração da liderança da igreja. Assim, nós escolhemos não permitir as mulheres de ocupar, por elas mesmas, o componente principal de ensino no culto semanal. Apesar de que já tivemos mulheres expondo e exortando do “púlpito” durante o momento do “sermão”, nós sempre o fizemos de forma que comunicasse que ela não possui a responsabilidade oficial da igreja de ensinar. Por causa da importância do sermão em nossos cultos, cremos que ter uma mulher ocupando o espaço primário de ensino (da forma como eu faço cada semana) faria com que seu ensino se tornasse como o de um presbítero, ainda que ela não seja tecnicamente uma presbítera.

O ensino recente de Elyse Fitzpatrick é um bom exemplo de como nós tentamos cumprir isso. Um presbítero explicou o contexto, convidou Elyse à frente para fazer a ela uma séria de perguntas, e então conduziu o culto aplicando as palavras delas especificamente à Summit Church. A instrução do presbítero, sua presença no palco e sua aplicação no final “oficializaram” a exposição e a exortação dada por ela à Summit Church, e deixou claro que ela não estava ensinando como uma presbítera de nossa igreja. Ela explicou o conteúdo, mas nós, os presbíteros da Summit, carregamos o peso da responsabilidade do ensino.

  1. Um homem pode trabalhar para uma mulher dentro da igreja?

Sim. Nós não cremos que a proibição de Paulo proíbe as mulheres de supervisionarem homens em certos departamentos da igreja. Tais departamentos funcionam sob a autoridade dos presbíteros, e os presbíteros ostentam as responsabilidades de autoridade pastoral nesses departamentos.

Nós também não cremos que as instruções de Paulo significam que as mulheres devem ser submissas a todos os homens em todos os lugares, ou que a proibição de Paulo em 1 Tm 2:12 proíbe as mulheres de serem autoridades sobre os homens em seus locais de trabalho, salas de aula ou cargos políticos. Nós cremos que a exortação de Paulo em 1 Tm 2:12 se aplica apenas à igreja. Ainda que a ordem criativa exista fora da igreja, nós devemos parar onde a Escritura para.

 

Considerações finais

A Summit Church é complementarista sem ter vergonha disso, nem comprometendo esses valores. Nós afirmamos sem qualificações o “Danvers Statement” sobre os papéis dos gêneros para o reino de Deus.

Preocupamo-nos em evitar dois erros em relação ao papel das mulheres no ministério. Por um lado, não queremos encorajar as mulheres a fazerem o que Deus as proibiu de fazer (1 Tm 2:15; Tt 2:3-6). Por outro lado, não devemos desencorajar as mulheres das oportunidades legítimas que Deus as deu no reino de Deus. Muitos complementaristas parecem apenas preocupados com o primeiro lado da questão. Eles querem garantir que as mulheres não façam algo que elas não devam fazer, mas não parecem estar preocupados se estão desencorajando as mulheres a fazerem aquilo que elas podem e devem fazer. Como disse Jen Wilkin, muitas mulheres na igreja estão “lutando para serem vistas como necessárias além do ministério infantil e feminino. Elas estão lutando para contribuir mais do que com hospitalidade ou com sua voz suave no grupo de louvor. Elas estão procurando por trajetórias de liderança para mulheres na igreja local e encontrando praticamente nada. Elas assistem seus irmãos receberem apoio e ficam imaginando quem irá as convidar para também receberem preparação para liderar”. Já que mais da metade dos crentes professos são mulheres, nós as queremos ver livres e autorizadas para servir no reino de Deus, respeitando os limites graciosos do Deus sábio e amoroso.

Finalmente, queremos defender a importância do papel que Deus deu apenas às mulheres: mãe. Aquelas mulheres a quem Deus abençoou com esse papel se encontram no coração do plano de Deus para a redenção, cumprindo o papel que a nenhum homem foi dado o privilégio de ter, um papel com o maior impacto no reino de Deus do que talvez qualquer outro (1 Tm 2:13). Minha mãe, uma professora universitária de biologia, escolheu ficar em casa comigo e com minha irmã durante nossos anos de escola regular, e ela foi o fator mais significante para formar minha fé desde a infância. Minha própria esposa, que se graduou com honras na Universidade da Virginia, escolheu ficar em casa com nossos quatro filhos. Nós nunca nos arrependemos dessa decisão. Nós sabemos que ao exaltar a maternidade e ao ensinar a distinção dos papéis, nós nos colocamos radicalmente contra nossa cultura, mas nós cremos que a Palavra de Deus é verdadeira, dada para o nosso bem, e deve ser respeitada em todas as gerações.

Como um pai de três filhas muito capazes, e como um pastor de uma igreja em que a maioria dos membros são mulheres (e a grande maioria são mulheres solteiras), eu desejo ver mulheres criadas para servirem o corpo de Cristo e livres para cumprirem a missão de Deus com toda a sua potencialidade. Cremos que Deus deu às mulheres todos os dons espirituais, as dotou com sua própria autoridade espiritual, e faz delas parceiras iguais no progresso da missão de Deus no mundo.

Como em todas as coisas, nós cremos que estamos em ordem com aqueles que analisam as distinções dos dons de forma diferente. Nesse ponto, nós concordamos nos princípios ainda que diferindo nas aplicações. Acima de tudo, nós cremos que a Palavra de Deus é boa e fiel, e que o seu desígnio para a igreja permanecerá por todo o tempo e irá fazer com que a igreja prospere, hoje e sempre.

 

NOTA:

[1] Em Ef 5, Paulo está prestes a entrar numa das mais claras exposições sobre a distinção de gêneros na bíblia. A sua exortação sobre admoestar um ao outro nos versículos 19-20 está logo antes dele fazer essa distinção.

 

Extraído de https://jdgreear.com/blog/can-women-teach-in-the-church/ 

Traduzido por Bruno Vasconcellos de Castro Melo

Revisado por Ewerton B. Tokashiki

Comments

  • jair Silveira
    Responder

    eu entendo pela palavra que a mulher não deve ensinar onde tem varões ,mais onde é culto só de mulher até pode, a biblia é bem clara,

  • Nazário de Sales Brandão
    Responder

    Amei esse estudo e quero mai!

  • Gilbarbudo
    Responder

    Mais a baixo fala em relação a que sejam ministros e não ministra de Cristo aos gentios e é princípio que a mulher não se ponha como cabeça e sim como auxiliadora. Ficam na paz.

  • Paulo Henrique
    Responder

    Opá tudo bem, amo pregar a palavra de Deus e visitar sites que possam me ajudar em minhas pregações, sempre que posso procuro sites que possam me edificar. Obrigado pelo conteúdo do seu blog me ajudou bastate. Valeu…