Aperfeiçoado (Parte final)

Por Fôlton Nogueira

 

Estando ele em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa,
muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome;
mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos.  E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem,  porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.  (João 2.23-25)

Costumamos ler este texto pensando no conhecimento divino de Jesus. Entretanto, levando em conta o que eu escrevi nos últimos domingos, gostaria de lhe convidar a pensar que, seus sofrimentos desde o berço, a rotina de uma vida corriqueira com poucos acontecimentos dignos de nota e a incompreensão familiar, contribuíram em muito para que ele também tivesse desenvolvido o discernimento comum aos humanos.

Para o Senhor deve ter sido digno de nota chefiar uma família de, pelo menos, seis irmãos – se, de fato, seu Pai morreu – assumindo as necessidades de casa através do trabalho da carpintaria. Por favor, não pense em fabricação de móveis. Talvez até ele os fizesse, mas o trabalho principal de um tekton (de onde vem nossa palavra arquiteto) era construir.

Ele deve ter levantado muitas colunas e assentado muitas vergas, umbrais e vigas. Preparado muitas coberturas para receber o enchimento de barro e betume que se usava então como telhado.

Quantas casas ele fez? Quantas empreitadas o pechincharam? Quantas seu coração generoso deixou barato? Quantos calotes levou aquele que estava destinado a levar o maior calote do mundo?

A chefia da oficina – e o perdão de eventuais devedores – deve ter sido o início dos desentendimentos com seus irmãos. Chefiar, perdoar e ser incompreendido está de acordo com sua índole e com sua missão. Não obstante, seu trabalho continua sendo o mesmo de toda eternidade: preparar-nos lugar.

O Senhor se fez servo – servo dos servos – para que nós, os verdadeiros servos, fôssemos feitos filhos, “por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Hb 2.11).

Eu espero que você tenha percebido minha intenção de mostrar, nesses quatro artigos, o quando nosso Senhor foi exposto às vicissitudes desta vida e o quanto isso o levou a entender nossas dificuldades ao ponto de poder interceder perfeitamente por nós.

É a isso que o escritor da Carta aos Hebreus chama de aperfeiçoar. Não que – como alguns doidos dizem – ele fosse imperfeito. Mesmo antes de adquirir nossa natureza, Ele era perfeito em tudo, mas para ser o verdadeiro Cordeiro de Deus ele tinha de se tornar semelhante a nós, e ele nunca havia sofrido o que o sábio chamou de: “enfadonho trabalho [que] impôs Deus aos filhos dos homens, para nele os afligir” (Ec 1.13).

Tornou-se, pelos sofrimentos, o sacerdote e a oferta perfeita.

 

Revisado por Ewerton B. Tokashiki

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